O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Yo! Sentiram falta desta coluna? Para todos que sentiram e também para os que não sentiram, está de volta a coluna mais questionadora da internet, A resposta é 42. Hoje é dia de refletir  um pouco sobre um tipo de anime que agradou muitas pessoas no século 21, obras advindas da influência dos MMORPG’s, que se tornaram uma febre no fim dos anos 90 e começo do século atual.  Deixo claro que não comentarei animes baseados em jogos ou franquias de jogos, mas obras que são influenciadas pelos diversos elementos que surgiram junto aos MMORPG’s, ou cuja as histórias são passadas dentro de um mundo fictício de MMORPG.  Então, será que faz frio mesmo  dentro desses jogos? Quer dizer, vamos então buscar os questionamentos ao redor desse tema…

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O culpado!

Nos anos 90, com a popularização da internet surgiram também os jogos em rede e pouco depois os MMORPG’s, inspirados nos jogos de rpg de consoles que por sua vez são inspirados nos clássicos rpg’s de mesa. Com a possibilidade de explorar mundos em que vários jogadores poderiam se aventurar juntos e se comunicar, os MMORPG’s necessitaram desenvolver certas diferenças dos jogos anteriormente citados para permitir que a experiência fosse satisfatória e deu certo, cada vez mais a popularidade desses jogos cresceu e no final dos anos de 1990 e começo dos anos 2000 a popularidade desses jogos era tanta que começaram a surgir obras inspiradas neles em outras mídias.

Em 2002 surgiu .hack//SIGN, considerado o primeiro grande sucesso de obras deste tipo, a história é quase toda passada dentro do jogo de fantasia O Mundo (The World) onde o protagonista se ver preso, sem poder deslogar como os outros jogadores, além disso, esse jogo esconde mistérios que podem afetar tanto os jogadores dentro do jogo quanto no mundo real. O anime também introduzia a ideia de uma ferramenta que lia ondas cerebrais e que assim os jogadores se conectavam ao jogo. Elemento este replicado nas séries subsequentes da franquia e em outras obras do gênero. .hack//SIGN não só deu início a franquia .hack, mas toda uma geração de obras inspiradas em MMORPG’s e centradas em aventuras realistas em um mundo de jogos e vividas por humanos normais. Uma questão que surge junto as essa obra é o quanto essas histórias refletem os problemas do mundo real? Afinal os protagonistas delas são humanos com problemas no mundo real, tal como cada um de nós. Além dessa, as diferentes histórias que viriam a ser criadas levantariam outras questões para se refletir.

Um lugar onde posso te encontrar...

Um lugar onde posso te encontrar…

Ainda falando sobre a franquia .hack, surge em 2003 .hack//Tasogare no Udewa Densetsu, uma nova obra que segue um caminho diferente de .hack//SIGN, mas que ainda tem como principal pano de fundo The World, porém dessa vez temos dois protagonistas, irmãos que vivem separados devido ao divórcio de seus pais e que apenas conseguem se encontrar dentro do mundo do jogo, eles vivem a tanto tempo separados que nem sequer se lembram do rosto um do outro, mas dentro do jogo são dois personagens lendários, embora sejam iniciantes, e são responsáveis por desvendar alguns dos maiores mistérios deste mundo. No fundo a obra não chega a explorar muito o drama da separação dos irmãos, porém deixa claro que a vida dentro e fora do jogo são diferentes, mas também possuem suas semelhanças.

O mundo de romances e fantasia de Sword Art Online...

O mundo de romances e fantasia de Sword Art Online…

Em 2012 foi lançado um novo anime, baseado em uma novel homônima a este, que voltaria o olhar dos fãs de anime para esse tido obra onde pessoas se veem presas dentro de um mundo de MMORPG, mas dessa vez todos os jogadores estão ali presos e qualquer tentativa de saírem sem ser chegando ao final da aventura principal do jogo, pode causar a morte destes. Surge Sword Art Online, um dos maiores fenômenos dessa década, primeiro por apresentar um estrutura muito mais próxima dos jogos MMORPG’s que se conhece ainda que com evoluções não existentes. Além disso, viver nesse mundo não é mais uma opção dos personagens, é uma necessidade e objetivo não é descobrir mistérios que envolvem modificações estranhas pela qual esse mundo passou, mas sim lutar e se fortalecer até ser capaz de enfrentar o maior desafio para sair deste mundo. Ao mesmo tempo que o mundo Sword Art Online representa uma fantasia incrível vivida por pessoas em suas formas reais, já que até a aparência de cada um é a mesma que tem no mundo real, também é uma prisão que a priori não tem qualquer saída que não a morte. A segunda parte da obra mostra o efeito que esse jogo causou no mundo real e na vida dos jogadores, mas também trata de outras questões que não vale  a pena comentar aqui. O importante é que Sword Art Online, bom ou não, é uma obra que mostrou que esse tipo de história ainda podia render bons frutos, mas outras obras com caminhos diferentes desse surgiram ainda inspirados em MMORPG’s desde o primeiro .hack.

Ainda dar pra chamar isso de jogo?

Ainda dar pra chamar isso de jogo?

Em Accel World, temos mais uma versão meio futurista de nosso mundo, onde as pessoas nascem com implantes que as ligam a um rede mundial de informações ou que usam aparelhos para o fazer. Esse mundo virtual pode ser acessado pelas pessoas que incorporam personagens para se divertir ou obter informações a  ser usadas no mundo real, mas dentro dele existe uma outra versão deste mundo virtual que garante incríveis habilidades a quem pode acessá-lo, no entanto ele também impõe batalhas para que seus usuários possam continuar usando essas habilidades. O protagonista do anime é um jovem que vive sendo judiado por colegas devido sua fragilidades, mas uma garota que lhe mostra esse novo mundo, que permite-o evoluir e se tornar alguém bem mais confiante, além de torna-se também um importante jogador deste mundo virtual cheio de batalhas que não se diferencia de um mundo de jogo, apenas tem consequências aparentemente sérias para quem perde. Embora o anime não chegue a tratar questões muito sérias, funciona muito bem como uma nova abordagem que mescla o mundo dos jogos ao mundo real criando novas possibilidades e com isso podemos pensar em novos questionamentos, como o porque de nem todos poderem ter acesso a essas habilidades maravilhosas e a seleção natural deste jogo divida as pessoas, em vez de ser algo meio secreto? Uma parte interessante dentro da série que gosto de citar é quando alguns adversários passam a  atacar o protagonista no mundo real, onde ele tem muito menos chance de vencer, para poder se beneficiar dentro do jogo. Essa ideia poderia ser explorada em outras histórias do gênero onde haveria a necessidade de que muitos jogadores, incluindo protagonistas, se esconderem um dos outros no mundo real.

Lutando pela vida em um jogo real...

Lutando pela vida em um jogo real…

Um outra ideia interessante pode ser vista no anime Btooom, onde um grupo de personagens que são jogadores do jogo de disputas online chamado Btooom, que nesse caso não é um MMORPG, mas segue uma fórmula similar, são raptados e obrigados a lutar uns com os outros por suas vidas numa ilha deserta seguindo as regras do jogo. Btooom acaba explorando as fraquezas e os traumas dos personagens que são importantes para o desenrolar do anime. Podemos dizer que o anime é uma evolução natural de caminho a ser seguido a partir de obras inspiradas em conceitos de jogos online. Diferente de Accel World onde se tenta mesclar o jogo ao mundo real, aqui meio que se exporta o jogo para o mundo real. Apenas vale ressaltar que o desenrolar de Btooom, tem muitos elementos de obras seinen de sobrevivência e meio surreais como Gantz e Battle Royale, mas a obra está um tanto no meio do caminho, não contendo nem um história incrível de sobrevivência, nem uma outra com muito influência de jogos online, no entanto ela tem seus méritos.

Como viver em um mundo sem escapatória?

Como viver em um mundo sem escapatória?

Resgatando mais uma vez o tema de pessoas presas dentro do jogo e também com a aparência que tem no mundo real, tal como em Sword Art Online,  temos o recente Log Horizon. A grande inovação que esse anime trás é que nada se sabe do porque os jogadores foram presos no jogo, sendo que este já existia a algum tempo como qualquer outro jogo, além disso, todas as regras do jogo online são mantidas, apenas a aparência dos personagens é mais similar a dos jogadores reais, embora isso dependa um pouco do avatar do jogador também, e os jogadores não precisam mais parar e selecionar sua ação, a escolha dessas virou algo intuitivo, como se eles realmente tivessem aqueles habilidades e pudessem utilizá-las como se vivessem sempre naquele mundo. Porém coisas como a falta de gosto da comida, a ressurreição  em um certo ponto do jogo caso morra (na igreja da última cidade por onde passou), as regras de movimentação e guildas, além de outros elementos são mantidas. Agora a série tenta explorar como essas pessoas irão fazer para suportar viver neste lugar sem nenhuma esperança de sair dali e sem saber se quer porque ali estão. Além disso, o anime explora rapidamente o fato de que nessa situação eles são estrangeiros neste mundo e que os npc’s parecem ser as pessoas deste local e que cada um deles pode ter um história própria e interessante a ser contada (isso faz você começar a se importar por algum tempo em realmente prestar atenção ao que os npc’s falam nos jogos). O anime deixa de criar regras próprias de um novo jogo e explora como seria se as pessoas fossem presas dentro de mundos de jogos como os que conhecemos hoje em dia, o que é uma abordagem bem interessante.

Enfim, a influência que o  mundo dos jogos pode ter sobre as animações e como essas histórias podem retratar o mundo real são ideias que surgiram neste século e que devem continuar a ser exploradas no futuro, pois como certas obras já mostraram, elas podem gerar grandes histórias, aliás em um mundo que se aproxima cada vez mais de uma realidade criada virtualmente, não é nada estranho se pensar como seria se fôssemos presos dentre destas realidades diferenciadas criadas pelos seres humanos. Aliás nem preciso mencionar que o assunto explora a vontade que muitos jovens tem de viver dentre de seus jogos, inclusive muitas vezes negligenciando os problemas do mundo real (Btooom e Sword Art Online exploram também um pouco disso). Como questionamentos finais deixo estes três: Como seria um anime com uma história que apresentasse a possibilidade de se escolher viver dentro de um mundo de jogo ou no mundo real? Você gostaria de viver dentro do mundo de algum jogo? E  qual outra ideia inspirada em MMORPG’s poderia ser explorado em um anime?

Então é isso, hoje ficamos por aqui e enquanto volto a busca pela pergunta fundamental, irei preparar um novo tema para o texto da semana que vem. A edição de hoje é especialmente dedicada a um de nossas leitoras, a Escritora, que sugeriu vários  temas para esta coluna. E embora o tema de hoje já estivesse definido, adorei as suas sugestões para edições futuras e também adorei o desenho, muito obrigado! Antes de mais nada, lembrem-se das palavras necessárias a todos os mochileiros das galáxias e fãs de anime e mangá, Não entre em pânico!

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Comentários em: "A resposta é 42: Dentro dos jogos será que faz frio?" (2)

  1. Escritora disse:

    Séries cujo enfoque seja uma game, especificamente os RPG’s e MMORPG’s viraram moda. Os exemplos citados mostram uma realidade fantasiosa e cheia de desafios, cada um com sua visão do jogo e seus elementos. Já joguei e ainda jogo alguns games de RPG e estratégia, então, não fica estranho acompanhar tais séries. Tô assistindo “Log Horizon” e até agora, amando a estética que a animação propõe ao público; até me lembra de uma de minhas histórias, A Ordem dos Dragões que trás um grupo de missões famoso no passado e que na atual formação, precisa recuperar a credibilidade e fazer as mais variadas missões, mesmo que a maioria sejam mixurucas e sem valor.

    Vale lembrar que tal estética já foi usada em “HunterXHunter” no arco Greed Island, que segue regras e missões pra poder zerar o game. Acompanhei pelos OVA’s da primeira versão, dublada ainda por cima e amei o jeito que o Togashi cria a história. Pena que o mangaká seja preguiçoso convicto, porque cabeça pra continuar a série ele tem de sobra e fora que curte este tipo de game.

    Uma matéria e tanto e como dizem, até o próximo “A resposta é 42”!

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