O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Arquivo para a categoria ‘Pensador Otaku’

Até mais, e obrigado pelos peixes!

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Bang!

Então… meio que já tinha dado pistas nos últimos posts, mas agora estou oficializando uma decisão que já foi tomada há algum tempo. Resumindo, esse é o último post do Anime Porftolio (mas seja legal e leia o post até o fim!). 

Os motivos para parar de postar no blog são pessoais e, embora não seja nada mirabolante ou que esteja afetando minha vida pessoal grandemente, eu vou me reservar o direito de omiti-los. Em vez de explicar os motivos para o fim, prefiro explicar o que vem adiante, mas não antes de já agradecer profundamente a todos os leitores do blog nesses quase 7 anos de existência.

Muito obrigado pelo apoio de todos nesse período! Tenho certeza que nem sempre o blog agradou a todos, mas certamente vale muito a pena guardar os bons momentos, as boas informações, as boas indicações e talvez o bom conhecimento que eu e todos os autores do blog tentamos passar nesse tempo em que esta página esteve em atividade. Um agradecimento especial aos parceiros do blog que nos apoiaram nessa empreitada, e mais especialmente aos blogs Animecote e Netoin, que sempre me apoiaram e que continuam me apoiando nos projetos malucos que bolei.

E agora o que acontece?

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Esse post marca o fim das postagens no Anime Portfolio, mas o blog não chega ao fim hoje, na verdade tem tanto conteúdo que a nós (a equipe) orgulha, que não poderíamos simplesmente deixar tudo para lá. Além disso, o fim das postagens no Anime Portfolio não marca o fim das atividades de todos os autores do blog. Eu, o velho e maluco administrador desse blog ainda continuarei a blogar, mas em outros locais. Então isso é o que posso falar sobre o futuro do conteúdo do blog e sobre alguns autores:

  • O Kyon continuará sofrendo com o tratamento da Haruhi, mas nada sabemos se ele voltará um dia a escrever seus sarcásticos comentários sobre anime.
  • O Aiscrim (André) irá continuar escrevendo sobre videogame no Intersect News, continuará seus contos no Aisvêrse e continuará participando, sempre que possível, do Kyoudai Podcast.
  • Eu (o Administrador do blog) me manterei postando podcasts e contos no Yopinando, e além de participar dos podcasts, eu me tornei redator do Animecote.
  • Ainda sobre minha participação no Animecote, parte dos textos que publicarei lá de agora em diante serão continuações de certas colunas que postava aqui, dentre as quais o Pensador Otaku e A resposta é 42 são duas que manterei. Ainda não sei ao certo se manterei alguma outra. Além disso, certas matérias especiais e textos egressos dessas colunas que fazem parte do Anime Portfolio serão revisados, atualizados e repostados no Animecote. Ainda não está definido que textos serão relançados, mas a frequência de relançamentos não deve ser maior que 2 textos por mês.
  • As resenhas, e outros textos opinativos e expositivos, que consideramos atemporais e que não gostaríamos que fossem completamente esquecidos no limbo do passado da internet, serão revisados e atualizados por mim e pelo Aiscrim (por enquanto apenas por nós dois), para futuramente (provavelmente no primeiro semestre de 2016) serem compilados e relançados como uma publicação digital similar a uma revista.
  • Apenas após o lançamento da compilação citada acima,  o blog será fechado, até lá será possível acessá-lo e ver todo o conteúdo publicado no blog, inclusive os extremamente datados.
  • Nada posso dizer sobre os demais autores do blog, apenas posso afirmar que sempre contarão com meu apoio em qualquer projeto que venham a me apresentar.
  • O Projeto Conhecendo o Mercado Naccional de Mangás continuará sendo publicado nos blogs participantes do mesmo, com exceção do Anime Portfolio. E aquele imenso texto que preparo todo mês sobre o formulário mensal do projeto passará a ser publicado no Animecote.
  • Como já mencionado anteriormente, o Kyoudai Podcast continuará sendo gravado ao vivo e publicado no youtube, no Animecote e no Netoina cada duas semanas.
  • O podcast Sobre Músicas e Animes continuará sendo publicado no Yopinando, mas também será publicado no Animecote.
  • Os demais podcasts (Yopinando Shinbun, Yohohoho, SensouCast e Animecotecast) que eram publicados (também) aqui continuarão sendo publicados nos seus blogs de origem, o Yopinando e o Animecote.
  • Por último, a página do facebook e os twitters do blog serão desativados dia 25/09/2015.

o último Adeus Até mais

Dito isso (ou escrito isso), gostaria de agradecer pela última vez a todos os leitores, autores, comentaristas e parceiros do Anime Portfolio. Foram quase 7 anos de uma história memorável, que espero que tenha influenciado positivamente a cada um de vocês, ao menos a minha vida foi muito positivamente influenciada. Espero revê-los no Yopinando, no Animecote e em qualquer outro local da internet pelo qual passar (ou ao vivo quem sabe?). Como nunca se sabe o que acontecerá no futuro, em vez de um adeus, prefiro terminar esse texto como um bom golfinho faria (mesmo eu não sendo um golfinho, ou será que sou…), dizendo Até mais!  

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Pensador otaku: Demografia não é gênero!

Você que é fã de anime e mangá já se deparou em uma situação que tinha de escolher qual seu gênero preferido. Provavelmente antes de responder a pergunta uma série de palavrinhas em japonês vieram a sua mente: Shonen, Shoujo, Josei, Seinen e Kodomo. E por impulso, ou por falta de conhecimento, respondeu a pergunta com uma dessas palavras. Porém, se alguém lhe perguntar “qual sua demografia de mangá preferida?”, dificilmente palavras como “ação”, “aventura’, “fantasia”, lhe parecerão opções e provavelmente você também usará algumas das cinco palavrinhas anteriores para responder a pergunta. De fato, qualquer uma das palavras japonesas anteriores responde corretamente a segunda pergunta, mas nenhuma delas serve para a primeira.

Shonen

Shonen

O termo gênero tem um significado tão amplo que pode ser simplesmente entendido como uma classificação de vários elementos segundo características comuns. Porém o termo é utilizado em situações específicas, por exemplo, biologicamente o ser humano pode se encontrar em dois gêneros: homem e mulher. Literariamente o gênero pode significar um tipo de forma de escrita (crítica, descrição, novela e etc.) ou um tipo de narrativa (ação, aventura, drama). Para o cinema o termo também pode ser utilizado para classificar uma narrativa como ação, drama, aventura, ficção científica e etc. Enfim, quando se pergunta “qual o gênero de um mangá?”, se que saber qual a forma de narrativa desse mangá? Ou seja, se quer saber se é uma obra de drama, ação, aventura, ficção científica, policial, máfia…

O termo demografia está relacionado a classificação de seres humanos, então quando se pergunta “qual a demografia de um mangá?”, se quer saber, em geral, qual a faixa etária para o qual aquele mangá a é mais indicado? Ou pelo menos era isso que deveria significar, mas…

Seinen

Seinen

Vale a pena agra explicar o que são aquelas tais palavrinhas japonesas que citei no começo do texto, antes de voltar a falar de demografias. A palavra Shonen significa garoto, analogamente a palavra Shoujo significa garota e a palavra Kodomo significa criança. O termo Josei significa mulher ou feminino. Por fim, Seinen significa juventude ou jovem adulto. Também existem outros termos japoneses que definem demografias, mas esses cinco são os mais utilizados.

Esses termos são utilizados apenas para classificar demograficamente revistas japonesas, em geral, que publicam mangás e novels. Para anime só faz sentido utilizar essa classificação demográfica quando o mesmo é uma adaptação de mangás ou novels que foram publicados em revistas. A classificação de mangás e novels é na verdade a mesma da revista em que a obra foi publicada. Por isso não é estranho que um mangá violento e com uma trama complexa como Shingeki no Kyojin é um shonen e que um mangá que simplesmente apresenta o dia a dia de garotas colegiais como K-ON fosse um seinen. Para quem não entendeu. Shingeki no Kyojin é publicado na Bessatsu Shonen Magazine, um revista shonen, e K-ON foi publicado na Manga time Kirara Carat, uma revista seinen.

Shoujo

Shoujo

E porque tanta gente confunde gênero com demografia? Não posso afirmar, mas acredito que o conjunto “termo japonês para classificar mangá + similaridade de gêneros famosos entre pessoas de certas demografias” seja o responsável pela confusão. Por exemplo, jovens garotos costumam gostar muito de obras de ação, aventura, com certa quantidade de violência e humor, por isso a maioria dos mangás shonen, que seriam destinados a esse público, tem essas características, de modo que para muitos o significado do termo shonen está associado a essas características, o que não é verdade. Analogamente jovens garotas costumam gostar muito de romance e drama, por isso muitos pensam que esses gêneros são intrínsecos ao termo shoujo, o que também não é verdade.

Outro problema é que as demografias não são tão bem definidas como parecem, pois além de ser claro que sempre haverá pessoas de certas demografias que irão gostar de obras de outra, qualquer demografia pode conter obras de qualquer gênero.

Além disso, as revistas japonesas consideram o povo japonês como seu público alvo, o que faz todo sentido, mas os japoneses são diferentes dos brasileiros, que são diferentes dos estadunidenses, que são diferentes dos indianos e etc. Onde eu quero chegar com isso? Povos diferentes tem pensamentos e leis diferentes, uma atitude que é considerada adulta em um país pode ser plenamente aceitável para adolescentes ou até para crianças em outro. Em um país mulheres gostam de se vestir com roupas mais leves e em outro isso é um absurdo. As diferenças culturais e na legislação de cada país influi diretamente na produção cultural do mesmo e isso obviamente afeta publicações de quadrinhos. De modo que um quadrinho que para um páis é destinado a adolescentes, em outro é destinado a adultos e etc.

Josei

Josei

Então a classificação demográfica japonesa de revistas de mangás e novels só vale para o Japão? Não. Você pode sim usar essa classificação em qualquer lugar do mundo, porém o mais correto seria utilizar as classificações etárias específicas de cada país. Porém o cerne da questão não é esse, o que quero mostrar é o quão errado é utilizar uma demografia como gênero. Um shoujo pode muito bem apresentar violência e ter uma trama policial. Um shonen pode muito bem apresentar a história de um casal. Um seinen pode ser protagonizado por crianças. Um josei pode falar da yakuza. Então toda vez que você falar que não gosta de shoujo, lembre-se que você está falando que não gosta de mangás, novels e animes que  podem tanto ser de romance, quando de ficção científica. E quando você falar que não gosta de shonen, lembre-se que você pode tanto está falando que não gosta de mangás, novels e animes que tanto podem ser uma aventura ou uma história de um casamento, ou sobre o dia a dia de uma dona de casa.

Enfim, demografia não é gênero!

A humanidade em Kiseijuu: Sei no Kakuritsu

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Apenas corpos esculturais

Kiseijuu: Sei no Kakuritsu, ou Parasyte para quem prefere inglês, é um mangá de 1988 que, em 2015, foi adaptado para um anime de 24 episódios. A obra conta a história de Shinichi Izumi, um jovem que acorda de noite tendo o corpo invadido por um parasita desconhecido. O parasita tomaria seu cérebro, mas por sorte se aloja em seu braço direito. A partir de então, Izumi é obrigado a lidar com a existência dos parasitas, com a ameaça que eles são para as pessoas ao redor dele e com o que Migi, seu próprio parasita, representa para ele.

Migi é predominantemente retratado como uma criatura de personalidade fria que só se importa com a própria sobrevivência. Ele justifica proteger Izumi com a argumento de que a morte do rapaz significaria seu próprio fim. Enquanto isso, Izumi é inicialmente mostrado como alguém medroso, frágil e emocional. Fica estabelecida assim uma distinção entre humanos e parasitas, caracterizando os últimos como predadores impiedosos. No entanto, no decorrer da história, há uma aproximação entre as duas condições, inclusive dentro do protagonista. Ele ganha características de parasita e Migi vai sutilmente se tornando mais humano.

(mais…)

Pensador Otaku: A Sailor Fukutização da cultura otaku

Yo! Tudo bem com vocês? Que tal refletirmos um pouco sobre mais um assunto ligado aos animes e mangás? Enfim espero que gostem de mais esse texto opinativo e reflexivo sobre um dos elementos da cultura otaku.

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Afinal, o que é Sailor Fukutização?

Não pesquisei se outras pessoas também usam o termo, mas Sailor Fukutização, assim como a Moeficação, é um termo que utilizo para exemplificar um “fenômeno” inerente a animes, mangás, novels e outros produtos relacionados a cultura otaku. Trata-se da exploração exacerbada do tema “colegial” e/ou de personagens colegiais nas mídias visuais supracitadas. Escolhi esse termo, pois “Sailor Fuku” é a maneira como os japoneses e referem ao uniforme escolar feminino que são baseados em fardas de marinheiros e que são adotados por praticamente todas as escolas colegiais japonesas (escolas fundamentais também).

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E porque fazer um texto sobre isso? 

Em parte por uma irritação pessoal com relação ao tema, mas principalmente porque é uma característica de séries de mangá/anime (eu não vou ficar repetindo “anime, mangá, light novel e outros produtos relacionados a cultura otaku”, então citarei apenas a expressão “mangá/anime”, mas tome tudo que for dito no texto como algo relacionado a todas essas mídias)  que nos últimos anos, ou na última década, se tornou um fenômeno.

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Como assim um fenômeno?

O costume de se produzir mangás com a temática colegial vem desde os anos 50 com a volta das publicações de mangás após a segunda guerra mundial. O tema era tratado apenas como mais um gênero, ou como elemento de fundo apenas para identificar a faixa etária a qual os personagens da história pertenciam e meio que é assim até hoje. Porém as obras com essa característica sempre representaram um espaço substancial, porém nem perto de ser um elemento muito mais recorrente do que os demais tipos de obras. Suponho até que entre os anos 80 e 90 havia uma quase equivalência entre obras colegiais e policiais (como eu sinto falta de séries policiais). Já na última década, o número de história situadas no meio colegial ou protagonizadas por colegiais  aumentou de maneira exacerbada, em especial nas temporadas de animes dos últimos 3 a 4 anos, é comum 30% ou mais da quantidade de animes em cada temporada ter a temática colegial ou ser protagonizada por colegiais.

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Claro que em parte isso se deve à popularidade desse tema ser grande, no entanto esse fenômeno cada vez mais causa um declínio da variabilidade de temáticas, ainda que se explore o tema ou a ambientação em conjunto com um número gigantesco de outros temas, características comuns de animes colegiais são e necessitam ser preservadas para abordar esse tema. A mais óbvia é a quase que necessidade de todos ou quase todos os personagens serem colegiais. Claro que a grande maioria das pessoas que leem mangá e assistem anime são adolescentes e jovens adultos que a pouco saíram do colegial (fora aquela razoável massa de otakus adultos que abrange muitos dos leitores desse blog inclusive o autor desse texto) e por isso é normal que a maioria  dos personagens também sejam adolescentes para que haja um empatia maior. Porém, essa super popularidade de personagens adolescentes é uma das causas da infantilização de elementos destinados ao público adulto e também do design e da caracterização de personagens adultos.

Outra característica inerente a obras colegiais é a imaturidade da trama ou das ações dos personagens, pois ainda que ajam algumas obras colegiais bastante maduras, a maturidade é um elemento um tanto estranho para caracterizar um jovem, de modo que muito da pouca maturidade desses animes venham dos poucos personagens adultos, mas como esses mesmos personagens geralmente não tem muito relevância (e muitas vez quando têm, ocorre a supracitada infantilização desses personagens), a trama se torna realmente imatura, o que faz sentido.

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Existem outras características que poderiam exploradas, mas para não me estender muito mais vou apresentar abaixo os problemas de tudo isso com foco na “infantilização”, na “imaturidade” e no fato de haver esse crescimento exacerbado de mangás/animes colegiais.

Enfim qual a problemática de tudo isso?

A meu ver o grande a infantilização de elementos destinados ao público adulto, causa a má exploração de muitos desses elementos, em especial podemos falar de ecchi, que em muitos casos se confunde, pois o ecchi para jovens não deveria ser tão expositivo como é hoje em dia, e para adultos, porque muitos mangás/animes colegiais sabem que adultos os acompanham e usam elementos para atrair mais deles, não deveria ser tão inocentes. A confusão disso tudo acaba gerando um ecchi por ecchi que vira fanservice e se torna muitos vezes inútil para trama, ainda que cumpra seu papel de chamar a atenção de pessoas que não se preocupam tanto com a trama (embora acho que até essa galera uma hora cansa).

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Com relação a imaturidade, em parte tudo depende muito do como a trama se desenrola, mas particularmente é fácil citar exemplos de obras que, por exemplo, tenham professores que mais parecem estudantes colegiais e que não parecem ter a menor capacidade de conduzir uma sala de aula, ou de personagens adultos que premeditadamente tem designs infantis. Além disso, é incrível como boa parte das obras colegiais não parecem fazer ideia de quão complicado é para adolescentes a questão dos relacionamentos amorosos e a super sexualização de ações de personagens são tratadas como algo extremamente comum, pelo menos em obras destinadas principalmente ao público masculino. Geralmente nesse quesito shoujos colegiais sabem trabalhar muito bem, enquanto que que shounens… Também podemos falar da confusão que se há entre o tom sério ou não de um mangá/anime colegial com relação a mortes, que muitas vezes se confunde no meio das tramas, porém falar sobre o tom certo ou errado de uma trama merece um texto só para si e possivelmente eu o escreverei um no futuro.

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Voltando a questão do número grande de obras colegiais nos dias de hoje, como já citei há uma série de “regras” que a maioria das obras colegiais “precisa” seguir e no geral, mesmo com a grande variação de temas associados, há muita coisa parecida e por isso às vezes esses temas a mais acabam perdendo um pouco da força dentro da trama. Ou seja, esse número crescente de séries colegiais tem sim causado a diminuição da variabilidade de tramas e de maneiras como tramas diferentes são abordadas. Uma forma fácil de exemplificar isso, é que por mais diferentes que sejam os clubes colegiais em cada mangá/anime (clube de música, clube de astronomia, conselho estudantil, clube faz tudo  e etc.)  sempre há características comuns pré-estabelecidas que tornam eles meio similares (isso não vale para animes esportivos).

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Esse texto não tem o intuito de demonizar os mangás/animes colegiais, pois há sim muitas obras boas com essa temática ou característica, ou ambientação, e há exceções a todas as ideias acima comentadas, mas o exagero do número de séries desse tipo tem sim causado um dano a indústria e possivelmente um afastamento de muitos espectadores e leitores antigos de animes e mangás. Eu acho que há espaço para todo tipo de obra, mas há uma carência grande de animes (principalmente animes mesmo) mais adultos e mais maduros, há uma necessidade de se dar mais visibilidade a obras diferentes em light novels e animes. Ainda há muitos mangás bons e de sucesso não colegiais por aí, por que será que não ocorre o mesmo com animes e light novels? E a falta de mais obras diferentes nessas outras mídias faz com que muito mangaka acabe também optando por criar mais obras colegiais já que elas aparentemente fazem mais sucesso, isso gera um ciclo vicioso.

Finalizando, eu estou sim cada vez mais saturado e, por que não dizer, irritado com a quantidade principalmente de animes e light novels colegiais, eu não desejo que pare de  se fazer obras colegiais eu só realmente desejo que num futuro próximo haja uma espaço maior também para séries não colegiais e que sejam protagonizadas por adultos que se parecem adultos. Sabe, eu não lembro a última vez que vi um slice of life adulto, será que eu realmente verei outro desses nessa década?

PS.: Se possível dê uma olhada nos comentários, há uma discussão que está ajudando a complementar esse texto…

Pensador Otaku: Como vemos os animes com o passar do tempo?

Boa noite! Boa madrugada! E bom dia! Está no ar mais uma edição da coluna mais pensante e pessoal desse blog. Bem vindos a meu cantinho do pensamento! Aconchegue-se em um poltrona e beba um pouco de chá, café ou cappuccino antes de começarmos a confabular sobre o tema dessa edição!

Você meu caro leitor com seus mais de 20 anos, provavelmente à tempos atrás nunca imaginaria que o youtube poderia ser uma dos melhores players de músicas gratuitos da internet (Sim! Eu estou ouvindo música de minha playlist de animes no youtube!). O tempo voa, as perspectivas mudam, as facas ginsu já não cortam como antes e aquele produto que mascarava arranhões de carros, fazendo seu veículo ficar mil dólares mais valioso, já não atrai mais tanta atenção (saudades de esperar a hora dos animes na Manchete…). Enfim, o mundo muda e nós mudamos com ele e o que mais muda é o nosso jeito de ver as coisas. A um tempo atrás tudo que a franquia Velozes e Furiosos precisava para chamar a atenção era meia dúzia de carros tunados e umas cinco ou seis corridas em alta velocidade no meio das ruas estranhamente vazias de Los Angeles ou New York. Agora certos filmes de Transformers tem menos ação e menos explosões que os mais recentes Velozes e Furiosos.

O passado que o presente não nos permite esquecer...

O passado que o presente não nos permite esquecer.

Claro que nossa forma de ver animes com o passar do tempo também muda drasticamente e é impressionante ver novas pessoas nesse universo gostando daquelas obras novas que não conseguimos mais encarar, enquanto que algumas pessoas de gerações mais recentes defendem que no passado os animes eram melhores. É  engraçado rever um anime mais de cinco anos depois e perceber o quanto amava aquela série que hoje não parece nada especial e o quanto odiava aquele anime que hoje é uma de minhas obras preferidas.

Meu anime preferido atualmente é One Piece, porém apenas para conseguir passar dos quatro primeiros episódios eu demorei cerca de cinco anos. Há alguns anos comecei a reler o mangá dessa série e é incrível como tudo aquilo que eu achava chato, repetitivo e arrastado, agora me parece tão essencial, que sem aqueles primeiros arcos eu não consigo me ver gostando tanto dos personagens como gosto hoje. Algo muito similar aconteceu com Full Metal Alchemist, apesar de que menos de um ano foi necessário para observar a grandeza da obra. Por outro lado, todo aquele meu fanatismo por Evangelion, que acompanhou mais de dez anos da minha vida, hoje se resume muito mais a saudosismo e respeito do que a prazer e embora eu ainda me empolgue com os novos filmes da franquia, eu não consigo mais falar que a série de tv, que eu adorei e revi tantas vezes, é boa. Ainda assim a Asuka é minha personagem preferida de todos os tempos!

Esse senhor formou parte do meu caráter...

Esse senhor formou parte do meu caráter…

Agora o que mais me impressiona é com relação as características e aos gêneros de anime que, em certo momento da minha vida, me agradaram tanto e que hoje eu não consigo ver. Além das características e gêneros de anime que não apreciava na infância e adolescência e que hoje eu imploraria para ver de volta. O que me faz perceber que por incrível que pareça, a maturidade que eu ganhei, e que muitos de minha geração, e de uma ou duas gerações depois, ganharam, me faz apreciar obras mais antigas muito mais do que na época em que elas nem eram tão antigas assim.

Um exemplo são as séries de anime policias que muitas vezes misturavam mecha e fantasia e que eu não conseguia gostar na infância, como por exemplo City Hunter, e que hoje eu acho incríveis e detentoras de um humor e de uma narrativa tão interessante que me fizeram redescobrir e adorar ainda mais o gênero Noir (o gênero Noir, não o anime Noir, que eu ainda não gosto). E quanto àquelas ficções científicas malucas dos anos 80 e 90 que eu adorava quando se tratavam de filmes, mas quando eram animes me pareciam tão estranhas que eu não conseguia gostar. Hoje eu as venero como se fossem a oitava maravilha do mundo, apesar de que Detonator Orgun, M.D. Geist e boa parte das obras do U.S. Mangá hoje em dia são intratáveis.

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e... OK! Gatos são legais!

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e… OK! Nekomimi são legais!

É importante ressaltar que nem tudo na maturidade se trata de de trocas de gostos e da formação de uma opinião mais sólida sobre as obras que antes eram incríveis e que hoje não parecem nada de mais (Um Abraço Cavaleiros dos Zodíaco!). A maturidade e a experiência ao ver tantas animes (sem querer me gabar, mas são mais de 1300 animes. Se bem que eu conheço um pessoal com 4000 fácil!) me fez apreciar melhor certos detalhes e rever um anime muitas vezes se torna uma experiência completamente nova. Eu ainda me surpreendo toda vez que revejo alguns episódios daquelas comédias colegiais despreocupadas da primeira metade da década passada, como Azumanga Daioh, que me fazem rir que nem um maluco e muitas vezes por motivos que eu nunca tinha reparado antes. Na obra supracitada há uma cena absurda em que uma personagem troca uma frigideira por uma faca e quase mata sua professora. Eu juro que na época que vi esse anime a primeira vez eu não entendi a piada, mas hoje ao mencioná-la aqui eu não consigo parar de rir.

Ainda sobre o como a maturidade e a experiência ao ver animes melhorou meu jeito de vê-los, hoje eu consigo ver o lado irônico e positivo de seriados bizarros e trashs como Jojo’s Bizarre Adventure, que vão além do nonsense que eu sempre adorei. E eu passei a gostar ainda mais do nonsense agora que eu consigo identificar o sub-texto por trás de vários dos elementos dessas obras. Hoje eu aprecio muito mais uma obra que me faz parar e pensar horas e horas sobre o assunto, enquanto que antigamente eu apenas queria ver lutas e mais lutas.

Essas fadinhas...

Essas fadinhas…

Um ônus relacionado a experiência ao ver muitas obras, porém, é a saturação com relação a certas coisas que um dia eu já gostei muito, ou pelos menos um pouco, como o ecchi, as obras colegiais, o slice of life  e os animes com muita ação. Hoje se esses elementos são muito importantes para a obra, eu já tenho um pé atrás com o anime e embora haja obras ainda muito boas com essas características sendo lançadas hoje em dia, eu não consigo mais me empolgar tanto se não houver algo diferente que me atraia nesses animes.

Em contra partida, uma outra vantagem, é que hoje eu não vejo mais só a história e a animação como os elementos mais importantes de um anime e consigo apreciar muito mais uma dublagem bem feita, uma trilha sonora envolvente, um design de personagens bem feito e/ou diferente do convencional, um cenário bem desenhado, efeitos de luz bem aplicados e outros elementos que praticamente passam despercebido de você quanto é mais jovem,  que vale para todo e qualquer produto de mídia visual.

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Imaginem a musiquinha do Zelda quando você pega a Master Sword

Eu poderia ficar aqui por horas e horas falando da minha visão sobre animes quando era um jovem Sasahara_Onishi e como agora é outra ao ser um minimamente mais experiente JuniorKyon, mas a ideia desse texto, como a dos outros textos dessa coluna, não é nem criticar, nem necessariamente ensinar algo. Tudo que eu espero com esse texto é ter aberto um pouco a mente dos leitores para que possam refletir sobre o tema aqui apresentado e ver que é natural gostar mais de um anime antigo hoje em dia e também desgostar de um anime que amava antigamente. Em cada época de sua vida a sua visão sobre algo não é certa ou errada, na verdade ela depende das suas vivências. Claro que uma pessoa mais madura e experiente consegue atentar a mais questões que uma pessoa mais jovem, porém essa mesma pessoa é provavelmente menos aberta a novas descobertas. Talvez por isso seja tão importante manter sempre integrada as diversas gerações, já que nem sempre apenas uma visão é adequada.

Vale ressaltar que muita gente abandona os animes a medida que amadurece, será que essas pessoas também tem uma visão tão mudada sobre os animes que viam na infância e adolescência em detrimento de algum episódio aleatório de um anime que viu hoje em dia? Eu me pergunto isso porque eu acho estranho meu antigo chefe, que não via anime na adolescência, gostar de Naruto e não de Death Note, enquanto que eu acredito que o segundo é bem mais interessante que o primeiro exatamente devido a algumas questões que só percebo por ser um adulto (Hoje em dia eu acho Death Note mediano e não gosto de Naruto, mas respeito quem gosta! Morte aos rótulos, naruteiros não mais!).

É difícil aceitar que a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade  o respeito a vida e me faz desgostar desse personagem.

É difícil aceitar, mas a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade o respeito a vida me faz desgostar desse personagem.

Para finalizar, espero que tenham gostado do texto e se possível coloquem nos comentários o que pensam sobre essa mudança de visão sobre os animes pela qual passamos a medida que amadurecemos e que ganhamos mais experiência. E antes que me taxem de muito velho por tudo que citei no texto, eu estou prestes a completar apenas a minha 27ª primavera.

 

A divindade em Mirai Nikki

Uma história de amor muito saudável

Uma história de amor muito saudável

Mirai Nikki é uma obra originalmente publicada como mangá entre 2006 e 2010 na revista Shounen Ace e adaptada para anime em 2011. O universo apresentado brinca desde o primeiro momento com o conceito de divindade, a colocando como prêmio de uma competição de sobrevivência. Uma característica que deuses assumem em Mirai Nikki é a mortalidade. Deus Ex Machina, o deus supremo do tempo e do espaço, que Yuki considera um amigo imaginário inicialmente, está no fim de seu mandato e logo irá morrer. Os escolhidos como candidatos ao cargo são aqueles possuidores de um legítimo diário do futuro, que corresponde aos próprios registros que o usuário faria normalmente, mas deslocados no tempo. As informações contidas nos diários não são um futuro imutável, mas algo que os candidatos, cada um conhecido por um número, podem usar em sua missão de matar os restantes. Ter essa missão não significa que os participantes são assassinos de sangue frio, mas eles são de fato corrompidos pelo processo e por outras circunstâncias.

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Por que o Kyubey é bom (spoilers)

Mahou Shoujo Madoka Magika é um anime que foi exibido em 2011 e produzido pelo estúdio Shaft. Recebeu também uma linha de mangás e 3 filmes. A obra teve uma boa repercussão e seu mascote ficou marcado como um símbolo de maldade, um clássico lobo em pele de cordeiro. No entanto, apesar de ser fácil perceber as motivações que levam esse estigma a recair sobre o Kyubey, tal pensamento apresenta fragilidades.

Eu mando nesta confusão toda

Eu mando nesta confusão toda

A acusação básica em questão é a de que os incubators exploraram e enganaram a humanidade ao apresentarem o contrato como uma promessa de realização dos desejos e ingresso em uma missão heróica quando tudo se tratava, na verdade, de adquirir energia para reverter a escalada natural da entropia e a fonte dessa energia era o evento mais terrível para as garotas mágicas: a transformação em bruxas.

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