O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Hollow Fields


A jovem Lucy Snow aprenderá que nem todas as escolas são como ela pensa.

“Hollow Fields é a prova de que não é precisa ser japonês para se fazer um mangá delicioso e Inovador. Histórias escolares podem ser bem mais do que simples comédia, pode também ser uma aventura de vida ou morte. Hollow Fields é uma jornada do herói interessante, cativante e inteligente.” 

Relatando…

Lucy snow é uma jovem de 9 anos e meio que está se dirigindo a seu novo colégio em uma cidade longe de seus pais, o colégio feminino Saint Galbat que fica ao sul do vilarejo de Nullsvile. Ao chegar em Nullsvile ela se ver sem rumo certo e decide peguntar a um senhor como chegar a tal escola e o mesmo a indica prontamente o caminho correto a seguir e menciona também um atalho pelo meio da floresta, porém o homem a informa que a floresta não é um lugar muito seguro para um jovem.  Lucy ao receber a informação agradece e parte rapidamente, antes mesmo que o homem fale sobre um algo a mais que existe na floresta mencionada.

A jovem segue o caminho indicado, mas começa a chover durante a jornada. Temendo o atraso em relação a sua chegada na escola, Lucy decide tentar tomar o atalho que deveria evitar e após andar um pouco se ver perdida no meio da floresta, mas logo encontra um estranho lugar que mais parece uma fábrica velha. Ela então decide se refugiar no local até a chuva passar, no entanto  ao entrar no lugar é atacada por uma máquina que tenta matá-la, mas ao proferir as palavras: “N-Não me mate senhor robô! Eu sou uma aluna nova da escola… E-Eu só estava procurando…”   a máquina deixa de atacá-la e de dentro desta sai uma estranha mulher vestida de empregada. A mesma fala a Lucy que ela está na escola Hollow Fields e antes que Lucy consiga explicar que não é a escola que estava procurando, é peguntada se deseja tomar um banho e comer um pouco… Lucy com medo de ser atacada novamente e empolgada com a proposta decidi então seguir a mulher que se apresenta como Senhorita Notch.

Após atravessar um estranho caminho Lucy se ver dentro de um gigantesco salão cheio de crianças e de máquinas a vapor. Mesmo extasiada e surpresa se pergunta se não é a hora de falar a verdade, mas antes que possa fazer tal coisa é levada ao seu suposto quarto de estudante que a impressiona pelo luxo, apesar de que a senhorita Notch se desculpa por aquele ser o menor dos quartos, afinal os quartos maiores já estavam reservados, não que  Lucy se importe com isto,  pois é impressionante para ela que nesta escola cada estudante tenha seu próprio quarto com banheiro, material, uma grande cama e tudo mais o que precisar durante o tempo que passará na instituição e  mais impressionada fica após saber que naquela escola não há mensalidade alguma a pagar. E detendo conhecimento de tudo isto, Lucy acaba por assinar o contrato de estudante sem saber ao certo o que lhe esperava naquela escola.

Após um banho, Lucy se dirige ao salão onde iria jantar com os demais estudantes, lá chegando acaba por ver-se excluída por outros estudantes, em especial por Carmen Francine, a aluna número 1 de Hollow Fields. Depois de procurar um pouco acha um lugar ao lado de um estudante de nome Simon que a cumprimenta e que parece bem gentil com ela. Simon explica que Hollow Fields é uma escola que visa formar cientistas envolvidos com ciência proibida, e que as crianças ali presentes são filhos de alguns destes cientistas, além disso explica que os professores que cuidam da escola são chamados de engenheiros e que segundo boatos, os corpos destes começaram a se desfazer a muito tempo por isso  são todos remendados, ou seja, eles permanecem vivos graças as pesquisas com ciência proibida. Enquanto os dois conversam, escutam os resmungos do estranho Stintch, que manda a todos se calarem, pois a diretora, senhora Weaver, iria fazer uma declaração. Weaver relembra que aquela era noite de sexta-feira e que pelas regras de  Hollow Fields a criança com nota mais baixa na semana seria mandada para o Farol, e desta vez a criança é justamente Simon.

O garoto se apavora com o anúncio e tenta fugir, mas Stintch o captura, então antes de ser retirado do salão o jovem revela a Lucy que nenhuma criança mandada ao farol foi vista novamente desde que a escola foi fundada….

Como Lucy conseguirá se adaptar a nova escola? Quais os segredos de Hollow Fields? E porque crianças são levadas a este misterioso farol? Estes são apenas alguns mistérios a serem desvendados ao longo desta fantástica história que pode ser vista como uma inteligente, divertida e empolgante jornada do herói, ou da heroína neste caso. Acompanhem esta espetacular jornada que  a jovem Lucy Snow viverá lendo este fascinante mangá escrito e desenhado pela australiana Madeleine Rosca e campeão do prêmio internacional de mangás promovido pelo ministério Japonês.

Capa do 1º volume de Hollow Fields.

Sobre a obra

Hollow Fields é um mangá que conta com 3 volumes ao todo, escrito e desenhado pela australiana Madeleine Rosca que mora na peculiar Tasmânia. O mangá foi o primeiro título não asiático a ganhar o prêmio internacional  de mangás promovido pelo ministério Japonês no ano de 2007, quando apenas tinha 1 volume lançado. O mangá demorou ao todo 3 anos para ser concluído, sendo lançados 1 volume em cada ano de 2007 a 2009 publicados pela Seven Seas Entertainment. Rosca cita que sua obra  recebe influência de Lemon Snicket, autor de Desventuras em séries e Eoin Colfer, autor de Artemis Fowl, dentre outros.

A primeira vista é difícil não notar as semelhanças de Hollow Fields com a série de livros Harry Potter. A escola para estudantes com habilidades especiais ou que vivem em um meio diferente do normal… O cenário sombrio… A heroína adolescente. No entanto o mangá de Madeleine segue um rumo diferente da história do jovem bruxo. Hollow Fields não só possui uma heroína que por bastante tempo terá que enfrentar um novo mundo sozinha, ou apenas com a ajuda de uma estranha companhia sem pernas nem braços, mas também apresenta um ambiente onde a ética e o valor a vida não importam, apenas o que importa sãos resultados e os benefícios que estes trazem. Ao mesmo tempo que Lucy terá que aprender a conviver em um mundo que se quer imaginava existir, terá que enfrentar a toda uma escola cheia de professores macabros e crianças egoístas… e ainda terá que fazer o certo, mesmo quando tudo tenta a levar para outro caminho. Como disse a própria autora em uma entrevista para  Newsletter da Tor Books (grupo editorial da qual a Seven Seas faz parte): “…Hollow Fields é uma história sobre coragem e fazer o que é certo quando encaramos uma pressão aparentemente insustentável…”.

Além do roteiro, a arte do mangá impressiona com a qualidade e a semelhança com a arte de outros mangás infanto-juvenis publicados no Japão, mas apesar da semelhança com outras obra, Madeleine consegue imprimir seu próprio estilo e que unido a sua história torna o mangá de fácil degustação. Interessante notar que mesmo o mangá tratando de temas tão complicados como ética, a não aceitação da morte, a busca por resultados independente de como isto afete as pessoas a sua volta e a importância de se fazer o certo, em nenhum momento a história segue um caminho mais adulto, ou seja, em nenhum momento deixa de ser uma obra adequada ao público infanto-juvenil.

Capa do 2º volume de Hollow Fields

Opinando

Comprei os três volumes de Hollow Fields de uma vez sem saber ao certo o que esperar do mangá e por meses ele ocupou minha pratilheira sem ao menos eu o retirar do plástico. Em uma noite decidi pegar o primeiro volume para ler e logo me encantei com a narrativa. Li um volume por dia e ao fim do terceiro volume a sensação que tive foi a de ter presenciado uma experiência totalmente diferente da que presenciara ao ler qualquer outra obra em mangá. A muito me via órfão de histórias de aventuras que começam simples, mas que ganham proporções épicas, e ainda por cima protagonizada por crianças. Fascinado pela obra Harry Potter que terminara de ler a mais de 3 anos, fazia tempo que não me lembrava da sensação de presenciar uma aventura infanto-juvenil despretensiosa e ao mesmo tempo extremamente empolgante.  Os filmes de Harry Potter a muito não me forneciam esta sensação (gostei apenas dos 2 primeiros e um pouco do último), mas em 2011 o filme Super 8 me fez sentir de novo isto, no entanto Hollow Fields foi o que realmente me relembrou o quão divertido pode ser uma aventura sem se focar no exagero e nem precisar de explicações complicadas para parecer mais inteligente… Uma aventura infantil e ao mesmo tempo tão interessante quanto a saga de um pirata que quer ser o rei dos mares, ou de uma jovem que se ver jogada a um ambiente desconhecido pelo acaso, ou de um grupo de amigos que não consegue prosseguir até a amiga morta dos mesmos voltar para dizer a eles que está tudo bem.

Acho que não preciso falar mais nada, mas quero deixar claro que adorei este mangá e que recomendo a todos. Espero que cada um consiga olhar esta história e tente entender o como uma história infantil consegue tratar de temas tão maduros sem precisar empregar um roteiro de difícil compreensão e nem palavras complicadas. Se você tem um filho, sobrinho ou amigo na fase de criança ou pré adolescência experimente apresentar esta história a ele. Por fim, fico extremamente contente em poder estrear as postagens sobre mangás no Anime Portfolio com uma obra que mesmo não japonesa é tão boa e tão mangá quanto qualquer outro mangá escrito em terras nipônicas.

Capa do 3º volume de Hollow Fields

Curiosidade

Como citado no primeiro volume do mangá, a autora garante que até hoje nunca conseguiu se encontrar com um demônio na Tasmânia.

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