O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Yo! Tudo bem com vocês? Que tal refletirmos um pouco sobre mais um assunto ligado aos animes e mangás? Enfim espero que gostem de mais esse texto opinativo e reflexivo sobre um dos elementos da cultura otaku.

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Afinal, o que é Sailor Fukutização?

Não pesquisei se outras pessoas também usam o termo, mas Sailor Fukutização, assim como a Moeficação, é um termo que utilizo para exemplificar um “fenômeno” inerente a animes, mangás, novels e outros produtos relacionados a cultura otaku. Trata-se da exploração exacerbada do tema “colegial” e/ou de personagens colegiais nas mídias visuais supracitadas. Escolhi esse termo, pois “Sailor Fuku” é a maneira como os japoneses e referem ao uniforme escolar feminino que são baseados em fardas de marinheiros e que são adotados por praticamente todas as escolas colegiais japonesas (escolas fundamentais também).

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E porque fazer um texto sobre isso? 

Em parte por uma irritação pessoal com relação ao tema, mas principalmente porque é uma característica de séries de mangá/anime (eu não vou ficar repetindo “anime, mangá, light novel e outros produtos relacionados a cultura otaku”, então citarei apenas a expressão “mangá/anime”, mas tome tudo que for dito no texto como algo relacionado a todas essas mídias)  que nos últimos anos, ou na última década, se tornou um fenômeno.

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Como assim um fenômeno?

O costume de se produzir mangás com a temática colegial vem desde os anos 50 com a volta das publicações de mangás após a segunda guerra mundial. O tema era tratado apenas como mais um gênero, ou como elemento de fundo apenas para identificar a faixa etária a qual os personagens da história pertenciam e meio que é assim até hoje. Porém as obras com essa característica sempre representaram um espaço substancial, porém nem perto de ser um elemento muito mais recorrente do que os demais tipos de obras. Suponho até que entre os anos 80 e 90 havia uma quase equivalência entre obras colegiais e policiais (como eu sinto falta de séries policiais). Já na última década, o número de história situadas no meio colegial ou protagonizadas por colegiais  aumentou de maneira exacerbada, em especial nas temporadas de animes dos últimos 3 a 4 anos, é comum 30% ou mais da quantidade de animes em cada temporada ter a temática colegial ou ser protagonizada por colegiais.

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Claro que em parte isso se deve à popularidade desse tema ser grande, no entanto esse fenômeno cada vez mais causa um declínio da variabilidade de temáticas, ainda que se explore o tema ou a ambientação em conjunto com um número gigantesco de outros temas, características comuns de animes colegiais são e necessitam ser preservadas para abordar esse tema. A mais óbvia é a quase que necessidade de todos ou quase todos os personagens serem colegiais. Claro que a grande maioria das pessoas que leem mangá e assistem anime são adolescentes e jovens adultos que a pouco saíram do colegial (fora aquela razoável massa de otakus adultos que abrange muitos dos leitores desse blog inclusive o autor desse texto) e por isso é normal que a maioria  dos personagens também sejam adolescentes para que haja um empatia maior. Porém, essa super popularidade de personagens adolescentes é uma das causas da infantilização de elementos destinados ao público adulto e também do design e da caracterização de personagens adultos.

Outra característica inerente a obras colegiais é a imaturidade da trama ou das ações dos personagens, pois ainda que ajam algumas obras colegiais bastante maduras, a maturidade é um elemento um tanto estranho para caracterizar um jovem, de modo que muito da pouca maturidade desses animes venham dos poucos personagens adultos, mas como esses mesmos personagens geralmente não tem muito relevância (e muitas vez quando têm, ocorre a supracitada infantilização desses personagens), a trama se torna realmente imatura, o que faz sentido.

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Existem outras características que poderiam exploradas, mas para não me estender muito mais vou apresentar abaixo os problemas de tudo isso com foco na “infantilização”, na “imaturidade” e no fato de haver esse crescimento exacerbado de mangás/animes colegiais.

Enfim qual a problemática de tudo isso?

A meu ver o grande a infantilização de elementos destinados ao público adulto, causa a má exploração de muitos desses elementos, em especial podemos falar de ecchi, que em muitos casos se confunde, pois o ecchi para jovens não deveria ser tão expositivo como é hoje em dia, e para adultos, porque muitos mangás/animes colegiais sabem que adultos os acompanham e usam elementos para atrair mais deles, não deveria ser tão inocentes. A confusão disso tudo acaba gerando um ecchi por ecchi que vira fanservice e se torna muitos vezes inútil para trama, ainda que cumpra seu papel de chamar a atenção de pessoas que não se preocupam tanto com a trama (embora acho que até essa galera uma hora cansa).

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Com relação a imaturidade, em parte tudo depende muito do como a trama se desenrola, mas particularmente é fácil citar exemplos de obras que, por exemplo, tenham professores que mais parecem estudantes colegiais e que não parecem ter a menor capacidade de conduzir uma sala de aula, ou de personagens adultos que premeditadamente tem designs infantis. Além disso, é incrível como boa parte das obras colegiais não parecem fazer ideia de quão complicado é para adolescentes a questão dos relacionamentos amorosos e a super sexualização de ações de personagens são tratadas como algo extremamente comum, pelo menos em obras destinadas principalmente ao público masculino. Geralmente nesse quesito shoujos colegiais sabem trabalhar muito bem, enquanto que que shounens… Também podemos falar da confusão que se há entre o tom sério ou não de um mangá/anime colegial com relação a mortes, que muitas vezes se confunde no meio das tramas, porém falar sobre o tom certo ou errado de uma trama merece um texto só para si e possivelmente eu o escreverei um no futuro.

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Voltando a questão do número grande de obras colegiais nos dias de hoje, como já citei há uma série de “regras” que a maioria das obras colegiais “precisa” seguir e no geral, mesmo com a grande variação de temas associados, há muita coisa parecida e por isso às vezes esses temas a mais acabam perdendo um pouco da força dentro da trama. Ou seja, esse número crescente de séries colegiais tem sim causado a diminuição da variabilidade de tramas e de maneiras como tramas diferentes são abordadas. Uma forma fácil de exemplificar isso, é que por mais diferentes que sejam os clubes colegiais em cada mangá/anime (clube de música, clube de astronomia, conselho estudantil, clube faz tudo  e etc.)  sempre há características comuns pré-estabelecidas que tornam eles meio similares (isso não vale para animes esportivos).

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Esse texto não tem o intuito de demonizar os mangás/animes colegiais, pois há sim muitas obras boas com essa temática ou característica, ou ambientação, e há exceções a todas as ideias acima comentadas, mas o exagero do número de séries desse tipo tem sim causado um dano a indústria e possivelmente um afastamento de muitos espectadores e leitores antigos de animes e mangás. Eu acho que há espaço para todo tipo de obra, mas há uma carência grande de animes (principalmente animes mesmo) mais adultos e mais maduros, há uma necessidade de se dar mais visibilidade a obras diferentes em light novels e animes. Ainda há muitos mangás bons e de sucesso não colegiais por aí, por que será que não ocorre o mesmo com animes e light novels? E a falta de mais obras diferentes nessas outras mídias faz com que muito mangaka acabe também optando por criar mais obras colegiais já que elas aparentemente fazem mais sucesso, isso gera um ciclo vicioso.

Finalizando, eu estou sim cada vez mais saturado e, por que não dizer, irritado com a quantidade principalmente de animes e light novels colegiais, eu não desejo que pare de  se fazer obras colegiais eu só realmente desejo que num futuro próximo haja uma espaço maior também para séries não colegiais e que sejam protagonizadas por adultos que se parecem adultos. Sabe, eu não lembro a última vez que vi um slice of life adulto, será que eu realmente verei outro desses nessa década?

PS.: Se possível dê uma olhada nos comentários, há uma discussão que está ajudando a complementar esse texto…

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Comentários em: "Pensador Otaku: A Sailor Fukutização da cultura otaku" (12)

  1. Escritora disse:

    Uma boa postagem como de costume. Esta temática colegial que foi abordada deve ser pelo fato de ser “mais fácil” de fazer, sendo simples e ao mesmo tempo, direta ao ponto do que em outras temáticas. Concordo que os shoujos este desenvolvimento seja visto de forma mais ampla, isso se deve ao fato de haver mais cuidado em explorar situações mais rotineiras e até mesmo sentimentais; os shounens explorem mais a aventura que os personagens passam em seu cotidiano e portanto, é comum não explorar os personagens além das características dadas no começo.

    Cito o “KareKano” por ter me mostrado – até o momento – um romance mais natural e a entrada de personagens sem soar forçado ou jogados a torto e a direito, como acontece na maioria das séries que assistimos. Certo que aja obras melhores que esta, que façam esta exploração sem parecer o que foi dito: alunos não agindo como alunos e professores que ajam mais como alunos ou até pior, meros figurantes. O fato de séries assim fazer o sucesso que tem é aquela velha história: se rende, por que não seguir com isto? Mudando um pouquinho de assunto, dos uniformes que já vi em animes, o mais lindo foi o que vi em “Vampire Knight”: aquele preto/branco e vice-versa, super detalhado me encantou; os demais são simples ou muito óbvios demais.

    Voltando ao tema, o fato de muitos criar histórias nesta fase escolar é pela facilidade de botar todo o contexto, sem querer pensar muito em como explorar personagens e trama: e se pararmos pra pensar, isto acontece em outras temáticas, ficando mais difícil criar coisas novas em velhas fórmulas. Ainda bem que não estou saturada destes tema, só acho que apenas uma pequena parte disto consegue explorar o contexto colegial sem ficar preso nas suas próprias limitações. O mesmo quando se explora o primário/ginásio (nosso Fundamental) dá pra ver que o cuidado depende de quem cria aquele universo, se o enfoque é ou não é a vida escolar.
    Na sua maioria, o enfoque não é como estes alunos se comportam neste ambiente e sim, a personalidade que já desenvolveram antes de chegar a esta fase escolar; em outros, o colegial é apenas mais uma paisagem, só tá aí de pano de fundo para os personagens darem uma relaxada, antes da aventura começar. Por isso, fica estranho notar que seja assim e desconsidere esta fase como um todo. A idade também é um fator pra haver tantas séries assim, por isso, para quem usa este recurso, a “facilidade” de explorar o conteúdo seja um dos pontos fracos neste gênero. Ver além disto, pode ser o maior desafio de qualquer um…

    Não posso culpar que seja um contexto usado em exaustão, se parar pra pensar, a maior parte das séries que assistimos tem algo que vai te lembrar de outras similares; literatura; cinema e games fazem o mesmo. O que muda é como analisamos a situação, aí sim, dá pra encontrar algo além dos típicos clichês ou saber como estes foram usados.

    Mal aí pelo comentário longo: só aproveita esta opinião e até mais…

    • Muito obrigado pelo excelente comentário! Como eu disse no fim do texto e como ressaltou existem sim muitas boas séries colegiais, a questão da sailor fukutização está ligado ao exagero da quantidade de séries e de como se tornou comum explorar todo tipo de tema com uma pegada colegial, quase como se algo não fosse funcionar por si só e precisasse desse rótulo colegial para atrair as pessoas.

      Um exemplo disso é a quantidade de séries de anime sobre airsoft ou jogos de sobrevivência. Eu nunca vi um anime sobre airsoft ou jogo de sobrevivência que não fosse colegial, o que não significa que no futuro não vá ter, mas esse estima faz pensar há necessidade de todas essas séries serem colegiais. O anime Gilrs und Punzer por exemplo, tem por um lado o de ser diferente por unir tanques de guerra com colegiais, mas será que havia essa necessidade, será que não passa e um fetichismo de se ver como funcionaria algo assim com garotinhas colegais. Meu problema maior com a fukutização vem dessa questão de que esse absurdo (basta olhar as últimas temporadas para ver que é absurdo mesmo) de animes colegiais parecem não ter proposito. É como se realmente muitas produtoras e até alguns autores (principalmente de novels) pensasse “Eu tenho uma ótima ideia, mas como fazer para ela ter sucesso? Já sei, vai ser uma história colegial.”

      Claro que o público é o grande causador desse fenômeno, mas é fato que ele existe e que se por um lado ele acaba sendo um dos motivos para certas obras colegiais muita boas surgirem, ele tem sim seu lado ruim ao afetar a indústria, especialmente de marketing que os animes se tornaram com um super população de séries com muitas coisas parecidas e com muitas coisas imaturas. Você pode muito bem fazer séries boas de sucesso para adolescentes com adultos protagonizando, vide One Piece e Fairy Tail, e fazer séries com adolescentes protagonizando sem esse lado colegial e os clichês inerentes a isso, então porque não variar mais?

      Eu quero que obras colegiais continuem existindo, meus dois animes preferidos dessa temporada são puramente colegiais, mas eu quero que haja menos séries colegiais e mais séries diferentes se possível séries maduras, mesmo que tenham um pezinho no undo adolescentes para atingir esse público alvo. Inclusive o anime Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru é até um prova que dar pra fazer uma série colegial extremamente madura e pautada em problemas bem realistas de adolescentes e de seres humanos como um todo, pois se algo não for feito para resolver ou mitigar esses problemas eles vão continuar com o indivíduo por toda a vida.

      No fundo eu quero bons animes/mangás e novels e que eles não precisam serem sempre colegiais. Há ainda muita coisa não colegial saindo, mas infelizmente parece o número de séries assim diminuem. O fenômeno da Sailor Fukutização pode vir de muito tempo, mas nunca na escala em que ocorre hoje. E pde ser que muita gente que ainda não acompanha animes por temporada não percebam isso com tanta força, mas no ritmo atual isso não deve demorar, basta ver as notícias de lançamentos novas séries, principalmente de anime e novels que vem saindo.

  2. Ótimos ponto da @Escritora, e ótimo contra-ponto seu também, @Evilásio. Tem muita coisa que nós concordamos neste ponto, então eu vou dar um ‘quote’ no que concordo e ir comentando, concordando ou não, e caso tenha algo mais a comentar eu escrevo no final.

    “é comum 30% ou mais da quantidade de animes em cada temporada ter a temática colegial ou ser protagonizada por colegiais.” -> acho que você subestimou as últimas temporadas… Se estiver falando da média dos últimos 3 ou 4 anos, poderia ser 30%, apesar de eu ainda assim achar que este número é maior, mas eu acho que facilmente chegamos a 50% dos animes terem um pé no colegial… tá ficando um verdadeiro ‘pé no saco’ até TESTAR animes novos, que dirá assistir animes novos…¬¬
    É como você disse no ACC078, “Colegial. Acabando com os animes desde não sei quando.”

    “o exagero do número de séries desse tipo tem sim causado um dano a indústria e possivelmente um afastamento de muitos espectadores e leitores antigos de animes e mangás.” -> será mesmo?? Não sei dizer se isto é bem verdade. Acho é que não temos verdade alguma nesse ponto, haja vista que você fala de Brasil e fala mais por si do que por outrem, porém/contudo/todavia/entretanto, mangás/animes/etc. em geral são feitos PARA os japas, não para nós. Assim como as séries norte-americanas são feitas para os norte-americanos. Se faz sucesso pelo mundo afora e eles estão ganhando dinheiro com isto, ok? Se não, ok também. O que interessa em animes/mangás/etc. é lá dentro do Japão, fora não interessa tanto primariamente como lá dentro, e há uma razão e um pensamento bem óbvios para isto.
    Eu também vejo um dano à indústria e afastamento de espectadores do lado de cá. Para mim, a indústria de animação japa está tem decaído ano a ano. Mas este é um prisma meu, um brasileiro que nem sequer compra mangá direito (porque eles são caros para caramba, mas isto é uma outra conversa), e que não dá para ser comparado com os japas que ano após ano continuam consumindo estes mangás/animes/etc., por mais ruim que nós achemos que eles são.
    E ainda que isto seja verdade, e esteja afastando a galera mais old por lá, tem sempre novos japinhas otakus chegando para compensar quem se afasta deste meio, e portanto, a indústria em nada parece estar sendo afetada.

    “há uma carência grande de animes (principalmente animes mesmo) mais adultos e mais maduros” -> verdade, concordo.

    “a falta de mais obras diferentes nessas outras mídias faz com que muito mangaka acabe também optando por criar mais obras colegiais já que elas aparentemente fazem mais sucesso, isso gera um ciclo vicioso.” -> totally true.

    “desejo que num futuro próximo haja uma espaço maior também para séries não colegiais e que sejam protagonizadas por adultos que se parecem adultos.” -> não somente isto, mas também colegiais que se pareçam de fato com colegiais, ou colegiais que sejam mais pré-adultos, como acontece em Sakamichi no Apollon, que por sinal é um dos melhores animes dos últimos anos (e a produção por trás dele explica o porquê disto claramente), mesmo tendo apenas 12 episódios.

    Não preciso dizer mais que no geral concordo com você. Em outros posts e comentários, minha opinião básica a respeito já lhe foi explicitada. Por fim, deixo apenas a pergunta sobre: quando vamos fazer aquele post conjunto, exatamente sobre este tema, que você comentou que faríamos e está me devendo? xD
    Depois deste post aqui, não sei mais se isto seria tão necessário…

    • Cara qualquer coisa a mais pra mim vai ter que ser depois de junho, mas vamos sim fazer algo conjunto. Tem muita coisa ainda sim para far desse tema.

      Sobre afetar ou não a indústria, não dar para dizer que é só por causa de animes colegiais, mas a poucos dias atrás o otakupt soltou uma notícia com o número de vendas de dvds dos estúdios do Japoneses nos últimos 10 anos e apenas 7 estúdios tiveram mais da metade dos animes que saírem nesse período com mais de 3000 cópias de home vídeos vendidas, o que é absurdamente pouco (o número de estúdios, não de home videos). (só soltei essa notícia no facebook e como sei que você não acompanha dar uma olhada depois em http://www.otakupt.com/anime/estudios-anime-com-maior-sucesso/ )

      Além disso, recentemente o Hideaki Anno falou numa entrevista exatamente do declínio dos animes no Japão e como para ele é provável que em alguns anos outros países (asiáticos) se tornem o centro das atenções para produções animadas para tv. Eu não concordo muito com isso, mas para ele está falando tal coisa é porque o mercado de animes Japonês certamente não está lá as mil maravilhas.

      • Hahaha, bem… se você está dizendo, ok, me instigue a falar mais então deste tema quando me chamar para o trabalho em conjunto. E sim, para mim também, nada antes do fim de junho será possível. E se ocorrer greve na minha faculdade, a situação pode se estender ainda mais…

        Realmente não vi esta notícia do otakupt, obrigado por colocar o link aí para eu lê-la.
        Bem, li a notícia e fiquei me perguntando: será que é só eu que acho que ela não tem tão a ver com a decadência (que NÓS brasileiros sentimos do lado de cá) da indústria de animação japa como um todo??

        – Primeiro pelo fato de que se estivermos falando de sucesso comercial, que é o caso, e 40% for o limite mínimo, há um desequilíbrio relativamente normal. Se forçar um pouco mais e colocarmos 30% como limite, fica mais equilibrado ainda. Mas mesmo assim, é natural que uns vendam mais do que outros. Nada de relevante nesta notícia para mim, a não ser o fato de não ver o Wit e a Sunrise neste ranking…
        O Wit teria 100% de sucesso, pois Hoozuki e Shingeki venderam muito mais do que a quantidade de corte. Quanto ao Sunrise, nem era para falar exatamente dos números, mas vamos lá: pois até onde sei, vendeu mais de 85 mil discos com o filme 2 de Gintama, vende mais ou menos 10 mil discos com qualquer coisa de Gundam (e o último disco de Gundam Unicorn vendeu mais de 200 mil), além ainda de Code Geass, que mesmo após quase 10 anos de sua aparição na tela, na primeira semana de vende do BD BOX de R2, já tinha ultrapassado a margem mínima do sucesso citada na notícia em questão. Ah, eu poderia divagar, escrever e fazer muito mais comparações logo aqui neste 1º ponto, mas estou sem tempo para a pesquisa que isto demandaria.

        – Segundo, partindo do 1º ponto, é o fato de ser uma “grande” coisa, para não dizer ao contrário (e por isso coloquei aspas ali), mostrar um ranking deste tipo se não mostram vendas totais. Porque o sucesso (comercial ou não) não chega para todos. Há uma pirâmide, assim como é na sociedade, pois estamos no capitalismo selvagem… Mas, o sucesso comercial de uma série pode muito bem abrandar o fracasso de 1, 2, 3 ou mais séries de um determinado estúdio. No exemplo citado do Wit Studio, Hoozuki poderia fracassar miseravelmente em vendas, que o sucesso de Shingeki no Kyojin abrandaria aquela margem de 3 mil cópias muito facilmente… Assim como o sucesso de Kill la Kill deve abrandar, de maneira menos generosa claro, o fracasso que pode ocorrer com Ninja Slayer…
        Ou seja, tudo depende das vendas totais. Eu sinceramente não acredito que a MadHouse não estaria aí até hoje se certas animações suas não vendessem tão bem a ponto de cobrir certos “prejuízos” (isto porque estou me pautando na quantidade que a notícia coloca em ser sucesso). Mahouka e No Game No Life vendem muito bem obrigado.

        – Terceiro ponto seria… uma coisa na qual fiquei encafifado e que a notícia não aprofunda (e deveria aprofundar sim!) é o fato de não ser mencionado se tais vendas são totais de um anime, ou se são pelos “volumes”/discos lançados (e ainda se são somas dos BD’s e DVD’s ou são contagens separadas). Mesmo que saibamos que, EM GERAL, um volume/disco acompanhe as vendas do anterior, em vários casos isto mostrou-se não ser exatamente assim, tanto para aumento de vendas como principalmente para queda.
        Para mim, este tipo de post não era para ter ficado tão ‘jogado’ assim… está carecendo de muitas informações.

        – E o quarto e último ponto volta a se ligar diretamente com a minha pergunta inicial deste comentário, pois enquanto você (e a maioria dos pessoas do SMA/ACC) acha Infinite Stratos e Highschool DxD umas belas porcarias, eles vendem bem, especialmente IS. Enquanto vocês acham que Free! não é lá estas coisas, o anime vende muito bem. Kuroko eu não preciso nem dizer né? E mesmo Aoki Hagane no Arpeggio, que vocês ‘sapecaram’ a animação por causa do CG, vai muito bem nas vendas. Então, a nossa opinião sobre a decadência do mercado de animação japa (ou pelos a minha) é bem diferente do que eu realmente vejo que está acontecendo lá no Japão em se tratando de vendas.

        E por último, eu ligaria mais se fosse o Shinichiro Watanabe falando algo do tipo, mas o Hideaki Anno dizer isto? Sinceramente, não desprezo o Hideaki, mas neste caso, caguei para o que ele disse… um diretor que vive praticamente só de EVA não me dá parâmetro para acreditar nisto, logo, junto com tudo que eu acabei de dizer, não concordo com ele.

  3. Killraven disse:

    Kill la kill = sailor fukutização suprema ?

  4. Realmente Sr. Júnior, o mercado não soube realizar o aproveitamento do material que o público mais consome, ao invés de produzir obras de qualidade, resolveram apostar em quantidade causando essa saturação de histórias colegiais.

    Jogando no mercado histórias idiotas que abusam de elementos que no passado se mostraram rentáveis, porém com a saturação estão causando grande declínio no consumo de mercado, levando a falência das produtoras e estúdios.

    É triste ver em como essa mídia está realmente decaindo, porém é nas crises que são realizadas os retornos triunfais, ou não.

    Concordo que o excesso de história de colegiais nos levou a estafa, porém são fatores demais a se analisar, talvez seja mesmo por que buscam aquele público alvo que são os únicos com tempo de assistir, afinal os demais estão trabalhando ou na faculdade no horário que passa a animação, ou talvez seja a falta de criatividade em reinventar a fórmula de sucesso, reaproveitando aquilo que é/era vendável.

    No mais excelente postagem.

    • Obrigado pelo comentário!

      Apenas sobre horário de exibição de animes, não acho que seja bem uma questão de ter mais pessoas vendo, pois sempre há horários para se ver algum tipo de anime já que a exibição lá costuma ocorrer geralmente pela manhã, tarde/noite e madrugada. Porém, o consumidor otaku japonês parece ter se acostumado a não ver mais animes na TV. Hoje em dia (faz alguns anos), praticamente toda casa japonesa te um gravador bluray associado a TV e tal com fazíamos na época da manchete (com os video cassetes), é muito comum as pessoas gravarem os programas de TV para ver depois.

      Eu não acho que a “sailor fukutização” seja o principal fator para o declínio da indústria, mas como você e outros comentaristas disseram, esse fenômeno parece sim ter um tanto de culpa. Eu acho pouco provável que nos próximos dois anos esse fenômeno passe, mas acredito que até 2017 algo tem de mudar na indústria para que ela se mantenha firme e forte, ou talvez as previsões do Hideaki Anno estejam certas e vamos começar a ver mais animes de outros países asiáticos.

      • @Evilásio, acho que tem um erro na sua explicação sobre o horário dos anime para o João Paulo. Você diz que “Hoje em dia (faz alguns anos), praticamente toda casa japonesa te um gravador bluray associado a TV e tal com fazíamos na época da manchete (com os video cassetes), é muito comum as pessoas gravarem os programas de TV para ver depois.”, e eu te afirmo que isto aí é SIM ver televisão. É totalmente diferente de mim que DE FATO não assiste mais nada na TV. A pessoa não está em casa para ver ao vivo, mas até onde eu sei, se existe o gravador e ele vai gravar da TV, é como se a pessoa estivesse lá, ou sou eu que estou errado??
        Eu sim posso dizer que não vejo mais animes na TV, haja vista que mesmo que tivessem animações passando na TV, eu nem TV tenho em casa, e as coisas que passam na TV que me interessam, vocês sabem onde eu posso encontrar, né? (e se não encontrar, nada posso fazer…)

        • Eu concordo com você, apesar de que a audiência não é medida com base nas tvs que estão ligadas naquele horário, usam um grupo experimental na verdade. Porém o que eu queri deixar claro era com relação ao João Paulo ter dito: “..mesmo por que buscam aquele público alvo que são os únicos com tempo de assistir, afinal os demais estão trabalhando ou na faculdade no horário que passa a animação…”

          Estava tentando deixar claro que as pessoas não precisam está em casa no horário de exibição, pois como eles tem costume de gravar os programas, podem assisti-los quando tiverem tempo livre.

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