O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


É hora de terminar a análise obre o mercado nacional de anime em home vídeo e finalmente fornecer minha opinião geral sobre como o mercado está e algumas alternativas para que haja melhoras. Então prestem atenção e no fim opinem vocês também.

Olhares esperançosos? Ou seriam preocupados? Ou seriam confusos? Ou seriam…

Ao longo dos três textos anteriores tentei expor mais ou menos os pontos que acredito serem os mais importantes ter conhecimento para oferecer uma opinião concisa sobre o tema. Como pode-se ver no primeiro texto, além de poucos serem os títulos de animes aqui lançados, os valores atribuídos aos mesmos são altos, o que não critico de todo, pois home vídeo é um material caro na maior parte do mundo, porém é certo que muito do material oferecido não vem como todo o conteúdo que deveria vir para justificar o seu valor.

Com relação ao fator pirataria, sei que ele ataca sim o mercado oficial, porém não por culpa exclusiva do consumidor, mas principalmente pela falta de alternativa que este consumidor tem, alternativa esta que poderia ser suprida por serviços de stream de qualidade. Sei que muitos insistem em dizer que a pirataria é um problema principalmente cultural, mas tenho razões pessoais para crer que o problema é muito mais relacionado a falta de opção de material de qualidade com preço acessível, do que relacionado ao uma falsa ideia de que pirataria não é algo tão ruim.

Ainda acredito que o mercado de home vídeo devia se voltar principalmente para colecionadores e apoiar os serviços de stream que ficariam com o outro público. Por um lado o serviço de stream poderia oferecer o que hoje é oferecido  por algumas emissoras de tv, um conteúdo extenso por um preço aceitável. E ao mercado de home vídeo sobraria um grupo de colecionadores que é consideravelmente grande o bastante para mantê-lo, principalmente porque se mais materiais destinados a colecionadores, ou sejam, materiais com uma qualidade elevada, fossem oferecidos no país, provavelmente muitos colecionadores deixariam de importar estes produtos. Acredito eu inclusive, que as distribuidoras de home vídeo deviam tomar as rédeas do mercado de stream e oferecer tanto o produto físico, com o vídeo principal e outros conteúdos extras, quanto o produto digital, apenas com o vídeo principal.

Outro fator importante, que tanto é uma consequência, quanto uma possível vantagem para que o mercado cresça, é o investimento em outros materiais associados aos animes, produtos oficiais como bonecos, camisas, canecas, jogos de tabuleiro dentre outros já se mostraram no passado (por exemplo com a febre dos Cavaleiros do Zodíaco, ou até mesmo o jogo de Zillion no Master System), quanto se mostram no presente (vide a promoção do McDonald’s que oferece bonecos de Pokemon junto com Mc lanche feliz) um mercado associado muito lucrativo, mas ainda é pouco investimento neste tipo de material. Importante destacar,  que hoje em dia a maioria dos animes lançados na tv japonesa funcionam muito mais como propaganda para os mangá, jogos e livros em que são baseados e para os produtos associados a estes do que como um material a se lucrar com a venda de home vídeo.

Boneco do Jaspion que vinha junto com a coleção da série em DVD distribuída pela Focus

Também devo citar que bonecos de baixa qualidade, como o Jaspion que veio junto com a lata que continha a série em DVD distribuída pela Focus, não é algo a se espelhar.

Em resumo, o problema principal do mercado nacional de home vídeo de anime, não é o preço e nem a pirataria, mas a  falta de uma distribuição que prime pela qualidade do material, bem como a falta de uma variedade de séries sendo apresentadas por meios de baixo custo, como é o caso das emissoras de tv e dos serviços de stream. Também não adianta pensar que o mercado de home vídeo é como o de quadrinhos, onde pode se apostar em vários produtos diferentes e se um não vender, outro com maior apelo pode cobrir as perdas. E muito menos pensar que qualquer coisa que trouxerem do japão vai fazer sucesso. Este não é um mercado propício para apostas, então temos que entender que a baixa variedade de títulos não é culpa das distribuidoras de home vídeo apenas, na verdade home vídeo é algo que deve ser lançado com base em materiais que por si só tem um certo público. Imaginem se um distribuidora decidisse apostar todas as suas fichas em uma série desconhecida, mas de grande qualidade, como The Tatami Galaxy, ela ia vender um pouco, mas provavelmente ia falir, pois acredito que até mesmo muitos dos caros leitores que estão acompanhando esta postagem não conhecem este anime.

Uma coisa interessante a ser percebido é que a vinda dos fansubers não gerou o público que gosta de animes, mas provavelmente foi o que mais influenciou o aumento drástico desse público na última década e com isso gerou um público maior de pessoas interessadas em obter home vídeo de anime, como também é um fator destacável para a detestável comercialização de dvds piratas de animação japonesa. Então, já que existem fansubers, porque seriam necessários os serviços de stream ou uma volta do material para tv? Porque o material fornecido por fansubers é diferente do material que estes meios transmitem, seja por causa da dublagem, ou da edição ou até mesmo pela qualidade, além disso, a maioria dos consumidores de dvds piratas não consumiriam dvds originais, mesmo que esta fosse a úncia opção, mas provavelmente consumiriam serviços de stream devido ao fator custo. Os fansubers podem até influenciar a busca por material oficial, mas não acho que influenciem de forma relevante o baixo número de pessoas que consomem estes produtos.

Por fim, enquanto um distribuição oficial e de qualidade via stream  não chega ao país, as distribuidoras podiam começar a estudar o mercado com mais cautela, entrar em mais contato com sites especializados, blogs e comunidades de fãs, bem como oferecer um canal de comunicação funcional entre os consumidores de home vídeo de anime e elas próprias para que lançamentos futuros sejam feitos baseado no público realmente interessado em consumir este produto, da forma que esse público quer que ele o venha, pois apostar em filmes e séries pouco conhecidas como o Mundo encantado de Gigi e Vampire Pincess Miyu (em minha opinião, ambos muito bons) aparentemente se mostrou ineficaz.

Espero que tenham gostado, pelo menos um pouco, desta longa análise e gostaria que colocassem suas opiniões nos comentários, sejam elas coincidentes ou contrárias a minha, pois este tema merece ser discutido com cuidado e será difícil que todos cheguem em um consenso, mesmo assim espero que ao menos estes quatro textos tenham feito vocês refletirem mais sobre o assunto e espero ainda mais que possamos uma dia ter um mercado de home vídeo não apenas de anime, mas com relação a tudo, com a qualidade que nós fãs e consumidores merecemos.

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