O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Preliminares e avisos:

Antes de tudo eu gostaria de dar alguns avisos com relação ao conteúdo da postagem, já que tal texto irá demandar de mim certa pesquisa e repertório conforme se exige em um texto mais formal. Tal seria o desejo de muitos aqui para a referência de tais séries e a precisão de uma postagem que pode parecer muito aleatória. Portanto, estarei sendo mais formal nessa postagem cujo intuito é tentar dar uma leitura mais crítica de um animê cujo meu primeiro contato foi quando criança no extinto canal Locomotion.

Claro que eu deveria dar o ano, a produção e o diretor e pelo fato de ser uma leitura extremamente PESSOAL algumas pessoas podem acabar questionando as referências sem melhores hipóteses apenas dizendo que o que estou instituindo aqui seria pessoal demais para configurar uma postagem tão pretensiosa. Talvez, eu esteja me excedendo, mas explicarei o porquê dessa atitude cautelosa e extremamente desconfiada.

Devido a alguns leitores insatisfeitos pela maneira pessoal de postagem no blog estou encarando ao fazer a resenha que eu deva ter um estilo mais promissor. Algo como um texto cheio de referências e provas para que não haja reclamação por parte da “clientela” leitora de tal blog. Obviamente eu devo me referir aos livros, filmes e as cenas de onde tirei esse “intertexto”. Essa leitura “cruzada”, já que a premissa é que tal animê seja um Pouporrié – segundo minha leitura – de filmes de ação em forma de animação.

O problema é que certas vezes não há como identificar exatamente tais referências, por elas estarem diluídas ou nós termos a impressão de ter visto isso e um mero signo não indica que haja uma referência entre os dois pontos: o referido e o referenciado. Mesmo assim muitas vezes certas leituras que temos não são propostas pelo diretor e nós a fazemos assim como nós não podemos identificar tais leituras a não ser por meio de um diretor que nos diga de sua intenção. Portanto, estarei assumindo nessa postagem algo mais como um uma leitura pessoal sobre tal obra.

Essa é uma interpretação exclusiva e as referências estarão dentro de cenas do filme ou leituras mais livres já que não disponho de espaço e nem pretendo provar nada e apenas exercitar uma brincadeira de identificação de filmes dentro de um animê. Assim uma leitura está passível de ser aceita ou refutada conforme, o conhecimento dos leitores, declarações ou mesmo apenas aceitação pessoal de tais teorias.

Portanto, não levem tão a sério tal postagem e que fique avisado que eu apenas farei algumas considerações sobre tal animê.

Relatando a obra e relacionando:

Primeiro de tudo há de se notar que a história tem um que de clichê e há elementos comuns aos animes, mas o que mais me interessou nesse anime foi algo que pode ser visto mais facilmente em filmes em alguns casos. Incluindo referências claras a certos obras ou atores que citarei ao longo do texto.

Primeiro falemos da história em si. O filme foi feito (anime, na verdade) em 1993. Isso justifica o fato de o século 21 ser um século de guerras e uma organização criminosa controlar as ruas de Tóquio. Embora, não seja explicado o porquê disso. Há um castelo no meio de Tóquio onde reside todo o mal e onde supostamente é a sede da organização. Nesse extrato temos algo mais similar a um anime.

Somos apresentados à um garoto que está incessantemente buscando por sua irmã que foi separada dele. Não sabemos exatamente o que o levou a se separar de sua irmã, mas mais tarde nos é revelado e juntamente para o personagem que ela foi capturada pela organização criminosa que controla a região.

Há de se notar que o filme tem apenas 48 minutos e muitas coisas ficam no ar sem muitas explicações. Não que isso faça alguma diferença no desenvolvimento dessa narrativa.

Essa narrativa sem muitas explicações e sem muita preocupação em explicar poderes, origens, motivações, por quês e se nãos é algo mais visto em filmes de ação do que em mangás e animes cuja narrativa é mais expositiva e mais detida em se auto-explicar e repisar a própria mitologia de maneira a cansar os leitores com muitas minúcias.

Chuck Norris

O filme vai direto à ação, mas primeiro há o contato inicial com os personagens que não é muito longo. As motivações são vistas e explicadas, mas sem profundidade e nem muito detalhes. Não que seja ruim apenas peculiar para esse tipo de produção.

O ouro, porém, está em certos aspectos, eu identifiquei certos intertextos com filmes como Zatoichi, filmes de ação em geral e referências diluídas. Uma dessas referências diluídas é o passado militar de alguns personagens cuja carreira e a ligação com a polícia os faz estabelecer novamente a ordem na cidade mesmo não havendo um estado firme. Algo que eu, particularmente, vi em muitos filmes de ação. O uso de armas e ataques físicos sem nenhuma habilidade mística ou misteriosa o torna mais próximo aos filmes da sessão da tarde em que o bonito era ver a arte marcial e a coreografia fluir sem maiores “truques”. O que interessa dizer é que ao invadirem o lugar de onde provém todo o mal da cidade eles se utilizam de equipamento bélico.

Rambo?!

Rambo?!

Em geral, em um anime haveria poderes estupidamente coloridos, técnicas secretas. Aqui não: apenas pancadaria pura e armas de fogo para invadir a fonte do mal e chutar algumas bundas.

Existem personagens muito similares a alguns estereótipos fora o policial cuja suspeita o fez ir atrás dessa fonte do que estava gerando essa confusão toda e vai atrás de seu companheiro que no passado trabalhou com ele em operações militares. Há, também, um padre loiro e musculoso, com uma barba grande um aspecto severo que fazia parte dessas operações e agora trabalha em um orfanato. Engraçadamente eu não pude identificar ninguém mais dentro daquela figura a não ser o ator Chuck Norris.

Além desses há um samurai cego que carrega uma espada consigo e é viciado em jogos de azar. Seu cabelo branco e seu aspecto estranho e esquelético, apesar de modernizados por uma roupa social, não me deixaram dúvidas que era uma referência ao filme Zatoichi: o espadachim Cego dirigido pelo japonês  Shintaro Katsu, porém, a data do filme faz com que tal hipótese caia por água abaixo. Há, estranhamente,  uma cena similar no próprio filme em que  ele está disputando em um jogo de dados e os seus companheiros de jogo, também,  o enganam e ele os corta por tal desfeita. Embora no filme ele nada declare ao fazer isso. O  aspecto mirrado e a figura toda fazem as duas cenas estranhamente similares. Isso se o filme tivesse sido feito naquela época poderia ser referido assim. O engraçado é há filmes mais antigos de Zatoichi, mas a personagem não é retratada assim embora em todos (até onde sei) ele seja cego.

Há uma cena em que um dos personagens está vestido com uma faixa em sua testa, peito de fora e uma metralhadora na mão ao invadir o castelo e cuja cabeleira não me são estranhas. Seria isso uma referência ao personagem Rambô, talvez?!

Essas são algumas das referências, mas mais que isso há alguns fatos curiosos a serem relatados. Como uma freira cuja tatuagem nas costas revela seu passado como um membro da Yakuza, mas não sei exatamente de onde foi tirada tal referência embora ela não me seja estranha. Embora eu tenha visto o anime bem antes desse novo filme chamado freiras nuas com armas grandes essa referência tem mais haver com filmes de ação ou mesmo algum filme oriental, mas nesse caso prefiro não arriscar uma leitura.

Existe ainda uma coisa interesante no filme é que a personagem aqui que tem um aspecto mais feminino e andrógeno no filme seja chamada (nas traduções e na dublagem) de travesti e dragqueen. Engraçadamente não há beleza nessa personagem embora o mocinho da trama acabe tendo um caso comela o que poderia configurar já um personagem Bishonen por atrair um homem aos seus braços.

Comentários em: "Youseiki Suikoden" (3)

  1. Ana Lee-chan Kiryuu disse:

    A idéia que eu tive é que esse anime parece ter sido criado com a intenção de lembrar filmes de ação. Então eu acho que a história tá meio perdoada 8DDD

    Agora o que eu fiquei impressionada é como os personagens tem uma aparência bem semelhante ao Chuck Norris e ao Rambo (exceto o rosto, na minha opinião). Parece que queriam imitar a “panelinha” dos filmes de ação nesse anime, isso sim -Q

    Quanto a resenha em si: pode não ser a mais épica e de proporções homéricas (acho que estou exagerando *apanha*), mas com certeza uma das mais divertidas suas -QQQ

    No mais, gostei bastante o/

  2. Meu deus! Temos um monstros escritor de postagens grandes e épicas, não se o mesmo estudou em minha escola, mas fico feliz por fazer parte da equipe deste blog. E então finalmente a estréia de Amidamaru com um texto sobre animações. Gostei bastante do texto, sinto uma certa nostalgia ao lê-lo não pelo fato o filme ser bom, pois sinceramente não acho, mas pelo clima anos 90 da animação. Animações com esta a muito não são produzidas e sinto um falta das mesmas neste século. Não sei o porque de não haver mais séries com esta pegada militar, salvo poucos casos que normalmente envolvem mecha. Gostei bastante do texto e das referências destacadas.

    Um pequeno puxão de orelha ao caro autor. Favor ao ecrever o texto não esquecer de indicar as categorias as quais ele pertence. E caso o texto seja muito grande, particioná-lo para expor a parte inicial na página principal do blog e a outra apenas na página do post propriamente dito.

  3. Dani disse:

    Um filme que tem Chuck Noris é t-u-d-o! Quer dizer que o anime não vai levar um roundhouse kick!
    Não conseguiu achar uma foto da freira não? fiquei curiosa *__*

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