O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Alguns provavelmente já esperavam que esta semana não tivesse mais esta coluna, porém cá estou para mostrar que esse atraso não passou de uma “Pegadinha do Malandro” ou quase isso. Na verdade passei boa parte das noites dessa semana preparando o material que irei apresentar no clube do anime deste mês, que por acaso será amanhã (14/10), mesmo dia em que começa a fase final do ISML 2012 ( a versão mais desinteressante do torneio desde que o mesmo foi criado). Deixando tudo isso de lado, hoje irei aproveitar que minha vida nos últimos tempos parece ser resumida muito bem com o termo “Slice of Nada” e falarei daquelas séries divertidas que não chegam a lugar nenhum, os famosos “Slice of Life”. E por favor, leiam o texto até o fim antes de jogarem pedras!

Reação da Akira-sama depois de assistir o encerramento de Danshi Koukousei no Nichijou.

O Slice of Life era originalmente um subgênero de anime que ganhou fama neste século e hoje pode ser considerado um gênero principal com animes que apresentam as suas características de forma clara e enfática. Simplificando, o Slice of Life representa séries que tratam da vida cotidiana, em outras palavras, séries que apresentam o dia a dia de um personagem ou grupo, e geralmente estão ligadas a comédia que se faz presente em diversas situações cômicas pelos quais os personagens passam, sendo que muitas vezes estas situação são exageros de cenas comuns do cotidiano, em especial do cotidiano dos japoneses e principalmente o cotidiano dos adolescentes japoneses. Outra característica comum a séries Slice of Life é a apresentação da vida escolar de seus protagonistas, muito embora nem todo Slice of Life seja escolar e nem todo anime escolar seja Slice of Life. Não existe bem uma elemento que defina se um anime é propriamente Slice of Life, assim sendo qualquer anime que apresente a vida cotidiana também é um Slice of Life, mas podemos dizer que o Slice of Life como gênero principal trata de séries em que os personagens não possuem um objetivo principal que os direcione ao longo da série, ou seja, a série tem como finalidade apenas apresentar as diversas situações pelas quais os personagens passam e não uma aventura propriamente dita, o que não inibe a chance de  haver uma cronologia no anime.

Yune e seu sorriso… ah ninguém que tenha coração resiste a um sorriso desses!

Uma coisa interessante a esclarecer quando se fala neste gênero é que o anime pode ter um ambientação de fundo ou argumento diferenciado que gera a união dos personagens, por exemplo, um clube de música apenas de garotas, a vida em meio a uma Paris vitoriana, uma promessa feita junto a uma pedra sagrada, uma androide com rosto de adolescente criada por uma garota de oito anos ou um amizade entre garotos que vem desde o jardim de infância, mas também ele pode apenas apresentar o dia a dia de pessoas normais que se ligam pela amizade ou pelas situações que vão surgindo ao longo da série.

Os elementos mais importantes em uma história desse tipo, são as situações, os diálogos, a personalidade dos personagens e a relação entre eles. E muito embora a história não tenha um objetivo principal, há uma necessidade em comum entre todos as histórias desse tipo que é causar uma empatia entre o espectador e os personagens. Partindo desse pressuposto fica claro que o interesse da pessoa que está acompanhando a história é ligado diretamente ao quanto essa gosta dos personagens.

O trio das burras de Azumanga Daioh.

De fato o pano de fundo dessas séries vem ganhando cada vez mais importância nos últimos tempos pela inúmera quantidade de séries com personagens semelhantes a de séries anteriormente lançadas. Por isso hoje em dia é difícil se ver um Slice of Life que não aposte ao menos um pouco em incrementar seu pano de fundo, seja com a introdução de um clube aos quais os personagens pertencem ou pela história se passar em um país europeu em outro tempo, ou por se passar no próprio Japão, mas num futuro e etc. Existem diversas características a serem exploradas contanto que o foco da história não seja retirado da relação entre os personagens e das situações cotidianos com as quais esses tem que lhe dar.

Outro ponto que se tornou um clichê na maioria dos Slice of Life’s modernos são as personalidades de cada personagens. Um grupo de personagens em um série destas quase sempre tem que ter personagens com personalidades comuns a quase todas as séries do mesmo gênero, como por exemplo o garoto ou garota pouco expressivo, ou o personagem hiperativo que geralmente tem idéias idiotas, a garota ou garoto com quem todo mundo brinca que normalmente é um(a) personagem extremamente bonito(a) ou que se irrita com facilidade ou ambos, o personagem rico que não tem noção do valor das coisas, dentre outros. Tais clichês são utilizados pelo claro interesse do público alvo por este personagens, inclusive a maioria das pessoas que gostam deste tipo de série esperam que haja esses personagens.

Alguém me explica como a Mai subiu no Bagageiro?

Uma das consequências que mais incomoda o público que não é fã dessas obras está ligado ao ritmo lento da série. Na verdade não se trata de um ritmo lento, mas o fato de que a série não tem a menor pretensão de apresentar ação ou grandes reviravoltas, uma série deste gênero apenas tenta divertir os espectadores que claramente precisam gostar daquele grupo de personagens e de ver eles passando por situações normalmente cômicas ou simplesmente agradáveis. Esse gênero costuma ser muito criticado por essa falta de objetividade e pelo ritmo, mas o ponto importante que os críticos costumam esquecer é que a proposta da obra não é agradar as multidões, mas focar num público alvo que não se importa em ver uma grande aventura ou grandes reviravoltas dramáticas, mas em passar de forma divertida aquele tempo em que está acompanhando o episódio do anime.

A carne está com uma cara boa, resta saber se ele vai conseguir comer tudo até chegar na escola.

Após ver diversas séries deste gênero, que me agra bastante, formei a opinião de que o grande problema do Slice of Life, ou melhor, das pessoas que não gostam do gênero é que estas não se sentem confortáveis em ver um anime que tem a única intensão de divertir. Elas se sentem na necessidade de ter uma história que as cative de tal forma que sinta a vontade de sempre continuar, enquanto que as séries Slice of Life tentam apresentar uma diversão despreocupada a um público que apenas quer passar seu tempo vendo um anime. Claro que ninguém vai gostar de todos os Slice of Life, porque, como já foi citado, há uma necessidade intrínseca de que o espectador goste dos personagens, mesmo porque não existe uma grande história por trás a ser explorada, mas com a variedade de obras deste gênero lançadas até hoje é difícil pensar que nem ao menos uma agrade a qualquer que seja a pessoa, por isso cabe, principalmente, ao interessado querer uma diversão despreocupada.

Agora que vocês conheceram um pouco mais deste gênero que gera um certa polêmica é hora de perguntar se você se interessa por uma diversão despreocupada? Você alguma vez já se viu interessado por uma tirinha? Se sim, porque não se interessa em Slice of Life? E se te interessa, que tipo de personagem mais lhe agrada? E por fim, qual seu anime ou mangá Slice of Life preferido?

Espero que todos tenham se divertido ou ao menos se interessado pelo texto e os aguardo na próxima semana com minha toalha e com mais um texto despreocupado. Até mais!

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Comentários em: "A resposta é 42: O Slice of Life e a arte de divertir sem chegar a lugar nenhum" (11)

  1. Eu até gosto de Slice of Life. Acho que são bons para se relaxar, descansar a mente.
    Adorei Kimi to Boku e Danshi Koukousei no Nichijou, mas por outro lado não gosto de Luck Star.
    Comecei a ver Kimi to Boku para relaxar (na semana de provas da facul, porque estudar no dia anterior não acho que adiantaria muita coisa) e consegui me desligar de tudo. Uma prova disso é que vi as duas temporadas em menos de uma semana!

    • Obrigado pelo comentário! Acho que Lucky Star divide opiniões e é pro público que gosta daquelas séries voltadas mais pro universo Otaku, já Kimi to Boku e Nichijou são mais leves. Um série espetacular, minha preferida do ano passado, que recomendo a todos é Usagi Drop, além do superengraçado Nichijou.

  2. Você falou de um aspecto muito interessante desse gênero: a ligação com os personagens. Mas, o ritmo da história também conta. Tem que ser uma boa história (das que prendam a gente). E,enfim,sabe qual é o problema das pessoas que não curtem esse estilo? É que a formula se repete. Alguns estã acostumados (acho que você e eu). Mas,outros não.
    a b s

    • Não acho que o ritmo seja ponto fundamental nessa obra já que gosto tanto das mais lentas, quanto das um pouco mais agitadas, embora saiba que sou uma exceção, mesmo assim acho difícil alguém abandonar um Slice of Life do qual gostou dos personagens, porque é mais lento ou rápido, vide quem gostou de Lucky Star e A-Channel.

      Com relação a ser repetitivo, reitero que em sumo todo Slice of Life tem como finalidade mostrar o cotidiano de um grupo de personagens, então pressupõe-se que quem vai ver um anime deste estilo já saiba disso. O problema maior, como você citou, é com relação aquelas pessoas que não estão acostumadas com esse tipo de obra.

      Obrigado pelo comentário!

  3. Heeey Junior, legal o texto, é o primeiro que vejo falar dos Slice of Lifes com clareza (só faltou traduzir esse título. Fatia de Vida? Oh wait…)
    Acho o Slice of Life complicado pq têm muitos animês que as pessoas se dividem quanto a ser slice of life ou dramas propriamente ditos. Exemplo: você citou Usagi Drop, que é um animê que eu gostei bastante, mas porque era “estruturado”, teve começo, meio e fim, além de algumas situações inusitadas que quebravam um pouco essa ideia de cotidiano.
    E alias, eu acho que é isso que afasta as pessoas desse gênero. Essa ideia de “fórmula” pra ser seguida em cada episódio é uma coisa que os otakus não curtem mto (ouço ecos dos desenhos animados do cartoom), mas pra mim, acima disso, é por causa da ideia de “vida comum” mesmo. Prefiro mil vezes assistir as bizarrices de um Coragem, O Cão Covarde, que um grupo de amigas estudantes se aventurando por Tokyo (rs)

  4. Gostaria de esclarecer que minha inspiração para a postagem foi o texto do Netoin – http://netoi.blogspot.com.br/2011/11/o-genero-slice-of-life-entenda-o-para.html

  5. Gosto bastante desse gênero – ha, no gráfico do MAL sou “Nível 3” nele…

    Acho que os primeiros animes desse estilo que vi foram “Azumanga Daioh”, “Ichigo Mashimaro” e “Bottle Fairy”, e, apesar de ter gostado desses, levei um pouco de tempo para conseguir “desfrutar” melhor dessas animações; na época eu ainda tinha ânimo de pegar um anime e maratona-lo em um dia, e convenhamos que não dá muito certo fazer isso com certas séries desse gênero… O resultado disso é que geralmente terminava me entediando com a animação, a achando fraca e chata. Mas, anos depois, peguei para rever vários desses animes e a situação foi bem diferente: assistindo com calma um ou dois episódios por vez após fazer alguma coisa qualquer ou chegar em casa, acabava que no final me sentia mais bem humorado e reanimado, tendo aquele bem estar que um BOM anime desses consegue passar com seu clima leve, sabe?

    Dessa forma, é difícil criticar uma obra dessas, pois ela depende demais do humor da pessoa, mas ultimamente tem havido um exagero na criação de animes assim, onde o “ritmo lento” parece mais uma desculpa para justificar a extrema chatice do roteiro e suas personagens, por exemplo.

    Focando apenas no tipo “dia a dia de um trio/quarteto/quinteto de garotinhas”, do qual acompanho tudo que é lançado, acho que o problema maior dele hoje é a saturação; depois de “K-ON!” praticamente todo estúdio deu de se aventurar nesse tipo de anime – até a Sunrise! -, e isso acabou derrubando muito a qualidade das obras como um todo. As personalidades e os eventos sempre são iguais, mas acho que a “loirinha-hiperativa-burrinha” de “Hidamari Sketch”, Miyako, por exemplo, é bem melhor do que a de “Hyakko” ou a de “Yuruyuri”, simplesmente porque no primeiro criaram diálogos e piadas mais bem elaboradas em cima dela, enquanto nos outros dois as ideias são muito brutas. “Aria” é vagaroso em graus extremos, mas tem conversas e vários personagens agradáveis, sem contar os relaxantes toques musicais. Agora, “Tamayura”, do mesmo diretor, é tão lento quanto “Aria”, mas aqui a atração é muito menor; as garotinhas não tem a mesma graça que as undines, e as banalidades que elas falam são bem menos interessantes. A protagonista é muito fofinha, a trilha sonora é charmosa, o cenário é aconchegante, mas, que isso, como é um anime sonolento! Esse, ao contrário, não me reanimava ou coisa do tipo, mas sim me deixava extremamente aborrecido… Às vezes o motivo nem é o fato de você não ter se apegado às personagens e suas vidinhas pacatas, mas simplesmente porque foram malfeitas mesmo, não souberam criar um roteiro decente ou usar direito as personalidades padrões. É aquilo de achar que haverá retorno qualquer bando de garotinhas moe, sendo que as baixas vendas de alguns animes tem mostrado que não é exatamente assim…

    Quanto às suas perguntas, em relação a personagens, minhas favoritas (ficando ainda só em animes com grupos de garotinhas) são a alegre Miyako de “Hidamari Sketch”, a avoada Yui de “K-ON!” e a antissocial Hitoha de “Mitsudomoe” – Konata de “Lucky Star” e Ana de “Ichigo Mashimaro” vêm logo atrás. Já em relação a animes gosto mais de “Nichijou”, “Mitsudomoe”, “Azumanga Daioh”, “Lucky Star”, “K-ON!” e “Ichigo Mashimaro” – “Hidamari Sketch fica de fora porque se não fosse pela Miyako não teria aguentado nem a primeira temporada.

    Mas dos que você citou também gostei muito de “Danshi Koukousei noo Nichijou”, enquanto “Ikoku Meiro no Croisée” foi daqueles animes que só fui adiante graças à personagem principal – segunda personagem mais fofa de 2011! A primeira foi a Rin…

    • Obrigado pelo comentário! Particurlarmaente gosto bem mais de Hyakko! e Yuri Yuri do que de Hidamari Sketch que dropei… E por acaso essas loirinhas que falou são minhas personagens preferidas destes animes… hehehehe. Fora isso concordo com você em todos os pontos embora minha lista de séries preferidas deiferencie um pouco da sua. Acredito que o exagero de anime assim esteja cansando quem ver muitos animes, mas para quem está conhecendo o gênero agora estas novas séries devem agradar sim, fora que vez por outra surge uma pérola como Nichijou e Danshi Koukousei. E concordo que a Yune só perde para a Rin ano passado.

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