O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


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Baseado em um conto tradicional japonês O Cortador de Bambu, o estúdio Ghibli revela mais uma obra-prima do cinema mundial. A brilhante animação foi criada através de técnicas convencionais 2D, onde tudo foi pintado e desenhado em papel, e somente finalizado e retocado em computadores.

Indicado ao Oscar 2015 de Melhor Animação, o longa dirigido por Isao Takahata narra a história de Kaguya, uma minúscula criança encontrada por um humilde cortador de bambu dentro de um fluorescente broto da planta. O cortador, na medida em que a menina cresce, vai descobrindo dentro de outros brotos grandes riquezas, que ele mesmo interpreta como um sinal dos Deuses para que a menina levasse uma vida de princesa. A garota rapidamente se transforma em uma moça de beleza celestial, e seu pai adotivo trata logo de leva-la à capital para ser cortejada e inserida na realeza, porém o coração da “princesa”, clama por outros ideais.

Brilhantemente trabalhado, o filme traz um pouco da melancolia tradicional das animações mais naturalistas japonesas. Essa característica também é percebida através da pintura aquarelada, leve e com nuances de branco. A qualidade da animação dispensa comentários, afinal estamos falando do estúdio Ghibli. A trilha sonora é precisa e muito delicada. Os personagens são profundos e a Princesa Kaguya foge completamente dos estereótipos tradicionais que carregamos. Na verdade, acredito que Kaguya é um verdadeiro afronte ao tradicionalismo, quebrando regras bobas, fugindo de casamentos arranjados e buscando a simplicidade de uma vida pacata em contraponto às mordomias da realeza. Algo muito interessante de observar é como os traços clássicos e tradicionais da animação vão de encontro à “rebeldia” e ao empoderamento feminino que a Princesa Kaguya já esboçava em sua realidade no fim da idade média.

Enfim, O Conto da Princesa Kaguya é uma animação forte e madura, que não tem medo de tratar de situações difíceis e sentimentos complexos, mas que o faz com a leveza e a delicadeza que só o estúdio Ghibli e o florescimento das sakuras (flores de cerejeiras) são capazes de representar.

Título Original: Kaguya-hime no monogatari;
Título em Português: O Conto da Princesa Kaguya;
Ano de produção: 2013;
Direção: Isao Takahata;
Duração: 137 minutos; Classificação L – Livre para todos os públicos;
Gênero: Animação;
País de Origem: Japão.

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Comentários em: "O Conto da Princesa Kaguya" (3)

  1. @Nathalielalves, parabéns! Belo post. Bem sucinto e objetivo. =)
    Achei até que foi um pouco sucinto demais… poderias explorar um pouco mais o filme e argumentar um pouco mais a respeito, mas ficou muito bom.
    Mais um filme japa que era melhor do que qualquer outro concorrente e não ganhou o Oscar por pura má vontade e ‘bairrismo’ da Academia…¬¬

    • Olá colega, obrigada pelo comentário e pela dica, prometo melhorar minha próxima postagem. Concordo com você sobre o bairrismo. Compreendo o espírito americano de sempre vangloriar o que é deles, mas infelizmente com esse pensamento grandes obras são injustiçadas. Mas pelo menos o vencedor, Operação Big Hero, tem uma pontinha de Japão! Abraços!

      • @Nathalie, não precisas acrescentar muita coisa, no máximo mais 1 ou 2 parágrafos do tamanho da introdução ou do encerramento, se você enxergar que de fato é necessário. Se não for, que assim seja. =)
        Verdade… várias obras injustiçadas… Miyazaki por exemplo, merecia ter ganhado pelos menos 5 Oscars por seus diversos filmes. E o Takahata, merecia ter ganhado pelo menos 1 Oscar, por sua obra-prima, ‘Hotaru no Haka’.

        Minha cara, eu sinceramente, neste quesito do Oscar, não compreendo esta coisa deles vangloriarem o que é deles e discordo totalmente desta visão torpe que eles têm, porque isto não passa por um contexto técnico, e sim apenas nacionalista. Não estou dizendo que as animações deles não são boas. Só que por vários anos, a melhor animação, isto para não citar outras categorias, não ganhou por conta disto… eu não sei até hoje como Chihiro conseguiu levar o Oscar, sinceramente não sei.
        Se é para ter este bairrismo chato, as perguntas que poderíamos fazer, seriam: por que permitir candidatos estrangeiros no Oscar? Por que não deixar apenas candidatos norte-americanos (mesmo que sejam parciais) concorrerem?? Seria mais justo e coerente com eles mesmos. Mas a pergunta é retórica, e o pior é que eu já sei exatamente quais são as respostas…u_u

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