O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Olá caros leitores! Hoje tratarei de um assunto que pode ser meio polêmico para alguns, principalmente para aqueles fãs mais afeiçoados por uma ou outra obra e também para alguns autores de sites e blogs, mas a intenção aqui não é criticar nem a um nem a outro, mas tentar passar uma mensagem: Vamos julgar os animes mais pelo que eles apresentam, do que pelo que eles podem apresentar.

Mito: “Se você nunca viu Evangelion, não sabe nada de anime!”

Todo mundo que gosta bastante de anime sempre tentou defender que eles são muito mais que simples animações para criança e até aí tudo bem, eu também defendo, mas isso varia de série para série, no entanto é mais comum do que deveria, pessoas defenderem pontos relacionados a certas obras para tentar provar que elas são muito mais do que são, ou que apresentam muito mais do que de fato está presente na tela. Voltando ao exemplo da animação para criança ou não, já vi muita gente discutir que Naruto e Dragon Ball não são para crianças e se você considerar crianças apenas as pessoas com menos de 10 ou 9 anos, faz sentido, embora crianças mais jovens já tenham visto estas séries, eu mesmo vi Dragon Ball quando tinha por volta de 8 anos, mas tem gente que defende que essas obras são muito mais adultas do que são, ou porque o Goku tirou a calcinha da Bulma em um episódio, ou porque o Kakashi matou o Zabuza no começo do anime por exemplo, mas será que isso influencia tão drasticamente no público. Quando criança eu vi a cena do Goku tirando a calcinha da Bulma e a única coisa que pensei foi como ele é inocente ou burro e quanto ao Zabuza ser morto, ele era o vilão, para mim como criança o vilão tem que perder, eu não vou ficar impressionado porque ele morreu.

O mangá é que é bom, o anime é uma merda!

Outro ponto interessante muito explorado por fãs e por autores de sites e blogs é como adaptações de mangás são boas ou ruins, e isso tem que ser discutido sim, mas vamos pensar um pouco, será que dar pra julgar um anime em detrimento total do mangá. Eu acho que são duas mídias completamente diferentes e embora eu seja contra a descaracterização de um mangá em um anime, eu acho que um anime tem que ser julgado como anime e um mangá como mangá. Por isso se você não gosta dos animes de Zetman ou Toriko por exemplo, não os julgue pelo que há no mangá, mas pelos erros que há no anime, ao menos seria mais justo com estas séries. Volto a ressaltar que é importante criticar algumas alterações brutas entre anime e mangá, mas focar principalmente na obra em questão e não em sua contra parte.

A obra é boa e você tem que aceitar, se está com problemas a culpa é do anime.

Ainda no assunto anime contra mangá, há um costume muito estranho de ao se ver uma adaptação para anime de um mangá que a pessoa gosta, essa não aceitar critica ou culpar a série animada por uma coisa que considera falha. Recentemente a adaptação animada da série Jojo’s Bizarre Adventure começou a ser televisionada e já choveram críticas a série, enquanto que alguns estão defendendo fervorosamente a obra. Particularmente gosto da obra e percebo os erros da animação, mas convenhamos esta primeira série de Jojo funcionava muito melhor na época em que foi lançada, ao menos grande parte das características. Toda vez que eu converso com um fã de Jojo ele ressalta a história e as lutas, mas ninguém fala de como o Dio é posero tempo todo, ou como o Jojo e todos os personagens eram inocentes ao extremo de se usar uma boneca para chantagear uma garota adolescente.  Ninguém cita a ambientação da obra, nem a atitude e os modos dos personagens, não que isso minimize a obra, porque não minimiza, mas está claro que uma obra não é composta só de um história base e lutas, e o fato de alguém criticar os outros aspectos da obra não significa que ele odeia a obra, mas que está ressaltando que não é perfeita e isso vale pra vários outros animes e mangás.

“Bakuman é machista?” Mas sobre o que se trata a obra mesmo?

Outro ponto importante a se citar é quando alguém vai além na hora de critica a obra e começa a falar de aspectos que não são importantes para o desenvolvimento da mesma. “A obra é machista”, “O romance não anda”, “Ninguém morre nessa série”, são só algumas frases usadas por críticos, mas em muitos casos a história não se importa com estes pontos, porque não são essenciais, outras vezes é um reflexo da opinião do autor que coloca tal elemento sem ao menos perceber. As vezes até a própria sociedade japonesa apresenta aqueles elementos no cotidiano e nesse último caso temos que lembrar que esses mangás e animes são feitos para os japoneses. Claro que são pontos interessantes para se criticar, mas existem elementos mais importantes na obra do que um outro que autor impôs e que a grande maioria nem percebe. Fora que é preciso se pensar do público alvo da obra ao julgá-la, logo se aquele elemento a princípio não importa para  aquele público não vai ser o autor que vai se preocupar com isso e não acho que cabe ao crítico diminuir uma obra por causa desses. E isso não é o que vai influenciar na formação da pessoa, senão teríamos centenas de assasinos hoje em dia que cresceram vendo Pica-Pau e Looney Tunes.

“Odeio a Kirino, então OreImo é ruim!”

Não gostar de um anime porque não gosta de um personagem é algo que muitos fazem. As vezes a história é muito maior do que o que aquele personagem apresenta, não discordo que não gostar de um ou outro personagem é um motivo para desistir de uma obra, mas acredito que não seja um bom motivo quando aquela história não é desenrolada apenas por causa daquele personagem. A personagem Kirino por exemplo, é amada por muitos e odiada por outros e dentre os que odeiam a personagem, muitos desmerecem a qualidade da obra a que ela pertence apenas por causa dela, mas se observamos bem a personagem pode até contribuir para que a obra não seja tão boa, mas não necessariamente torna obra ruim, mesmo porque a rigor, não se trata da protagonista do anime e mangá de Ore no Imōto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai.

É bom? Ou apenas nostalgia?

Existem aquelas obras que amamos quando vimos mais novos e que hoje ao rever, muitos pensam que a obra é ruim e o gosto não passa de nostalgia, mas será que é isso mesmo? Será que vale a pena hoje em dia criticar um obra que gostamos quando crianças? Será que a série não seria boa ainda se eu fosse criança? Para que criticar uma obra antiga que vimos quando crianças, com o olhar adulto se ela nem sequer foi feita para o público atual a que pertenço? Discordo de quem pensa que é errado criticar um anime antigo hoje em dia apenas porque são novos tempos, mesmo porque é fácil ver uma obra antiga, relevar um ou outro defeito causado pelo passar do tempo e ainda assim gostar da obra. Muitas das minhas series preferidas são dos anos 80 e 90 e quando as vi já tinha mais de 20 anos de idade.

Por último é importante saber brincar e aceitar uma brincadeira, mesmo porque brincadeiras são apenas isso, não podem ser tratadas como verdades e em geral o autor delas não as quer tratar assim. Sarcasmo e ironia tem que ser visto como sarcasmo e ironia, não como uma crítica feroz a integridade do fã de uma obra. É preciso se divertir mais como os animes do que tentar se divertir os criticando.

Em resumo neste texto quis apenas dizer que para criticar um anime é preciso se pensar apenas no anime e no que ele quer mostrar e para se acompanhar uma crítica de um anime é importante se ter maturidade para aceitar a opinião do autor da crítica, mesmo que discorde dela, e bom humor para rir de uma boa piada e não considerá-la uma ofensa. Assim sendo faço apenas uma pergunta: Porque vocês assistem animes e leem mangás? Eu os faço para me divertir, não para os criticar.

Até semana que vem e novamente espero que ninguém se sinta ofendido por um outra frase do texto. E preparem suas toalhas, porque na semana que vem apresentarei um dos motivos mais importantes para sempre tê-la consigo.

Comentários em: "A resposta é 42: Criticar um anime pode ser perigoso?" (20)

  1. Concordo com tudo e só não vou me estender mais, por que o seu texto já diz tudo o que penso, também vejo animes e leio mangás por diversão, mas infelizmente alguns levam a sério demais! Só passei pra agradecer por essa ótima matéria!

  2. HeverGM disse:

    Belo argumento…
    Isto está acontecendo comigo em Sword Art Online, onde por ventura, canso de de dizer que o Light Novel é muito bom só que o anime está sendo mal adaptado…
    Mas os fanboys acham o anime uma obra prima, mesmo alguns tendo lido o LN fingem não ver os “furos do roteiro” que o anime apresenta, não querem admitir a má execução de alguns acontecimentos.
    O pior é que quando tentam justificar sempre veem a mesma desculpa:
    – No Light Novel isto é assim…
    – No Light Novel isto é melhor…
    – No Light Novel é mais facil de entender…
    E por ai vai! (Fala serio né)
    Depois vem me chingar e dizer que sou hater… sou sim, do ANIME. Cujo já falei umas mil vezes, “Não passa de algo mediano”.
    O anime, claramente, não passa de um produto de marketing para um light novel muito bom.

    E atualmente estou vendo gente “tentando” comparar Shinsekai Yori a um Another… para tentar achar erros. Mas são animes totalmente diferentes…, com desenvolvimento, enredo e feeling totalmente distintos.
    Mesmo assim veem as comparações entre as duas obras como meio de critica à Shinsekai… por pura falta de argumento.
    Afinal de contas, se não tem o que criticar (pois o anime é bom)… vamos comparar né.

    Parabéns pelo ponto estudado… gostei do post.

    • Hever pra ser sincero cara, você está fazendo a comparação que eu digo pra não fazer, ou pelo menos pra não usar como argumento principal. Particularmente no caso SOA eu não li a novel e dificilmente lerei, mas também não acho o anime essa obra prima, ele tem vários erros de execução e furos de roteiros, que não sei se são sanados na light novel, mas se o são, a culpa deve recaí sobre o roteirista.

      Quanto a comparar Shisekai Yori e Another, eu concordo com você plenamente, muito embora eu não esteja achando ainda Shinsekai essa maravilha toda.

      Obrigado por mais esse comentário e bom vê-lo de novo por aqui.

  3. Munin disse:

    Gostei muito do post, ajudou a organizar alguns pensamentos meus, mas…

    Minha resposta ficou um pouco grandinha… Se não se importar… http://jogress.wordpress.com/2012/10/18/resposta-a-anime-portifolio/

  4. […] Decidi comentar o grande post do Anime Portifolio. […]

  5. Interessante, concordo que um anime deveria ser julgado pelo que ele é, e não se baseando pela obra em que foi inspirado, se tiver sido inspirado em uma. Mas é complicado, o gosto pessoal vai estar sempre presente, e isso inclui gostar demais ou de menos de um determinado personagem.

    Acho que o mais importante é se divertir com o anime mesmo. Eu pelo menos tento me divertir da melhor maneira possível e não dou muita importância pra critica. Tento analisar diversos aspectos da obra por conta própria enquanto assisto, mas muitas vezes também relaxo e simplesmente desligo o senso critico para poder aproveitar melhor o que a historia tem a oferecer.

    O jeito é não levar a serio demais. E não da para querer discutir com quem não tem maturidade suficiente nem pra aceitar que as pessoas tem opiniões diferentes.

    • É isso! Você pegou a essência do que quis dizer com a postagem! As pessoas deviam se preocupar em se divertir com o anime que em criticá-lo! Obrigado pelo comentário!

  6. Escritora disse:

    Se criticar um anime é perigoso? Sim e muito, se levarmos a sério demais e vermos qualidades demais ou defeitos demais. Tem três tipos de críticas ao meu ver que não vale a pena criticar: a de dizer que anime X é melhor que o anime Y – principalmente se for um anime popular, como exemplo, os que dizem que “One Piece” é melhor que “Naruto” – as primeiras impressões, que sinceramente não definem se a série vai mesmo ser boa ou não e aqueles que dizem que porque não assistiu esta série tal, deve assisti-la de qualquer jeito. Estas críticas não levam a nada…

    Vou exemplificar com o fator não fui com a cara da série: é óbvio que nem todas as séries que dizem serem clássicas ou populares vai seguir seu gosto pessoal. Por exemplo, eu até entendo os fatores que tornaram “Evangelion” o clássico que se tornou,mas, não fico criticando quem curte ou não, sou do tipo gosta? que bom! senão, nada de ficar criticando a preferência do outro. E olha que não curto mesmo “Evangelion”,mas, sei que cada um tem seu gosto e gosto não se discute.

    Devemos é mesmo nos divertir e assistir as nossas séries favoritas e apenas opinar se a conhecemos, senão, bico fechado nestas horas. O que pode ser feito é divulgar, principalmente se o anime não for muito conhecido, pra ganhar público: isto sim vale a pena comentar!!!

    Ótimo post como de costume. E desculpas pelo sumiço: os dois posts anteriores não eram muito a minha praia.

    • Tranquilo! Fico feliz que tenha voltado a comentar! Espero que consiga produzir mais posts que sejam sua praia, pois seus comentários sempre agregam muito valor aos textos que escrevo. Até mais!

  7. Já sabem a data do próximo clube do anime?

  8. Nossa, esse assunto é amplo! Criticar um anime pode ser perigoso se a pessoa com quem você está conversando, ou está lendo seu texto não entendeu o que você está falando, ou sob quais aspetcos é sua crítica. Como o texto aborda, a crítica a um anime pode ser feita em vários aspectos. Podem ser técnicos, podem ser de elenco, da época em que foi feito, da importância relativa, dentre outros tantos. Se você expõe claramente em que sentido é a crítica. e o outro entende (mesmo que discorde), o “perigo” diminui!

    Claro que isso não se aplica a tiração de sarro entre amigos, onde um faz piada com animes que o outro gosta! Mas daí já se supõe que ambos se conhecem e sabem que a intenção ali é apenas trollar! =D

  9. Igor Snow disse:

    “Não existe obra desvinculada de tempo histórico e região” cortesia da minha amada professora de português (puxasaquismo kkk). Se é perigoso ou não, depende. Perigoso como e pra quem? O perigo que eu vejo é de se afirmar coisas precipitadas ou de se irritar com o que os outros escrevem. Quando vamos ler uma crítica, o certo seria esperar um texto formal de uma pessoa que possui gostos e conhecimentos sobre o assunto, e que consiga usar de argumentos sólidos e claros da obra para provar sua opinião (mas na prática, queremos mesmo é ver uma opinião “intelectual” que confirme a nossa). O problema da crítica, pra mim, está na concepção, na forma como você “encara” as obras. É preciso considerar, como citado no começo, o tempo e o lugar no qual a obra se situa, seu público alvo, seu gênero, e os materiais que podem tê-la influenciado… Além de que, obviamente, o “bom crítico” precisa ser educado em suas afirmações.
    Para muitos (me incluo), a crítica serve como um apoio para decidir se vamos ou não ver/ler tal obra, mas acrescento aqui meu gosto por descobrir detalhes que me passam despercebidos na obra. Sim, a crítica é importante (e muito! nesse aspecto).
    No mais Junior, o texto estava ótimo, e me parece que é o mais “atacado” seu (altas ironias kkk), mas não leve isso como algo ruim de qualquer forma. Vou reler e postar minhas (des)considerações heheh. Aliás, assim como a escritora eu acho que eu andei sumido, mas agora nós voltamos para lotar a área das postagem da coluna \o/

  10. Igor Snow disse:

    1 – “se aquele elemento a princípio não importa para aquele público não vai ser o autor que vai se preocupar com isso”
    Mas qual elemento especificamente? Vou usar Bakuman como exemplo. O romance dos personagens é um ponto da série, não é o principal mas ainda assim é importante, então deve ser tratado com cuidado. Sobre o machismo, não sei bem, acho que fico com o Alex Lancaster quando ele diz que a namorada do protagonista remete a uma personagem feminina antiga dos mangás, aquela que não vai “lutar junto”, mas sim que espera o seu herói voltar vitorioso para a casa (é mais uma homenagem que um desrespeito, penso).
    2 – sobre personagens, passo raiva. Sou muito “fácil” de me apegar aos personagens, então quando um povo aparece falando “certo personagem é um saco, ele não faz isso isso e aquilo” eu já me irrito! (kkk) Dicaparahaters: nem todo personagem tem que refletir sua personalidade, e muito menos é obrigado a te cativar #SnowBarraqueiro
    – “Será que vale a pena hoje em dia criticar um obra que gostamos quando crianças? Será que a série não seria boa ainda se eu fosse criança?”
    Muita coisa que os ditos “críticos” da blogosfera criticam hoje em dia são vistas por pessoas da minha idade ou mais jovens, isto é: se a pessoa critica friamente animês como Another e Sword Art, é obvio que ela vai encontrar problemas ao tentar “aliviar” para séries que marcaram sua infância, como DB ou CDZ. Não que esse seja o seu caso, nem que tudo quanto é blogueiro deva mandar seu “senso crítico” pras galáxias, só acho que é diferente você fazer uma “crítica” de fato, de fazer críticas mais pessoais/descompromissadas ou resenhas, porque no final, ambos os modelos são bacanas e necessários (tanto os “profissionais” quanto os “apaixonados”).
    Um exemplo cretino: chama a Ana Maria Bahiana – jornalista que vota pros Globos – e manda ela fazer um texto sobre o filme Wall-e, e depois chame um estudante da quinta série que curte filmes de animação e mande ele fazer a mesma coisa.
    É, de certa forma, absurdo (e ao mesmo tempo divertido) constatar que ambos os textos lhe ajudarão a ter uma melhor margem do filme em questão, sendo que o mesmo vale para os animês, as séries, as músicas e tudo mais…
    PS: Sim, dois comentários enormes!! kkk Vou usar de desculpa o fato de eu ter sumido…

    • Por mim o tamanho do comentário é proporcional ao que o autor do mesmo quer expressar logo para mim o tamanho está normal e novamente agradeço por seu comentário!

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