O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Os combatentes nórdicos que marcaram a infância de muita gente

“Um pouquinho de mitologia nórdica e grega para leigos com lições de amizade e discurso motivacional de brinde.”

Relatando…

Saga de Gêmeos está morto e a paz voltou à Terra, até que Asgard declara guerra contra o Santuário. A governante de Asgard, Hilda,  foi dominada pelo feitiço do anel de Nibelungo e por isso se entregou à ambição de levar o povo de Asgard a uma posição de destaque no mundo. Para atingir seu objetivo, ela convoca os combatentes que servem ao deus Odin, os 7 guerreiros deuses, que são, na verdade, habitantes daquela terra de clima nada ameno que foram escolhidos para vestir as armaduras. Shido de Mizar chega a ir ao Santuário e levar ao chão, com uma certa ajuda não revelada de imediato, Aldebaran de Touro, mas somente os 5 cavaleiros de bronze que salvaram Atena na batalha das 12 casas, agora com armaduras “novas” obtidas com o sangue dos cavaleiros de ouro, efetivamente participam da guerra enquanto Atena fica a evitar que o gelo derreta. Durante as lutas letais contra cada um dos guerreiros deuses, o passado deles é revelado e ficamos conhecendo um pouco da vida em Asgard. Antes da morte eles no mínimo suspeitam de que algo manipulara Hilda e muitos deles confiam o futuro aos nobres cavaleiros de bronze. Como exceção ao padrão de lealdade a Hilda, surge Alberich de Megrez, que deseja tomar para si as 7 safiras de Odin e dominar o mundo no lugar dela. Ele leva seu plano relativamente longe, mas é derrotado por Shiryu e a sabedoria vinda do mestre Dohko. Nos momentos finais dessa guerra, mais surpresas se apresentam. Como prenúncio do que viria a seguir, aparece no campo de batalha Sorrento de Sirena, um servo de Poseidon e pertencente à categoria dos marinas, combatentes que usam armaduras chamadas escamas. Sorrento é aparentemente eliminado por Siegfried de Dubhe, o mais poderoso guerreiro deus, que morre para fazer isso. A vitória de Atena se coloca quando Seiya, usando a armadura de Odin mesmo sem ter nascido em Asgard, vence o feitiço de Poseidon sobre Hilda ao destruir o anel de Nibelungo. Quando as coisas finalmente se acalmam, com quase nenhum descanso para os cavaleiros, todos são sugados para o reino submarino, onde eles encontram o restante dos marinas, e a missão de impedir que a Terra inteira seja inundada e a humanidade desapareça junto com Saori, que desta vez está sendo afogada dentro de um pilar gigantesco. Para tanto, eles devem destruir todos os pilares que sustentam o mar, incluindo o suporte principal onde Atena foi aprisionada. Cada pilar é protegido por um general marina e é terrivelmente difícil de derrubar. Esse último problema é sempre resolvido com alguma parte da armadura de libra. Os generais são eliminados de forma relativamente sumária apesar de seu suposto poder, com exceção de Kanon (irmão de Saga) e Sorrento (que não tinha morrido antes). Finalmente ocorre um dramático combate entre os cavaleiros de bronze e Poseidon, durante o qual Seiya, Hyoga e Shiryu vestem armaduras de ouro e golpeiam Poseidon, que termina por ser aprisionado novamente na ânfora de onde fora libertado por Kanon e tem sua alma separada de seu avatar Julian Solo.

Temática, opinião e detalhes

Como muitos já devem saber, a saga de Asgard é um filler. Talvez o filler mais aceito que já conseguiram fazer. Claramente se mostra como “algo que não deveria estar ali” a partir da observação de que o universo de Saint Seiya é, pelo menos no mangá, fortemente conectado à mitologia grega e a saga de Asgard traz algo diferente desde o próprio nome, que tem origem nórdica e se refere à “morada dos deuses” onde existe o famoso Valhalla, o palácio de Odin. Ao longo dos episódios surgem outros nomes do mesmo panteão, como Freya, ou Freyja, a deusa do amor, da beleza, da ferlitidade, do ouro, da magia, da guerra e da morte (tudo isso?), Thor, o deus do trovão, Fenrir, lobo filho de Loki que se revela uma ameaça a Odin, Alberich, um anão que protege o tesouro de Nibelungo e Siegfried, herói que ganha invulnerabilidade e sabedoria com a ajuda do sangue de Fafnir, um dragão, essa última lenda é mencionada rapidamente no anime e é possível ver uma referência a Fafnir na armadura do guerreiro deus Siegfried de Dubhe.

Alguns simplórios elementos tornam essa saga interessante, entre eles o requiem da morte tocado por Mime de Benetnasch, uma inesperada batalha em um magma entre Hyoga e Hagen de Merak, a corrosiva ametista de Alberich de Megrez e o guerreiro deus secreto, Bado de Alcor.

Espremidinha ali no final do anime está a parte dedicada à verdadeira guerra contra Poseidon, talvez por isso mesmo tenha sido mais “fácil” de reassistir do que a saga de Asgard, seu prelúdio. Nos deparamos novamente com mitologia grega e armaduras douradas, dando uma sensação de maior pertencimento em relação ao conjunto total da obra. Também contribui para essa sensação a figura de Kanon.

A primeira marina nomeada que é encontrada no reino submarino é Tétis de Sereia, Tétis está presente na mitologia grega como uma ninfa marinha neta de Tétis, a titânide do mar (sim, eu chequei e são duas entidades diferentes).  O primeiro general marina que se opõe aos cavaleiros é Baian de Cavalo-marinho, o que, para o espectador, remete a um animal de verdade, mas o cavalo-marinho pertencia originalmente à mitologia grega como um tipo de fera que espiona para Poseidon. O segundo é Io de Scylla e temos aí dois mitos juntos, pois Io é o nome de uma ninfa seduzida por Zeus e Scylla, monstro conhecido principalmente através da Odisséia de Homero e por ter 4 olhos, 6 pescoços com 3 fileiras de dentes, 12 tentáculos, uma cauda de gato e de 4 a 6 cabeças de cachorro, ou seja, é uma massa perigosa e disforme como imaginamos no anime. O terceiro é Krishna de Chrysaor, nome que surpreendentemente tem, ao mesmo tempo ,origem hindu e grega. Krishna é, em termos do hinduísmo, um avatar de Vishnu e Chrysaor é, na mitologia, um irmão de Pégaso. O quarto é Caça de Limnades e, acreditem, o primeiro nome dele vem do português mesmo! Limnades se trata de um tipo de ninfa. O quinto é Isaak de Kraken, o que se refere ao popular monstro marinho que afunda navios. O sexto é Sorrento de Sirena, que na verdade já aparecera antes e traz um problema linguístico no nome, pois deveria ser Sorrento de…Sereia? Acontece que não há distinção em nossa língua para as duas coisas a que as armaduras de Tétis e Sorrento se referem e existe uma grande confusão relacionada a isso. Para fins de clareza, a sereia de Sorrento é aquela que canta para os marinheiros e que na verdade deveria parecer mais com um pássaro do que com um peixe. O último general a ser enfrentado é o irmão de Saga, Kanon de Dragão Marinho e para ele não encontrei referências mitológicas.

Cabe aqui uma consideração final, Saint Seiya é algo para se observar com sentimento. Uma análise lógica tradicional dos fatos leva a conclusões como a de que se trata de uma obra ingênua, infantil e desconexa, mas é um anime agradável que está impresso na memória de muitos de nós.

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Comentários em: "Saint Seiya – Parte 2: De Hilda a Julian Solo" (1)

  1. Muito, muito, muito bom mesmo o texto. Eu nem me imagino fazendo um texto com tamanhas referências e a frase final tem todo sentido de ser, mas uma vez você escreveu um texto altamente bem bolado e que dar orgulho de ter aqui no blog. Feliz 2011!

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