O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Ainda cavaleiros de bronze?

Ainda cavaleiros de bronze?

“ Na Terra, em um inferno, ou em um paraíso, os cavaleiros da esperança seguem com apenas uma obsessão: resgatar Athena, a deusa indefesa responsável pelo destino da humanidade e terem alguns dias de descanso! Definhe Hades e que venha o próximo inimigo!”

Relatando…

Athena não está mais viva na Terra, ela usou o oitavo sentido e se dirigiu ao submundo para enfrentar Hades. O cavaleiro mais divino, Shakka de Virgem, fez o mesmo assim como os bravos 5 cavaleiros de bronze. Lá eles encontram um cenário literalmente dantesco, com direito aos círculos do inferno em uma versão chamada de prisões, repleto de espectros. Seiya está com a armadura de Athena e precisa entregar à deusa a tempo. Ele e Shun, após atravessarem um simpático portão com a frase “abandone toda a esperança aquele que aqui entrar”, logo encontram Caronte, o espectro que tem o papel do mitológico barqueiro do inferno que transporta as almas em troca de moedas. O espectro evidentemente mostra-se pouco colaborativo com os cavaleiros no trajeto, mas eles acabam alcançando a primeira prisão, onde são tratados como criminosos pela violência de seus feitos heroicos de antes e salvos por Orfeu de Lira, um cavaleiro de prata com poder no nível dos cavaleiros de ouro. Orfeu vivia no inferno como servo forçado por meio de chantagem de Hades. Nessa posição, ele tinha acesso ao palácio do deus do submundo, que gostava de ouvir a música que ele tocava. Depois de descobrir toda a armação que o prendia ali, Orfeu ajuda Seiya e Shun a derrotarem o guardião da primeira prisão e os leva disfarçados em um baú de flores até Hades. Nesse ponto, coisas inesperadas acontecem: os 3 juízes do inferno, os espectros mais poderosos, aparecem, a traição de Orfeu é descoberta e é revelado que o Hades que todos viam até então era uma mera projeção do que seria ele mesmo despertado no receptáculo que continha sua alma. No processo, Orfeu se sacrifica para deter Radamanthys, o mais temível dos 3 juízes. Shun, que logo em seguida torna-se o maligno deus, faz com que Seiya seja mandado para o Cócito. Enquanto isso, outros cavaleiros tentam chegar ao mesmo palácio onde tudo isso ocorreu. Quando Ikki encontra Hades depois de ter derrotado um dos juízes do inferno e ser intencionalmente teletransportado, um combate dramático se estabelece. Ikki tenta desferir um golpe fatal enquanto Shun reassume temporariamente o próprio corpo, mas hesita, sendo em seguida derrotado por Hades, que recebe a inesperada visita de Shakka. Enquanto isso Ikki e Seiya estão jogados no Cócito. Depois de uma batalha entre Shakka, Athena e Hades, o deus do submundo sai do corpo de Shun e se dirige aos Elísios seguida por Athena. Os cavaleiros restantes vão alcançando o mesmo local, que leva ao Muro das Lamentações, que separa o inferno de um limbo que leva inclusive aos Elísios. Supostamente essa barreira só pode ser atravessada por deuses, o que torna as tentativas de meros humanos uma batalha suicida até que as 12 armaduras de ouro se reúnem e trazem por instantes de volta o poder dos 12 cavaleiros de ouro, o que acaba servindo para criar um buraco no muro, mas ainda não é garantia de travessia até onde os deuses estão. Os cavaleiros de ouro desaparecem na explosão e, após derrotarem os últimos espectros, os 5 cavaleiros de bronze, com a ajuda do sangue de Athena, encontram o caminho até os Elísios. Ao chegarem lá, logo se deparam com os 2 deuses menores guardiões supremos de Hades e dos Elísios: Hipnos e Tanatos, do sono e da morte. A missão dos cavaleiros nos Elísios é tirar Athena de um vaso gigante sanguessuga e matar o corpo original sem vida de Hades, que descansa em uma sala ali desde os tempos mitológicos. Tanatos usa cruelmente sua habilidade de matar à distância inclusive contra a irmã de Seiya, que estava na Terra, mas os cavaleiros lá presentes a protegem. Com as armaduras agora transformadas em divinas pelo sangue de Athena, os cavaleiros heróicos de bronze derrotam Hipnos e Tanatos e tentam inutilmente tirar a deusa do vaso. Depois disso, Seiya e Ikki percebem o mausoléu que a alma de Hades vigia e se dirigem para lá, forçando o despertar do corpo original do deus. Mesmo com armaduras divinas, os 5 cavaleiros de bronze lutam desesperadamente contra Hades e mal conseguem atingí-lo. Quando tudo está perdido, Saori mostra que poderia, mesmo há algum tempo sem sangue, recuperá-lo magicamente e sair do vaso sozinha e ainda proteger os cavaleiros e mandá-los de volta à Terra, sendo que ela não chega a concluir essa última ação, Seiya teimosamente sai da bolha protetora, desfere um meteóro de Pégaso incrível no deus, mas que não é letal para ele e recebe dano grave da espada de Hades. Após a queda do cavaleiro, os restantes elevam seus cosmos novamente e se juntam a Athena, que, agora com armadura, ataca pela única vez em toda a animação com um estranho grito e vence o imperador do submundo, submundo que ela acaba de destruir por essa razão!

Temática, opinião e detalhes

A segunda e a terceira parte da saga de Hades em Saint Seiya mostram um setor diferente do cenário em termos de mitologia. A parte do inferno não se refere diretamente à mitologia grega, mas sim a uma mistura do primeiro segmento do poema  medieval A Divina Comédia, cujo conteúdo é de raízes cristãs, com conceitos do submundo ao qual todos os mortos vão segundo a mitologia grega. Um detalhe é que mesmo o próprio Dante, autor do poema, mostra influência da cultura clássica greco-romana, portanto fica dificultada a dissociação completa das origens que levaram ao cenário proposto em Saint Seiya. Já a parte dos Elísios é mais fortemente inspirada na mitologia grega, com a observação de que o mangá e os OVAs apresentam um fim do submundo, o que é um evento grave sob a perspectiva de que trata-se do lar de todos os mortos. Em contraponto, os cavaleiros evitaram um evento também grave, o fim dos vivos.

Logo no início da parte do inferno, nos deparamos com Caronte, o barqueiro do submundo, personagem da mitologia grega trazido a Saint Seiya na forma de um dos 108 espetros de Hades. Diz a lenda que Caronte cobra uma moeda para levar uma alma em seu barco, no entanto, Seiya e Shun não chegam mortos, são inimigos de guerra de Caronte e apenas Shun tem algo a oferecer, o que cria um conflito maior em torno da travessia do rio Aqueronte. Vemos a partir desse ponto da história uma espécie de sadismo vindo de Hades, que força aqueles tidos normalmente pelo espectador da obra como heróis merecedores de recompensa a receberem as punições de todos os tipos de pecadores no inferno.

Por outro lado, o sinistro deus demonstra intenções pacíficas ao argumentar que agiu contra os humanos pelos abusos cometidos por eles e que só queria pôr tudo em ordem, o que lembra ligeiramente a personalidade de Shun, seu avatar na era da batalha, um cavaleiro que odeia a violência.

Um momento de destaque na obra é a revelação de que, contrariando as expectativas que vários fãs criaram, Marin, a mestra de Seiya, não era Seika, a irmã desaparecida. Foi uma decisão bem curiosa do autor fazer essa surpresa da forma como foi feita, como um acontecimento no calor da batalha.

Outro destaque  é o momento em que os 12 cavaleiros de ouro surgem unicamente para conversarem e morrerem logo em seguida.

Pela primeira vez,  Saori não se coloca no papel de unicamente protegida apesar de ser uma poderosa deusa, mas seu papel ativo ainda é limitado a poucos instantes.

Todos os OVAs da saga de Hades foram de responsabilidade da Toei Animation assim como a animação clássica, mas naturalmente têm uma qualidade visual superior pela data de produção. A trilha sonora é rica e bem próxima ao estilo da série clássica, o que é também natural pela escolha do mesmo compositor.

Como conjunto, Saint Seiya Hades – capítulos Inferno e Elísios são uma boa obra de batalhas épicas, mas não oferecem uma mensagem maior e nem mostram uma grande criatividade artística.

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