O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Este texto contém muitas imagens fortes, por isso não é indicado a menores de idade.

Olá caros leitores! Como vão vocês? Fazia um tempinho que a busca pela pergunta fundamental não gerava um texto para este blog, em especial por minha causa, no entanto peço que  deixemos de lado essas questões irrisórias e vamos a mais uma edição da coluna A resposta é 42. Hoje é dia do gore nesta coluna!  Afinal, sangue e tripas podem ser necessários para uma história?

A beleza está nos olhos de quem vê! E o que vocês acham dessa imagem?

Se beleza está nos olhos de quem vê, o que vocês acham dessa imagem?

Não é de hoje que obras de mangá apresentam cenas de ultra-violência, sangue e tripas. Na verdade, essas histórias sempre existiram, mas começaram a ganhar mais destaque nos anos 70 com surgimento de revistas underground e com o sucesso de obras shounen (destinadas ao público infanto-juvenil e adolescente) de violência. Existem vários fatores que tornaram o gore uma característica quase que exclusivamente de obras destinadas ao público adulto, porém é interessante notar que o gore quando usado para um público não tão adulto tem duas principais funções: Apresentar um exagero e/ou chocar.

Cena do primeiro filme de Gen Pés descalços!

Cena do primeiro filme de Gen Pés descalços!

Obras shounens como Hokuto no Ken e Gen, Pés Descalços são dois bons exemplos disso. A primeira é uma obra de luta com ultra-violência em que um único soco é capaz de arrancar cabeças. A segunda é uma auto-biografia focada em um acontecimento brutal que gerou um número absurdamente grande de mortes. Em Hokuto no Ken fica claro o exagero associado ao gore, enquanto que em Gen, fica claro que o objetivo de usar o gore é chocar o espectador, ao representar visualmente cenas horrendas, porém próximas da realidade, geradas pela queda de uma bomba atômica.

As mudanças tanto na indústria de mangás quanto na de animes, que começaram no fim dos anos 80 e começo dos 90, muito influenciadas pelos movimentos anti-mangá e anime, fizeram com que obras similares a essas trilhassem novos caminhos. Primeiro, obras com ultra-violência passaram a não mais apresentar violência gráfica exagerada quando voltadas a um público menor de idade, as que ainda resistiram a esta mudança, passaram a ser publicadas em revistas destinadas a um público mais velho, como o caso de Jojo’s Bizarre Adventure. Já obras como Gen, por terem essa necessidade de utilizar o gore como forma de chocar o espectador, passaram a ser compreendidas como obras que de fato são destinadas a um público mais adulto e maduro, de modo que se tornaram obras seinen (destinadas ao público adulto).

Quando pensamos em gore para um público adulto (algo redundante para a maioria das pessoas), caímos na máxima de que ele existe apenas para chocar o espectador e em muitos casos isso é verdade, no entanto o gore pode ter outras utilidades numa narrativa.

Ichi The Killer ova

Ichi The Killer ova

Uma delas é contribuir para apresentar a personalidade de certos personagens. Em Ichi The Killer temos diversos personagens que se expressam através da violência e que também a utilizam como forma de escape para suas frustrações, de modo que o gore é uma consequências das ações de tais personagens. Essa é apenas uma das muitas obras em que o gore se torna uma consequência das ações geradas por impulsos de personagens que possuem uma personalidade distorcida.

Uma outra forma de utilizar o gore como um elemento a mais em uma narrativa é usá-lo para expor as trevas que cercam ambientação da história de modo que a ultra-violência, sangue e tripas, se tornam algo banal dentro da narrativa, ainda que choquem o expectador. Um exemplo de obra que segue a fórmula citada anteriormente é o filme de animação, Ninja Scroll.

Em outras obras, como em Berserk, há uma transformação do que o gore expressa. A princípio ele é utilizado principalmente para chocar o expectador, mas a medida que a história segue, o gore e a ultra-violência passa a ser algo banal em meio a um ambiente sombrio que não parece ter salvação.

Já falamos que muitas obras de ultra-violência, hoje seinens, surgiram de fórmulas típicas de shounen. Estas fórmulas com tempo foram mudando e se aperfeiçoando. No já citado Jojo’s Bizarre Adventure, o gore exagerado da obra tem como intuito não apenas chocar, mas ser banal e muitas vezes até cômico de modo a deixar claro o quão ficcional a obra é. A violência expressa em Jojo não deve ser levada a sério, nem muito menos pode ser trazida ao mundo real, isso fica ainda mais claro com o surgimento dos Stands, que tiram a culpa direta dos punhos e pernas dos personagens principais, para ser eles as entidades que de fato geram o gore.

Também podemos ter o gore como um elemento que caracteriza diretamente certos tipos de criaturas. Por exemplo vampiros, zumbis, monstros, youkais. Ele pode também ser usado como consequência de uma sociedade  com duas faces, sendo uma delas sombria. Os animes Tokyo Ghoul e Akame ga Kill são exemplos recentes de obras que se enquadram cada qual em um desses perfis.

O gore pode ser utilizado como um elemento essencial para certas histórias. Muitas vezes sangue e tripas significam bem mais do que só sangue e tripas. Em minha opinião, o gore é muito mais do que uma simples exposição visual exagerada, não apenas nos quadrinhos e nas animações, mas em todas as mídias em que é utilizado.

E você, gosta de gore? Acha que ele é realmente um elemento necessário nas histórias em que você já o viu? Como vocês acham que o gore é melhor aproveitado? Ou será que você acha que o gore não afeta a qualidade de uma boa narrativa?

Enfim, está na hora de dizer “tchau” e continuar na busca da pergunta fundamental para a resposta que nós já sabemos qual é! Lhes vejo em breve com mais perguntas e talvez com algumas outras respostas!

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Comentários em: "A resposta é 42: Sangue e tripas também contam história?" (4)

  1. Questão interessante esta.

    O que posso acrescentar é que o ser humano, de certa forma, adora o que é mórbido. Vide sites sanguinolentos e jornais do meio dia, por exemplo, eles fazem sucesso. Não é à toa que muitas obras utilizam-se do gore como fanservice.

    É interessante que em algumas obras, você fica tão dentro da atmosfera que ele passa que um gore mais suave acaba por te chocar mais que algo mais pesado. Lembro-me, por exemplo, da mãe dos personagens de Hotaru no Haka, uma imagem tão suave se comparada à essas do post, mas que chocou muito, pelo menos à mim!

    Você falou que em Berserk acabamos por nos acostumar com o sombrio daquele muito de tanto que somos expostos às cenas grotescas. Em outros casos, você se depara com gore atrás de gore e, no entanto, continua a ser chocado. Aqui cito Shigurui como exemplo. Foi somente parando pra pensar nisso que me toquei. Tantas páginas e, mesmo assim, tantas surpresas.

    Pra fechar os exemplos, acho que em muitas situações o gore acaba fazendo falta. Dois exemplos recentes que me lembro foi a morte da mãe de Eren e Mikasa em Shingeki no Kyojin (se assim fosse, aquela cena seria totalmente épica, criando uma (é meio infame a palavra que vou usar…) gigantesca aversão aos titãs) e todo o primeiro episódio de
    Tokyo Ghoul.

    Pra fechar (lembrei de outra coisa depois do último parágrafo), a cena que pra mim é a mais dark/gore/doentio é a cena de duas crianças sendo metralhadas em Genocyber. Realmente maluco!

    O gore tem um potencial fantástico em todas as mídias, mas infelizmente, devido ao já citado fanservice desnecessário tantas vezes utilizados, percebo que há um certo medo de ser utilizado.

    Acho que é isso. Agora me deem licença que vou jogar Carmageddon.

    Abraço!

    • Obrigado pelo comentário! Concordo com você em todos os aspectos, apesar que acho que Shingeki tem uma boa dose de gore sim, mas a censura acabou por afetar negativamente, diminuindo a sensação de aversão ao titãs um pouco. O mesmo em Tokyo Goul. Talvez as versões em DVD e Bluray resolvam isso.

  2. Escritora disse:

    Antes de dar uma palavra do tema de hoje…

    Aleluia: a coluna não morreu. Oh que bom!!! Colunas assim na net tem ficado mais raras.

    Se sangue e tripas podem dar uma boa história? Depende de como a história as coloca, como está na matéria. Bem, não assisti a nenhuma das séries citadas,mas, posso dar dois exemplos que podem ser postos aqui: “Mirai Nikki” e a versão 2011 de “HunterXHunter”, especificamente do arco Chimera Ants. É preciso criar um clima, botar os personagens na situação certa e principalmente, não transformar aqueles momentos em “esperei tanto e não deu em nada?”

    Admito que não ligo pra isso, preferindo algo mais leve, tirando algumas exceções. Se o gore é um bom recurso? Vai depender da história, afinal, é disto que vai colocar o recurso em ação e sim, existe mesmo exageros quando é usado demais. Animes mais antigos usavam este recurso e os atuais apenas deram um toque “mais artístico” nas cenas. Se são impactantes? Vai depender de como a gente vê a cena. Pode até ser engraçado, dramático ou chocante: aí varia dependendo da pessoa mesmo.

    Continue com esta coluna tão bacana de ler. Até mais!

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