O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Em primeiro de abril de 1997 foi ao ar pela TV Tokyo o primeiro episódio da adaptação animada de uma das maiores franquias da história, não apenas com relação a animação, mas também em mangás, filmes, bonecos, cardgames e principalmente jogos eletrônicos. A febre Pokemon já havia começado anos antes com a criação dos primeiros jogos para gameboy, mas faltava algo para que se consolidasse com uma marca nacionalmente e mundialmente famosa e para muitos foi a animação que resolveu este problema. Hoje A resposta é 42 traz o primeiro texto  do Anime Portfolio sobre esta franquia de animação e começa perguntando: Afinal quem é esse Pokemon?

Esse é meu jeito de viver e ninguém nunca foi igual...

Diferente do que é convencional nos textos dessa coluna, cabe aqui uma pequena sinopse da animação.

Ash Ketchum, ou Satoshi, como é conhecido no Japão, vive em um mundo cheio de criaturas com habilidades especiais que podem ser domesticadas para trabalhar em prol da humanidade ou serem usadas como simples bichinhos de estimação, ou ainda,  e principalmente, serem utilizadas em disputas que testam não apenas a força e habilidade das criaturas, mas também a habilidade de seus treinadores. Essas criaturas são chamadas de Pokemons, uma abreviação para Pocket Monsters (Como Pokemon foi criado a partir de jogos para videogames portáteis, também conhecidos como videogames de bolso, daí o nome Pocket,  outra explicação é porque as pokebolas podem ser reduzidas a um pequeno tamanho e carregadas no bolso).

Ash e Pikachuu preparam-se para a jornada que os tornará dois dos maiores ícones da história das animações

O jovem citado acaba de completar 10 anos de idade (Curiosamente ele nunca se tornou mais velho mesmo a série estado a mais de 10 anos no ar) e quando isso ocorre ele se torna apto a sair sozinho em sua jornada para se tornar um grande treinador Pokemon e posteriormente alguém digno do título de mestre pokemon, para isso ele precisa de um parceiro Pokemon ao iniciar sua aventura e o parceiro que ele escolhe (na verdade ele não tinha muita escolha) foi uma pequena criaturinha amarela com orelhas pontudas que lembra vagamente um rato, seu nome, Pikachuu, seu poder, descarregar eletricidade em seus inimigos.  Apesar de no início Ash e Pikachuu não se darem muito bem, eles acabam se tornando grandes amigos e vão viver grandes aventuras, conhecer novos amigos humanos e pokemons, fazer inimigos, salvar pessoas, participar de torneios e por aí vai.

Analisando friamente a história da série, as primeira coisas a perceber é que os pokemons aparentemente só morrem por causas naturais, diferente do mangá em que os pokemons podem morrer em batalha e de outros modos, também percebemos o quão imprudente são as pessoas desse mundo ao acharem normal que crianças que mal atingiram a puberdade saiam sozinhas vivenciando aventuras perigosas que podem custar as suas vidas. Agora tentemos ver a coisa com a visão correta, ou seja, a de um público que não se importa com esses detalhes, pois nem sequer estão aptos a se preocuparem com tais coisas, ou seja, com a visão de uma criança. Supostamente no ponto de vista destes, o fato do protagonista ser uma criança de 10 anos interessa porque o herói passa a ser alguém mais próximo deles, além disso, as  crianças em sua maioria não são tão bem preparadas para conceber a idéia da morte como um todo, logo não interessa para elas se os pokemons morrem ou não, trata-se apenas de uma questão de ser ou não derrotado. Por último vivenciar aventuras em um vasto mundo conhecendo novas criaturas, firmando novas amizades e algumas inimizades, salvando o dia e participando de competições é um ideal que quase toda criança queria  viver e veem este ideal sendo alcançado junto a dupla Ash e Pikachuu. Em resumo, o que para os mais velhos pode ser bobo e irreal, para uma criança é quase como se vivenciasse um sonho.

3ª grupo de Pokemon um dos mais famosos, da esquerda para direita Brock, Ash e Dawn

O jogo Pokemon nunca chegou a ser de fato totalmente infantil, mas o sucesso que a animação fez entre as crianças foi tanto que o reflexo na venda dos games foi absurdo, todos queriam ter a chance vivenciar também aquelas aventuras que viam na tv. E isso não apenas no japão, mas em todo o mundo. Mesmo os jogos divergindo em vários pontos da série de tv, a sensação de ser um treinador pokemon e vivenciar grandes aventura era tanta que a linearidade dos games não importava. A medida que novos jogos iam saindo, a Nintendo começou a perceber que o público que começou a jogar os games, mesmo depois de abandonar a série de tv, continuava jogando os games, foi aqui surgiu a idéia de que a série de tv parasse de envelhecer junto a seus fãs.

Em vez de envelhecer junto aos fãs a  animação passou a servir como uma vitrine para as novas criaturas que surgiam, mas como não poderia ficar sempre igual, decidiram manter os dois protagonistas que não perderam a popularidade mesmo com o passar do tempo, ou seja mantiveram Ash e Pikachuu e foram mudando os demais membros da equipe principal. De início tivemos  Ash, Brock, ou Takeshi e Misty, ou Kasumi. Depois Brock foi trocado por Tracey, depois Brock volta, em seguida Misty sai e entram May e Max, depois sai May e Max e entra Dawn e por último sai Brock e Dawn e entram Iris e Cilam. Os trios principais são importantes para mostrar que não há como o protagonista fazer tudo sozinho, por outro lado, aumentam a vontade do jogador em participar de partidas multiplayer. Ainda não entenderam o porque de o Ash e seus amigos nunca crescerem? A resposta é simples, se quem começa a jogar dificilmente deixa o jogo e a animação consegue atingir e atiçar o interesse de um público novo, o melhor é que ela continue atiçando e atingido o público novo e se os personagens estão fazendo sucesso não há por que trocá-los, pelos menos não todos.

Não me alongarei detalhando mais os aspectos que fazem de pokemon uma febre entre os jovens, isso fica para outro texto que virá em um futuro não tão próximo, mas é importante como em todo texto definir uma das possíveis respostas para a a pergunta que abre a postagem: afinal quem é esse Pokemon?

Tá na cara que tem alguma mega corporação por trás disso

Pokemon é uma franquia de jogos criada pela Nintendo inspirados nos clássicos jogos de treinadores de monstros como Dragon Quest, mas com um foco na batalha apenas entre estas criaturas. E isto acabou atingindo outras mídias dentre elas a animação e dando origem de fato a uma nova categoria de animações, a famosa categoria dos criadores de monstros, daí então vários genéricos sugiram como Diginmon e Monster Rancher, mas poucos foram os que conseguiram alcançar sucesso e nenhum deles conseguiu nem chegar perto do sucesso da franquia de jogos e nem da animação de Pokemon. A Nintendo investiu e investe dinheiro nesta fórmula a quase duas décadas e isso fez dela a a maior franquia de jogos da história, nenhuma outra franquia vendeu ou vende tantos jogos e nenhuma outra animação a começar nos anos 90 é tão longa. Simplificando este tal de Pokemon é uma animação que marcou as animações e é uma das maiores fontes de dinheiro da Big N. E porque é tão interessante a ponto de se tornar um tema desta coluna? Porque nenhuma outra animação se fez tão bem sucedida com o o público infantil, se tornando então uma das mais importantes obra a serem conhecida para podermos explicar o que mais agrada as crianças. E pasmem caros amigos, mas as crianças ainda estão entre os maiores grupos de fãs de anime.

Ficamos por aqui essa semana e voltamos semana que vem com mais algumas respostas para dúvidas triviais, pois afinal, a resposta para a questão fundamental nós já sabemos, é 42.

Comentários em: "A resposta é 42: Quem é esse Pokemon?" (2)

  1. Escritora disse:

    “Pokémon” ainda é um anime com bons conceitos, o que deu problemas é que pensaram somente no público infantil, que consegue se identificar mais com a série, pois se tornou a intenção da produção da animação. Enquanto nós, que somos mais velhos, após a fase clássica ter terminado – Liga Kanto, Liga Laranja e Liga Johto – sentimos falta daquela magia que estas temporadas nos trouxeram, mesmo que tenham investido seguir mais a história dos games e explorar mais as possibilidades de batalhas.

    Não bastava a produção criar uma nova série onde pudéssemos ver o real desenvolvimento dos personagens e encerrar a epopeia de Ash e Pikachu de uma maneira bem típica dos games: encarar a Elite dos Quatro da região de Kanto – onde nasceu o protagonista – e ver se conseguia ou não se tornar um verdadeiro Mestre Pokémon?
    Bem, pelo menos, conseguiram isso nos mangás, o que dá um certo alívio. Já joguei boa parte destes jogos no emulador e ainda acho que o maior problema não é ver os personagens eternamente infantis e sim a falta de um desenvolvimento de suas habilidades como treinadores, pois como jogadores dos games, conseguimos chegar a ter tal desenvolvimento.
    No anime, depois que termina o treinamento básico, parece que o Ash e o Pikachu sempre voltam ao zero e sem a experiência adquirida anteriormente na saga anterior: tanto na forma de captura dos pokémon quanto nas batalhas que encaram. É como se aquela aventura não tivesse dado nenhum resultado verdadeiro, é o que eu acho.

    Mesmo assim,”Pokémon” é um bom anime e disto , ninguém pode tirar dele e outra coisa: se não me engano, foi o anime que teve mais cópias, uma atrás da outra, sendo algumas delas bastante conhecidas e outras bem desconhecidas do público. Nada que o desmereça, é claro! Que continue tanto no anime quanto nos games, desde que um dia, pensem no fim do anime: se for como pus aqui, vai encerrar com chave de ouro. Pois os que anida curtem a série esperam que aconteça, um dia…

    • Pois é todo mundo espera um dia ver o Ash enfrentando a Elite Four e virando o maior mestre Pokemon de todos os tempos, porém acho que antes disto acontecer, verei o Luffy se tornar o Rei dos piratas.

      Muito bom o comentário e de fato o direcionamento da obra para o público infantil talvez seja o problema para alguns, mas essa idéia clássica de renovar o personagem a cada saga como estivesse começando do zero não é uma fórmula nova. O próprio Tezuka fez isso algumas vezes com o seu Astroboy que a medida que o público crescia a cada mais ou menos 3 ou 4 anos era pseudo rebootado para atender a nova geração de crianças e adolescentes. Talvez discordemos do como Pokemon faz isto, mas o processo é muito parecido e dura em geral cada nova saga em um novo torneio, Kanto, Johto e Sinnoh são provas claras disto. E enquanto essa estratégia parecer dar certo, ela será repetida, resta torcer para que a Rika Matsumoto (voz do Ash) dure até isso mudar.

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