O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Boa noite! Boa madrugada! E bom dia! Está no ar mais uma edição da coluna mais pensante e pessoal desse blog. Bem vindos a meu cantinho do pensamento! Aconchegue-se em um poltrona e beba um pouco de chá, café ou cappuccino antes de começarmos a confabular sobre o tema dessa edição!

Você meu caro leitor com seus mais de 20 anos, provavelmente à tempos atrás nunca imaginaria que o youtube poderia ser uma dos melhores players de músicas gratuitos da internet (Sim! Eu estou ouvindo música de minha playlist de animes no youtube!). O tempo voa, as perspectivas mudam, as facas ginsu já não cortam como antes e aquele produto que mascarava arranhões de carros, fazendo seu veículo ficar mil dólares mais valioso, já não atrai mais tanta atenção (saudades de esperar a hora dos animes na Manchete…). Enfim, o mundo muda e nós mudamos com ele e o que mais muda é o nosso jeito de ver as coisas. A um tempo atrás tudo que a franquia Velozes e Furiosos precisava para chamar a atenção era meia dúzia de carros tunados e umas cinco ou seis corridas em alta velocidade no meio das ruas estranhamente vazias de Los Angeles ou New York. Agora certos filmes de Transformers tem menos ação e menos explosões que os mais recentes Velozes e Furiosos.

O passado que o presente não nos permite esquecer...

O passado que o presente não nos permite esquecer.

Claro que nossa forma de ver animes com o passar do tempo também muda drasticamente e é impressionante ver novas pessoas nesse universo gostando daquelas obras novas que não conseguimos mais encarar, enquanto que algumas pessoas de gerações mais recentes defendem que no passado os animes eram melhores. É  engraçado rever um anime mais de cinco anos depois e perceber o quanto amava aquela série que hoje não parece nada especial e o quanto odiava aquele anime que hoje é uma de minhas obras preferidas.

Meu anime preferido atualmente é One Piece, porém apenas para conseguir passar dos quatro primeiros episódios eu demorei cerca de cinco anos. Há alguns anos comecei a reler o mangá dessa série e é incrível como tudo aquilo que eu achava chato, repetitivo e arrastado, agora me parece tão essencial, que sem aqueles primeiros arcos eu não consigo me ver gostando tanto dos personagens como gosto hoje. Algo muito similar aconteceu com Full Metal Alchemist, apesar de que menos de um ano foi necessário para observar a grandeza da obra. Por outro lado, todo aquele meu fanatismo por Evangelion, que acompanhou mais de dez anos da minha vida, hoje se resume muito mais a saudosismo e respeito do que a prazer e embora eu ainda me empolgue com os novos filmes da franquia, eu não consigo mais falar que a série de tv, que eu adorei e revi tantas vezes, é boa. Ainda assim a Asuka é minha personagem preferida de todos os tempos!

Esse senhor formou parte do meu caráter...

Esse senhor formou parte do meu caráter…

Agora o que mais me impressiona é com relação as características e aos gêneros de anime que, em certo momento da minha vida, me agradaram tanto e que hoje eu não consigo ver. Além das características e gêneros de anime que não apreciava na infância e adolescência e que hoje eu imploraria para ver de volta. O que me faz perceber que por incrível que pareça, a maturidade que eu ganhei, e que muitos de minha geração, e de uma ou duas gerações depois, ganharam, me faz apreciar obras mais antigas muito mais do que na época em que elas nem eram tão antigas assim.

Um exemplo são as séries de anime policias que muitas vezes misturavam mecha e fantasia e que eu não conseguia gostar na infância, como por exemplo City Hunter, e que hoje eu acho incríveis e detentoras de um humor e de uma narrativa tão interessante que me fizeram redescobrir e adorar ainda mais o gênero Noir (o gênero Noir, não o anime Noir, que eu ainda não gosto). E quanto àquelas ficções científicas malucas dos anos 80 e 90 que eu adorava quando se tratavam de filmes, mas quando eram animes me pareciam tão estranhas que eu não conseguia gostar. Hoje eu as venero como se fossem a oitava maravilha do mundo, apesar de que Detonator Orgun, M.D. Geist e boa parte das obras do U.S. Mangá hoje em dia são intratáveis.

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e... OK! Gatos são legais!

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e… OK! Nekomimi são legais!

É importante ressaltar que nem tudo na maturidade se trata de de trocas de gostos e da formação de uma opinião mais sólida sobre as obras que antes eram incríveis e que hoje não parecem nada de mais (Um Abraço Cavaleiros dos Zodíaco!). A maturidade e a experiência ao ver tantas animes (sem querer me gabar, mas são mais de 1300 animes. Se bem que eu conheço um pessoal com 4000 fácil!) me fez apreciar melhor certos detalhes e rever um anime muitas vezes se torna uma experiência completamente nova. Eu ainda me surpreendo toda vez que revejo alguns episódios daquelas comédias colegiais despreocupadas da primeira metade da década passada, como Azumanga Daioh, que me fazem rir que nem um maluco e muitas vezes por motivos que eu nunca tinha reparado antes. Na obra supracitada há uma cena absurda em que uma personagem troca uma frigideira por uma faca e quase mata sua professora. Eu juro que na época que vi esse anime a primeira vez eu não entendi a piada, mas hoje ao mencioná-la aqui eu não consigo parar de rir.

Ainda sobre o como a maturidade e a experiência ao ver animes melhorou meu jeito de vê-los, hoje eu consigo ver o lado irônico e positivo de seriados bizarros e trashs como Jojo’s Bizarre Adventure, que vão além do nonsense que eu sempre adorei. E eu passei a gostar ainda mais do nonsense agora que eu consigo identificar o sub-texto por trás de vários dos elementos dessas obras. Hoje eu aprecio muito mais uma obra que me faz parar e pensar horas e horas sobre o assunto, enquanto que antigamente eu apenas queria ver lutas e mais lutas.

Essas fadinhas...

Essas fadinhas…

Um ônus relacionado a experiência ao ver muitas obras, porém, é a saturação com relação a certas coisas que um dia eu já gostei muito, ou pelos menos um pouco, como o ecchi, as obras colegiais, o slice of life  e os animes com muita ação. Hoje se esses elementos são muito importantes para a obra, eu já tenho um pé atrás com o anime e embora haja obras ainda muito boas com essas características sendo lançadas hoje em dia, eu não consigo mais me empolgar tanto se não houver algo diferente que me atraia nesses animes.

Em contra partida, uma outra vantagem, é que hoje eu não vejo mais só a história e a animação como os elementos mais importantes de um anime e consigo apreciar muito mais uma dublagem bem feita, uma trilha sonora envolvente, um design de personagens bem feito e/ou diferente do convencional, um cenário bem desenhado, efeitos de luz bem aplicados e outros elementos que praticamente passam despercebido de você quanto é mais jovem,  que vale para todo e qualquer produto de mídia visual.

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Imaginem a musiquinha do Zelda quando você pega a Master Sword

Eu poderia ficar aqui por horas e horas falando da minha visão sobre animes quando era um jovem Sasahara_Onishi e como agora é outra ao ser um minimamente mais experiente JuniorKyon, mas a ideia desse texto, como a dos outros textos dessa coluna, não é nem criticar, nem necessariamente ensinar algo. Tudo que eu espero com esse texto é ter aberto um pouco a mente dos leitores para que possam refletir sobre o tema aqui apresentado e ver que é natural gostar mais de um anime antigo hoje em dia e também desgostar de um anime que amava antigamente. Em cada época de sua vida a sua visão sobre algo não é certa ou errada, na verdade ela depende das suas vivências. Claro que uma pessoa mais madura e experiente consegue atentar a mais questões que uma pessoa mais jovem, porém essa mesma pessoa é provavelmente menos aberta a novas descobertas. Talvez por isso seja tão importante manter sempre integrada as diversas gerações, já que nem sempre apenas uma visão é adequada.

Vale ressaltar que muita gente abandona os animes a medida que amadurece, será que essas pessoas também tem uma visão tão mudada sobre os animes que viam na infância e adolescência em detrimento de algum episódio aleatório de um anime que viu hoje em dia? Eu me pergunto isso porque eu acho estranho meu antigo chefe, que não via anime na adolescência, gostar de Naruto e não de Death Note, enquanto que eu acredito que o segundo é bem mais interessante que o primeiro exatamente devido a algumas questões que só percebo por ser um adulto (Hoje em dia eu acho Death Note mediano e não gosto de Naruto, mas respeito quem gosta! Morte aos rótulos, naruteiros não mais!).

É difícil aceitar que a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade  o respeito a vida e me faz desgostar desse personagem.

É difícil aceitar, mas a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade o respeito a vida me faz desgostar desse personagem.

Para finalizar, espero que tenham gostado do texto e se possível coloquem nos comentários o que pensam sobre essa mudança de visão sobre os animes pela qual passamos a medida que amadurecemos e que ganhamos mais experiência. E antes que me taxem de muito velho por tudo que citei no texto, eu estou prestes a completar apenas a minha 27ª primavera.

 

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Comentários em: "Pensador Otaku: Como vemos os animes com o passar do tempo?" (5)

  1. Ah! O tempo. O grande inimigo do Ser Humano. Ainda me lembro do sacrifício pra programar o Vídeo-Casssete para gravar Cavaleiros enquanto tinha aulas de música no horário … Ou quando comprei meus primeiros VHS dos fansubers (BAC, Lum’s Club). E os animes que conheci através deles : Ranma 1/2, Yuusei Yatsura, o próprio Evangelion, Yagami-kun no katei no jijou, Mahou Tsukai Tai! e, é claro, meu anime favorito, Love Hina! (conheci exatamente na época que estava prestando vestibular, lá em 2000) entre outros … O tempo passou, as fitas já se foram … mas a lembrança deles nunca se apagaram.

    Voltei a ver animes com frequencia ha uns 6,7 anos, acompanhando as temporadas. Infelizmente (ou felizmente) muita coisa que curtia antes, hoje, não fazem sentido ou não batem com meu gosto pessoal. O já citado Evangelion, os animes da virada do século (Hand Maid May, só pra citar um exemplo e, pasmem – Love Hina, que tanto amo, mas não suporto!? ao mesmo tempo).

    Ha 15 anos eu não imaginaria gostar de animes como Toradora!, White Album (1 e 2), Gintama, Nagi no Asukara, Shirobako, Madoka… E outros, como os do studio Ghibli, Excel Saga, FLCL, passaram a fazer sentido !

    É claro que nem tudo são flores. Hoje amo Moe (eu ouvi K-On? Ou será Love Lab? Ou Gochuumon wa Usagi Desu ka? Hidamari Sketch?) e Mahou Shoujo (!?). Isso não é coisa de gente normal, né ?

    Finalizando, posso afirmar que o tempo mudou o modo que eu via animes em minha já distante adolescência. Se antes uma boa briga, uma guerra estelar ou poderes de um macaco loiro me atraíam, hoje, o que me atrai são as bobeiras da vida, o slice-of-life, a vidinha pacata e maluca de um Madao, uma tiração básica de sarro, ou apenas uma tarde de colegiais comendo bolo e jogando conversa fora …

    **A falta de caráter e o desprezo a vida me faz gostar de Kira e sua justiça 🙂

  2. Escritora disse:

    Bem, no meu caso, vários animes acompanhei via canal aberto e simplesmente amava – quando não tinha acesso a revistas ou a Internet – claro que quando ficava mais velha, mais seletiva ficava na escolha de animes e tokusatsus. Diria que foram as revistas – “Herói”/”Henshin”/”UltraJovem”/AnimeDo” e outras avulsas – que me fizeram ver melhor as animações e de quebra, o valor da dublagem brasileira e nipônica com outros olhos. Hoje, a Internet faz este papel e sinto falta de análises mais abertas e diretas sobre animes, porque como não sou chegada a podcats e primeiras impressões – aliás, odeio estas primeiras impressões, mais estragam do que te animam a dar uma chance – acabo perdendo séries que seriam a minha cara.

    Este lado crítico que tenho não é pra dizer “que série tal é uma droga, a minha é a melhor” e sim, que me identifico com umas e outras eu passo longe, como também respeito quem curte o que não gosto. Quando faço resenhas para o Animecote, tento ser imparcial e acrescentar elementos que normalmente a maioria ignora, como também o que faz aquela série ser o que é. Tem resenhas que me empolgo, outras são bem enxutas: depende do humor que tive ao assistir, seja boa ou não. Fora que como gosto de ler, isso acaba sendo bom pra mim.
    Tem animes que fico fascinada no primeiro episódio e outras que apenas vão bem depois de alguns episódios: isso é comum.

    Uma boa postagem e das séries citadas, “Death Note” gosto da história,mas, odeio os personagens exceto o Matsuda; “Cavaleiros” foi dos que assistiu em sua primeira exibição, hoje gosto apenas da dublagem brasileira e da trilha sonora – certo gosto do Shun e do Ikki e odeio o Seiya – FMA dispensa comentários, porque sou fangirl dos Irmãos Elric e das séries do U.S Mangá guardo “Detonador Orgun” e “Battle Skippers” com carinho. Tenho afeição a animes antigos – “Detective Conan”, “Karekano” e “Pokémon” que os digam – claro que vou dando chances para animes novos, aos pouquinhos…

    Até mais!!!

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