O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Paranoia Agent


Todo mundo com medo, mas de quem?

“Precisando de um descanso de seus problemas? Se sentindo encurralado? Chame o Shounen Bat!”

Relatando…

A designer Tsukiko Sagi é a criadora de um personagem altamente popular, o cachorrinho Maromi, mas o mercado, sempre faminto por novidades, pede que ela não faça desse sucesso sua aposentadoria, então ela é pressionada a ter mais uma idéia genial, mas aparentemente Maromi é algo único o bastante para que ela não o consiga. Para a surpresa de todos, enquanto anda em um lugar ermo, Sagi é atingida na cabeça e hospitalizada, o que torna o atraso na criação aceitável. Ao ser interrogada sobre o assunto, ela relata que o criminoso é um menino em idade escolar com patins e taco de beisebol dourados. Em pouco tempo, o bandido é apelidado de Shounen Bat e tem várias vítimas no currículo. Gradativamente ele vai se transformando no imaginário coletivo, mas qual é sua verdadeira identidade?

Temática, opinião e detalhes

<SPOILERS>

O que mais impressiona em Paranoia Agent é a mudança na imagem que temos de Shounen Bat. Ele começa como uma simples incógnita de mistério polícial e vai se tornando um ser onipresente capaz de trazer alívio às pessoas encurraladas até se tornar um verdadeiro monstro. No estágio final desse processo, Shounen Bat e Maromi são a mesma coisa, o que denuncia que isso não tem a ver com um bastão ou patins, mas sim com a ânsia das pessoas por um “personagem” a quem louvar como válvula de escape.

No caso dos ataques, o escape está em interromper uma história através de uma força externa incontrolável de ação abrupta, o bastão, antes que as coisas fiquem fora de lugar. Em outras palavras, Shounen Bat é o pensamento do suicida ou da pessoa que desiste de alguma coisa pela qual em tese ainda poderia lutar. Já no caso da febre que Maromi se tornou, o escape está em levar a mente a um mundo onde as coisas “estão no lugar”. É uma referência direta a fenômenos sociais como o fanatismo em torno de personagens de anime. Se sentiu incluído(a) nisso? Eu também! T.T

Maromi e Shounen Bat realmente se confundem quando vemos o cotidiano como algo injusto e imprevisível demais. É interessante tentar entender exatamente do quê se foge quando se apela a eles. Alguém atribui a si mesmo e ao mundo uma imagem e espera que as coisas funcionem como sua cabeça indica, mas, quando as coisas tomam outra direção, muitas vezes se deseja fugir. Shounen Bat e Maromi (eu gostaria de dizer aqui massa negra e rosa que é a fusão de Shounen Bat  e Maromi) representam um universo platônico (idealizado) onde as coisas são mais simples por bem ou por mal (vida perfeita ou morte).

A grande resposta que o anime traz ao mistério que envolve os acontecimentos mostrados é um ciclo. Quando o compate épico contra a massa disforme acaba, isso desencadeia o retorno aos problemas originais, indicados através da presença de um(a) gato(a) substituindo Maromi e alguém dizendo: “tudo menos um cachorro”.

</SPOILERS>

A linda abertura de Paranoia Agent parece um lembrete de que “você está vendo algo feito para loucos”, o que em geral nos faz querer mais ainda prosseguir, e ao final de cada episódio existe a seção Confissões Oníricas onde o “velho sábio” traz uma enigmática introdução ao próximo. É divertida a tarefa de tentar entender do que ele está falando. A última cena é sempre a mesma e traz Shounen Bat usando seu taco, fechamento que nos seduz no sentido de seguir adiante na história. Oníricas também são as “imagens delimitadoras de intervalo comercial” presentes no anime.

A trilha sonora composta por Susumu Hirasawa também é um destaque com Dream Island Obsessional Park na abertura e White Hill (tema de Maromi) no encerramento.

Paranoia Agent é uma obra atribuída a um dos grandes nomes da animação japonesa, Satoshi Kon, que infelizmente faleceu em 24 de agosto de 2010. Mais uma bela tacada (de beisebol) da Mad House.

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Comentários em: "Paranoia Agent" (2)

  1. Sensacional texto, e ótima lembrança do Satoshi, fiquei até com vontade de postar sobre Tokyo God Fathers. Eu também achei esse anime sensacional, me lembro ainda de muitas cenas e ao ler o texto lembrei de muitos mais e acho o encerramento realmente espetacular. Mais uma vez um texto sensacional, já posso toh quase usando a expressão é um texto digno de Aiscrim.

  2. wesllei disse:

    Simplesmente muito boa essa análise, valeu a pena ter lido e é uma pena termos perdido Satoshi Kon, justo quando eu viro um Fan Boy nato do cara.

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