O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Uma história em quatro tatamis e meio

“A sala de 4.5 tatami e o meu mundo… Essa é minha convicção. Mas também há a realidade objetiva da situação. Onde está a pessoa responsável?

Relatando…

“Então eu era um calouro da universidade e diante de meus olhos foram abertas inúmeras portas para várias vidas diferentes no campus…”. Assim começa quase todos os episódios deste anime cujo personagem principal se intula apenas de “Watashi” ou em português”Eu”. E assim sendo a história é toda contada do ponto de vista do protagonista, um estudante universitário cheio de possibilidades que em seu caminho tem o triste encontro com Ozu, um jovem também calouro na universidade e que não mede escrúpulos para conseguir o que quer e que acaba se tornando o maior amigo e maior inimigo do protagonista.

Em cada um de seus 10 primeiros episódios  “Eu” vive uma das possibilidades de, como ele chama, sua vida cor-de-rosa no campus, porém nenhuma das possibilidades se torna cor-de-rosa, na verdade ela está mais para um mundo monocromático, do mesmo jeito que os personagens e cenários desta série, com leves pitadas de cor.

Além de Ozu, “Eu” acaba conhecendo diversos outros personagens incomuns, como a jovem Akashi san do qual “Eu” gosta, mas nunca toma atitude para tentar conquistá-la. Akashi san é uma personagem um pouco misteriosa, que morre de medo de mariposas, mas que consegue o que quer sempre através do trabalho, além disso, seu ar frio faz ela não se destacar muito no meio das demais garotas. Na história também há Higuchi san, um universitário do 8º ano que mais parece um rounin do japão medieval. Outros persongens de destaque também vão surgindo a medida que “Eu” vive novas vidas.

“Eu” viverá dez possibilidades e terá que passar por dez caminhos até perceber que no fim ele simplesmente vive um unica vida, mas qual vida será essa? Ao redor de 11 episódios você ver um “Eu” tenista e anti-cupido, um “Eu” ladrão, um “Eu” esportista, um “Eu” indeciso, o que leva o seu Johnny* a loucura e vários outros “Eu”s que no fim são sempre o mesmo “Eu”.

The Tatami Galaxy é uma história de comédia com uma moral, mas também uma obra de arte monocromática, nonsense e um pouco confusa. Enfim mais uma perfeita obra de Arte que a MadHouse e o Noitanima apresentaram.

Sobre a obra

A série de anime é uma adaptação de novel homônima de Morino Tomihiko publicada originalmente em 2004 e republicada em um novo formato em 2008. O TV anime foi produzido pelo Estúdio MadHoue e foi exibido no prestigiado programa Noitanima da TV Fuji. Ao todo a série possui 11 epiisódios e foi exibida de abril a julho de 2010. A direção ficou a cargo de Masaki Yuasa (Kaiba e Mind Game), com roteiro de Makoto Ueda e  do próprio Masaki Yuasa e com o  Caracter Designer de Nobutaka Ito (Kaiba e Kemonozume).

A série já começa surpreendendo com o visual que em geral é monocromático com pitadas de cores leves como o rosa e fortes como o vermelho. A animação é explorada de uma forma a parecer sem nenhuma energia em certas partes e com muita energia em outras, mas com erros intencionais que dar uam idéia ainda mais nonsense a série. Além disso, a série mistura personagens 2D com cenários 3D e ainda conta com cenas live action. A MadHouse como sempres não brinca em serviço e nos trás mais uma vez um show visual sem personagens ou cenários bonitinhos e fofinhos, mas com uma atmosfera mais irreal que acaba parodiando um mundo bem real.

E como era de se esperar o roteiro é tão inovador e incoerente quanto o visual,  A começar com um personagem principal que não possui nome, ou pelo menos não é informado no anime, ele simplesmente, como todos nós, se refere a si como “Eu”,  mas também é chamado de “Sempai” ou “você”. “Eu” conta as histórias sempre de seu ponto de vista e apesar de serem várias histórias diferentes os personagens se repetem,  sempre há um Ozu que acaba por enfernizar sua vida, mas que também é seu amigo, sempre há uma misteriosa Akashi san, um pensador Higuchi san, um pevertido Jougasaki san, uma ladra vidente que sempre diz a mesma coisa mas que a cada episódio aumenta o preço de seu conselho, há sempre um Neko Ramen, uma extrovertida Haruka san, uma sem rosto Keiko san e apaixonante boneca Kaori san. Além disso no final ele acaba sempre decepcionando o cowboy Johnny.

As 9 priemiras histórias mostram possibilidades diferentes começadas sempre com ingresso de “Eu” na faculdade, já o 10º epísódio mostra uma possibilidade mais próxima da realidade da vida do protagonista e o 11º segue a história e do episódio anterior e cumina em um final, que senão era inesperado, é no mínimo bem diferente além de ser  incrivelmente divertido.

A trilha sonora é muito boa com destaque para abertura abertura  “Magoinu to Ame no Bito” do Asian Kung fu Generation . A dublagem também é boa e conta no papel dos personagens “Eu”, Ozu e Akashi reespectivamente, Shintaro Asanuma (Isteban em Guin Saga), Hiroyuki Yoshino (Yoshimori Sumimura em Kekkaishi e Idris Tytania em Tytania) e Maaya Sakmoto (Nino em Arakawa Under the Bridge e Pandora em Saint Seiya Hades hen).

Opinando…

Uma das melhores séries de 2010 e depois de Arakawa a mais nosense e visualmente a mais inovadora. Apesar disso o melhor de tudo é a história e o final, pra mim um dos melhores finais de anime que vi. Um anime um pouco complexo, com um personagem principal que fala e pensa muito rápido e as vezes diz coisas muito confusas e que apesar de não ter nome é um personagem que marca, mas não é só ele que marca, o Ozu, a Akashi san, o Higuchi san e Até mesmo o Johnny são sensacionais personagens, aliás os demais personagens também são muito bons até a calada Kaori san que arrasa corações com seu jeito de ser. Um anime que recomendo muito, aliás não tem um anime do Noitanima que não tenha sido bom. E juntando MadHouse e Noitanima já era esperado que Youjouhan fosse um série incrível.

*Johnny – É como alguns autores de anime e mangá chamam o personagem que esboça a vontade sexual do personagem em si, também pode ser referência ao orgão sexual masculino.

**Noitanima – Um programa da TV Fuji que surgiu com a idéia de apresentar séries de anime com roteiros muito bem elaborados e diferentes do convencional. Algumas séries que passaram pelo Noitanima são: Kimi ni Todoke, Honey & Clover , Ayakshi, Paradise Kiss, Toushikan Sensou, Tokyo Magnitude 8.0, Higashi no Eden e Moyashimom. Atualmente ela exibe Kuragihime.

Comentários em: "Yojouhan Shinwa Taikei (The Tatami Galaxy)" (6)

  1. lembrando q nodame tbm passou na noitamina hasusahsauas

    queria saber se existe algum fansuber brasileiro q subou?? pq ainda naum achei

    valeu

  2. Tem sim, embora a qualidade não seja dos melhores, não me lembro muito bem o nome, mas sei que a sigla é RBS. procura pelo título em inglês (The Tatami Galaxy) no site http://www.animeblade.com.br que eles informam o sub.

  3. O nome do sub é RBSFansub e o link da página deles é: http://rbsfansub.ucoz.com/

  4. Diego Abreu disse:

    Eu gostaria de dividir aqui uma interpretação de tatami galaxy. Por favor, opinem sobre ela. O esforço que terão em ler esse texto longo pode oferecer uma nova leitura sobre a série, que é tão intrigante para mim.

    Desde a primeira vez que assisti tatami galaxy fiquei impressionado com a subjetividade da obra. Como todo mundo, fui abarrotado de informação em um diálogo carregado, veloz e psicológico. A gente acaba ficando com os cabelos bagunçados com tanto desconforto, como o próprio personagem ficou nessa cena, depois de lembrar da vida dele no campus.
    Agora, só nos dois últimos episódios é possível entender o que a obra fala, então peço licença para trabalhar com spoilers:

    O personagem tem grandes problemas de socialização e ele não quer admitir isso! Para poder continuar uma vida com auto-confiança e segurança ele dá valor a coisas absolutamente insignificantes, como por exemplo temos a frase dita no episódio 10 “No mundo da imaginação não há limites” e as idéias sobre como usar a Castella e os hambúrgueres de peixe para criar “várias outras receitas”. Contudo, pelas palavras de “Watashi”, essa não é a realidade objetiva da situação. A solidão, então, surge como um problema recorrente e encoraja o protagonista a por um fim naquilo tudo. Mas é justamente quando ele tenta dar um jeito na situação é que, para mim, começa The Tatami Galaxy.

    Em todos os outros episódios anteriores percebemos como é egoísta o protagonista e como ele inventa e dá um sentido ao mundo a sua volta, como se ele realmente fosse um personagem principal daquilo tudo. Na verdade, dá sentido para várias coisas diferentes, romantiza e se ilude. E essa maneira de agir é o que o prende no mundo de 4 tatamis e meio. Ele, como um hikikomori, perde a ligação com a realidade de tanto romantizar a própria situação e é essa a metáfora dos últimos episódios. De todas as metáforas que parecem ser bem mais críveis, como na vez em que Jougasaki apareceu carregado em uma liteira, quando na verdade só estava bêbado nos ombros de uns bajuladores, a mais non-sense de todas, que prende o protagonista em um universo aparentemente infinito de salas de 4.5 tatamis, é a que está mais próxima da realidade, nua e crua. E é cruel, pois é uma avaliação da situação psicológica do personagem. A tentativa de escapar dessa lógica é o ponto alto da série. O Jonny correndo sem sair do lugar dentro daquelas rodinhas para hâmisters (talvez represente a masturbação) e, mais tarde, ficando todo cinza, aparentemente morto, mostra que o protagonista começa a ter dificuldades para mentir para si. Ele derrubando uma parede atrás da outra no último episódio representa justamente esse esforço.

    O mais triste de tudo foi quando, após muito tempo ter passado desde o momento que ele percebeu estar preso nesse ‘mundo’ e depois das inúmeras tentativas de escapar mudando de sala em sala, ele acabou se encontrando na primeira sala que estava. Acabou no ponto de partida! Absolutamente maravilhoso! Ele havia feito tudo de novo! Ele se ocupou com o conceito de se perder e percebeu que acabou se perdendo novamente! E mais maravilhosa é a absolutamente alegre sequência dessa epifania triste do protagonista. Ele, enfim, percebe que basta se concentrar no mundo à sua volta para participar, aceita a indeterminação e a aleatoriedade da realidade e compreende a noção de possibilidade. Quando ele finalmente sai do quarto e olha as pessoas, elas mudam de roupa e fisionomia incessantemente, como prova dessa noção de possibilidade, onde há oportunidades que determinam o futuro. No fim, ao fundo, o ideograma que queima na montanha de Kyoto quando watashi corre ao encontro dos amigos, pelo festival Gozan, significa “Grande”.

    Agora convido todos a rever o encerramento da série.

    • Bela leitura da série. Concordo com ela quase que integralmente, só achei que ela apresenta a situação do protagonista um pouco romantizada, como se ele fosse um quase herói que virou vítima do ambiente hostil a sua volta, mas a situação em que ele se encontra é causada por sua própria dificuldade de aceitar a realidade pelo fato de ele não conseguir se destacar tal como queria. Ele não é o herói, mas sim o vilão e isso é representado em vários episódios, dentre os quais destaco o episódio em que ele tenta roubar a “Boneca” do Jougasaki, mas por ele não conseguir se aceitar como vilão ele impõe esse papel o tempo todo para o Ozu que no fundo só queria fazer amizade com o protagonista.

      Uma teoria interessante que eu tenho quanto a ele não ter nome, não apenas está relacionado ao fato de ele se ver em primeira pessoa o tempo todo, mas porque ele passou tanto tempo no seu próprio mundinho que ele acabou por esquecer seu próprio nome já que ele não tinha ninguém para quem se apresentar naquele local.

      Obrigado pelo comentário e é sempre bom ver uma pessoa que gostou desse ótimo anime que é tão pouco valorizado no país!

  5. Diego Abreu disse:

    Que bom que respondeu! Eu não queria colocar o watashi como herói não, se pareceu eu tme confundi. Quando eu coloco exclamações no texto eu quero exaltar os recursos narrativos e não a atitude do personagem. Muito pelo contrário, no fim ele está é lutando contra ele mesmo. Quando ele diz no último episódio que teria certeza que a vida no campus seria divertida só por encontrar Ozu, e que ele era o seu único amigo, ele deixa de colocar a culpa dos problemas nos outros e percebe que ele mesmo é o vilão de si próprio. Nessa cena watashi abandona mais uma de suas mentiras que ele conta para se enganar. Apesar disso já ser denunciado no primeiro episódio, quando Higuchi coloca Akashi como sua pretendente: “E porque você gastou esses dois anos em um tal estado de timidez? -É por causa do Ozu… -Eu aceito que você tenha tido sua alma de alguma forma poluída por influencia do Ozu. Mas isso não é tudo, não é? -Os últimos dois anos se atropelaram através do meu cérebro como bamboleantes lanternas de papel. -No bosque sagrado do Templo Shimogamo, de todos os locais, meu delicado coração foi apossado por dolorosas memórias, e…. Ahhhh! Isso era o que eu queria gritar, mas eu me contive como um cavalheiro.”

    E a sua teoria faz sentido, eu não me lembro muito bem dele se apresentando pra muitas pessoas… E a falta de nome reforça muito a visão em primeira pessoa mesmo! Legal também ver watashi e ozu trocando de papel no fim! Bom, obrigado novamente pela opinião! Eu estava procurando uma opinião mais aprofundada sobre a série. Frequentarei seu blog, abraço!

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