O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Olá caros leitores! Peço desculpas pelas recentes faltas da coluna! Não é tão fácil assim escrever esta coluna toda semana, porém ainda assim peço desculpas! Deixando isso de lado estou de volta para apresentar-lhes mais um texto cheio de questionamentos e referências a vários animes, aliás, referência é o que não faltará hoje, pois este é o tema da coluna. Como é de costume, alguns eventos recentes na minha vida me inspiraram a falar deste tema e dessa vez devo dizer que o principal deles foi assistir o filme Mercenários 2, que é um prato cheio de referências a filmes de brucutus dos anos 80 e 90. De qualquer modo, tal como a resposta absoluta é 42, reviver, homenagear e referenciar é preciso.

Sei que mal começou o texto e a palavra referência já apareceu diversas vezes, mas vamos começar pelo significado do termo “referência”.  O Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa define o termo da seguinte forma:

referência
(latim referentia, -ae, plural neutro de referens, -entis, particípio presente de refero, referre, trazer ou levar de novo, remeter, dar, responder, relatar)

s. f.
1. Ação de referir.
2. A coisa referida.
3. Menção, registo.
4. Ponto de contacto ou relação que uma coisa tem com outra.
5. Conjunto de qualidades ou características tomado como modelo.
6. Alusão.
7. Código, inscrição ou marca que permite identificar um processo, um documento, uma encomenda, um objecto, etc.
Para efeito de simplificação, este texto trata dos significados 2, 3 e 6 informados no dicionário supracitado, ou seja, falarei sobre o porque e como animes referenciam animes, mangás e outros expoentes da cultura pop japonesa.

Kamehameha

Você já tentou soltar um Kamehameha? Ou já tentou fazer os movimentos da fusão com um amigo? Fale a verdade, você também levantou os braços pra dar sua energia a Genkidama, não levantou? E nunca fez isso com os amigos nos eventos que foi (se é que foi em algum)? Usei estes exemplos de Dragon Ball por ser uma série bastante conhecida, mas poderia falar sobre outras séries, por exemplo, nunca tentou disparar um Leigun não? Claro que tudo isso é um tipo de brincadeira, mas porque isso não poderia fazer sentido se fosse em outro mangá ou anime, afinal a criatividade é a única coisa que limita estas obras e tal como eu ou você, os criadores de mangás ou animes, ou de qualquer mídia, também tem obras de que gostam, em que se espelham e por eles poderem fazer seus personagens usarem aquele movimento, ou aquela frase, ou aquela vestimento que tanto tiveram vontade de usar, porque não fazer?

O Deus dos mangás dar as “caras” em Sket Dance

Mais será que eu não estou me referindo a homenagear, em vez de referenciar não? Bem a linha entre essas duas coisas é muito tênue, mesmo porque fazer alusão pode ser tratado sim como uma homenagem, mas não é necessário fazer alusão explicitamente para homenagear, nem mesmo fazer alusão significa sempre homenagem. Por exemplo, em uma das série mais recentes de Scooby Doo, num certo episódio os protagonistas visitam o museu do Scooby Doo, onde há estatuetas, fotos, réplicas de armadilhas do Fred, roupas de monstros fajutos que eles revelaram, mas a piada da cena é feita quando os personagens vêem uma estátua, cujo espectador só ver uma parte de uma silhueta de cachorro e os personagens se viram e quando um deles tenta falar que era o personagem tal, logo é cortado com uma frase mais ou menos assim “É melhor não falarmos sobre isso”. Claramente os fãs de Scooby Doo sabem que aquilo era uma referência ao Scooby Loo, mas não uma homenagem para ele, na verdade é mais uma brincadeira já que o Scooby Loo é um personagem desprezado, as vezes odiado, por onze em cada dez fãs da série, ou quase isso.

Deve ser a constelação de Baco…

Referenciar é sempre bom para uma piada e por um lado pode ser ótimo para empolgar fãs de uma obra, ou pessoas que nem são fãs mais que viram a obra referenciada, porém pode ser algo ruim se o leitor ou o espectador não entenderem a referência. Um dos grandes problemas de referenciar outras obras é que a obra que está referenciando pode perder a chance de ganhar uma identidade própria ou pode simplesmente se tornar sem graça pelo fato de o público não entender a referência. Por exemplo, você já experimentou conversar com um fã viciado em Star Trek em uma convenção de ficção científica, sem que você não saiba nada sobre a série, só porque você viu ele se divertindo ao conversar com outro fã… você provavelmente iria arrepender. O mesmo vale para uma novela, um filme, um livro, um esporte ou o que for, se você não souber minimamente do assunto, não verá graça nenhuma em uma piada sobre ele. Por isto quando se usa uma referência é necessário pensar bem se aquilo será algo realmente interessante para o público.

Esquadrão especial Daitenzin de Excel Saga

Uma piada que utiliza referência, quando bem utilizada e quando o público a entende causa um efeito muito maior do que muitas piadas que não usam este artifício, porque ao mesmo tempo que a pessoa ri da piada ela se sente bem por entender a referência e dependendo da situação, pode-se causar até mesmo nostalgia. Eu me sinto um tanto quanto orgulhoso por poder assistir séries como Gintama, Sket Dance, Binbougami ga! e Nichijou, que escolheram usar referências a cultura pop ou a elementos do cotidiano Japonês como um de seus principais elementos. É muito divertido ver o Gintaman, que é uma série fictícia dentro de Gintama que é uma espécie de Dragon Ball genérico e como eu ri quando anunciaram neste mesmo anime o filme Tonari no Pedoro…

Zidane nele!

Sem dúvida uma boa referência pode gerar uma ótima piada, mas não é apenas para fazer graça ou melhorar o ego do público, que utilizar esta ação é útil, referenciar é necessário para se evoluir, ou para criar algo novo.Em cada postagem deste blog preciso referenciar animes ou mangás que vi para criar argumentos e para gerar o interesse dos leitores por estes animes.
Outra forma de encarar isso, é como as coisas evoluem, usando o famoso exemplo de séries shounen, nos anos 80 séries como Hokuto no Ken fizerem sucesso ao referenciar filmes de brucutu e obras pós apocalípticas como Mad Max. Já Dragon Ball utilizava como base a famosa história “A Jornada ao Oeste” e artes marciais, além disso Akira Toriyama se auto referencia ao utilizar um design que muito lembra sua obra anterior, Dr. Slump. One Piece por sua vez utiliza histórias de pirata e muito do humor conhecido em Dragon Ball para si. E Toriko Hoje em dia utiliza elementos tanto de Hokuto no Ken, como Dragon Ball, como One Piece para desenvolver sua trama.

Hokuto no Hanayome, ou seria, Seto no Ken?

Difícil pensar que uma simples referência pode mudar tudo, mas imagine o que seria de Pokemon se os Pokemons fossem criaturas totalmente diferente das que conhecemos, não seria tão fácil aceitar um mundo com estes tipos de seres, além disso, como seria difícil se criar a quantidade de pokemons que existem sem que nenhum deles parecesse com nada que conhecemos. Se pensar bem, o mundo pokemon é muito diferente do nosso mundo e seria possível que existissem seres totalmente diferentes, porém não acham que seria muito difícil de a série ter o sucesso que tem sem estas referencias?

Porque ela foi escolher o Nappa?

Falar sobre referência pode parecer uma besteira, mas se parar pra pensar bem nós usamos referencias o tempo todo e a forma como as escolhemos usar faz toda a diferença na nossa vida. Até mesmo para escolher como devemos seguir a vida é importante ter uma boa referência. E é muito divertido compreender uma boa referência.

Agora me respondam, perceberam todas as referências das imagens? Entenderam o porque de escolher o vídeo da abertura de Kuragehime para ilustrar o post? Que piada de um anime que utiliza referência a outro você mais lembra? E por fim, que série, filme, livro, ou quadrinho já utilizou como referência para alguma de suas ações? E como foi que utilizou?

Esta semana é… Ops! nada de  “Esta semana é só pessoal”! Devido a falta de publicações frequente nas últimas semanas, ainda teremos mais uma edição desta coluna que será lançada até sábado, por isso podem esperar por mais perguntas estranhas ainda esta semana e continua a busca pela pergunta suprema para a resposta suprema que todos nós sabemos que é 42. Até mais!

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Comentários em: "A resposta é 42: Referenciar é preciso!" (11)

  1. Fazer referência a um objeto, elemento ou outra série, sempre foi uma excelente ferramenta de marketing para melhor se fazer compreender/disseminar perante o público, como por exemplo na OP de Kuragehime, a cabeçada de Mutta em Space Bros, e acho que Sket Dance se encaixa bem nisso. Claro, há as séries estreitamente focadas em fazer sátiras ou paródias, onde o ponto/objetivo final é um pouco diferente, neste caso eles estão mirando no humor, em fazer rir como objetivo final (não se fazer compreender/ser de fácil assimilação, mas gerar risos da situação), onde a tal referência não é tão rica pra narrativa, mas a representa, ao menos teoricamente, muito bem. IMO.

    Essa sua coluna é muito boa Evilásio, e bom post. ;D

    • Obrigado pelo comentário! Citaria o próprio Toriko como exemplo de série que se utiliza da referência para Marketing pessoal.

  2. Erick Dias disse:

    Kuragehime teve uma das melhores OPs que já vi, e não só pela boa música e as referências a vários filmes, mas por fazer com que estas referências façam um pouco de sentido com os personagens que as protagonizam.

    Eu adoro animes que fazem paródias e alusões a outras obras, mas me desagrada duas coisas nelas; uma é quando o anime só tem isso a mostrar, fazendo com que a série em si não tenha uma identidade própria, como você falou. Fica aquela ingrata sensação de que, tirando as referências, a animação não tem nada mais para se sustentar.

    E a outra coisa que me desagrada é algo pessoal, muito pessoal; animes antigos parodiando animes mais antigos ainda =d. Quando vi Excel Saga, por exemplo, em 2005, achei a coisa mais sem graça do mundo. Não entendia nada. Mas, pô, eu estava começando a ver animes, e pegar uma série de 1999 que faz inúmeras paródias realmente não foi uma boa escolha…

    Ainda hoje tenho problemas com animes de paródia antigos, mas pelo menos os de paródia atuais são muito mais tranquilos na questão de entender suas piadas.

    Por coincidência nas últimas semanas vi um bom número de animações assim, já que fiquei assistindo apenas obras da SHAFT, e este estúdio adorar colocar referências em seus animes. Achava que Sayonara Zetsubou Sensei já era um exagero, mas ao ver Pani Poni Dash vi de fato o auge das referências: o anime só conseguiu ter uma graça maior para mim depois que vi a versão americana do DVD, onde há anotações sobre tudo que surge no decorrer dos episódios. É um absurdo o tanto de piadas textuais e visuais inseridas nele.

    • Acredito que este caso dos animes antigos se encaixa na ideia do como pode ser ruim para o público referências que ele não entende… Particularmente adoro Excel Saga e felizmente peguei a grande maioria das referência, mesmo tendo a visto por volta de 2005 na primeira vez também, mas entendo seu ponto de vista, tal como citei isso é um dos grandes problemas ao se utilizar esta artimanha de referenciar outras obras.

      Obrigado pelo comentário Eric!

  3. Igor Snow disse:

    Desculpa ter sumido Junior 😄 É que estive meio ocupado ultimamente, nem no meu blog eu postei!
    Enfim, gostei muito do post, bastante dinâmico e bem escrito. Sobre o tema, é bem amplo como a maioria da coluna.
    O que posso dizer? Referências em piadas é bem como foi dito, é ótimo quando você entende. Agora, e em obra sérias? E quando a referência é mais que um “olha, eu vi essa obra” e sim um artifício usado para contribuir com o sentido/mensagem de uma obra? Sim, sim, eu costumo aparecer aqui com respostas, mas dessa vez a coluna me trollou e atingiu o objetivo dela: atiçar as perguntas.
    Por acaso alguém aí tem uma resposta pra mim?

    • No sei se é um exemplo muito válido, mas vejo o filme Prometheus como um destes casos, em que para mim, o exagero de referências foi prejudicial. Outro caso interessante no cinema é o filme Meia Noite em Paris, no qual acredito eu que muitos se sentiram chateados com o filme por ele exigir muitas vezes o conhecimento prévio necessário para entender as referências.

      Com anime eu acho que Nichijou, ainda que seja uma série de comédia, é um exemplo válido. Porque a referência não apenas é necessária para uma ou outra piada, mas sim para gostar de tudo que há nele.

      Obrigado pelo comentário! E não precisa se preocupar, pode desaparecer de vez em quando! As vezes a vida é um impedimento pra todos nós!

      Até mais e se eu lembrar de mais algum exemplo rápido eu comento!

      • Igor Snow disse:

        Muito obrigado pela resposta! Por acaso estou lendo um livro (A Cidade e As Serras), exigido na lista de duas faculdades, e há um grande excesso de referências nele (frases famosas, livros famosos, pessoas famosas) e eu me sinto bem menosprezado por não conhecer grande parte das citações.
        Concordo com vc, mas acho que também há casos em que a referência tem um papel importante, fazendo parte da obra, complementando-a, mas sem que seja necessário identificá-la para apreciar o material em questão. Não tenho um bom exemplo agora, mas tento pensar em algo…

  4. Escritora disse:

    Antes, muito bom este post, tal como manda o figurino…

    Referências em animações e séries são tão comuns,mas, por outro lado, são um tanto estranho pra quem não está acostumado com isso. Dos exemplos citados, o que conhecia era a cena do “Seto no Hanayome”: quando assisti a cena posta acima, me lembrei dos personagens clássicos dos shounens, que tem força física e um corpo sarado ou musculoso. Não sabia que a referência aplicava ao clássico da Shounen Jump, “Hokuto no Ken”, agora sim faz mais sentido a piada em si.

    De séries que tem isso, posso indicar o tokusatsu “Hikounin Sentai Akibaranger”, que faz piadas aos super sentais e que apesar de curto, rende bons momentos de pura comicidade. E um anime que não foi citada aqui,mas, faz isso é “Dai Mahou Touge”, que faz piadas de filmes, animes e até do gênero mahou shoujo: também é uma série curta e é tipo uma característica da animação em si. Nem a abertura e o encerramento escapam da proposta da série.

    Claro que japoneses e norte-americanos fazem isso com certa frequência, quer que a gente conheça ou não. Mas aí tem diferenças: os japoneses fazem referências mais como piadas ou sátiras e os norte-americanos como uma crítica ou uma piada comum entre eles, que dá pra entender no momento ou não.

    E como diz o post, “Referenciar é preciso”, pra dar uma identidade e quem sabe, arrancar risadas pra quem entendeu e até pra quem não entendeu.

  5. Olá parabéns pelo post! Foi bem explicativo e divertido de se ler, tal como as referências citadas xD
    Só uma observação, falar de referência e não citar Lucky Star é pecado! xP

    • Uma das imagens que peguei pra postar, era exatamente a da Konata como Suzumiya, mas preferi por de séries um pouco menos lembradas.
      Obrigado pelo comentário!

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