O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Quem já está acostumado a acompanhar a blogosfera brasileira que trata sobre cultura nipônica, anime e manga, deve está sabendo o que é o tal do #JumpWeekend, mas em resumo é uma grande blogagem coletiva feita para comemorar o 44º aniversário da Weenly Shonen Jump, a mais famosa antologia de manga japonesa. E nesse âmbito decidi fazer parte do evento com dois posts, sendo um deles este que vocês estão lendo onde pela primeira vez lanço um texto com o objetivo único de tentar convencer o leitor a vivenciar uma obra.

Himura Kenshin, o espadachim mais legal que já conheci!

Porque eu faria isso e não um post convencional sobre Rurouni Kenshin? Dois motivos, o primeiro é que já falei desta obra por duas vezes no blog, mesmo sem utilizar o formato normal de postagem, esses casos foram o Animanga Mania especial sobre Samurai X e a edição especial do Yopinando Shinbun sobre Rurouni Kenshin. O segundo motivo é porque é uma das obras mais interessantes sobre samurais já criada, um estilo que a muito vem sofrendo da falta de novas grandes obras, além disso, para mim, vivenciar Rurouni Kenshin é uma experiência que todos que se dizem fãs de anime ou manga tem que ter.

Seijuurou Hiko, o espadachim mais egocêntrico que conheci!

Antes de mais nada usarei parte do texto da minha coluna Animaga Mania já citada para apresentar um resumo do conteúdo da obra:

“Rorouni Kenshin conta a história de um espadachim andarilho chamado Kenshin Himura que esconde um passado sangrento, que além de muitos arrependimentos, o deixou com uma grande cicatriz em forma de X em seu rosto. Kenshin Himura conhecerá Kaoru Kamiya que é a jovem líder de um Dojo e Mestre do estilo de luta Kamiya Kanshin. O encontro de Kenshin e Kaoru fará a vida dos dois passar por uma grande sucessão de acontecimentos incomuns que o farão conhecer muitos aliados, mas também enfrentar poderosos inimigos que estão de alguma forma associados ao passado de Kenshin, que fora conhecido como Hitokiri Battosai (No brasil, Battosai, o retalhador). A trama se passa no início da era Meiji, um período da história do Japão marcado pela queda do regime do Shogunato, a abertura dos portos e a influência da cultura estrangeira na vida cotidiana dos japoneses.”

O primeiro interesse pela obra está bem claro na sinopse acima, se trata da a história de um espadachim. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de interesse sobre filmes, livros, quadrinhos ou animações de batalha já se interessou ou se interessa pelos espadachins nipônicos e principalmente por samurais. Interessante notar que o Kenshin não é um samurai, ele é um espadachim habilidoso, mas nunca seguiu o Bushi, porém a série apresenta um mundo rodeado de samurais em decadência devido a transformação pela qual a sociedade da época em que se passa a história está passando e com isso temos mais um motivo para acompanhar a obra, o interesse pela história nipônica. Interessante tocar no assunto história, pois o período histórico retratado, não é o mais utilizado quando se fala da obras sobre samurai, pelo contrário, o período mais falado é o período Sengoku que não tem nada haver com a história de Kenshin, ele lutou durante o Bakumatsu e não durante o Sengoku. Ainda falando de história, é interessante as várias referências expostas tanto no manga quanto no anime, com relação a modernização do Japão e o aumento das relações estrangeiras, incluindo os conflitos daqueles que foram contra estas relações, a queda da figura clássica do Samurai e, apesar de mal executado, o aumento da influência do cristianismo e a perseguição sofrida pelos novos cristãos.

Eu ri muito desse quadrinho…

Rurouni Kenshin tem um belo misto de cenas de luta, drama e comédia, além de ser uma história que o tempo quase todo se faz crível. Um dos pontos mais interessantes, são os personagens. Difícil não adorar muitos deles, seja pela imponência, pela honra, pelas fragilidades, pelas expressões, pelo modo de se portar e de se fazer entender, pelas mazelas que carrega, pelo amor… Protagonistas, personagens secundários, antagonistas, todos se unem criando um grande bolo de personagens que você ama ou odeia, mas que você se sente tentado a conhecer mais a cada momento. Além disso, as motivações de cada um dos principais personagens de cada uma das sagas tem sentido e são interessantes, principalmente as dos antagonistas. Não tem como não respeitar estes, gostando ou não deles.

Hajime Saito, isso sim é um antagonista!

Um motivo muito pelo qual sempre adorei ler o mangá era a forma como o Nobu Watsu contava sua vida, seus gostos e  como foi que construiu cada história. Existem dois mangás, simplesmente pelo que os autores colocavam de seu dia a dia nos extras, que me fazem querer conhecer seus autores pessoalmente. Honey & Clover de Chika Umino e Rurouni Kenshin de Nobuhiro Watsuki. A cada volume você se sente mais e mais amigo do Nobu Watsu, afinal ele conta sobre o que gosta de comer, o que gosta de jogar, o como ele gosta de reclamar e como ele parece ser legal. Ele consegue fazer nós sentirmos pelos personagens a mesma cumplicidade que temos por ele e não estou falando só dos protagonistas, mas dos vilões também.

Sabe quando você acredita que alguém está errado, mas não consegue deixar de  pensar como essa pessoa é maneira? Acho que esse é o sentimento que todos sentiram ao conhecer Makoto Shishio e a Juppongatana.

Shishio e a Juppongatana!

Por si só a saga de Kyoto já é um motivo para você acompanhar Rurouni Kenshin, não desmerecendo as outras sagas, mas Kyoto é o ápice do que se pode fazer em uma série histórica sobre espadachins e samurais. Em minha opinião nada antes foi tão bom e nada depois também. E tudo isso por causa deste grupo de personagens. Certo que o Shishio é o mais lembrado, mas cada um desses espadachins são importantes para a construção dessa saga. Como esquecer do desagradável Usui, o “Espada Cega” e do Anji, “O Deus da Destruição”. Se existe um motivo para Hajime Saito e o  Sanosuke aparecerem durante a saga são eles. E o que dizer da “Armada da Destruição” formada por Saizuchi e Fuji que forçaram o Seijuurou Hiko a entrar em cena. Aliás como não lembrar do treinamento pelo qual Kenshin passa para aprender o Amakakeru Ryuu no Hirameki, a técnica suprema do estilo Hiten Mitsurugi. E que lutas emocionantes foram as de Kenshin contra Soujiro Seta e contra o imponente Makoto Shishio que para mim é o maior de todos os vilões já criados e apresentado em qualquer mídia.

Que luta! Que LUTA! QUE LUTA!

Outro ponto muito interessante relacionado a história são os romances que para alguns parecem meio empacados e demoram a engatinhar, mas que são sim marcas registradas dessa obra e não tem como não torcer para que alguns deles, como o  principal entre Kenshin e Kaoru, se concretizem. Há falhas na história de Kenshin, principalmente nos arcos, tanto do anime, quanto do mangá, que se passam após a saga de Kyoto, mas nada que desmereça a obra como um todo.

E falando em histórias, uma delas que você apenas poderá ver em anime, deve ser vista, aliás tudo relacionado a essa obra é interessante, mas em especial a primeira série em OVA’s, o Rurouni Kenshin: Tsuioku Hen precisa ser apreciada para que você possa ter a experiência completa.

Uma das melhores série em OVA que já acompanhei

Não basta ler o mangá é sim interessante ver o anime, seja pela ótima dublagem ou pela animação de qualidade de lutas cruciais como  as citadas acima contra Soujiro e Shishio. Até os arcos mais fracos da série tem seus pontos positivos, como por exemplo a Saga de Amakusa, que já foi citada, onde vemos parte da perseguição que os cristãos sofreram no Japão durante a era Meiji. Aliás não posso deixar de lembrar ao leitor que a obra é baseada nas novel Crônicas de um Samurai na era Meiji do próprio Nobuhiro Watsuki que também tem um valor de estudo histórico da época muito bom.

Especial é pouco para descrever essa OST

A essa altura já citei quase tudo que torna tanto os Mangás quantos os Animes de Rurouni Kenshin obrigatórios, mas existe mais um ponto a citar, que torna a série de animação de Kenshin especial, a trilha sonora. Se existem trilhas sonoras que me marcaram em animações, uma das que mais gosto é sem dúvida a de Rurouni Kenshin. Cara abertura, cada encerramento, cada música que acompanha uma cena de comédia, ou uma de batalha ou uma de drama são inesquecíveis. Escutar Sobakasu, ou It’s Gonna Rain me fazem ter lembranças boas não apenas de Rurouni Kenshin, mas de toda a minha vida como fã de anime e mangá. São algumas daquelas músicas que marcam você de uma forma difícil de explicar. Eu me emociona cada vez que as escuta e quero escutar denovo, denovo e denovo. E não é porque essas músicas são de uma obra como Rurouni Kenshin, elas são especiais por elas mesmas e elas mais agregaram a obra do que a obra agregou a elas.

Se depois de todo esse texto, meu caro leitor, você não se sentiu com vontade de acompanhar Rurouni Kenshin, a última coisa que posso dizer é que você ainda assim precisa fazê-lo se puder, pois mesmo que os motivos que falei não o interessem, tenho certa que outros o farão se interessar, por isso acompanhe Rurouni Kenshin, reveja se você já tiver o visto. Vivencie essa obra tão especial que faz nós, fãs de anime mangá, pensarmos que é por obras assim que gostamos tanto destas mídias.

Jump Weekend

Como já dito esse texto faz parte de um evento da blogosfera manganimística brasileira, onde terão 3 dias de posts (de 30/06/12 a 02/07/12) comentando sobre a revista e suas séries. Confira abaixo a lista de participantes! (A lista será atualizada conforme forem saindo os posts)

Sakazuki (@_Kiri_LJ) – Eyeshield 21
Hakuren (@icaros_i) – Esportes na Jump
Another Warehouse (@eduardoketsura_) – Kagami no Kuni no Harisugawa |  Beelzebub
Mangathering (@OniluapL) – Sket Dance
Mangás Cult (@Nintakun) – Houshin Engi | Cenas de Mangás que Merecem ser lembradas
Puff no Piripaf (@Piripaf) – Yu Yu Hakusho
Shonen a Cabo (@jrlucario) – Death Note
Anikenkai (@didcart) – Bakuman
Shonen Mania (@MrCaiops e @LucasShonen) – Magico | Bleach
Show de Mangá (@Cadmus_Senpai) – Dr. Slump
Realidade ou Ilusão (@sharingandac) – Naruto
Omnia Undique (@rubiopaloosa) – Ultimate!! Hentai Kamen
Revista Pulo Dominical – Saint Seiya
Anime Freak Show (@Gabriel_Sau) – I”s | Slam Dunk
Netoin! (@cnetoin) – Yu-Gi-Oh!
Mangatologia (@mangatologia) – 3 Primeiras Décadas da Jump
Visual Novel Brasil (@visualnovelbr) – Gintama
Chuva de Nanquim (@Chu_Nan) – Majin Tantei Nougami Neuro
Xtreme Divider (@MT_Virus e @HenryP39) – Toriko | Katekyo Hitman REBORN!|Hikaru no GO
Geekomics (@Roger_Walters) – Busou Renkin
Nahel Argama (@qwertybr) – Nisekoi

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Comentários em: "#JumpWeekend: Porque conhecer Rurouni Kenshin?" (17)

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  14. Escritora disse:

    Eu gostei muito: “Rurouni Kenshin” ou “Samurai X”, como ficou conhecido no Brasil, é uma série bastante competente em seu contexto e com uma galeria de bons personagens. Com certeza tanto o mangá quanto o anime e OVAs nos trouxeram uma história e tanto de espadachins, sem apelar para poderes ou o sobrenatural como fazem a maioria dos mangás shounens mais comuns.
    Tenho de gravar a série e os OVAs – dublado, porque teve uma boa dublagem – e ter aquela mesma sensação de quem já curtiu e gostou. Recomendado!!!

  15. Bruno disse:

    O anime é muito bom, eu o vi antes do mangá, que li do Mangapt, versão portuguesa excelente. Foi anunciado pela JBC que seria lançado o Tankobon, que o terei com certeza.

    Esse mangá enfoca a trama dos personagens e seu passado, os conflitos e sentimentos de modo memorável, fazendo-nos pensar como as ações más e acontecimentos anteriores reverberam no presente e futuro, como os velhos inimigos que retornam ao Kenshin, oponentes pessoais e da era que ele ajudou a estabelecer. Mas se enfatiza também a possibilidade de remição dessas ações (Kenshin, Enishi, Soujirou etc.).

    É interessante comentar que os personagens foram extraídos de figuras reais (kenshin, Sanosuke, Saitou) e da literatura (Kaoru), a ambientação histórica na era Meiji, referências à Tokugawa e inserção dos grupos que existiam, como o shinsengumi, e outras, sekihoutai e Ishin Shishi.

    Lembro-me de que do anime havia gostado muito do arco dos cristãos. Depois li na Aventuras na História sobre os últimos samurais cristãos, da mesma região, Shimabara, porém do século 17. No anime o líder é o Shogo Amakusa, que se incumbiu de proteger os cristãos e começar uma revolta para estabelecer o reino de Deus (considerando-se ele próprio Deus) e usa o mesmo estilo Hitten Mitsurugi, que serve (como disseram na estória) para proteger, como um memorial dos 250 anos do conflito em Shimabara que reprimiu os seguidores de cristo, religião banida na época. O personagem histórico tinha quase o mesmo nome, Shiro Amakusa, e foi mitificado também, dizia-se que ele era o filho de Deus enviado para salvá-los da miséria e da repressão à sua religião. Ele morreu como mártir e era lembrado pelos cristãos sobreviventes. Há referências na matéria da revista ao Mangá e ao jogo Samurai Shodown (em que Amakusa parece mais com uma mulher e a história foi bem alterada…).

    Parabéns pelo texto, Samurai X (Rurouni Kenshin) é clássico.

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