O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Mahou Shoujo Madoka Magika é um anime que foi exibido em 2011 e produzido pelo estúdio Shaft. Recebeu também uma linha de mangás e 3 filmes. A obra teve uma boa repercussão e seu mascote ficou marcado como um símbolo de maldade, um clássico lobo em pele de cordeiro. No entanto, apesar de ser fácil perceber as motivações que levam esse estigma a recair sobre o Kyubey, tal pensamento apresenta fragilidades.

Eu mando nesta confusão toda

Eu mando nesta confusão toda

A acusação básica em questão é a de que os incubators exploraram e enganaram a humanidade ao apresentarem o contrato como uma promessa de realização dos desejos e ingresso em uma missão heróica quando tudo se tratava, na verdade, de adquirir energia para reverter a escalada natural da entropia e a fonte dessa energia era o evento mais terrível para as garotas mágicas: a transformação em bruxas.

A primeira fragilidade desse pensamento é não tornar o Kyubey efetivamente inferior eticamente se partirmos da comparação sistemática com a humanidade. Ele mesmo aponta a prática da pecuária como algo similar. Fornecemos aos animais uma vida longe dos perigos selvagens para retirar energia da morte deles. Procedimento inclusive criticado por ativistas vegetarianos/veganos, mas sustentado e defendido fortemente por outros grupos, principalmente se moderado o sofrimento dos animais.

Segunda fragilidade: distância cultural. Os incubators são uma raça alienígena que não experimenta uma vida humana e portanto não passa pelo processo de internalização das regras e símbolos da sociedade. Por mais que eles sejam capazes de uma comunicação tecnicamente suficiente com humanos, ela esbarra nesse limite, que é precisamente o limite que dificulta o entendimento profundo entre os povos mesmo com o uso das telecomunicações. Dentro da raça incubator, essa é uma barreira inexistente, pois todos compartilham uma só mente. Existe uma corrente de pensamento que diz que esse é o futuro e quem sabe o objetivo da humanidade. Soa surreal, mas as pessoas estão cada vez mais dependentes umas das outras. Já estamos no ponto onde o maior esforço de um homem ou mulher é para ser relevante perante os outros. Soa tão surreal agora?

Terceira fragilidade: inimigo ou aliado. A suposta maldade dos incubators ficaria mais clara com uma caracterização deles como ameaça à humanidade. As bruxas são sim uma força a ser temida, mas amenizada por novas garotas mágicas e compensada com o efeito dos desejos. Um exemplo evidente é que, apesar da dor de Sayaka, em parte vinda de sua própria recusa em se beneficiar do próprio desejo, com ajuda da magia ativada por Kyubey, o mundo deixou de perder um violinista. Igualmente, cada desejo teve seu efeito com consequências em cadeia. Imprevisíveis, mas sempre com os contratos dando o que as pessoas queriam. Olhando por esse lado, no pior caso Kyubey estaria mimando os humanos do jeito errado. Além disso, ele se mostra pronto a colaborar durante os combates com informações ou oferecendo contratos, o que pode ser visto como uma ajuda no fundo egoísta, mas na prática não dá para parar demais e separar quem nos ajuda por interesse de quem faz “de coração”. Como provavelmente diria Sartre, ser e parecer não são coisas tão distantes quanto parece.

Finalmente, os incubators chegam a se mostrar mais amigáveis nos universos sem bruxas, dependendo da interpretação é apenas um onde a Homura tem sua vida extendida por eles em um experimento, e só querem evitar o fim do universo.

Alguém quer fazer um contrato?  /人◕ ‿‿ ◕人\

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Comentários em: "Por que o Kyubey é bom (spoilers)" (3)

  1. Ótimo texto! Bem polêmico, mas bem fundamentado, mesmo assim me sinto no direito de ainda não gostar desse pequeno, ou desses pequenos.

  2. Lucas disse:

    Bom texto, gostaria de tecer alguns comentários sobre.

    Primeiro pinto. A comparação dos humanos com “gado” foi totalmente infundada e mesmo que ele sofra na pecuária extensiva (o que não é verdade, pelo menos na minha região) e é bem melhor tratado lá do que na selva, não tem sentido. O fato de nós sermos “animais” racionais muda tudo, podemos discutir se isso é certo ou errado entre nós humanos porém pro “gado” isso pouco importa. Agora nossa comparação com os Incubators é bem interessante, a única diferença entre eles e nós são as emoções que são pontos chaves da nossa humanidade. Tem um mangá que tem uma temática semelhante.

    Segundo ponto, concordo só acho meio bizarro uma mente coletiva… Não estou dizendo que não seja possível apenas estranho ainda mais com a tecnologia atual porém futuramente deve ser possível.

    Terceiro ponto, os Incubator são uma ameaça direta para os seres humanos, cada vez as bruxas ficam mais forte e cada vez mais forte um problema, pois uma garota mágica ou várias terão que lutar para destruí-la e como são fortes se tornarão bruxas extremamente poderosas… No fim a humanidade seria destruída, o que aconteceu ali foi o ponto de convergência entre várias realidades paralelas se encaixando em apenas uma tornando madoka numa verdadeira massa de poder e posteriormente destruindo o mundo por se tornar a bruxa mais forte da história. No fim evitado pelo desejo dela graças a ajuda de Homura voltando no tempo várias vezes para evitar esse fim trágico que recai sobre elas e os humanos.

    Deixo claro que não vi o terceiro filme então acredito que meus comentários possam estar incompletos.

    Abraços, Lucas.

  3. na minha opinião o que resume tudo isso é uma única frase. Os fins não justificam os meios! (seria o mesmo de você vender droga para acabar com o tráfego de drogas…) Mesmo assim, excelente texto.

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