O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


É chegada a hora prometida, depois de tanta espera a coluna mais polêmica e comentada do blog está de volta e desta vez falo de um assunto que foi prometido no fim de agosto: Mangás e Animes Josei.  Ainda tenho muito a aprender sobre estas obras e conheço um número diminuto de animes e mangás que se enquadram neste perfil, mas já posso dizer que alguns dos meus animes e mangás favoritos são Josei e hoje tentarei expor o porque de obras que são principalmente destinadas a um público de que não faço parte encantarem tanto a mim e a muitos outros que também não fazem parte deste público (claro o que o público alvo também se encanta com essas obras). Enfim, é hora de falar de Josei!

Como eu sinto falta deles…

Josei é um termo que ao pé da letra pode ser traduzido como mulher(es) madura(s) ou senhora(s). No sentido aqui tratado, o termo é usado para ilustrar o público alvo ao qual certas obras em manga e, por consequência, em anime são destinadas. Segundo o texto “The World of Japanese Ladies’ Comics: from Romantic Fantasy to Lustful Perversion” de Ito Kinko, obras Josei são direcionadas a mulheres que possuem entre 15 e 44 anos de idade.

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O Josei surgiu a partir das histórias Shoujo (mangás destinadas a garotas com menos de 16 anos) como um amadurecimento dessas obras destinadas a jovens garotas, pois muitas destas leitoras de Shoujo ao crescerem perdiam interesse pelos romances um tanto infantis e muitas vezes fantasiosos que eram apresentados nessas obras, além de outros aspectos imaturos que os personagens destes mangás possuem. Com o amadurecimento das jovens, agora jovens adultas, outros assuntos passavam a ter tanta importância quanto o romance, além de que, as próprias relações amorosas eram vistas por estas de forma mais madura, então para que esse público feminino mais maduro não deixasse de ler mangás, as editoras passaram a investir em artistas que possuíam um estilo mais realista e escreviam roteiros menos ingênuos, obras mais próximas ao Seinen (mangás destinados a adultos), mas que também eram destinadas ao público feminino, e principalmente por isto a maioria dos criadores de Josei são mulheres que produziam Shoujo ou Seinen. Tais mangás começaram a se tornar mais famosos no século 21, em parte pela necessidade das editoras garantirem que pessoas mais adultas também lessem mangás, já que o público de leitores diminuíra bastante no fim do século 20, em parte pela adaptação destas obras para Doramas (Séries similares a novelas, porém mais curtas) Japoneses e Coreanos, pois como essas obras são quadrinhos mais realistas e ao mesmo tempo apresentam romances bem elaborados que prendem facilmente a atenção das mulheres (público alvo principal destas séries) era mais fácil de adaptá-las que livros e menos trabalhoso que criar roteiros originais. Além disso, como acontece com frequência com séries Seinen, mais e mais mangás Josei passaram a ser adaptados para o Cinema. E com o sucesso que os mangás Josei começaram a alcançar unido a criação de blocos televisivos destinados a animes mais maduros, como é o caso do bloco noitaminA (Animation ao contrário) da Fuji TV, estas obras passaram a ter mais adaptações para anime. E então começou minha história com séries Josei.

Gyabbo! Forte Piano! Mangusto! Pururin!

No fim de 2005 conheci uma série chamada Honey & Clover, exibida no recentemente criado noitaminA, que falava sobre um grupo de amigos universitários vivendo os dilemas da vida. A história apresentava romances mais maduros, o problema de conseguir emprego, dilemas familiares, triângulos e até quadrados amorosos. Tudo em uma história divertida, emocionante e com personagens interessantes e críveis. Depois disso eu nunca mais olharia animes e mangás destinados ao público feminino da mesma forma. Até hoje Honey & Clover é meu anime e meu mangá Josei favorito. Se por um lado eu tinha Genshiken como a grande obra animada que tinha acompanhado em minha vida, por outro Honey & Clover me fez perceber de vez que existiam obras boas em anime e mangá, que independente do público para qual são direcionadas, devem ser conhecidas. Não só passei a conhecer aquele novo grupo de histórias que eram os Josei, mas passei a ver todos as demais obras que conheci posteriormente com outros olhos, independente de serem Shoujo, Shounen, Kodomo, Seinen, Josei ou Gekigá, não mais passei a formular pré-conceitos sobre qualquer animação ou quadrinho. Claro que este meu exemplo é pontual, mas serve para  mostrar logo de início o como obras Josei foram importantes para minha formação como fã de anime e mangá.

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Tal como o Seinen, são poucas as obras Josei que foram licenciadas e lançadas no ocidente e por isso a maioria das obras destinadas as esses públicos só puderam ser conhecidas com advento dos fansubs. Além disso, mesmo que a quantidade de obras Josei tenha aumentado consideravelmente desde o início deste século, ainda existem muito menos Josei do que obras destinadas outros públicos como o Shounen, Shoujo e até mesmo o Seinen. Fora isso, o próprio Josei ainda não conseguiu ganhar a importância necessária para se dissociar do Shoujo, por este motivo estas obras ainda concorrem como Shoujos nos principais concursos de anime e mangá. Mas, qual o interesse disto para nós?

Bem, tal como os concursos japoneses, muitos, principalmente homens, ainda pensam que estas obras são para “menininhas” e por este motivo nem se quer se dão ao trabalho de conhecê-las, o que é lamentável porque garanto-lhes, tanto os homens quanto as mulheres que assim pensam estão perdendo a oportunidade de conhecer obras de arte magníficas.

Eu quero mais Kuragehime!

Agora sim é hora de citar mais dois animes, mangás e doramas de obras Josei que tanto gosto, começando pelo inesquecível Nodame Cantabile, uma história de romance e música clássica regada a muita comédia e algumas reviravoltas. Se hoje eu sei o que é um mangusto, ou o que significa Forte Piano, ou que “Brilha brilha estrelinha” (Kira kira Boshi) é de Mozart devo isto a Nodame Cantabile, mas também devo a esta obra ótimas horas que passei em minha vida. Inclusive fiz alguns amigos gostarem de anime por causa desta série e não é só o anime, ou mangá, ou o dorama que deve ser visto, são ambos os três, pois cada um tem seu charme particular.

A outra série que escolhi para exemplificar um pouco do que pode ser conhecido em obras Josei é exatamente a obra Kuragehime que é ilustrada acima. Sendo bem sincero conheço apenas a série animada, mesmo assim esta é uma das minha obras Josei preferidas. Tal como em Genshiken os protagonistas desta obra são otakus que tentam viver em sociedade, mas a história não é sobre o cotidiano dos personagens, mas sobre cada personagem em específico, com um destaque maior para a protagonista que é viciada em águas vivas e para o garoto que faz cross-dressing. A história pode parecer  absurda, mas tenta, e com êxito, se manter com pé no chão o tempo todo. Além disso, um adendo interessante que o anime introduz é a abertura que faz referência a diversos filmes famosos e que mostram que a obra não é um simples romance, ou uma simples comédia, mas que também envolve a cultura pop em geral. Ela apresenta fantasia e realidade, drama e comédia, além de não ser nada previsível e tudo isso com um traço leve, comum a histórias destinadas a mulheres, além de outros atributos visuais que se tornaram famosos em obras Shoujo.

Daikichi, você não tem chance contra a Rin!

Bem, este texto não tem a intenção de indicar as obras Josei que você tem de ver, mas ilustrar o como animes e mangás Josei podem ser interessantes, independente de você ser um mulher ou homem, aliás muitas vezes, independente de você ter 12 ou 50 anos de idade. Aqui cabe meus parabéns as autoras de obras Josei, que não só me fizeram rever meu jeito de escolher um anime ou mangá,  mas que também criaram histórias tão interessantes que vem quebrando paradigmas. Uma coisa muito interessante que percebo nas obras Josei e Seinen é que diferente das obras Kodomo, Shoujo e Shounen, elas não tem uma série base que define o que deve ser apresentado em cada estilo, não existe um Dragon Ball, que é a base para  a maioria dos Shounen de batalha para os Seinen do mesmo tipo, nem uma série de Sakuras Card Captor, Peach Girls e Kimi ni Todoke’s para os Josei. Cada obra parece única e diferente de praticamente todas as outras e isso meus amigos é a prova mais visível da diversidade que se pode conseguir em animes e mangás. Não me endentam mal, não acho que todo Shounen, Shoujo e Kodomo sejam iguais, mas é muito mais fácil ver um variabilidade de conceitos em obras Seinen e Josei.

Por fim cabe a mim então apenas formular as perguntas devidas, ou melhor, a pergunta, que é:

Tal como Honey & Clover e Genshiken me fizeram perceber a imensidão de obras interessantes e diferentes que encontro e que encontrarei em animes e mangás, existe alguma obra em especial que lhe fez perceber como a animação e os quadrinhos japoneses sempre poderão lhe surpreender, independente de quantos anos passe?

Fico por aqui, ainda na busca da pergunta fundamental, e aguardo vocês no próximo post!

 

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Comentários em: "A resposta é 42: Obras para mulheres adulta ou para pessoas de bom gosto?" (6)

  1. Gostei bastante do post… sempre fico muito feliz de ver homens reconhecendo o estilo josei e não se equivocando pelos preconceitos bobos que a gente tanto ouve por aí…

    Nodame é um dos meus joseis favoritos… e confesso que quando comecei a ver achei que o tema não seria fácil de ser desenvolvido, achava que provavelmente ficaria bem chato a qualquer momento… mas a autora me surpreendeu e por 24/25 volumes manteve minha atenção de forma encantadora….
    Além de mudar minha forma de ver as temáticas variadas que os mangas conseguem abordar… Nodame também mudou minha forma de ver o universo da música clássica… e incentivada pelo manga fiquei com uma vontade incrível de apender um instrumento musical, por consequencia me inscrevi em uma aula de violino 😀

    Eu adoro mangas, adoro a capacidade de me “envolver” com uma história, de conhecer temas diferentes, refletir sobre personagens diferentes… realmente é um universo encantador.

  2. HeverGM disse:

    Conheço poucas obras Jousei… sempre fui mais adepto do Seinen e quando se trata de algo mais “adolescente” tenho lido mais Shoujo do que Shounen.

    Acho que as obras Jousei que leio atualmente são frutos de animes bem sucedidos que assisti, como Usagi Drop ou Chihayafuru… confesso que existe de fato, muitas obras interessantes ainda a serem exploradas.

  3. Nossa, interessante o texto Junior. Não parece muito com o que você normalmente posta nessa coluna, o que é não é ruim, já que você fala bastante sobre as origens do gênero.
    Josei eu assisto quase nada, assim como seinen e shoujo. Shounen também deve somar um número bem pequeno rs
    De qualquer forma, eu me interesso bastante por esse gênero. Não curto shoujo, então quando descobri o josei fiquei muito animado!
    Animês que me surpreenderam por serem diferentes do que eu tava acostumado? Bom, Death Note (“nossa, nunca pensei que pudesse me emocionar com animês sem luta”) Fullmetal (“nossa, nunca pensei que um shounen podia ser tão tocante”) e DRRR!! (“CARA, QUE ANIMÊ É ESSE?”) são os que eu me lembro agora 😄
    Mas, além dos próprios animês, acho que tem todos os blogs que eu sigo/segui e que me ajudam/ajudaram muito a ampliar meus horizontes (meu gosto por animês com premissas cretinas, por exemplo, vem daí rs). E talvez, os próprios joseis que acabei assistindo, foi por causa deles 😄
    Blogagem é vida gente… lá lá lá

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