O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Bom dia, boa tarde e boa noite! Hoje é dia de mais pensamentos sobre o universo otaku, ou sobre o que achamos que ele é. Você, meu caro leitor que não mora no Japão (segundo as estatísticas do wordpress, vez por outra alguém acessa esse blog do Japão), na tentativa de tornar mais forte seu espírito otaku, já deve ter se deparado com diversas barreiras, que vão desde a dificuldade em conseguir materiais que lhe façam upar (ou subir) de nível, até a barreira da língua e algumas vezes a falta de conhecimento cultural que não lhe permiti compreender certas referências apresentadas  nas obras que acompanha ou que acompanhou. Nós que não vivemos em terras nipônicas e nem em terras próximas destas, sempre temos alguma dificuldade para explorar ao máximo as possibilidades de nosso hobby, pelo simples fato de que estamos fora do país de onde ele se origina! E não pensem que a globalização resolveu esse problema, pelo menos não resolveu por completo, pois ainda estamos a mercê da influência e principalmente da boa vontade dos “grandiosos” japoneses (e de alguns outros asiáticos) para nos mantermos atualizados em nosso hobby, ainda assim dificilmente chegamos perto de estarmos tão atualizados quanto eles, diante de tudo isso, será que não somos apenas fãs atrasados de uma cultura estrangeira? Será que realmente podemos nos autointitular otakus? Afinal, dar para ser otaku fora do Japão?

Você não é japonês, pare de fingir!

Você não é japonês, pare de fingir!

A alguns meses atrás acompanhei um anime chamado Outbreak Company, uma obra de fantasia onde o protagonista, um jovem adulto e otaku, passa a trabalhar para o governo do Japão como emissário da cultura otaku em um outro país localizado em um mundo de fantasia medieval que descobriu-se está ligado ao Japão através de uma fenda espaço temporal ou coisa parecida. A ideia de apresentar a cultura otaku a essa nação partia do pressuposto que ela é um exemplo comprovado de um tipo de expressão cultural advinda do Japão que influencia muitas pessoas no mundo todo. O anime se atém a comédia em boa parte do tempo, mas apresenta bem o poder de influência da cultura otaku e em certo momento ele levanta rapidamente a discussão sobre o como esse novo país se ver “refém” do controle de material otaku feito pela nação japonesa, mas ou menos como se isso fosse uma droga a qual as pessoas deste país de fantasia medieval se acostumaram a provar e então passaram a sentir cada vez mais necessidade de consumi-la. Dado as devidas proporções e tendo em mente o teor ficcional da obra, podemos dizer que ela, embora tenha suas diferenças, apresenta basicamente o que os otakus fora do Japão sentem. No anime é dada uma solução plausível e fácil de identificar para esse problema, que até muitos tentam aplicar no mundo real, mas existe  um série de entraves que tornam difícil realmente aplicar essa solução…

Uma arma bem perigosa...

Exatamente, apenas relaxe e espalhe o caminho otaku para essas pessoas.

Na última edição dessa coluna, deixei claro que o termo “otaku” pode ser usado de forma a identificar pessoas fãs de anime e mangá (clique aqui para ler a matéria completa) em qualquer lugar do mundo, assim sendo, não há nenhum problema em eu, você, e todos os seus conhecidos que gostam de anime e mangá se autointitularem otakus, porém se minimizarmos a amplitude desse significado para o atribuirmos apenas a pessoas que de fato acompanham o mundo dos anime e mangas, mesmo que com não muita frequência,  veremos que esses “reais otakus”, incluindo, eu, você e seus conhecidos que realmente acompanham o que chamamos de “cultura otaku”, ainda hoje estão a mercê do que o Japão, ou do que as pessoas que lá moram, nos permitem conhecer. Por mais que tenhamos chegado a um status em que acompanhamos informações quase que ao mesmo tempo que as pessoas que moram em terras nipônicas, nós jamais estivemos integrados a cultura otaku, ou melhor, nós jamais fizemos parte dessa cultura como eles. Podemos mensurar e até tentar vivenciar como é a experiência de ser um otaku no Japão, porém não temos como realmente viver essa experiência por completo, a não ser que passemos a morar lá, pelo simples fato de que não temos acesso a todos os materiais que essa cultura gerou e que continua gerando, repito que estamos a mercê da boa vontade daqueles que moram no Japão, pois eles ditam as regras de quais destes materiais vão ser apresentados a cada canto do mundo, mesmo que em se tratando de distribuições não oficiais.

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Não dar para dizer que o material que temos a disposição fora do Japão é escasso, na verdade temos sim material suficiente para sustentarmos o nosso hobby (ou vício), porém estamos longe de podermos vivenciar a cultura otaku como os japoneses o fazem. Provavelmente podemos afirmar que dar para ser otaku fora do Japão, mas não dar para sê-lo do mesmo modo como um otaku que vive no Japão o é, o que talvez não seja tão ruim, pois não tendo a influência da sociedade nipônica, somos capazes de perceber uma série de coisas sobre as obras que acompanhamos que provavelmente os japoneses não percebem, mas é difícil se equiparar a os japoneses quando não temos sequer a o conhecimento cultural que influenciou as obras de que tanto gostamos, sendo que só poderíamos obter este tipo de conhecimento, vivendo em meio a sociedade e cultura nipônica.

A pérola de minha singela coleção.

Artbook francês da série animada de Evangelion (a pérola de minha singela coleção =D).

Talvez, a única saída para nos equipararmos aos otakus japoneses, seria nos tornando criadores de materiais que mesmo que não possam ser chamados de materiais otakus, são influenciados por estes. Acredito que para expressar o quanto aprendemos com o nosso hobby e para transmitirmos a boa influência que ele nos gera, precisamos arregaçar as mangas e tentarmos criar algo novo a partir de tudo que nos foi ensinado. Ninguém precisa criar um mangá ou produzir um anime para se considerar verdadeiramente  otaku, existem várias formas de transmitir uma mensagem e repassar um bom ensinamento. Enfim, talvez não dê para ser um otaku como as pessoas que moram no Japão, mas não precisamos nos tornar reféns dos materiais advindos de terras nipônicas, podemos tentar compensar a falta destes, criando nossos próprios materiais e por mais difícil que isso seja, um dos principais ensinamentos que a maioria dos anime e mangás tentaram e que ainda tentam transmitir é que não dar para alcançar um objetivo se você em algum momento tiver a intenção de desistir dele.

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Comentários em: "Pensador Otaku: Dar para ser otaku fora do Japão?" (6)

  1. Paulo disse:

    Por favor, corrija este post. Erros de português são perdoáveis e compreensíveis, pois ninguém é obrigado a saber gramática toda. Mas o erro desse post é muito grave. O correto é “Dá para ser otaku fora do Japão?”. Eu não fico corrigindo português, mas nesse caso é impossível não notar, pois é um erro de “hiper-correção” segundo os professores. Tipo, é comum falar “Vou FICÁ com aquela menina”, mas o correto é “Vou FICAR com aquela menina”. Aí a pessoa descobre isso e fica se corrigindo onde não é para corrigir.

  2. O texto traduz um pensamento que sempre tive desde que enveredei pelo mundo otaku! O que nos impede de criar uma indústria nacional de mangá ou até mesmo anime? Pessoalmente acho que a culpa é do próprio estilo de vida otaku. O otaku é essencialmente um consumidor e não produtor, e as pessoas que desenham, escrevem e roteirizam geralmente produzem para elas mesmas ou para uma pequena comunidade. Os otakus não tem visão de mercado, ambição e principalmente união. No Japão funciona porquê os otakus de lá tiveram a sacada transformar seu hobby num negócio lucrativo. Dá pra pegar o OVA Otaku no Video como referência do que precisou acontecer para que houvesse o boom mundial dos animes.
    Acredito que nós podemos sim criar um movimento de produção nacional se deixarmos de lado essa mentalidade de colonizados, idolatrando tudo que é fora e desprezando qualquer coisa feita aqui. Não estou dizendo com isso que devemos rejeitar o que é estrangeiro, até porque se fosse assim não teríamos nunca descoberto esse maravilhoso mundo da cultura oriental, mas sim tomarmos consciência de que somos capazes também de produzir coisas boas se nos unirmos.

  3. Olá!!

    Esse pensamento é interessante. Contudo, ser otaku fora do Japão é outra coisa. Ser otaku no Japão é diferente do que achamos/pensamos ser. A definição lá para a palavra “otaku” já mostra a real diferença de culturas.

    Infelizmente, vivemos num país cuja cultura são distintos, e há quem ainda tente trazer um pouco daquilo – mesmo que seja tentativas um tanto falhas -.

    O real problema é acreditar que lá as coisas são melhores que aqui e viver numa fantasia sem fim, como muitos parecem fazer.

    E sim, podemos criar coisas aqui. Material de igual ou superior qualidade. Mas daí vem aquele negócio que o que vem de fora é melhor do que o que temos aqui e não há o investimento certo….

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