O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Antologias de manga

Antologias de manga: Apresentação


O mercado das revista de manga ocupa a maior parte das produções literárias japonesas na atualidade e isto ocorre devido não a versões completas de volumes de manga, mas devido as revistas especializadas em oferecer, seja semanal, quinzenal, mensal, bimestral ou em uma periodicidade maior, uma compilação de inúmeros capítulos de títulos diferentes de manga e estas revistas são as chamadas Antologias de Manga. Hoje é comum os fãs de manga em todo mundo ouvirem falar nomes como Shounen Jump, Shounen Ace, Ribon, Margaret dentre tantos outros títulos de antologias famosas no Japão.

Cada uma destas revistas, muitas vezes comparadas a grandes listas telefônicas, exibem dezenas de histórias e em geral possuem um sistema rotativo de títulos baseados em questionários respondidos pelos leitores que julgam as séries ali publicadas. A grande maioria dos mangás e até dos animes que conhecemos hoje surgiram nas páginas destas revistas que consagraram muitos autores e que também acabaram com o sonho de tantos outros. A história das antologias começa alguns anos depois do fim da 2ª guerra mundial e esse tipo de publicação vem se alterando e evoluindo desde então. Foram tantas as revistas já canceladas que marcaram a história, que é difícil comentar cada uma, além disso, o sistema de rotatividade de títulos nem sempre foi como é o citado acima. Hoje em dia, centenas de antologias dos mais diversos gêneros e com as mais diversas periodicidades, custando sempre bem menos que o valor de um tankohon (versões padrões de compilados de capítulos de mangás, esses são os volumes de mangá que conhecemos aqui no Brasil) de uma série, são lançadas todos os anos.

A importância das antologias para os mangás é imensurável e nesse texto um pouco sobre a história e outros detalhes interessantes dessas publicações.

Do início aos anos 80


A história das revistas com foco em mangás começa em 1914 quando surge a revista Shounen Club da editora Kodansha, voltada ao público masculino infanto juvenil, e posteriormente as revistas Shoujo Club, voltada a um público feminino infanto juvenil e a Younen Club voltada a leitores mais velhos, porém estas revistas apresentavam uma série de outros materiais que eram tratados como mais relevantes que os mangás e apenas em 1947 surge a primeira revista que podemos chamar de antologia de mangás, a Manga Shounen da Kodansha com publicação mensal. Ela abriria novos caminhos para toda uma geração de famosos mangakas dentre eles o “Deus dos Mangás”, Osamu Tezuka. Nos anos 50 surgiriam novas publicações compostas totalmente de mangas.

Em 1954 surge a primeira antologia shoujo, a Nakayoshi da Kodansha e em 1955 surge a Ribon da Shueisha. Já em 1956, com o surgimento do termo Gekigá (“Imagens dramática”, termo usado para mangás mais realistas), criado por Yoshihiro Tatsumi, é apresentada a primeira revista de mangás com caráter mais maduro, voltado a adolescentes e jovens adultos, a revista mensal Manga Times da editora Houbunsha. Já no fim dos anos 50 e começo dos anos 60 surgem as primeiras antologias semanais. Em 1959 a Kodansha lança a Shounen Magazine, no mesmo ano é lançado a Shounen Sunday da Shogakukan e em 1963 surgiria a Shonen King da editora Shounen Gahousha. Ainda em 1963 surgem as primeiras publicações semanais de shoujo mangá, a Margaret da Shueisha e a Shoujo Friend da Kodansha. É importante destacar que em 1962 as revistas Shounen Club, Shoujo Club e Younen Club tiveram seu fim.

Com o começo das séries de animação televisivas houve um “boom” dos mangás e era cada vez maior a tiragem das principais antologias. Em 1964 surge a famosa revista Garo, voltada para publicações mais adultas e undergounds. Ela se tornaria o berço do seinen moderno. Já em 1967 Tezuka lança sua revista COM que visava publicar séries de autores mais novos e com as mais diversas estéticas, missão que durou até 1972 quando a publicação foi finalizada. Ainda em 1967 surgem a Manga Action da Futabasha e a Young Comic da Shueisha e em 1968 a Big Comic da Shogakukan, publicações mainstream, voltadas a públicos de diversas faixa etárias. E finalizando a década de 60, em 1968 surge a antologia que se tornaria a mais famosa de todos os tempos, a Shounen Jump da Shueisha.

Os anos 70 é marcado para os fãs de anime e mangá pela aparição do primeiro Comic Fest em 1975 e pela criação das publicações informativas para o público de fãs de anime, mangá e games, como a Animage da Tokuma Shouten. Para as antologias de mangás podemos destacar a criação da Erotopia em 1973, a primeira publicação voltada especificamente para o ero-mangá (Mangá Erótico). Em 1977 surge a CoroCoro Comic da Shogakukan, uma antologia voltada inteiramente para crianças e em 1979 surge a June da Shueisha, a primeira antologia de mangás yaoi (Mangás com temática relacionada a homossexualismo masculino, estilo que surgiu do boys love que por sua vez surgiu do shoujo, sendo assim é um estilo voltado principalmente para garotas).

No fim dos anos 70 e início dos 80 surgem as publicações para o público adulto, Youg Jump da Shueisha, Morning da Kodansha e Big Comic Spirits da Shogakukan. em 1980 também surge a primeira revista josei (estilo temático voltado para mulheres adultas), a Be in Love da Kodansha. É importante destacar também que com a publicação do livro Manga Keizai no Nyumon de Shoutaro Ishinomori surge nos anos 80 um novo estilo de mangá que frequentemente apareceria em publicações gekigá, o Johou Mangá, o mangá informativo.

 Os anos 90 e o início do século 21 no Japão.

No fim dos anos 80 e início do anos 90 os mangás ganhavam cada vez mais força fora do Japão e as primeiras antologias começavam a ser publicadas no ocidente. Em contrapartida havia um certo declínio nas publicações japonesas, por vários motivos, dentre os  quais, os movimentos anti-mangás que surgiram no fim dos anos 80 e se fortaleceram nos anos 90, a crise criativa que muitos autores enfrentavam e  a internet e os video games que acabavam ocupando um bom tempo de uma grande parte do público adolescente que lia mangás. Além disso, o mercado de novels começava a crescer e comer mais uma fatia do público das antologias de mangás, embora em menor escala. Focarei aqui a discutir um pouco sobre a crise criativa e deixarei os movimentos anti-mangás para uma outra oportunidade.

A expansão do mangá e a criação de inúmeros gêneros nos anos 70 e 80 culminaram em um grande e variado número de publicações, mas por outro lado era evidente o sucesso de certas antologias voltadas a um público específico. As antologias de mangás shounen eram e são claramente as mais famosas e com isso uma grade maioria dos novos autores e autoras tentavam publicar nestas revistas, apesar de que ainda havia uma boa demanda de autores e autoras nas revistas dos outros gêneros. No fim dos anos 80 e início dos anos 90 se via publicações dos mais diversos tipos nas grandes antologias o que culminou em uma crise criativa quando chegavam ao fim os principais títulos destas, o que se tornou evidente em meados dos anos 90 com o fim da era de ouro da Shounen Jump  que ocorreu após o término de Dragon Ball e Slam Dunk, as principais obras da revista até então.

Para se ter uma ideia, a vendagem semanal da Jump antes do fim de Dragon Ball era entre 6 a 7 milhões, pouco depois do fim de Dragon Ball ela caiu para uma média de 3 a 4 milhões, ou seja, em poucas semanas a Jump perdeu de 3 a 4 milhões de leitores. As tiragens de outras revistas, tanto shounens quanto de outros gêneros, também começaram a perder fôlego e a solução encontrada por várias outras editoras foi a criação e a proliferação do famoso sistema de questionários, que por um lado acabou acarretando em uma espécie de barreira criativa para os mangakas, pois cada vez era mais evidente o que interessava a grande massa dos leitores das antologias e com isso a necessidade de muitos mangakas terem de se adequar a estes interesses em vez de produzir obras totalmente originais.

Para o shoujo mangás e seus derivados, como jousei e bl (boys love), os anos 90 foi marcado por uma diminuição de números de autores e autoras destes gêneros, mas com o problema enfrentado pelos shounen mangá houve um pequeno crescimento do número de leitores no fim da década, principalmente com relação as publicações um pouco mais maduras, no entanto este aumento foi melhor percebido na vendagem de encadernados do que de antologias. Já o seinens, o gekigá, o ero-mangá e as obras mais undergrounds, desde o fim dos anos 80 enfrentavam uma forte alteração de estética do mercado. O ero-mangá, principalmente por causa dos movimentos anti-mangá e ao quase fim dos mangás undergrounds, foram delimitados a um público muito restrito. O mangá undergound, antes cultuado em revistas como COM e Garo, tiveram um grande declínio, e parte do seu material viraram seinen e parte foi extinto junto ao fim da Garo em 2002. O seinen ganhava força com o aumento da variedade de histórias advindas, parte dos mangás undergrounds e parte dos gekigás que quase que se limitaram a mangás sobre salary man (Trabalhadores), no entanto isto não foi refletido nas vendagens de revistas deste estilo, que não tiveram uma grande alteração.

O fim dos anos 90 e início do século 21 nos apresenta um panorama de mangás diversificado, mas muito voltado para publicidade de certos produtos, apesar de em geral haver o crescimento da valorização de estilos como jousei (principalmente devido as adaptações destes mangás em live action) e dos mangás 4-koma que começaram a ganhar força neste início de século e com a crescente ideia do dito “anime publicitário”, que muitas vezes é utilizado para elevar a vendagem do mangá, é evidente também que surgem cada vez mais mangás de histórias adaptadas de livros e jogos, além de antologias especializadas neste tipo de mídia.

Hoje o Japão ainda possui uma grande variedade de antologias de mangás dos mais diversos estilos e para os mais diversos públicos, mas para manter o mercado, houve muitos sacrifícios por parte de Editoras. O mercado se tornou cada vez mais difícil para autores com ideias inovadoras, porém quando um autor destes consegue vencer as barreiras e fazer sucesso, vemos um culto e um cuidado cada vez maior para com estas obras e a criação de um grande número de produtos referentes a elas, o que é bastante positivo para os fãs. Uma estabilidade maior vem sendo vista nas antologias e acredito eu que em geral isto é algo que vem se mostrando bom para nós leitores de mangá.

Antes de finalizar este texto, devo ressaltar que a principal fonte utilizada para escrevê-lo foi o livro “O grande livro dos Mangás” de Alfons Moliné, publicado no brasil pela editora JBC.

Obs.: O texto acima é uma compilçao de três textos que foram publicado originalmente na coluna AniManga Mania que saiu por um tempo no extinto blog Ai-suru e  no Yopinando.

Comentários em: "Antologias de manga" (2)

  1. Amigo a Shounen Sunday nunca foi da Shueisha ela e da Shogakukan…..na verdade a Shueisha era da Shogakukan ERA

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