O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Kiseijuu-Parasyte

Apenas corpos esculturais

Kiseijuu: Sei no Kakuritsu, ou Parasyte para quem prefere inglês, é um mangá de 1988 que, em 2015, foi adaptado para um anime de 24 episódios. A obra conta a história de Shinichi Izumi, um jovem que acorda de noite tendo o corpo invadido por um parasita desconhecido. O parasita tomaria seu cérebro, mas por sorte se aloja em seu braço direito. A partir de então, Izumi é obrigado a lidar com a existência dos parasitas, com a ameaça que eles são para as pessoas ao redor dele e com o que Migi, seu próprio parasita, representa para ele.

Migi é predominantemente retratado como uma criatura de personalidade fria que só se importa com a própria sobrevivência. Ele justifica proteger Izumi com a argumento de que a morte do rapaz significaria seu próprio fim. Enquanto isso, Izumi é inicialmente mostrado como alguém medroso, frágil e emocional. Fica estabelecida assim uma distinção entre humanos e parasitas, caracterizando os últimos como predadores impiedosos. No entanto, no decorrer da história, há uma aproximação entre as duas condições, inclusive dentro do protagonista. Ele ganha características de parasita e Migi vai sutilmente se tornando mais humano.

Parte importante do processo que narra a transformação gradativa de Izumi e Migi são os outros parasitas através dos quais é possível fazer uma comparação tanto com os humanos normais quanto com a condição de Izumi. O primeiro que eles encontram e enfrentam tinha como hospedeiro um cão, o que já estabelece que os parasitas não são limitados a utilizar corpos humanos. Depois desse ponto a separação entre o que seria um comportamento humano e o que seria o de um parasita, apontado como similar ao de um psicopata completo, começa a se enfraquecer, inclusive com o uso do exemplo de um psicopata humano inserido como bandido que acaba ajudando o esforço militar contra os parasitas. Um caso especial é o de Reiko Tamura, que se dedicou a compreender o propósito da própria espécie. Tendo infectado Ryoko Tamiya, uma professora de matemática, ela propositalmente, como experimento, engravida de outro infectado apenas para descobrir que isso gera uma criança normal e, por conta desse experimento, se coloca na situação extrema de ter que assumir uma nova identidade. O que surpreende é o quanto ela é mais razoável com as pessoas do que os outros parasitas e que ela chega a desenvolver empatia pela criança.

Enquanto isso, o próprio Izumi passa a se perceber mais corajoso e forte, mas ao mesmo tempo mais desligado emocionalmente. Parte disso é atribuído a um momento marcante em que ele enfrenta o corpo da mãe infectado por um parasita, significando que ela faleceu. Nesse confronto, Izumi tem o coração perfurado e Migi se vê obrigado a salvá-lo injetando suas células de parasita no local para reparar o dano. Em um passeio posterior com Kana, eles vêem um filhote de cachorro ser atropelado e machucado de forma letal. Eles ficam com o pequeno animal até a morte dele como um ato de carinho, mas logo depois Izumi simplesmente joga o bichinho no lixo. Isso choca Kana e mostra o distanciamento de Izumi da forma tradicional mais emocional de encarar a vida. Logo em seguida isso incomoda o próprio Izumi enquanto Migi acha perfeitamente normal.

Além dessa tensão entre razão/poder e emoção/união, existe uma pequena proposição típica sobre a possibilidade dos seres humanos prejudicarem o planeta. Os parasitas teriam sido uma criação proposital destinada a erradicar a humanidade para salvar a natureza. No fim há sentido em perseguir uma natureza sem pessoas para presenciá-la? A Terra um dia sumirá mesmo sem nós. Poderiam os parasitas herdá-la?

Parasyte é uma obra que nos leva a questionar o papel de um ser humano e até que ponto pode-se seguir regras racionais para atingir objetivos. Dotado de um desfecho equilibrado, uma história envolvente e uma trilha sonora impactante, é um anime altamente recomendável.

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Comentários em: "A humanidade em Kiseijuu: Sei no Kakuritsu" (1)

  1. @Aiscrim, parabéns pelo post, ficou bom. =)
    Só se atente aos spoilers, ou chame a atenção para eles… pois quem não viu ou não leu a obra, pode se sentir prejudicado com isto.
    Tirando isto, só há uma correção a fazer, caso eu não esteja muito enganado: o mangá é de 1990, e não de 1988.

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