O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Já vi muita gente questionar o que é melhor: Anime ou Mangá? Não tem muito como comparar já que se tratam de duas mídias completamente diferentes e por isso mesmo eu fico um tanto chateado quando alguém desmerece um anime em detrimento do mangá em que esse foi inspirado. Existem diversos fatores que dificultam a adaptação de uma obra, mas existem tantas coisas legais que o anime agreda aquela história contada no mangá que, mesmo já tendo lido a obra toda, vibro toda a vez que sei que aquele quadrinho que eu gosto vai ser adaptado para uma animação e, assim sendo, acompanho ambos sempre que posso. Hoje na coluna “A reposta é 42” tentarei apresentar alguns dos motivos que me fazem querer sempre acompanhar a mesma história nas duas mídias.

Full Metal Alchemist Brotherhood, inconstestavelmente uma das melhores adaptações de mangá para anime já feitas.

Muita gente quando compara um anime a um mangá lembra-se apenas da arte e da história, mas uma animação possui vários elementos que não podem ser comparados ao quadrinho em que foi inspirada, mesmo assim várias pessoas insistem em não considerar estes elementos e dizem coisas como “se é uma boa história tanto faz como seja o resto” ou “pra mim o que mais importa é a arte”, mas estas mesmas pessoas criticam filmes como os novos de Berserk ou séries como Kingdom, dizendo que a arte e a animação são feios, há aqueles que ainda falam como a trilha sonora é ruim e deixam de ver a obra, mesmo gostando da história. Então meus caros amigos, não me venham com falsas declarações de que a arte e a história são as únicas coisas que importam em uma animação, porque não são!

Personagens de Yamato ainda na prancheta…

O primeiro elemento sobre o qual irei falar é o character design e como já tratei mais especificamente do assunto em outro texto (clique aqui para lê-lo) irei apenas explicar a diferença disto para o designer padrão de mangás. Basicamente para animação o design do personagem tem que ser feito pensando em como será feita a animação do personagem, logo certos detalhes a mais são adicionados para gerar uma credibilidade maior no movimento dos personagens, em muitos casos essa necessidade torna o visual do personagem no anime um pouco inferior ao do mangá, muito embora haja casos, como por exemplo Saint Seiya e Soul Eater, em que ocorre o contrário. Esse não é um elemento determinante para fazer você pensar como o anime é interessante, mas um character design mal feito é facilmente perceptível e quando ele é muito menos bonito que o do mangá, por exemplo em Zetman, incomoda o fã e quando ele mais bem feito, como no já citado Saint Seiya, dar uma credibilidade maior para o anime.

Animação boa para tv também existe – Clique na imagem e veja um exemplo.

Um ponto que muitos adoram, mas poucos elogiam é a animação em si, é imensamente diferente a sensação de se ver uma luta, de se ver um personagem tocando um instrumento, de se ver uma dança, de ser uma piada dentre outras situações em um mangá e em um anime. No mangá, por mais que haja efeitos que simbolizem a movimentação, muito deste trabalho que complementa o desenho é feito pela imaginação de quem lê, enquanto que no anime você está vendo claramente como é esse movimento, mesmo na série menos animada. Vale lembrar que animar é caro e por isso séries de tv tendem a ser bem menos animadas que filmes, principalmente as com mais episódios (para se compensar isso muitas vezes se utilizam efeitos especiais, mas falarei deste nesta postagem). Claro que você perde um pouco da magia quando ver que a animação daquela cena é completamente diferente do que você imaginou, mas ainda assim é inquestionável o quanto isso agrega a série.

Maravilhas da primeira arte.

Quem viu uma quantidade considerável de séries animadas sabe que uma trilha sonora boa é fundamental, já houve casos em que eu vi um anime só por causa da trilha sonora e não me arrependo. Todos que costumam ver anime guarda aquela ou aquelas trilhas que lhe marcaram. Cowboy Bebop, Tengen Toppa Gurren Lagann, Beck, Nodame Cantabile, Violinist of Hamelin entre outras obras nunca seriam tão memoráveis se não fosse sua trilha sonora. Ainda que a trilha não seja determinante para algumas dessas séries, muito do encanto destas obras está nela. Quem não lembra daquela abertura de anime que tanto marcou ou daquele encerramento que lhe emocionou. Até mesmo se tratando das séries que tiveram suas versões nacionais, muitas músicas adaptadas para nosso idioma são memoráveis. E não apenas a trilha, as aberturas e os encerramentos devem ser lembrados, mas cada pequeno efeito de som torna toda experiência de ver anime algo muito melhor.

Quem já viu filmes antigos que não tinham trilha sabem muito bem o quanto o cinema ganhou quando esse elemento foi introduzido e com a animação é exatamente igual.  A música não é considerada a primeira arte por acaso, mas porque ela desperta sensações que ninguém jamais vai sentir se não ouvi-la ou senti-la. Se até existem ou existiram pessoas sem o sentido da audição que foram ou são grandes músicos, não tem como não respeitar o poder que uma boa trilha tem.

Dublar é atuar!

Por fim, não tem como esquecer um dos elementos que mais diferenciam os animes dos mangás, a dublagem. Importante destacar que dublar é o mesmo que atuar, não é apenas por sua voz no personagem, e por isso mesmo que é tão chato quando vemos que um personagem é mal dublado, porque uma boa dublagem sempre marca. Para quem é fã de animação, os dubladores são como os grandes astros de Hollywood e são assim tratados porque são eles que dão a voz e que apresentam a personalidade aquele personagem que tanto adoramos. As vezes o jeito do ator torna o personagem muito mais interessante do que em sua obra original. Como esquecer da clássica dublagem de Yuu Yuu Hakusho da Manchete que supera sim os diálogos da obra original, como não ficar marcado pela voz do Ginpachi de Gintama, ou pela voz ensurdecedora da Excel em Excel Saga e como não se emocionar com as últimas palavras ditas por Maes Hughes em Full Metal Alchemist. Não meus caros amigos, não podemos esquecer nunca da importância de uma boa dublagem e de como ela agrega a um anime.

Enfim, reitero que não estou aqui para dizer que anime é melhor que mangá, apenas quero mostrar que existem muito mais motivos para você acompanhar um anime que somente a arte e a história. Do mesmo jeito que existem aspectos em que os quadrinhos sempre serão superiores, existem aqueles aspectos que somente uma boa animação apresenta e que marcam a todos, assim sendo me respondam duas coisas, porque motivos vocês assistem animes? E porque motivos deixam de assistir? Caso a sua resposta para a segunda pergunta ainda tiver haver com o mangá, Infelizmente acredito que nada do texto acima tenha feito sentido para você.

Então com isso termino mais uma edição da coluna mais questionável da blogosfera animística. Continuarei na busca pela pegunta correta para a resposta fundamental, mas semana que vem estou de volta, então até mais!

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Comentários em: "A resposta é 42: Porque ver o anime se já li o mangá?" (11)

  1. carlos disse:

    Eu prefiro o manga, + respondendo a pergunta eu vejo os animes para poder ver os personagems / cenas que gosto animados !!!
    Não vejo pela historia( onde 99,9% é retalhada nos animes)
    ou pela animação ( onde orçamentos baixos fazem surgir um animação muito porca)

    pego o anime simplesmente por ser de algo que gosto, como um complemento para a obra oroginal.

    • Obrigado pelo comentário!

    • carlos disse:

      a deixa eu adicionar algo aqui.

      Prefiro ver os animes antes de ler o manga, por que assim o anime acaba parecendo bem melhor.
      É inivitavel vc comparar com o manga quadno vc ja o leu antes de ver o anime, a emoção é outra.
      acompanhando forums por exemplo fico sabendo que animes como Magi estão “destruindo” a obra original, mais eu to gostando do anime !!! e vou ir atras do manga quando o anime acabar.

      tenho certeza absoluta que se eu começar a ler o manga agora junto com o anime é bem capaz de que acabe perdendo a vontade d ver o anime deviro aos variso furos que esse com certeza tem em relação ao manga.

      • Entendo o que diz e a muito eu pensava assim, mas como tem obras que acompanhei ambos e preferi o anime, não vale pra mim. Exemplos, One Piece, Fairy Tail, Honey & Clover e Bakuman me encantam muito mais o anime que o mangá, mesmo eu também gostando do mangá.

  2. Olá!!

    Interessante seu post. Confesso que já disse que não assistiria tal anime pois a arte não se compara ao do mangá. Infelizmente até hoje estou sem assistir a tais animes!! rsrsrsrs

    Infelizmente, atualmente estou sem assistir anime por alguns motivos, alguns dos quais você pode achar meio idiota (talvez). Não consigo mais assistir anime pelo pc, além dele travar sempre que estou vendo um vídeo. Outra coisa é que acho o dia tão pequeno que acaba não sobrando espaço para fazer tudo o que queria (assistir anime) e outros motivos…

    Anime para mim é igual a filme adaptado de livro. Nunca vai ser igual. Vai ter os que ficaram melhor adaptados (pelos motivos que você citou acima) e vai ter os que não ficaram…

    Espero em breve poder voltar a assistir anime com a mesma intensidade que assistia antes… e quem sabe não posso deixar esse preconceito de lado e assistir aos animes que antes não assisti por causa da arte?

    Desculpe pelo enorme comentário… n_n”’

    Até mais

    http://naty-land.blogspot.com.br

    • Obrigado pelo comentário! Entendo o que destacou, mas espero que volte logo a ver animes, tem séries muito boa por aí, mas admito que devia começar pelas animações originais pra ver que tem coisa muito boa feita já para animação. Até mais!

  3. Escritora disse:

    Antes de tudo: por que ver um anime se já li o mangá? Pergunta interessante pra começo de conversa, porque o que o pessoal mais reclama é a adaptação de um mangá pra anime e aí depois, do traço.
    Sou do público que gosta tanto de ver seu mangá favorito adaptado quanto de conhecer o mangá que originou a animação. Pode parecer bem estranho,mas, gosto é gosto.

    Vou dar exemplos do que quis dizer: quando assisti “Aishiteruze Baby” e as duas séries da franquia “Vampire Knight”, gostei tanto da história e dos personagens, que decidi conhecer o mangá depois de assistir aos animes. E logo percebi que a essência de ambas foram mantidas e no caso do primeiro, houve algumas mudanças,mas, nada que pudesse perder o contexto da história em si; no segundo caso, percebi que a adaptação seguiu bem o roteiro do mangá original e espero que tragam uma terceira temporada, porque tá precisando.

    Um exemplo mais recente foi com “Mirai Nikki”: li o mangá e as spin-offs antes da estreia do anime em si e não criei expectativa nenhuma quando anunciaram a adaptação, pois, se você criar uma expectativa de qualquer série, na maioria das vezes, vai ficar decepcionado. Ou seja, assisti sem expectativas e gostei do estilo do anime em si. A única coisa que acho que não ficou boa,mas, é porque o mangá tem este estilo é justamente o traço, que muita gente achou estranho demais quando foi adaptado para anime.

    Dependendo da adaptação, pode ser que o anime seja melhor que o mangá em si: os dois exemplos mais óbvios, pra mim, são “Bakuman” e “Bleach”, que tenho acompanhado com muito gosto. A maneira como os estúdios trouxeram as animações é fora do sério, pois o tratamento que fizeram com ambas é muito positivo. Só queria que tivessem feito o mesmo com o “Naruto Shippuuden”, pois a série clássica é mais bacana de acompanhar que a lengalenga da continuação. Ah, se pudesse, queria comprar o mangá do “Bakuman”,mas, não posso…

    Agora, exemplo de uma adaptação que ficou boa e que ninguém consegue ter argumentos de dizer que não vale a pena é o que citou no post: “Full Metal Alchemist” e suas duas adaptações. A primeira seguiu um final, a segunda seguiu o roteiro do mangá: é o melhor exemplo de que pode adaptar um mangá e não descaraterizar o enfoque da história. Vi parte da primeira série e toda a segunda série – que pretendo rever assim que terminar de ler e adquirir os três últimos volumes do mangá – e você percebe que tudo foi muito bem pensado pra assistir e conquistar o público. Aliás, a primeira série foi responsável por muitos japoneses, na época de exibição, voltarem a assistir animes com gosto, uma curiosidade e tanto.

    Pra fechar, a questão da dublagem: aqui não vou citar dublagem japonesa, porque muitos fazem isso e sim a dublagem brasileira. Tem séries que simplesmente prefiro e repito, prefiro mil vezes a versão dublada do que a legendada. Exemplo: um dos primeiros animes que gravei, uns anos atrás foi o “Matantei Loki Ragnarok” e quando soube que a série tinha sido dublada e com o título de “Mythical Sleuth Loki”, pedi a um amigo pra gravar pra mim, em doses pequenas, de cinco em cinco episódios. Resultado: a versão dublada ganhou em disparada da original, tanto na tradução quanto nas vozes, na minha opinião. Até mesmo as piadas ganharam mais toque no dublado e a atuação dos dubladores foi um show de bola. Não vou falar mais, porque aí, este comentário vai ficar extenso mais do que ficou… E pra ter uma noção, os animes que mais citam de melhores versões dubladas, são estes três: “Cavaleiros do Zodiaco”; “Yu Yu Hakusho” e “Dragon Ball Z”; pode pesquisar que é mesmo verdade, já conferi e a maioria cita muito os dois primeiros casos e o terceiro, também.
    E outros dois animes que também curti a dublagem brasileira foram “Full Metal Alchemist” e “Death Note”. A maioria das animações japonesas dubladas possuem ou um bom elenco principal de vozes ou um entrosamento na hora de dublarem seus personagens. Uma coisa ou outra…

    Admito: gosto da dublagem brasileira quando me agrada. É isso! Até mais e continue com este post que tá bom demais!!!

  4. Igor Snow disse:

    Não dá pra comparar um filme com um livro, assim como não dá pra fazer isso com animês e mangás. No livro você imagina, você “se” sente acompanhando a história, mesmo que apagado. No filme você assiste, e se esquece completamente de si mesmo porque o filme se torna sua realidade (ba dum tss, Inception Rules!). Apesar de ambos terem suas qualidades, continuo vendo mais filmes/animes por conta deles apresentarem alguns itens a mais (comodidade, tempo definido, facilidade de acesso…) mas não desrespeito as outras mídias.
    Respondendo a pergunta do título: não faço a mínima ideia kk. mas posso dizer que por conta de nos animês e filmes você ter essa valorização da parte “mostrada”, da “cena”, eu sempre prefiro VER primeiro e LER depois. Dos pontos que você citou, destaco o som, que cara, faz muuuita diferença pra mim, pq apesar da minha noobice (“qual instrumento eles usaram naquele tema mesmo?”) sou apaixonado por trilhas sonoras, citando aqui as de DRRR!! e FullMetal B, como também amo os sons criados, coisas bestas como aqueles “Twfff” (como diabos traduzo isso em onomatopeia?) que os clones fazem quando viram fumaça no Naruto mas que fazem a diferença (imagina se não tivesse som nenhum) e outras coisas como explosões, golpes, dublagens… e o melhor é quando tudo isso acontece ao mesmo tempo (acho que chama mixagem de sons) uma coisa que pra mim muda completamente o ritmo da obra e define se eu vou ou não me deixar embalar pela sequência.
    No fim, acho que algumas pessoas preferem os mangás aos animês pelo mesmo motivo que preferem livros aos filmes: além do formato “livro” ter um status superior, o fato de saber que foi uma única pessoa que criou fica mais “artístico”, mais “obra de autor”, diferentemente das mídias plurais que são mais vistas como “trabalhos” por reunirem um corpo de profissionais para serem produzidos.

    • Obrigado pela postagem! Pra mim o som da fumaça é mais pro “Pufff”… Gostei do “…o filme se torna sua realidade (ba dum tss, Inception Rules!)”, mas no sei se todo mundo vai perceber bem o que significa esse Meme…

      • Igor Snow disse:

        ashuuhahusahu ok, vou tentar me controlar mais quanto aos memes…
        Aliás, você tem toda razão, não sei de onde tirei “Twfff” kk

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