O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

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Até mais, e obrigado pelos peixes!

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Bang!

Então… meio que já tinha dado pistas nos últimos posts, mas agora estou oficializando uma decisão que já foi tomada há algum tempo. Resumindo, esse é o último post do Anime Porftolio (mas seja legal e leia o post até o fim!). 

Os motivos para parar de postar no blog são pessoais e, embora não seja nada mirabolante ou que esteja afetando minha vida pessoal grandemente, eu vou me reservar o direito de omiti-los. Em vez de explicar os motivos para o fim, prefiro explicar o que vem adiante, mas não antes de já agradecer profundamente a todos os leitores do blog nesses quase 7 anos de existência.

Muito obrigado pelo apoio de todos nesse período! Tenho certeza que nem sempre o blog agradou a todos, mas certamente vale muito a pena guardar os bons momentos, as boas informações, as boas indicações e talvez o bom conhecimento que eu e todos os autores do blog tentamos passar nesse tempo em que esta página esteve em atividade. Um agradecimento especial aos parceiros do blog que nos apoiaram nessa empreitada, e mais especialmente aos blogs Animecote e Netoin, que sempre me apoiaram e que continuam me apoiando nos projetos malucos que bolei.

E agora o que acontece?

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Esse post marca o fim das postagens no Anime Portfolio, mas o blog não chega ao fim hoje, na verdade tem tanto conteúdo que a nós (a equipe) orgulha, que não poderíamos simplesmente deixar tudo para lá. Além disso, o fim das postagens no Anime Portfolio não marca o fim das atividades de todos os autores do blog. Eu, o velho e maluco administrador desse blog ainda continuarei a blogar, mas em outros locais. Então isso é o que posso falar sobre o futuro do conteúdo do blog e sobre alguns autores:

  • O Kyon continuará sofrendo com o tratamento da Haruhi, mas nada sabemos se ele voltará um dia a escrever seus sarcásticos comentários sobre anime.
  • O Aiscrim (André) irá continuar escrevendo sobre videogame no Intersect News, continuará seus contos no Aisvêrse e continuará participando, sempre que possível, do Kyoudai Podcast.
  • Eu (o Administrador do blog) me manterei postando podcasts e contos no Yopinando, e além de participar dos podcasts, eu me tornei redator do Animecote.
  • Ainda sobre minha participação no Animecote, parte dos textos que publicarei lá de agora em diante serão continuações de certas colunas que postava aqui, dentre as quais o Pensador Otaku e A resposta é 42 são duas que manterei. Ainda não sei ao certo se manterei alguma outra. Além disso, certas matérias especiais e textos egressos dessas colunas que fazem parte do Anime Portfolio serão revisados, atualizados e repostados no Animecote. Ainda não está definido que textos serão relançados, mas a frequência de relançamentos não deve ser maior que 2 textos por mês.
  • As resenhas, e outros textos opinativos e expositivos, que consideramos atemporais e que não gostaríamos que fossem completamente esquecidos no limbo do passado da internet, serão revisados e atualizados por mim e pelo Aiscrim (por enquanto apenas por nós dois), para futuramente (provavelmente no primeiro semestre de 2016) serem compilados e relançados como uma publicação digital similar a uma revista.
  • Apenas após o lançamento da compilação citada acima,  o blog será fechado, até lá será possível acessá-lo e ver todo o conteúdo publicado no blog, inclusive os extremamente datados.
  • Nada posso dizer sobre os demais autores do blog, apenas posso afirmar que sempre contarão com meu apoio em qualquer projeto que venham a me apresentar.
  • O Projeto Conhecendo o Mercado Naccional de Mangás continuará sendo publicado nos blogs participantes do mesmo, com exceção do Anime Portfolio. E aquele imenso texto que preparo todo mês sobre o formulário mensal do projeto passará a ser publicado no Animecote.
  • Como já mencionado anteriormente, o Kyoudai Podcast continuará sendo gravado ao vivo e publicado no youtube, no Animecote e no Netoina cada duas semanas.
  • O podcast Sobre Músicas e Animes continuará sendo publicado no Yopinando, mas também será publicado no Animecote.
  • Os demais podcasts (Yopinando Shinbun, Yohohoho, SensouCast e Animecotecast) que eram publicados (também) aqui continuarão sendo publicados nos seus blogs de origem, o Yopinando e o Animecote.
  • Por último, a página do facebook e os twitters do blog serão desativados dia 25/09/2015.

o último Adeus Até mais

Dito isso (ou escrito isso), gostaria de agradecer pela última vez a todos os leitores, autores, comentaristas e parceiros do Anime Portfolio. Foram quase 7 anos de uma história memorável, que espero que tenha influenciado positivamente a cada um de vocês, ao menos a minha vida foi muito positivamente influenciada. Espero revê-los no Yopinando, no Animecote e em qualquer outro local da internet pelo qual passar (ou ao vivo quem sabe?). Como nunca se sabe o que acontecerá no futuro, em vez de um adeus, prefiro terminar esse texto como um bom golfinho faria (mesmo eu não sendo um golfinho, ou será que sou…), dizendo Até mais!  

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A reposta é 42: Porque sentimos nostalgia?

Olá! Vocês estavam com saudades dessa coluna? Hoje vou devagar sobre algumas das perguntas mais intrigantes do universo, mas que ainda não são a pergunta correta. O que é nostalgia? E porque sentimos nostalgia? Afinal, nostalgia é bom ou não? Vamos então em busca de possíveis repostas para essas perguntas, enquanto tentamos chegar mais próximos de descobrir a pergunta correta para a resposta fundamental.

Antes de mais nada, o post de hoje vai se basear no texto “Algumas teorias de porque sentimos nostalgia”  do site Negócio Digital e no vídeo “Why Do We Feel Nostalgia?” do canal VSauce. O texto simplifica o vídeo para língua portuguesa inserindo algumas informações. Vale a pena visitar também o site e o canal do youtube supracitados, pois ambos possuem outros conteúdos excelentes. Fica nosso agradecimento especial para o Michael Stevens, criador e apresentador do VSauce.

Nostalgia, nostalgia, porque nos persegue?

Nostalgia, nostalgia, porque nos persegue?

Antes de começar a falar das possíveis explicações sobre “nostalgia” e associar animes a mesma, vale convidar cada um dos leitores a tentar formular uma resposta para a questão: O que você pensa quando escuta ou ler o termo “nostalgia”? No meu caso, devido a boa parte dos acontecimentos mais importantes da minha vida estarem associados a mídias áudio-visuais (algumas vezes de maneiras indescritíveis) eu geralmente lembro de algum filme, música, jogo, livro, desenho animado e etc. Vale ressaltar que geralmente a nostalgia é um sentimento confuso e como explicarei mais a frente isso faz todo sentido, afinal ela é um misto de alegria e tristeza. Trazendo essa questão mais para o mundo dos animes, é fácil eu lembrar de animes como Dragon Ball e Pokémon, enquanto que eu preciso me esforçar muito mais para lembrar de obras como Doraemon e Samurai Warriors que são inclusive animes que vi antes. Isso não ocorre porque eu simplesmente não gosto dessas obras (Doraemon é bacana), ou porque eu era muito novo quando as vi,  mas porque logo que penso em Dragon Ball e Pokémon é comum eu sentir nostalgia. Mas afinal o que é nostalgia?

Às vezes eu quase quero um remake

Às vezes eu quase quero um remake

A nostalgia é um fenômeno difícil de explicar, mas que todos sentimos ao longo de nossas vidas. Poderia ser definida como uma maneira de recordar o passado afetivamente, com um pouco de dor. Aliás o termo “nostalgia” foi acunhado por Johannes Hofer em 1688 que uniu duas palavras gregas: “regresso a casa” (nóstos) e “dor” (álgos). Naquela época a nostalgia era considerada como um sintoma grave.

Retirado do texto Algumas teorias de porque sentimos nostalgia do site Negócio Digital

Ver a nostalgia como algo negativo, de certo modo, é até bem normal com relação à mídias áudio-visuais, pois quase sempre que falamos que sentimos nostalgia de algo, vem junto algo como “que pena que hoje em dia não há mais isso” ou “como era bom aquela época” ou ainda “gostaria que certa coisa (produto de mídia visual) voltasse a passar (ser divulgado, re-exibido)”.

Boas lembranças...

Boas lembranças…

Como a nostalgia e o sentimento de saudade são muito próximos, não é surpresa que haja tantos investimentos de indústrias de mídia visual tais como a de cinema e a de anime em apresentar remakes, reboots, ou continuações, quando não simplesmente reexibir o produto num formato mais atualizado (por exemplo Dragon Ball Kai, Jurassic Park 3D). Afinal é um retorno quase certo.

Particularmente é um pouco confuso relembrar de animes como Yu Yu Hakusho, Dragon Ball e até Full Metal Alchemist, pois são animes que eu adorei e que ainda adoro e por isso mesmo é um tanto doloroso pensar que nunca mais terei algo de novo relacionado diretamente a essas obras, principalmente com relação a Yu Yu Hakusho e Full Metal por serem histórias que poderiam facilmente ser continuadas (mesmo eu acreditando que ambas terminaram na hora certa). O caso de Dragon ball é um pouco diferente, porque houve a continuação com Dragon Ball Z e agora todo esse mundo fantástico está de volta com o Dragon Ball Super (e não me importo de ser um verme, pois eu realmente me sinto bem ao ver esse anime).

Minha vida não seria mesma sem esse anime

Minha vida não seria mesma sem Evangelion

Psicologicamente acredita-se que recordar tem muitas vantagens. Permite conectar todos os eventos (o que fazia, o que era, seus amigos, seu trabalho, sua música…) e tornar as transições de sua vida menos dolorosas.

Retirado do texto Algumas teorias de porque sentimos nostalgia do site Negócio Digital

Nesse ponto, basicamente a nostalgia é importante para formar seu caráter e seu senso crítico, além de facilitar a compreensão de que certas experiências passadas podem ser revividas e com isso é possível aceitar melhor novas experiências.

Certamente eu não seria o fã de anime que sou hoje se não fosse DNA² também.

Certamente eu não seria o fã de anime que sou hoje se não fosse DNA² também.

Partindo dessa ideia e trazendo novamente para o lado do fã de anime, é claro que certas obras são nostálgicas por terem proporcionado experiências únicas que abriram nossos olhos para compreender melhor o universo da animação japonesa e também foram marcantes para determinar se gostamos ou não disso. Por isso mesmo pessoas que não tem nostalgia relacionadas a animes que viram após à infância e possivelmente fora da tv, seja por vhs, dvd, internet e etc, não se tornaram e provavelmente terão dificuldade de se tornar fãs de anime com o passar dos anos.

Também vale destacar que a nostalgia nem sempre é ligada a uma obra em si, mas ao momento, por exemplo, todos que conhecem meu lado otaku ao menos um pouco sabem que eu não gosto do anime Avenger, mas por eu tê-lo visto em uma época em que eu estava realmente devorando todo tipo de anime e por ele ter sido um dos primeiros, senão o primeiro, que nem com o maior senso de descrença possível eu consegui gostar, certamente eu sinto nostalgia ao lembrar dele, afinal o momento fã de animes é uma lembrança boa, mesmo que o anime em si não fosse. Outros animes importantes que me  provocam muita notalgia ao recordar e que me ajudaram a formar meu caráter como fã de anime, e até como pessoa em alguns casos, foram Buck, Dna², Samurai X, Evangelion, Green Green, Azumanga Daioh, Chobits, GTO e Hotaru no Haka.

Esse anime tem um dos heróis que mais gosto.

Esse anime tem um dos heróis que mais gosto.

Mas, por que não sentimos nostalgia por todo nosso passado? Por que escolhemos alguns momentos e não outros?

Uma maneira de explicar é mediante a curva de recuperação de memória. Segundo estes estudos, o período em que mais codificamos memórias se situa entre os 15 e 30 anos. Podemos notar, que estas são as épocas que, normalmente, geram mais nostalgia: além de que na juventude nosso corpo e mente estão mais frescos, é o momento em que vamos formando nossa identidade como pessoas autônomas e quando acontecem toda sorte de acontecimentos. Ainda cabe mencionar que a nostalgia pode também ser uma forma de idealizar o passado. Às vezes acontece de desfrutarmos mais de uma lembrança, do que da própria vivência.

Retirado do texto Algumas teorias de porque sentimos nostalgia do site Negócio Digital (Vale a pena ver com  atenção essa parte do vídeo Why Do We Feel Nostalgia?)

Por isso é muito comum que fãs de filmes, anime, comics, mangás, livros, bandas de música, sintam muito mais nostalgia e vivenciem mais situações “nostálgicas” nesse período. Por ser uma época de muito aprendizado também é comum idealizarmos muito mais certas obras a primeira vez que a vemos. Apesar de não sentir nostalgia, ou não mais sentir, recentemente ao rever o filme de animação Bungaku Shoujo percebi que idealizei o mesmo como algo muito mais interessantes e até mesmo divertido do que realmente é, pelo menos em minha opinião.

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Tínhamos mesmo que pegar?

Talvez por esse motivo muitas vezes sentimos certa apreensão em rever algo, ainda mais quando outras pessoas próximas não gostaram tanto daquela obra como você e apresentam bons argumentos para isso. Eu tenho uma grande nostalgia ao relembrar do anime Romeo x Juliet por diversos motivos e realmente gostei do mesmo quando o vi, mas não tenho certeza se gostaria tanto assim caso o revisse. Pokémon é outro anime do qual gostava muito e que me causa até hoje muita nostalgia. Ainda gosto de Pokémon, mas certamente tenho muito mais maturidade para compreender a falta de profundidade e a simplicidade exacerbada dos roteiros que já não me agradam tanto. Certamente minhas lembranças são muito mais interessantes com relação a Romeo x Juliet e Pokémon do que realmente eles o são.

No céu uma constelação...

No céu uma constelação…

Outra maneira de explicar nossa seleção de lembranças é que elas estão completamente influenciadas por nossas emoções e desejos. Somos essencialmente narradores de uma história que contamos para nós mesmos todos os dias… e assim vamos tecendo nossa identidade. Algo como: conte-me suas lembranças nostálgicas e te direi, não quem és, mas talvez quem desejas ser.

Retirado do texto Algumas teorias de porque sentimos nostalgia do site Negócio Digital

Nesse ponto, o vídeo Why Do We Feel Nostalgia? é um pouco mais explicativo ao citar também as falsas memórias, que simplificadamente  são memórias de momentos que nunca vivemos que são construídas pelo cérebro para justificar ou tornar mais compreensível a nós mesmos certas recordações falsas que aceitamos como verdadeiras. Um experimento muito utilizado para auxiliar na comprovação da existência dessas memórias consiste em mostrar várias fotos da infância de uma pessoa para essa e perguntar o que ela estava fazendo quando tirou aquelas foto. Porém uma das fotos é uma montagem. Em praticamente 100% dos casos a pessoa conta suas lembranças sobre essa foto. isso não significa que a pessoa está mentindo, mas que o cérebro dela construiu uma memória de um momento que ela nunca viveu com base em informações que ele possui sobre como a pessoa é e como era no suposto momento em que o acontecimento falso deveria ter ocorrido.

Tudo isso foi importante ser dito para podermos citar que muitas vezes nós não apenas temos lembranças melhores que a experiência vivenciada, mas muitas vezes nós construímos certas memórias de momentos que não ocorreram para engrandecer a lembrança de certa obra nostálgica. Já vivenciei situações dessas com obras como Cavaleiros do Zodíaco e Beck por exemplo. Com Cavaleiros do Zodíaco isso ocorreu como uma forma inconsciente de explicar o porque eu gostava tanto desse anime e não gosto mais. Hoje em dia apenas sinto nostalgia ao lembrar de Cavaleiros do Zodíaco, afinal vi essa série no momento de descoberta das animações japonesas (ainda que meu primeiro anime seja Doraemon). Fora que realmente há momentos icônicos nesse anime. Já quanto a Beck, não fosse eu tê-lo re-assistido tantas vezes eu quase não notaria a simplicidade de boa parte da animação. Nas primeiras vezes que vi o anime eu realmente construi memórias de que o anime era tão bom que era muito bem animado e quem viu o anime sabe que não é bem verdade. Eu ainda adoro Beck, apenas não confundo mais tanto a alta qualidade do roteiro, da parte sonora e dos diálogos com a qualidade de animação.

Eu me emociono toda vez que relembro dessa cena.

Eu me emociono toda vez que relembro dessa cena.

Bom, a nostalgia e as emoções que ela provoca e a música e a dança e ter canções gravadas na cabeça, tudo gira ao redor de um tema em comum: Sua identidade. Porque em termos físicos, quem é você? Todo dia você perde átomos e adquiri outros novos… Demora por volta de cinco anos para substituir todos os átomos do seu corpo, o que significa que a matéria que chamamos “Você” hoje não era parte de você a cinco anos… Você e, na verdade todas as pessoas, são apenas um grupo temporário de átomos e moléculas que conservam o mesmo nome o tempo todo… Então, o que é constante? O que é você?

A nostalgia, recordar o passado com carinho, responde essas perguntas, ou ao menos, aplaca a ansiedade que elas provocam. Em uma escala macroscópica você está sempre mudando. Tem amigos diferentes, comportamentos diferentes, estados de humor diferentes, diferentes gostos o tempo todo… a nostalgia lhe permite ligar esses eventos…

Retirado do vídeo  Why Do We Feel Nostalgia? do canal do youtube VSauce.

Sentir nostalgia é mais importante do que se imagina e isso me faz pensar que não é tão ruim assim senti-la e às vezes vale a pena um relançamento de um bom anime. Como de praxe, termino o texto com alguns questionamentos (nenhum deles é a pergunta fundamental, infelizmente). Quais animes te provocam nostalgia? Enfim, você acredita que sentir notalgia é algo bom ou ruim? E você também ficou com vontade rever alguns animes que gosta muito após ler esse texto?

Enfim, está na hora de me despedir. Continuarei em busca da pergunta fundamental, afinal a resposta todos nós já sabemos.  Até mais!

A resposta é 42: O anime envelheceu mal ou fui eu?

Olá caros leitores! Faz bastante tempo que não relato como anda a busca pela pergunta fundamental. Devo dizer que ler o livro Eu, Robô de Isaac Asimov (O escritor com as costeletas mais legais do século 20) me ajudou um pouco, ou assim penso. De qualquer jeito mais uma pergunta foi descartada da lista e é mais uma que tem relação com anime e mangá, então é hora de explanar para vocês parte do que ela me fez pensar e esperar o que ela faz vocês pensarem, além de apresentar algumas das outras perguntas que gerei a partir do tema tratado por esta pergunta. Dessa vez essa coluna vai comentar um tema no mínimo incômodo para muita gente e por isso depois de leem esse texto, caso se irritem com o mesmo, recomendo que leiam também o meu texto A resposta é 42: Respeitar não dói. Hoje falarei sobre obras de anime que envelheceram e que envelhecem mal, ou será que o problema é do espectador?

Shiryuuuuuu....

Shiryuuuuuu….

Primeiramente é importante deixar claro que, ao menos do meu ponto de vista, uma narrativa não envelhece, o que muda é o gosto das pessoas ao longo do tempo. É claro que as narrativas mudam de acordo com os interesses mais atuais dos nichos as quais elas são destinadas, mas isso não significa que obras antigas não interessem pessoas novas, apenas estilos narrativos antigos às vezes dão lugar a novos estilos que estão fazendo mais sucesso. Um caso simples de se citar sãos os livros de vampiro A Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, lançado em 1976, e Crepúsculo,de Stephenie Meyer, lançado em 2005, ambos sobre um temática similar, ambos destinados a públicos relativamente similares e os dois tando estilos de narrativa completamente diferentes. Ao mesmo tempo que muita gente adora a história de Crepúsculo, há pessoas que preferem A Entrevista com o Vampiro ainda hoje e o fato de ele ter sido escrito em 1976 não muda nada e nem o faz inferior as obras mais novas.

Uma fantástica obra lançada em 1950 e quase toda escrita dois anos antes.

Uma fantástica obra lançada em 1950 e quase toda escrita dois anos antes.

Eu, por exemplo, adorei o supracitado livro Eu, Robô, de Isaac Asimov, e adoro a trilogia de livros O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, ambos lançados nos anos 50 e também gosto dos livros da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, que começaram a ser lançados nos anos 90 e que ainda o são. Essas obras tem narrativas muito diferentes, cada qual com suas peculiaridades relacionadas as épocas em que foram lançadas, mas nem por isso uma é melhor que a outra.

Outra coisa que se modifica, mas não envelhece, de maneira similar a narrativa, é o desenho, porém todo tipo de arte que tem algum tipo de dependência da tecnologia com que foi criada, sofre do problema de envelhecimento.  Estou esclarecendo, que ao menos dos meu ponto de vista, as histórias e o desenho não envelhece nem amadurece e nem sofre qualquer tipo de influência do tempo, na verdade apenas novos estilos e formas de se narrar uma obra ou de se desenvolver um desenho surgem e claro que com isso há uma preferência por um estilo mais moderno em detrimento aos mais antigos, pois a novidade sempre é mais atrativa, o que não desmerece tudo que já foi feito.

Viva os 75 anos de "I'm Batman!"

Viva os 75 anos de “I’m Batman!”

Todo esse prólogo foi desenvolvido para esclarecer o que acredito ser importante focar ao tratarmos do envelhecimento de obras relacionadas a cultura visual, que são os aspectos mais técnicos e como eles podem tornar a experiência de ver algo mais antigo ruim ou, pelo menos, não tão agradável. Também esse prólogo foi importante para esclarecer que esse aspecto afeta muito mais, ou apenas, filmes, seriados e animações e não livros e quadrinhos. Um analogia interessante que posso fazer para exemplificar isto é a série de livros de John Carter de Marte e sua adaptação cinematográfica, o primeiro é uma das obras mais famosas, conhecidas e importantes dentre as histórias de fantasia espacial, já o segundo, mesmo com todo esse fandom que a obra original possui e com todo o potencial que ela tinha sim para ser retratada cinematograficamente, foi um tremendo fracasso e foi bastante criticada por fãs e não fãs da série clássica (e olha que eu nem achei o filme tão ruim assim). Outros exemplos interessantes são os quadrinhos de super-heróis americanos, que mesmo com todas as alterações que sofreram ao longo dos anos, muitas obras tem ao menos a mesma essência que tinham nos anos 40 e muitas das história mais antigas atraem até mais que as novas, independente de todas as mudanças artísticas pelas quais essas obras passaram.

Enfim, é hora de falarmos sobre o que o texto realmente pretende abordar e para tal foquemos principalmente nas séries de animação. Eu acredito que por ter nascido no fim dos anos 80 e por ter passado praticamente toda minha infância nos anos 90 e pelo fato de os anos 90 ainda terem sido uma época em que o material que vinha do exterior para o Brasil, era geralmente de décadas anteriores e por isso eu meio que já fui criado com a predisposição para gostar de obras mais antigas, até porque muitas das séries de animação que passavam e que ainda passam hoje na nossa tv são dos anos 50 a 80 como é o caso dos clássicos da Hanna-Barbera e da Warner Bros. Falando de animação japonesa propriamente, eu vi muita coisa do final dos anos 80 e do começo dos anos 90, obras que até hoje são lembradas, como Dragon Ball e Cavaleiros dos Zodíaco.

O novo que já nasceu velho.

Sidonia no Kishi, um novo anime que já nasceu velho.

Por esse motivo eu tenho uma predisposição maior para tolerar problemas muitos vezes claramente tecnológicos de séries antigas. Uma analogia recente para as gerações atuais são as séries de anime quase toda feitas utilizando CGI, pois ainda hoje muitas dessas séries lembram o CGI dos anos 90 e comecinho dos anos 2000, de modo que é necessário tolerar algo que claramente não é bem feito. Obviamente existem muitas questões orçamentários por trás do uso de tecnologias mais antigas que na verdade geralmente não são tão antigas apenas simplificadas para diminuição de custo. Nem sempre é uma questão de fazer de qualquer jeito, mas simplesmente uma questão de que fazer muito bem feito custa bem mais. Estranhamente em se tratando de CGI o público Japonês tem uma tendência a tolerar facilmente efeitos ruins ou não tão bons, muitos filmes atuais podem servir para exemplificar isto e não pensem que os japoneses não sabem fazer uma boa CGI, os jogos de video-game e muitos trabalhos publicitários provam que eles sabem muito bem usar a CGI.

Já que é possível tolerar e se existem obras com tecnologia antiga que ainda gostamos muito, porque então tratar dessa questão sobre obras envelhecerem mal? Afinal, não é só uma birra de alguém que não gostou da obra e por isso diz que a culpa é de ela ter “envelhecido mal”? Creio eu que não é bem por aí. A tolerância não é exatamente algo que seja ilimitado e que podemos exercitar sempre e o tempo todo, até porque muitas vezes não há uma boa desculpa que lhe faça tolerar o envelhecimento de uma obra sem se irritar. Não é uma questão de tolerar que nos anos 80 se achava que nos anos 2000 teríamos carros voadores, muitas vezes é uma questão de ser mal feito mesmo e sem um bom motivo. Para tentar provar meu ponto de vista vou usar duas questões mostrando obras que acredito que envelheceram mal e obras que praticamente o tempo entre a época que foram criadas e hoje não é um problema para a apreciação delas.

Final Fantasy: Unlimited

Final Fantasy: Unlimited

Falando sobre obras que praticamente já nasceram velhas e isso as prejudicou (a meu ver), cito duas pérolas pouco conhecidas do público ocidental, Final Fantasy: Unlimited, de 2001, e Gokusen, de 2004.

A primeira vem de uma série de jogos de fantasia extremamente famosa que provavelmente vocês já ouviram falar, uma tal de Final Fantsy. Esse anime é claramente uma obra dos anos 80 ou começo dos 90 no século 21, não exatamente pela narrativa (apenas), mas por tudo que a cerca. Por sinal não se engane com a imagem acima, pois o character desisgn da obra não é bem esse aí. E nem dar pra dizer que desrespeitaram a franquia de jogos e fizeram algo plenamente diferente, porque na verdade entupiram o anime até demais com referências aos jogos, mesmo assim não dar para esconder que o trabalho foi muito mal feito, numa época em que muitas obras de fantasia similares saíram, ou pior, não dar para esconder que muita coisa feita nos anos 80 e 90 foram muito mais bem feitas com um restrição orçamentária e tecnológica muito maior do que o que essa série tinha.

Gokusen

Gokusen

Falando de Gokusen, essa é uma obra que veio de um mangá bem interessante sobre uma professora que é neta de um chefão da Yakuza e que tem de esconder isso de todos, enquanto tenta disciplinar uma turma desajustada de estudantes. O mangá é bem interessante, as séries de dorama que a obra inspirou fizeram bastante sucesso (eu também gosto bastante dos dois primeiros doramas), mas o anime… Séries como Gokusen não eram novidades na época, nem por isso elas eram taxadas como antigas, veja o exemplo de GTO de 1999, que ainda com suas limitações é extremamente superior em qualidade de arte e animação a Gokusen. Gokusen é um triste caso de série feita com uma estética já meio velha para época, parece uma série do começo dos anos 90 e com uma animação de alguns anos antes, o que não ajudou em nada o anime tanto que o mesmo concluiu com 13 episódios e com muitos menos conteúdo que o mangá.

Em contraponto as séries que já nasceram velhas citarei séries novas baseadas em obras antigas e que fizeram sucesso com o público atual, sem fugir muito da estética antiga da obra original e as série que decide citar nesse caso são Hunter x Hunter, de 2011, e Jojo’s Bizarre Adventure, de 2012.

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Hunter x Hunter, uma nova roupagem para uma obra o mesmo tempo antiga e atual.

Quero começar explicitando que Hunter x Hunter já havia sido adaptado para série de animação em 1999, sendo que o mangá em cujo ambas séries, a de 1999 e a de 2011, foram baseadas começou a ser publicado em 1998. Além disso, eu gosto bastante da série de 1999, até prefiro ela em comparação a de 2011, mesmo assim é inegável o como a nova série foi bem em trazer a estética antiga da obra original, melhorando muito a animação em relação a série de anime anterior, por isso agradou muito o público novo e os já fãs dessa franquia, tanto que a série foi  muito mais longe do que muita gente esperava, cobrindo praticamente tudo já apresentado no mangá.

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Jojo’s Bizarre Adventure, um clássico de duas décadas que ainda diverte bastante.

O caso de Jojo’s Bizarre Adventure é ainda mais interessante, pois os mangás em que essa série de anime é baseada foram lançado em 1987 e em 1988, tendo esse segundo terminada em em 1989, ou seja, são 23 anos de diferença entre o fim do mangá e o inicio do anime, além disso, o estúdio responsável pela obra havia produzido poucos trabalhos até então e contou com sérias restrições orçamentárias, mesmo assim o resultado final foi surpreendente, não pela qualidade visual do estúdio, pois é bem perceptível todas as limitações que obra possui, mas pelo fato de o estúdio conseguir traspor essas limitações, criar uma estética que lembra os anos 80, mas que ainda assim é atual, e usar de forma muito inteligente as suas limitações como forma de aprimorar, ou ao menos expor mais claramente, o teor cômico de certas partes da obra. E o resultado foi tão positivo que o mesmo estúdio já criou e já foi exibido a primeira parte da continuação que adapta o mangá seguinte, que é o mais famoso da franquia e que já havia sido adaptado para anime de forma não muito satisfatória em duas séries de OVA’s.

Os casos de Hunter x Hunter (2011) e Jojo’s Bizarre Adventure (2012) provam que ter uma estética antiga, ou se basear em obras antigas não é um problema, mas implementar uma obra mal como nos casos de Gokusen e Final Fantasy: Unlimited, fazendo ela involuntariamente parecer mais antiga do que é estética e tecnicamente é que geralmente cria um problema.

Nascer antigo não é exatamente a questão mais problemática com relação ao “mal envelhecimento”,  na verdade acredito que a segunda questão que vou levantar, que de certa forma engloba a primeira, é a grande culpada não apenas em relação a animação, mas também em relação a cinema e seriados live action, de nos apresentar esse conceito de “mal envelhecimento” que é tão questionável. E é agora que muita gente deve se irritar comigo.

A segunda questão é o trabalho mal feito dos estúdios e da staff do anime. É difícil criar uma obra atemporal, ou seja, que mesmo com o passar do tempo ela continue surpreendentemente interessante de forma estética e técnica, independente de apresentar uma história agradável ou não a quem a acompanha.  No cinema, como citarei mais a frente, existem acasos notáveis disso, ou ao menos mais perceptíveis, já com relação a obras feitas para tv ou home vídeo, realmente por questões orçamentárias e de prazo, é muito mais complicado se preocupar com os detalhes que tornam a tal obra atemporal. Mesmo assim, obras que são claramente bem antigas ainda podem ser boas, se elas apresentarem abordagens interessantes o bastante para agradar diversas gerações, mesmo que seja necessário tolerar um pouco problemas relacionados ao envelhecimento da tecnologia com que foi produzida a obra.

Os casos de Jojo e Hunter x Hunter, que já nasceram obras relativamente velhas são exemplos disso, alguns exemplos antigos muito bons são Saint Seiya: Meiou Hades Juuni Kyuu Hen (Cavaleiros do Zodíaco: Hades – A saga do Santuário), Dragon BallYu Yu HakushoJibaku-kunRayearth e Initial D First Stage, todos obras que tive o prazer de rever recentemente e que além de terem uma história que gosto, o fator tempo é muito facilmente tolerável porque foram criadas de uma maneira que ainda é possível se encantar com praticamente todos os detalhes, mesmo sabendo que hoje em dia, muitas das cenas poderiam ser modificadas para melhorar a animação, ou o character design, ou até os efeitos sonoros e visuais, sem um custo muito maior devido a evolução tecnológica.

Três exemplos de obras que envelheceram mal em minha opinião, e sim eu também revi elas recentemente, por isso creio que não é apenas birra, foram Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco), Flame of ReccaTenkuu Senki Shurato. Essas três séries são icônicas e tem muitos fãs até hoje, eu ainda gosto de Flame of Recca e tenho uma certa nostalgia em relação a Saint Seiya, mas é inegável que todas essas três obras não foram pensadas para durar muitas eras, ou é isso que parece. Os efeitos visuais, a animação e alguns efeitos sonoros dessas obras são muito fracos até em comparação a obras mais antigas. Não sei se os estúdios não quiserem investir muito por ter medo do retorno, ou sei lá qual foi o motivo, mas venhamos e convenhamos, dizer que essas obras continuam incríveis é tapar o sol com a peneira. Gostar do trabalho feito nelas é algo puramente nostálgico ainda que a história e a trilha sonora sejam boas até hoje e ainda que esteticamente essas obras permaneçam interessantes, eu gosto bastante da estética de Cavaleiros dos Zodíaco e mesmo com as armaduras bem simplificadas, a estética do anime me agrada muito mais do que a estética do mangá.

Como citei no começo do parágrafo anterior, tive o desprazer de rever Shurato recentemente e como é medonho o trabalho da Tatsunoko Studios nesse anime, já Saint Seiya só é mais um dos exemplos de animes que Toei Animation não quis gastar muito (ela faz isso até hoje, vejam o caso de World Trigger), os próprios Dragon BallSaint Seiya: Meiou Hades Juuni Kyuu Hen também são da Toei Animation, ambos tiveram orçamentos melhor aproveitados que Saint Seiya e continuam sendo animes bons que envelheceram, mas que não irritam os nossos olhos (tá a dublagem japonesa do Goku irrita algumas pessoas, mas…).  Flame of Recca é do estúdio Pierrot e Yu Yu Hakusho também, o primeiro é um trabalho bem fraco do estúdio, já o segundo é provavelmente um dos melhores trabalhos da Pierrot até hoje (e a dublagem japonesa, embora inferior a brasileira, também é legal).

A grande questão é que envelhecer ou não envelhecer mal  é algo muito ligada a dedicação e forma como certas obras de cultura visual foram feitas, eu ainda adoro Blade Runner, mesmo com seu futuro dos anos 80 que nada tem haver com a realidade, enquanto que eu não consigo suportar o clássico Metropolis que é importantíssimo para ficção científica, mas que em suas duas horas de duração não tem mais do que 20 minutos de história.

Antes de terminar esse texto, preciso falar de obras atemporais, que são difíceis de serem criadas, mas elas existem sim, essas obras não deixam de ser filhas de suas épocas, mas com o passar do tempo elas continuam técnica e esteticamente impecáveis e provavelmente modificar qualquer coisa nelas seria mais prejudicial do que benéfico. O exemplo claro disso são alguns dos filmes dos Studio Ghibli, obras como Kaze no Tani no Nausicaä (Nausicaä  do vale dos ventos), Tonari no Totoro (Meu amigo Totoro), Hotaru no Haka (O túmulo dos vagalumes) e Mononoke Hime (A princesa Mononoke) permanecem incríveis e mesmo que por algum motivo você não goste da história contada por alguns ou todos esses filmes, eu lhes desafio a falar algo realmente mal feito nessas obras.

Enfim, o bom ou mal envelhecimento de uma obra artística, qualquer que seja, é difícil de se avaliar e muitas vezes está ligada muito mais a uma questão de gosto pessoal, mesmo assim acredito que haja obras que envelhecem mal, pelo menos aquelas que estão a mercê da tecnologia que é empregada para criá-las, como o gesso de uma estátua que pode se desfazer com o tempo, um CGI que se torna obsoleto a medida que os anos vão passando, ou uma estalar de dois metais quaisquer que um dia foi tratado como o choque de duas espadas e que hoje não parece mais do que o choque de duas colheres. Os exemplos de animes que citei podem não ser exemplos válidos ou adequados para você caro leitor, mas pense um pouco e você vai conseguir encontrar seus próprios exemplos que poderiam ser associados as questões que citei. Para terminar, ficam algumas perguntas para vocês: Que obras de animação japonesa vocês acham que envelheceram mal? E Por quê? Qual obra você acha que envelheceu mal, mas você ainda gosta? Porque o Seiya arrancou a orelha do Cassios? Ele já não era feio o bastante?

Finalmente está de volta a coluna mais questionadora da internet, espero que tenham gostado desse texto e semana que vem o Pensador Otaku virá apresentar suas indagações sobre um tema que arranhamos no começo desta postagem. Agora vou continuar a busca pela pergunta fundamental, então, até outra hora!

A resposta é 42: Por que pensões são tão legais?

Yo! Pensaram que ia demorar pra sair outro texto da coluna? Hoje é dia de falar de um tipo de cenário frequentemente utilizado por autores de mangás e roteiristas de animações japonesas, um local para descansar, ou festejar, ou estudar, ou para lutar, ou simplesmente para viver uma aventura divertida. Hoje é dia de questionar o porquê de certas  pensões serem tão legais?

Dormir no apartamento do vizinho depois de uma farra é sempre mais legal.

Em Yurumates 3D, dormir no apartamento do vizinho depois de uma farra é sempre mais legal.

Qual a importância dos cenários em uma história? É difícil definir a importância de tal elemento sem levar em consideração de que tipo de história se trata, mas um bom autor sempre usa o cenário a seu favor, até porque uma série de mudanças devem ser feitas dependendo da diferença de cenário, como por exemplo, uma história urbana passada em Tokyo é completamente diferente de uma história urbana passada em São Paulo, porque tanto as cidades são diferentes, como o modo de agir das pessoas que ali vivem são diferentes, principalmente se a história falar sobre tribos urbanas… Em anime há uma série de cenários comuns que são bastante utilizados e mesmo se tratando de cenários similares é normal que as histórias sejam completamente diferentes, mas também é normal que esses cenários identifiquem certos tipos de obra. Alguns desses cenários ainda se tornam tão icônicos para tais obras que funcionam praticamente como um personagem. Hoje vamos nos aprofundar em um desses tipos de cenários bastante explorados que viram quase um personagem a mais. O que vocês pensam quando sabem que um anime vai ser passado em uma pensão?

Festejar ou estudar?

Festejar ou estudar?

Antes de falar sobre as pensões de alguns animes, talvez seja interessante deixar claro que é comum no Japão jovens morarem sozinhos quando adolescentes, até mesmo para que essas pessoas possam aprender a ter independência. Em muitos desses casos essas pessoas se mudam para pensões ou condomínios com vários apartamentos, por serem baratos, de modo que o aluguel pode ser pago por seus pais, ou parentes, ou por eles mesmos ao pegarem empregos de meio período.

Também é comum pessoas no início da carreira profissional morar em pensões pela mesma questão do custo benefício. Por esses motivos é comum que mangakás em início de carreira também morem em pensões ou em condomínios com vários apartamentos, principalmente mangakás que tem de sair de sua cidade natal para trabalhar para grandes editoras localizadas em cidades mais populosas. A famosa pensão Tokiwa-so é um exemplo de local cujos seus moradores mais ilustres foram grandes mangakás, dentre eles Osamu Tezuka, Shoutaro Ishinomori e a dupla Fujio Fujiko (devia ser um local muito louco não acham?).

Com relação aos animes e mangás, as pensões começaram a ficar famosas mesmo com obras de comédia e romance reunindo persnoagens completamente diferentes que preferem uma festa em vez de trabalhar duro. Uma das primeiras obras a tratar desse tema foi o mangá Maison Ikkoku,  lançado em 1980, que tem como autora a mangaká Rumiko Takahashi. A obra se passa na pensão Ikkoku-Kan e tem como protagonista um jovem que se muda para essa pensão com o objetivo de se dedicar aos estudos e passar no vestibular, mas nunca consegue se focar devido a seus vizinhos barulhes e festeiros, que sempre o convencem a deixar seus estudos “um pouco” de lado. Além disso, ele nutre uma paixão pela gerente do local. Este mangá foi um dos primeiros sucessos da autora que hoje é mais conhecida por Ranma 1/2 e Inuyasha.

Hinata-sou e seus moradores nada peculiares

Hinata-sou e seus moradores nada peculiares

Maison Ikkoku se tornou inspiração para muitas obras de comédias passadas em pensões que viriam anos depois, uma delas se tornou uma febre mundial e tanto seu anime como, principalmente, seu mangá ficou bastante famoso no Brasil. Trata-se de Love Hina, uma história que acompanha os inquilinos da pensão Hinata-Sou e seu novo gerente.

Em Love Hina o protagonista é  Keitarô Urashima, um jovem ronin (pessoa que reprovou no vestibular, mas que continua tentando), que é obrigado a trabalhar como gerente na pensão de um de seus familiares. O único problema é que a pensão só aceita garotas e Keitarô não é exatamente nenhum poço de pureza, além de ser muito azarado. Ao longo da obra a pensão Hinata é palco de inúmeros eventos que vão desde simples desentendimentos entre inquilinos ou entre inquilinos e o novo gerente, até romances e tramas internacionais. Um dos locais mais famosos da pensão Hinata são suas termas e são nelas onde a maioria das situações inusitadas acontecem, quase sempre terminando com o pobre Keitarô levando uma surra de uma ou de outra garota da pensão.

Recentemente um  novo anime trouxe mais uma vez a fórmula: pensão familiar com inquilinos peculiares que acabam gerando situações cômicas e estranhas, além de haver um clima de romance ao redor de alguns personagens, muito embora este romance seja um tanto mais platônico que o de costume.

Uma boa dose de humor e romance são a fórmula para o sucesso...

Uma boa dose de humor e romance são a fórmula para o sucesso…

Em Bokura wa Minna Kawaisou, essa famosa fórmula que Rumiko Takahashi e seu Maison Ikkoku tornou famosa e que posteriormente foi utilizada por Love Hina e outras obras é trazida de volta em uma nova roupagem.

Bokura wa Minna Kawaisou tem como protagonista Kazunari Usa, um estudante colegial que vai morar longe de casa e passa  viver no Complexo de apartamentos (ou pensão) Kawai. Lá ele se ver obrigado a viver com um grupo bastante peculiar de adultos, incluindo a gerente do local, que é uma senhorinha meio yondere, uma mulher que vive bêbada e que vive reclamando de sua vida amorosa, uma idol meio sadista, um masoquista irrecuperável e uma colega de sua escola muito quieta, viciada em livros e que é senpai de Kazunari .

Enquanto convive com seus vizinhos barulhentos e muito animados, Kazunari tenta se aproximar de sua senpai, por quem nutre uma paixão platônica, mas costuma sempre cometer gafes e muitas vez acaba por se distanciar ainda mais da jovem.

Otomes de Kuragehime

Otomes de Kuragehime

Embora, pensões sejam mais conhecidas em anime pela fórmula antes mencionada, é comum também esses locais serem palcos de outros tipos de obras. Normalmente pensões são palcos de alguns episódios típicos de animes colegiais, como é o caso das pensões onde os personagens ficam em suas viagens escolares. Também é comum que este locais guardem mistérios que devem ser desvendados pelos personagens completando assim uma mini-saga dentro da história.

Há ainda  histórias, como Kuragehime, onde um grupo de otakus mulheres vivem sobre o mesmo teto e acabam alimentando ainda mais a loucura uma da outra.

Em Kuragehime, a protagonista Tsukimi Kurashita é uma desenhista viciada em águas vivas que tem dificuldade de se relacionar com outras pessoas, principalmente com homens e hipsters, Ela vive na  pensão Amamizukan que é habitada apenas por mulheres que tem dificuldade de se relacionar com outras pessoas além delas próprias. Em Amamizukan todas as moradoras tem um vício peculiar.  Além de Tsukimi ser otaku por águas vivas, há ainda a filha da gerente, que é quem cuidado local, a Chieko que é viciada em Kimonos e bonecas japonesas tradicionais. Já Mayaya é  viciada no romance dos três reinos, Banba é viciada em trens e Jiji é viciada em senhores idosos. Há ainda uma mangaká conhecida como sensei que raramente sai de seu quarto. A situação de Amamizukan muda completamente quando Tsukimi encontrar por acaso um jovem Cross Dressing chamado Kuranousuki Koibuchi que não apenas é homem, mas parece um hipster…

Enfim, pensões são sem dúvidas locais ricos para gerar os mais diverso tipos de história, por serem locais que de uma forma ou de outra preservam a ideia de comunhão  e onde é normal ver várias pessoas diferentes se reunindo na sala de jantar para comer e socializar. E vocês, o que acham da pensões de animes e mangas? Vocês já moraram em pensões? Que outro tipo de história passada em pensão vocês lembram?

Finalmente chego ao fim de mais um post para essa que é a coluna mais questionadora da blogosfera animística. Me despeço então de todos, pois minha busca pela pergunta fundamental tem de continuar. Até outra oportunidade!

A resposta é 42: Sangue e tripas também contam história?

Este texto contém muitas imagens fortes, por isso não é indicado a menores de idade.

Olá caros leitores! Como vão vocês? Fazia um tempinho que a busca pela pergunta fundamental não gerava um texto para este blog, em especial por minha causa, no entanto peço que  deixemos de lado essas questões irrisórias e vamos a mais uma edição da coluna A resposta é 42. Hoje é dia do gore nesta coluna!  Afinal, sangue e tripas podem ser necessários para uma história?

A beleza está nos olhos de quem vê! E o que vocês acham dessa imagem?

Se beleza está nos olhos de quem vê, o que vocês acham dessa imagem?

Não é de hoje que obras de mangá apresentam cenas de ultra-violência, sangue e tripas. Na verdade, essas histórias sempre existiram, mas começaram a ganhar mais destaque nos anos 70 com surgimento de revistas underground e com o sucesso de obras shounen (destinadas ao público infanto-juvenil e adolescente) de violência. Existem vários fatores que tornaram o gore uma característica quase que exclusivamente de obras destinadas ao público adulto, porém é interessante notar que o gore quando usado para um público não tão adulto tem duas principais funções: Apresentar um exagero e/ou chocar.

Cena do primeiro filme de Gen Pés descalços!

Cena do primeiro filme de Gen Pés descalços!

Obras shounens como Hokuto no Ken e Gen, Pés Descalços são dois bons exemplos disso. A primeira é uma obra de luta com ultra-violência em que um único soco é capaz de arrancar cabeças. A segunda é uma auto-biografia focada em um acontecimento brutal que gerou um número absurdamente grande de mortes. Em Hokuto no Ken fica claro o exagero associado ao gore, enquanto que em Gen, fica claro que o objetivo de usar o gore é chocar o espectador, ao representar visualmente cenas horrendas, porém próximas da realidade, geradas pela queda de uma bomba atômica.

As mudanças tanto na indústria de mangás quanto na de animes, que começaram no fim dos anos 80 e começo dos 90, muito influenciadas pelos movimentos anti-mangá e anime, fizeram com que obras similares a essas trilhassem novos caminhos. Primeiro, obras com ultra-violência passaram a não mais apresentar violência gráfica exagerada quando voltadas a um público menor de idade, as que ainda resistiram a esta mudança, passaram a ser publicadas em revistas destinadas a um público mais velho, como o caso de Jojo’s Bizarre Adventure. Já obras como Gen, por terem essa necessidade de utilizar o gore como forma de chocar o espectador, passaram a ser compreendidas como obras que de fato são destinadas a um público mais adulto e maduro, de modo que se tornaram obras seinen (destinadas ao público adulto).

Quando pensamos em gore para um público adulto (algo redundante para a maioria das pessoas), caímos na máxima de que ele existe apenas para chocar o espectador e em muitos casos isso é verdade, no entanto o gore pode ter outras utilidades numa narrativa.

Ichi The Killer ova

Ichi The Killer ova

Uma delas é contribuir para apresentar a personalidade de certos personagens. Em Ichi The Killer temos diversos personagens que se expressam através da violência e que também a utilizam como forma de escape para suas frustrações, de modo que o gore é uma consequências das ações de tais personagens. Essa é apenas uma das muitas obras em que o gore se torna uma consequência das ações geradas por impulsos de personagens que possuem uma personalidade distorcida.

Uma outra forma de utilizar o gore como um elemento a mais em uma narrativa é usá-lo para expor as trevas que cercam ambientação da história de modo que a ultra-violência, sangue e tripas, se tornam algo banal dentro da narrativa, ainda que choquem o expectador. Um exemplo de obra que segue a fórmula citada anteriormente é o filme de animação, Ninja Scroll.

Em outras obras, como em Berserk, há uma transformação do que o gore expressa. A princípio ele é utilizado principalmente para chocar o expectador, mas a medida que a história segue, o gore e a ultra-violência passa a ser algo banal em meio a um ambiente sombrio que não parece ter salvação.

Já falamos que muitas obras de ultra-violência, hoje seinens, surgiram de fórmulas típicas de shounen. Estas fórmulas com tempo foram mudando e se aperfeiçoando. No já citado Jojo’s Bizarre Adventure, o gore exagerado da obra tem como intuito não apenas chocar, mas ser banal e muitas vezes até cômico de modo a deixar claro o quão ficcional a obra é. A violência expressa em Jojo não deve ser levada a sério, nem muito menos pode ser trazida ao mundo real, isso fica ainda mais claro com o surgimento dos Stands, que tiram a culpa direta dos punhos e pernas dos personagens principais, para ser eles as entidades que de fato geram o gore.

Também podemos ter o gore como um elemento que caracteriza diretamente certos tipos de criaturas. Por exemplo vampiros, zumbis, monstros, youkais. Ele pode também ser usado como consequência de uma sociedade  com duas faces, sendo uma delas sombria. Os animes Tokyo Ghoul e Akame ga Kill são exemplos recentes de obras que se enquadram cada qual em um desses perfis.

O gore pode ser utilizado como um elemento essencial para certas histórias. Muitas vezes sangue e tripas significam bem mais do que só sangue e tripas. Em minha opinião, o gore é muito mais do que uma simples exposição visual exagerada, não apenas nos quadrinhos e nas animações, mas em todas as mídias em que é utilizado.

E você, gosta de gore? Acha que ele é realmente um elemento necessário nas histórias em que você já o viu? Como vocês acham que o gore é melhor aproveitado? Ou será que você acha que o gore não afeta a qualidade de uma boa narrativa?

Enfim, está na hora de dizer “tchau” e continuar na busca da pergunta fundamental para a resposta que nós já sabemos qual é! Lhes vejo em breve com mais perguntas e talvez com algumas outras respostas!

A resposta é 42: E o salário ó…

Olá a todos! Essa semana estamos de volta com a coluna mais fundamental da blogosfera animística e universal, A resposta é 42. Espero que tenham curtido o Pensador Otaku na semana passada!  Hoje vou seguir o conselho de uma das ilustre leitoras deste blog, principalmente desta coluna, e começo uma nova série de post sobre Profissões nos Animes e Mangás, sendo que o título desta postagem deixa bem claro de que profissão falarei hoje e ainda é uma homenagem a um dos maiores comediantes desse país, que nasceu aqui no mesmo estado que este que vos escreve, o eterno mestre do humor Chico Anísio. Sem mais delongas, é hora de tomar um café bem forte e se preparar para a próxima aula questionar.

Pergunte ao Ginpachi Sensei

Pergunte ao Ginpachi Sensei.

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define “professor” como sendo:

substantivo masculino

1. Aquele que ensina uma arte, uma atividade, uma ciência, uma língua, etc.

2. Pessoa que ensina em escola, universidade ou noutro estabelecimento de ensino. = DOCENTE

3. Executante de uma orquestra de primeira ordem.

4. Aquele que professa publicamente as verdades religiosas.

5. Entendido, perito.

adjetivo

6. Que ensina.

Hoje estamos falando dos professores da definição 2, então não estamos falando de qualquer pessoa em geral que ensina alguém, mas daquelas que o fazem em algum estabelecimento de ensino, o que diminui bastante nosso grupo de personagens envolvidos, mas ele ainda é um grupo grande. Em japonês, existem duas palavras para professor, a primeira, e mais comum, é “sensei”, esta é utilizada quando alguma pessoa, que não seja o próprio professor, está se referindo a um professor. Já a segunda é “kyoushi”, um termo usado apenas pelo professor quando quer se referir a si mesmo e a outros que tem a mesma profissão, ou por pessoas qualquer quando querem se referir a profissão e não a pessoa. Deixando isso um pouco de lado, para falar de professores em animes é interessante dividi-los em três grupos, quando são protagonistas da história, quando são coadjuvantes importantes e quando são coadjuvantes que aparecem vez por outra, mas que nem o nome sabemos.

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Um professor que dar aulas de reforço no anime Tari Tari.

Começando primeiro por esse último tipo de professor, eles basicamente são comuns de aparecer nos animes para dar um clima  mais verídico a certas séries, ou quando são parte de séries que tem de certa forma o intuito de criticar o rígido sistema de ensino japonês, geralmente neste caso são vilões que aparecem maltratando um ou outro aluno. Nesse momento talvez seja bom abrir um parênteses (não literalmente) para falarmos um pouco sobre esse tal rígido sistema de ensino escolar japonês… Não cabe aqui explicar muito como funcionam as escolas japonesas, então falando resumidamente, em geral, elas são escolas de tempo semi-integral, ou seja, os alunos estudam em parte da manhã e tarde e depois podem ou não fazer atividades extracurriculares dependendo das regras da escola e do próprio aluno. O que quero levar em consideração é como os professores japoneses tendem a se portar e normalmente eles seguem uma espécie de padrão, onde se importam muitas vezes apenas em passar a matéria, mas são solícitos a alunos que os pedem ajuda e muitas vezes ignoram quem não a quer. E embora haja muitas instituições que visam garantir sempre um bom relacionamento entre alunos e professores, a autoridade dos professores deve sempre ser mantida e qualquer envolvimento demasiado com os alunos pode e é mal visto pela sociedade, o que parece estranho a priori se pensarmos no comportamento de tantos professores de anime, mas se formos comparar com a maioria dos professores de escolas ocidentais que conhecemos,  estes professores são ainda mais solicitos que a maioria dos professores de escolas aos quais estamos acostumados.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

O problema que muitas vezes é retratado em animes está relacionado a essa tal autoridade que deve ser mantida pelo professor, pois isso chega a subir a cabeça destes ao ponto de certos profissionais tratar seus alunos como se eles devessem algo a ele, o que em suas mentes lhes dar o direito até de punir de forma exagerada certos estudantes. E isso nem chega a ser o motivo principal de chamar o sistema de ensino escolar japonês de rígido, o principal motivo é a pressão que todo estudante costuma sofrer para se tornar um aluno mais exemplar, mesmo que no futuro sejam salarymans comuns. Por fim, vale ressaltar que professores universitários, tanto japoneses, quantos os dos demais países, não seguem nenhum padrão mais específico, nem se preocupam tanto em agir como superiores (alguns sim), pois geralmente são mais pesquisadores do que professores em si, logo sua relação com os alunos tende a ser mais branda e direta, fora que o relacionamentos mais próximos entre estudantes universitários e professores não chega a ser tão mal visto assim… Agora voltemos para terminar o assunto sobre professores que não são muito importantes para a trama dos animes e mangás em que aparecem, esses personagens costumam ser utilizados em cenas pontuais e geralmente não sua aparição não gera impacto na trama, por isso não se tornam memoráveis, vale apenas ressaltar que costumam em geral agir mais como os professores  reais do que os outros que tem destaque.

Sawako Manaka de K-ON, Sawa chan para os íntimos e otakus.

Sawako Manaka de K-ON (Sawa chan para os íntimos e otakus)

Agora falando sobre o grupo de professores de animes mais comum, quando o professor é tratado como coadjuvante importante ou de luxo, nesse caso temos professores diferentes do  normal, porque eles tendem a se destacar por algo não ligado a sua capacidade de ensinar, além de ser comum terem um relacionamento amistoso com os estudantes, ao ponto de por vezes serem até amigos pessoais destes (algo pouco comum no mundo real), incluem-se aqui também os professores universitários, pois, até onde sei, não existem animes universitários com um professor como protagonista. Esses professores se destacam, como já citado, por terem características peculiares, tipo serem muito admirados pelos estudantes, terem dificuldade de se expressar, ou se expressar de forma totalmente não usual, agirem de forma estranha, falarem de forma estranha, se vestirem de forma estranha, terem gostos sexuais estranhos, estarem apaixonados por outro personagem importante para a trama, serem alvos da paixão de outro personagem importante para a trama, geralmente não correspondendo a essa paixão, terem distúrbios sexuais, serem rígidos além da conta, serem inocentes de mais, serem lutadores experientes, serem líderes militares, serem cavaleiros sagrados, serem muito maus, terem grandes peitos e etc.

Sakurai Sensei de Nichijou

Sakurai Sensei de Nichijou

Esses professores agem como personagens suporte e sua profissão importa mais pelo contraste que tem seu jeito em relação a figura padrão do professor rígido e autoritário, embora solicito, que já citei. Muitas vezes eles até tentam agir como professores normais, porém nem os alunos os deixam agir dessa maneira, nem eles mesmo conseguem e às vezes eles simplesmente não estão nem aí, como é caso da professora Naruko Yokoshima de Seitokai Yakuindomo, que está sempre a procura de um parceiro sexual, mesmo entre seus estudantes (esse anime não explicita nenhuma cena onde o ato sexual ocorra, na verdade é mais um comédia colegial que apenas apresenta piadas sexuais entre outras coisas), ou o professor Kazuichi Arai (ou “Pin” ) de Kimi ni Todoke, que costuma agir como um grande amigo de seus estudantes, embora abuse, às vezes, de seus alunos, principalmente daqueles que conhece desde que eram criança, quando ele ainda nem era professor.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Esses professores são muito importantes para a trama das história que participam, ou funcionam como alívio cômico, mas em nenhum momento chegam a representar um crítica ou um retrato real do sistema de ensino japonês, mesmo professores universitários como O Hanamoto Shuji de Honey & Clover chegam a ter sua profissão como a característica mais marcante, embora ela defina em parte sua personalidade, pois em qualquer que seja o caso, a profissão de uma pessoa reflete uma escolha importante que esta fez em sua vida.

Por fim, vale um destaque especial para os professores de séries baseadas em visual novels, eles ou elas são sempre apresentados de forma que gerem um certo sentimento de que seriam pessoas com a qual o (a) protagonista poderia ter um relacionamento amoroso, embora seja completamente incomum a rota que envolve a conquista do professor ou professora ser a representada na trama principal da história do anime, mesmo assim é notável essa característica.

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

E quanto aos professores protagonistas? O mais comum é que professores sejam protagonistas quando formam um casal com um outro personagem também protagonista, como por exemplo em Onegai Teacher, ou quando representam um professor que vai agir de forma a transformar seus alunos, geralmente delinquentes, em pessoas aptas a viver em sociedade, como por exemplo em Great Teacher Onizuka, Gokusen, Dragon Zakura e Rookies, ou em casos extremos, esses professores lutam contra o sistema de ensino que pune os alunos menos aplicados e explora os mais aplicados, como em Kekko Kamen, ou se sentem afetados por toda a pressão que a sociedade impõe a pessoas como ele, como em Sayonara Zetsubou Sensei. Com exceção do primeiro caso e do último caso,  que se assemelha ao caso dos professores coadjuvantes, nos outros casos há uma certa forma de ao mesmo tento criticar a rigidez do ensino, o que vale muitas vezes ao ensino em todo mundo, não apenas no Japão, e enaltecer os professores que não se preocupam apenas em passar a matéria de qualquer jeito, mas que de fato estão interessados em fazer de seus alunos pessoas melhores.

Nessas obras os professores costuma ser ainda mais excêntricos e diferentes do que é comum de se ver, do que os professores coadjuvantes, provavelmente por precisarem chamar ainda mais atenção. Então é plenamente plausível, termos uma heroína que luta contra o sistema de ensino corrupto e exageradamente mal, usando apenas uma máscara e nunchakos, tendo o resto de seu corpo completamente exposto (Kekko Kamen), ou uma professora ser neta do líder da Yakuza (Gokusen), ou ser um advogado nada sociável (Dragon Zakura), ou, quem sabe, ser uma ex-líder de gangue pervertido que age como uma criança (Great Teacher Onizuka). Existe uma característica que todos esses professores tem, e que é importante para qualquer professor protagonista de um anime ou mangá, eles acreditam no potencial de todos os seus alunos e se necessário agirão mesmo contra a vontade destes para provar que eles podem ser muito mais do que qualquer pessoa espera deles. Vale ressaltar que as obras que contem esses professores protagonistas, tendem a ter também professores coadjuvantes que agem de forma oposta a eles, sempre desacreditando ou agindo de forma má com os alunos que não são exemplares e qualquer um que saia da linha ao menos um pouco, isso deixa claro a crítica que a obra traz e ainda enaltece a figura do protagonista e às vezes esses professores maus até se redimem influenciados pelos protagonistas, outras vezes, apenas sofrem bastante. Para finalizar, é interessante notar que obras desse tipo costumam gerar boas adaptações para doramas por todas as características que possuem.

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Enfim, ser um professor em um anime não é pra qualquer um, para se destacar é importante ter alguma característica única e se relacionar bem com os alunos, ou ser muito escroto e fazer o papel de vilão que certamente sofrerá na mão de um professor que faça o papel de herói. Mais afinal o que torna essa profissão tão comum e tão referenciada nos animes e  mangás? A princípio o fato de animes e mangás serem em sua maioria para adolescentes, culmina em muitas obras colegiais  que são propícias a terem muitos professores, mas será que é só por isso? O que um professor de anime ou mangá precisa ter de fato para se destacar positivamente  em sua opinião? Já se perguntou que tipo de professor, dos que você teve, daria um bom personagem de anime ou mangá? Ou já pensou que algum professor de anime e mangá lembrava seus professores da escola ou faculdade? E que tipo de personagem professor novo poderia ser criado, não apenas com base nas características, mas que pudesse gerar uma trama diferente das já conhecidas? Afinal, infelizmente, há uma saturação de obras de professores, por isso é cada vez menos comum haver novas obras tendo professores como protagonistas. Será que não há nada de novo a ser explorado com esse tipo de personagem? Eles estarão fadados a serem apenas coadjuvantes em obras futuras?

Enfim é isso, espero que tenham gostado dessa edição e agora me despeço, pois minha busca pela pergunta fundamental continua. Até logo!

A resposta é 42: Dentro dos jogos será que faz frio?

Yo! Sentiram falta desta coluna? Para todos que sentiram e também para os que não sentiram, está de volta a coluna mais questionadora da internet, A resposta é 42. Hoje é dia de refletir  um pouco sobre um tipo de anime que agradou muitas pessoas no século 21, obras advindas da influência dos MMORPG’s, que se tornaram uma febre no fim dos anos 90 e começo do século atual.  Deixo claro que não comentarei animes baseados em jogos ou franquias de jogos, mas obras que são influenciadas pelos diversos elementos que surgiram junto aos MMORPG’s, ou cuja as histórias são passadas dentro de um mundo fictício de MMORPG.  Então, será que faz frio mesmo  dentro desses jogos? Quer dizer, vamos então buscar os questionamentos ao redor desse tema…

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O culpado!

Nos anos 90, com a popularização da internet surgiram também os jogos em rede e pouco depois os MMORPG’s, inspirados nos jogos de rpg de consoles que por sua vez são inspirados nos clássicos rpg’s de mesa. Com a possibilidade de explorar mundos em que vários jogadores poderiam se aventurar juntos e se comunicar, os MMORPG’s necessitaram desenvolver certas diferenças dos jogos anteriormente citados para permitir que a experiência fosse satisfatória e deu certo, cada vez mais a popularidade desses jogos cresceu e no final dos anos de 1990 e começo dos anos 2000 a popularidade desses jogos era tanta que começaram a surgir obras inspiradas neles em outras mídias.

Em 2002 surgiu .hack//SIGN, considerado o primeiro grande sucesso de obras deste tipo, a história é quase toda passada dentro do jogo de fantasia O Mundo (The World) onde o protagonista se ver preso, sem poder deslogar como os outros jogadores, além disso, esse jogo esconde mistérios que podem afetar tanto os jogadores dentro do jogo quanto no mundo real. O anime também introduzia a ideia de uma ferramenta que lia ondas cerebrais e que assim os jogadores se conectavam ao jogo. Elemento este replicado nas séries subsequentes da franquia e em outras obras do gênero. .hack//SIGN não só deu início a franquia .hack, mas toda uma geração de obras inspiradas em MMORPG’s e centradas em aventuras realistas em um mundo de jogos e vividas por humanos normais. Uma questão que surge junto as essa obra é o quanto essas histórias refletem os problemas do mundo real? Afinal os protagonistas delas são humanos com problemas no mundo real, tal como cada um de nós. Além dessa, as diferentes histórias que viriam a ser criadas levantariam outras questões para se refletir.

Um lugar onde posso te encontrar...

Um lugar onde posso te encontrar…

Ainda falando sobre a franquia .hack, surge em 2003 .hack//Tasogare no Udewa Densetsu, uma nova obra que segue um caminho diferente de .hack//SIGN, mas que ainda tem como principal pano de fundo The World, porém dessa vez temos dois protagonistas, irmãos que vivem separados devido ao divórcio de seus pais e que apenas conseguem se encontrar dentro do mundo do jogo, eles vivem a tanto tempo separados que nem sequer se lembram do rosto um do outro, mas dentro do jogo são dois personagens lendários, embora sejam iniciantes, e são responsáveis por desvendar alguns dos maiores mistérios deste mundo. No fundo a obra não chega a explorar muito o drama da separação dos irmãos, porém deixa claro que a vida dentro e fora do jogo são diferentes, mas também possuem suas semelhanças.

O mundo de romances e fantasia de Sword Art Online...

O mundo de romances e fantasia de Sword Art Online…

Em 2012 foi lançado um novo anime, baseado em uma novel homônima a este, que voltaria o olhar dos fãs de anime para esse tido obra onde pessoas se veem presas dentro de um mundo de MMORPG, mas dessa vez todos os jogadores estão ali presos e qualquer tentativa de saírem sem ser chegando ao final da aventura principal do jogo, pode causar a morte destes. Surge Sword Art Online, um dos maiores fenômenos dessa década, primeiro por apresentar um estrutura muito mais próxima dos jogos MMORPG’s que se conhece ainda que com evoluções não existentes. Além disso, viver nesse mundo não é mais uma opção dos personagens, é uma necessidade e objetivo não é descobrir mistérios que envolvem modificações estranhas pela qual esse mundo passou, mas sim lutar e se fortalecer até ser capaz de enfrentar o maior desafio para sair deste mundo. Ao mesmo tempo que o mundo Sword Art Online representa uma fantasia incrível vivida por pessoas em suas formas reais, já que até a aparência de cada um é a mesma que tem no mundo real, também é uma prisão que a priori não tem qualquer saída que não a morte. A segunda parte da obra mostra o efeito que esse jogo causou no mundo real e na vida dos jogadores, mas também trata de outras questões que não vale  a pena comentar aqui. O importante é que Sword Art Online, bom ou não, é uma obra que mostrou que esse tipo de história ainda podia render bons frutos, mas outras obras com caminhos diferentes desse surgiram ainda inspirados em MMORPG’s desde o primeiro .hack.

Ainda dar pra chamar isso de jogo?

Ainda dar pra chamar isso de jogo?

Em Accel World, temos mais uma versão meio futurista de nosso mundo, onde as pessoas nascem com implantes que as ligam a um rede mundial de informações ou que usam aparelhos para o fazer. Esse mundo virtual pode ser acessado pelas pessoas que incorporam personagens para se divertir ou obter informações a  ser usadas no mundo real, mas dentro dele existe uma outra versão deste mundo virtual que garante incríveis habilidades a quem pode acessá-lo, no entanto ele também impõe batalhas para que seus usuários possam continuar usando essas habilidades. O protagonista do anime é um jovem que vive sendo judiado por colegas devido sua fragilidades, mas uma garota que lhe mostra esse novo mundo, que permite-o evoluir e se tornar alguém bem mais confiante, além de torna-se também um importante jogador deste mundo virtual cheio de batalhas que não se diferencia de um mundo de jogo, apenas tem consequências aparentemente sérias para quem perde. Embora o anime não chegue a tratar questões muito sérias, funciona muito bem como uma nova abordagem que mescla o mundo dos jogos ao mundo real criando novas possibilidades e com isso podemos pensar em novos questionamentos, como o porque de nem todos poderem ter acesso a essas habilidades maravilhosas e a seleção natural deste jogo divida as pessoas, em vez de ser algo meio secreto? Uma parte interessante dentro da série que gosto de citar é quando alguns adversários passam a  atacar o protagonista no mundo real, onde ele tem muito menos chance de vencer, para poder se beneficiar dentro do jogo. Essa ideia poderia ser explorada em outras histórias do gênero onde haveria a necessidade de que muitos jogadores, incluindo protagonistas, se esconderem um dos outros no mundo real.

Lutando pela vida em um jogo real...

Lutando pela vida em um jogo real…

Um outra ideia interessante pode ser vista no anime Btooom, onde um grupo de personagens que são jogadores do jogo de disputas online chamado Btooom, que nesse caso não é um MMORPG, mas segue uma fórmula similar, são raptados e obrigados a lutar uns com os outros por suas vidas numa ilha deserta seguindo as regras do jogo. Btooom acaba explorando as fraquezas e os traumas dos personagens que são importantes para o desenrolar do anime. Podemos dizer que o anime é uma evolução natural de caminho a ser seguido a partir de obras inspiradas em conceitos de jogos online. Diferente de Accel World onde se tenta mesclar o jogo ao mundo real, aqui meio que se exporta o jogo para o mundo real. Apenas vale ressaltar que o desenrolar de Btooom, tem muitos elementos de obras seinen de sobrevivência e meio surreais como Gantz e Battle Royale, mas a obra está um tanto no meio do caminho, não contendo nem um história incrível de sobrevivência, nem uma outra com muito influência de jogos online, no entanto ela tem seus méritos.

Como viver em um mundo sem escapatória?

Como viver em um mundo sem escapatória?

Resgatando mais uma vez o tema de pessoas presas dentro do jogo e também com a aparência que tem no mundo real, tal como em Sword Art Online,  temos o recente Log Horizon. A grande inovação que esse anime trás é que nada se sabe do porque os jogadores foram presos no jogo, sendo que este já existia a algum tempo como qualquer outro jogo, além disso, todas as regras do jogo online são mantidas, apenas a aparência dos personagens é mais similar a dos jogadores reais, embora isso dependa um pouco do avatar do jogador também, e os jogadores não precisam mais parar e selecionar sua ação, a escolha dessas virou algo intuitivo, como se eles realmente tivessem aqueles habilidades e pudessem utilizá-las como se vivessem sempre naquele mundo. Porém coisas como a falta de gosto da comida, a ressurreição  em um certo ponto do jogo caso morra (na igreja da última cidade por onde passou), as regras de movimentação e guildas, além de outros elementos são mantidas. Agora a série tenta explorar como essas pessoas irão fazer para suportar viver neste lugar sem nenhuma esperança de sair dali e sem saber se quer porque ali estão. Além disso, o anime explora rapidamente o fato de que nessa situação eles são estrangeiros neste mundo e que os npc’s parecem ser as pessoas deste local e que cada um deles pode ter um história própria e interessante a ser contada (isso faz você começar a se importar por algum tempo em realmente prestar atenção ao que os npc’s falam nos jogos). O anime deixa de criar regras próprias de um novo jogo e explora como seria se as pessoas fossem presas dentro de mundos de jogos como os que conhecemos hoje em dia, o que é uma abordagem bem interessante.

Enfim, a influência que o  mundo dos jogos pode ter sobre as animações e como essas histórias podem retratar o mundo real são ideias que surgiram neste século e que devem continuar a ser exploradas no futuro, pois como certas obras já mostraram, elas podem gerar grandes histórias, aliás em um mundo que se aproxima cada vez mais de uma realidade criada virtualmente, não é nada estranho se pensar como seria se fôssemos presos dentre destas realidades diferenciadas criadas pelos seres humanos. Aliás nem preciso mencionar que o assunto explora a vontade que muitos jovens tem de viver dentre de seus jogos, inclusive muitas vezes negligenciando os problemas do mundo real (Btooom e Sword Art Online exploram também um pouco disso). Como questionamentos finais deixo estes três: Como seria um anime com uma história que apresentasse a possibilidade de se escolher viver dentro de um mundo de jogo ou no mundo real? Você gostaria de viver dentro do mundo de algum jogo? E  qual outra ideia inspirada em MMORPG’s poderia ser explorado em um anime?

Então é isso, hoje ficamos por aqui e enquanto volto a busca pela pergunta fundamental, irei preparar um novo tema para o texto da semana que vem. A edição de hoje é especialmente dedicada a um de nossas leitoras, a Escritora, que sugeriu vários  temas para esta coluna. E embora o tema de hoje já estivesse definido, adorei as suas sugestões para edições futuras e também adorei o desenho, muito obrigado! Antes de mais nada, lembrem-se das palavras necessárias a todos os mochileiros das galáxias e fãs de anime e mangá, Não entre em pânico!