O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Arquivo por Autor

Chihiro in Wonderland

image

Para você, amante das animações japonesas (se você não for, o quê você está fazendo aqui?), e que sonha em viver pelo menos 2 horas no universo de Chihiro, vale a pena comprar também um bilhete para o País das Maravilhas.

Chihiro (inicialmente) é uma garota mimada e medrosa, que viaja com seus pais para uma casa nova. A família acaba pegando o caminho errado e vai parar na entrada de um túnel misterioso. Eles optam por ver o que há no final da passagem e encontram… Enfim, não irei estragar as surpresas e reviravoltas (que são muitas), mas Chihiro precisa salvar seus pais e aprender a superar seus medos e limitações em uma história que pode (muito bem) ser entendida como um conto de fadas contemporâneo.
image

Alice é uma garota curiosa e cansada da monotonia de sua vida. Um dia, ao seguir o apressado Coelho Branco, entra no País das Maravilhas. Em suas aventuras nessa nova terra, Alice conhece diversos seres incríveis, como o Chapeleiro Louco, o Mestre Gato, a Largata e a Rainha de Copas.

image

Ambos os filmes são jornadas de descobrimento e crescimento que se iniciam no fim da infância e no começo da adolescência. Mas o que os diferencia da maioria dos outros filmes sobre a mesma temática é que tanto Alice, quanto Chihiro vivem aventuras peculiares e particulares, imersas na caldeira cultural tradicional de seus próprios países (Inglaterra e Japão respectivamente).

O Conto da Princesa Kaguya

image

Baseado em um conto tradicional japonês O Cortador de Bambu, o estúdio Ghibli revela mais uma obra-prima do cinema mundial. A brilhante animação foi criada através de técnicas convencionais 2D, onde tudo foi pintado e desenhado em papel, e somente finalizado e retocado em computadores.

Indicado ao Oscar 2015 de Melhor Animação, o longa dirigido por Isao Takahata narra a história de Kaguya, uma minúscula criança encontrada por um humilde cortador de bambu dentro de um fluorescente broto da planta. O cortador, na medida em que a menina cresce, vai descobrindo dentro de outros brotos grandes riquezas, que ele mesmo interpreta como um sinal dos Deuses para que a menina levasse uma vida de princesa. A garota rapidamente se transforma em uma moça de beleza celestial, e seu pai adotivo trata logo de leva-la à capital para ser cortejada e inserida na realeza, porém o coração da “princesa”, clama por outros ideais.

Brilhantemente trabalhado, o filme traz um pouco da melancolia tradicional das animações mais naturalistas japonesas. Essa característica também é percebida através da pintura aquarelada, leve e com nuances de branco. A qualidade da animação dispensa comentários, afinal estamos falando do estúdio Ghibli. A trilha sonora é precisa e muito delicada. Os personagens são profundos e a Princesa Kaguya foge completamente dos estereótipos tradicionais que carregamos. Na verdade, acredito que Kaguya é um verdadeiro afronte ao tradicionalismo, quebrando regras bobas, fugindo de casamentos arranjados e buscando a simplicidade de uma vida pacata em contraponto às mordomias da realeza. Algo muito interessante de observar é como os traços clássicos e tradicionais da animação vão de encontro à “rebeldia” e ao empoderamento feminino que a Princesa Kaguya já esboçava em sua realidade no fim da idade média.

Enfim, O Conto da Princesa Kaguya é uma animação forte e madura, que não tem medo de tratar de situações difíceis e sentimentos complexos, mas que o faz com a leveza e a delicadeza que só o estúdio Ghibli e o florescimento das sakuras (flores de cerejeiras) são capazes de representar.

Título Original: Kaguya-hime no monogatari;
Título em Português: O Conto da Princesa Kaguya;
Ano de produção: 2013;
Direção: Isao Takahata;
Duração: 137 minutos; Classificação L – Livre para todos os públicos;
Gênero: Animação;
País de Origem: Japão.