O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Olá caros leitores do Anime Portfolio! Tal como prometido cá estou para lhes trazer mais uma edição da coluna “A resposta é 42”. E dessa vez é hora de falar de cinema, mas como grande cinéfolo que sou, não poderia falar de tudo que envolve Anime, Mangá e Cinema em uma só postagem, por isto, nesta segunda edição sobre cinema (a primeira edição da coluna em que destaco o assunto foi A resposta é 42: Hadashi no Gen e Hotaru no Haka, duas visões de uma grande tragédia) falarei de adaptações de mangás para o cinema, mas especificamente adaptações de mangás para filmes live action (com atores reais), serei ainda mais especifico e falarei apenas de adaptações que não possuíram animação para tv. Tentarei explicar porque as vezes adaptar uma série direto para filme vale mais a pena.

Ainda assim esse filme é melhor que Dragon Ball Evolution!

Adaptar mangás para o cinema é algo tão comum quanto adaptar mangás para animação, embora a mídia cinematográfica exija muito mais do que a mídia animada, daí a quantidade de títulos adaptados para o cinema ser muito inferior, porém em alguns casos parece ser muito mais fácil e proveitoso adaptar um mangá apenas para cinema. Tais casos costumam ocorrer quando se trata de obras destinadas ao público adulto, primeiro porque a mídia animada, quando baseada em obras mais maduras, tende a sofrer com censura. Segundo porque obras mais adultas tendem a ser menos fantasiosas. Além disso, existe ainda a vantagem em se utilizar de um obra advinda de um quadrinho para promover novas idols, cantores e outras personalidades.

Crows Zero do genial diretor Takashi Miike

O cinema oriental não é tão reconhecido quanto o cinema ocidental, porém quando se trata de adaptar quadrinhos para o cinema , os cinemas Japonês e Coreano são os que aparentemente mais trabalharam neste quesito e ouso dizer que são os que melhor se aproveitaram desse tipo de obra.

Um dos filmes recentes, adaptados de um mangá, que neste caso possui uma adaptação animada, porém que apenas saiu em home video, e que ganhou certo destaque na mídia, foi a obra Crows Zero, não apenas devido aos fãs do quadrinho, mas também pelo seu cast de atores e para muitos, principalmente, por causa de seu diretor. Crows Zero é uma adaptação do mangá Crows que gerou duas obras cinematográficas (Crows Zero e Crows Zero 2), ambas dirigidas pelo renomado diretor Takashi Miike, conhecido principalmente por obras de extrema violência e com bastante gore, dentre as quais se inclui Ichi The Killer, que é baseado no mangá Ichi. Não vem ao caso julgar a qualidade do filme Crows Zero (Particularmente o bastante divertido), porém o mesmo serve como uma boa obra para começarmos a ilustrar este texto.

Solanin, adaptação do mangá de Inio Asano

Uma coisa interessante a se lembrar quando falo em mangá, é que este tipo de quadrinho tem muita influência do cinema, várias técnicas utilizadas nos mngás são trazidas de obras cinematográficas. Osamu Tezuka sempre utilizou técnicas e uma narrativa cinematográfica, bem como outros precursores do mangá atual que desenvolveram os estilos que vemos hoje nos quadrinhos japoneses. Técnicas como zoom, cortes elaborados de cena, efeitos para movimentação, a forma de focar os personagens e cenários, dentre outras são parte integrante dos mangás que conhecemos.

Como segundo exemplo cito Solanin, a adaptação cinematográfica do quadrinho homônimo do autor Inio Asano que chegou a ser lançado no Brasil, pela editora L&PM. A narrativa de Solanin é perfeitamente adaptável ao cinema e acredito eu que por este motivo que gosto tanto deste filme. Inclusive cheguei a assisti-lo antes de ler o mangá e garanto que pouco se perdeu na transição das mídias.

20th Century Boys, um épico dos quadrinhos e um épico do cinema.

A forma episódica como a história de alguns mangás é contada, muitas vezes contribui para uma adaptação televisiva, seja animada ou em formato de série live action, porém há vezes que esse mesmo atributo está muito mais intimamente ligado ao cinema, de forma que você ler o mangá e pensa como ele se parece com uma grande trilogia de filmes.

20th Century Boys é um deste casos, o mangá é considerado uma das grandes obras desse século, criado pelo renomado autor Naoki Urasawa (Para mim esta é a melhor obra dele), teve uma adaptação em três filmes, que gerou um frenesi, representado numa bilheteria bastante elevada nos cinemas japoneses.  O filme utilizou-se de efeitos, que foram bastante criticados por alguns fãs, mas o roteiro, os atores e a campanha de marketing feita em cima do filme foi bastante elogiada (em minha opinião, tanto o mangá quanto os filmes merecem ser conhecidos). O mangá de 20th Century Boys deve ser lançado no Brasil pela editora Panini ainda em setembro de 2012.

Ikigami! O carteiro da morte!

Outro ponto a se pensar quando se quer adaptar um quadrinho para filme é se os atores conseguem transmitir de forma correta a mensagem passada pelo personagem. Uma boa caracterização não cria um bom personagem, por isso em alguns casos existem filmes com ótimas caracterizações e efeitos que não cumprem bem seu papel pela falta de qualidade do seu cast e em se tratando de Japão e Coréia isto é um grande problema, pois é muito comum utilizar a mídia cinematográfica para ajudar a popularizar uma personalidade, que por sua vez não tem o menor preparo para ser ator ou atriz.

Continuando com os exemplos de adaptações, temos a adaptação cinematográfica do mangá Ikigami, cuja obra original já foi citada na edição A resposta é 42: Vilões de anime e manga – Organizações Governamentais desta coluna. O filme não peca em adaptar bem a obra, porém a ambientação desta adaptação tem muito mais crédito que sua equipe de atores, muito embora bons nomes do cinema e da tv japonesa estejam ali presentes.

A adaptação coreana de 2003 do mangá Old Boy é sem dúvida um dos melhores filmes de vingança já criados

Há uma série de coisas a se pensar antes de adaptar um mangá em forma de um filme em live action. Fora o já citado problema com o cast de atores, existe o problema do investimento financeiro que é muito maior do que em uma animação ou  numa série em live action para tv, além disso, há a própria barreira causada por fãs que em muitos casos são cruciais para o sucesso destas obras, pois nem todo mangá funciona como grande blockbuster. Esses são alguns impedimentos, existem alguns outros, mesmo assim é louvável quando um diretor ou estúdio tenta adaptar um quadrinho e é bastante recompensador quando o resultado é tão bom quanto esperado.

O manga Old Boy de Garon Tsuchiya, que recentemente foi anunciado como futuro lançamento da Editora Nova Sampa aqui no Brasil, recebeu uma adaptação cinematográfica coreana em 2003.  O filme faz parte de um conjunto de três filmes dirigidos por Chan-wook Park, aos quais se dá o nome de trilogia da Vingança, muito embora eles não tenham relação entre si. E dentre esses três Old Boy é o mais famoso e mais reconhecido. A história de Garon Tsuchiya se enquadra perfeitamente na mídia cinematográfica, e tanto o cast de atores do filme, como a direção e produção foram brilhantes criando um filme reconhecido por muitos como um dos melhores filmes de vingança já criados.

Dito tudo isto, vamos as perguntas… qual o maior problema em adaptar um mangá para você (independente de ser no cinema oriental ou ocidental)? Quais obras que nunca tiveram uma adaptação, você acha que combina com a mídia cinematográfica? Porque certos quadrinhos não gerariam bons filmes? E por fim, que nova contribuição você acha que a mídia cinematográfica poderia fornecer aos quadrinhos?

Agora sim, por essa semana é só pessoal! Quarta-feira estou de volta, pois a busca pela pergunta correta para a resposta fundamental continua. Até mais!

 

 

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Comentários em: "A resposta é 42: É hora de falar de cinema… com atores reais." (2)

  1. Escritora disse:

    Adaptar uma mangá em um live-action ou um filme é sempre um desafio: não que aja possibilidades, o problema é mesmo executar de forma que não traia sua fonte original, como ocorre na maioria dos casos. Os que foram citados no post são aqueles que conseguiram dar o enfoque e até superaram de certa forma, as falhas que poderiam acontecer.

    Pra ser franca, o problema é justamente a adaptação e a escolha do elenco e quando a adaptação é de um mangá, aí as coisas saem mais complicadas do que aparentam. Até agora, vi apenas os dois filmes live action do “Death Note” e o filme “Casshern: Reencarnado no Inferno”- este que queria ter gravado pra assistir, porque gostei do estilo do filme – e digo que são boas adaptações, dentro das possibilidades oferecidas.

    E como um mangá é mais livre em sua estrutura que um livro ou um quadrinho, as dificuldades vem aí. Um tipo de mangá que tem rendido boas adaptações são os shoujos – pelo menos, a maioria deles – por terem histórias mais cotidianas e “fáceis” de contracenar e os mais difíceis são os shounens battles, cujas cenas e estruturas são melhores em animação do que em carne e osso, acredite…

    Agora, se isso pode contribuir pra adaptação ganhar status, isso é fácil, devido a quantidade de filmes baseados em quadrinhos e livros que vemos por aí: vira uma forma de conhecer a trama e quem sabe, correr atrás da fonte original. Isso deu certo em franquias como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis” e mais recentemente, a “Saga Crepúsculo”, todas de livros de leitura simples e de certa forma, sonhadora. Claro que pra quem já leu um deles, sabe que a adaptação só vai pegar a base da história e desenvolvê-la no máximo que a produção pode oferecer, rendendo uma boa, regular ou uma péssima adaptação cinematográfica.

    Espero que tenha sido uma opinião boa…

    Continue assim!!!

    • A opinião foi ótima… No caso adaptar séries mais distantes do mundo real como é costume nos Battle Shounens são realmente complicadas e demandam um orçamento astronômico para que sejam feitas com qualidade, já séries menos fantasiosas por vezes se enquadram tão bem a mísia cinematográfica, que quando sai algo ruim, em geral o diretor e os atores são os maiores culpados.

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