O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Arquivo para a categoria ‘Pensador Otaku’

Até mais, e obrigado pelos peixes!

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Bang!

Então… meio que já tinha dado pistas nos últimos posts, mas agora estou oficializando uma decisão que já foi tomada há algum tempo. Resumindo, esse é o último post do Anime Porftolio (mas seja legal e leia o post até o fim!). 

Os motivos para parar de postar no blog são pessoais e, embora não seja nada mirabolante ou que esteja afetando minha vida pessoal grandemente, eu vou me reservar o direito de omiti-los. Em vez de explicar os motivos para o fim, prefiro explicar o que vem adiante, mas não antes de já agradecer profundamente a todos os leitores do blog nesses quase 7 anos de existência.

Muito obrigado pelo apoio de todos nesse período! Tenho certeza que nem sempre o blog agradou a todos, mas certamente vale muito a pena guardar os bons momentos, as boas informações, as boas indicações e talvez o bom conhecimento que eu e todos os autores do blog tentamos passar nesse tempo em que esta página esteve em atividade. Um agradecimento especial aos parceiros do blog que nos apoiaram nessa empreitada, e mais especialmente aos blogs Animecote e Netoin, que sempre me apoiaram e que continuam me apoiando nos projetos malucos que bolei.

E agora o que acontece?

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Esse post marca o fim das postagens no Anime Portfolio, mas o blog não chega ao fim hoje, na verdade tem tanto conteúdo que a nós (a equipe) orgulha, que não poderíamos simplesmente deixar tudo para lá. Além disso, o fim das postagens no Anime Portfolio não marca o fim das atividades de todos os autores do blog. Eu, o velho e maluco administrador desse blog ainda continuarei a blogar, mas em outros locais. Então isso é o que posso falar sobre o futuro do conteúdo do blog e sobre alguns autores:

  • O Kyon continuará sofrendo com o tratamento da Haruhi, mas nada sabemos se ele voltará um dia a escrever seus sarcásticos comentários sobre anime.
  • O Aiscrim (André) irá continuar escrevendo sobre videogame no Intersect News, continuará seus contos no Aisvêrse e continuará participando, sempre que possível, do Kyoudai Podcast.
  • Eu (o Administrador do blog) me manterei postando podcasts e contos no Yopinando, e além de participar dos podcasts, eu me tornei redator do Animecote.
  • Ainda sobre minha participação no Animecote, parte dos textos que publicarei lá de agora em diante serão continuações de certas colunas que postava aqui, dentre as quais o Pensador Otaku e A resposta é 42 são duas que manterei. Ainda não sei ao certo se manterei alguma outra. Além disso, certas matérias especiais e textos egressos dessas colunas que fazem parte do Anime Portfolio serão revisados, atualizados e repostados no Animecote. Ainda não está definido que textos serão relançados, mas a frequência de relançamentos não deve ser maior que 2 textos por mês.
  • As resenhas, e outros textos opinativos e expositivos, que consideramos atemporais e que não gostaríamos que fossem completamente esquecidos no limbo do passado da internet, serão revisados e atualizados por mim e pelo Aiscrim (por enquanto apenas por nós dois), para futuramente (provavelmente no primeiro semestre de 2016) serem compilados e relançados como uma publicação digital similar a uma revista.
  • Apenas após o lançamento da compilação citada acima,  o blog será fechado, até lá será possível acessá-lo e ver todo o conteúdo publicado no blog, inclusive os extremamente datados.
  • Nada posso dizer sobre os demais autores do blog, apenas posso afirmar que sempre contarão com meu apoio em qualquer projeto que venham a me apresentar.
  • O Projeto Conhecendo o Mercado Naccional de Mangás continuará sendo publicado nos blogs participantes do mesmo, com exceção do Anime Portfolio. E aquele imenso texto que preparo todo mês sobre o formulário mensal do projeto passará a ser publicado no Animecote.
  • Como já mencionado anteriormente, o Kyoudai Podcast continuará sendo gravado ao vivo e publicado no youtube, no Animecote e no Netoina cada duas semanas.
  • O podcast Sobre Músicas e Animes continuará sendo publicado no Yopinando, mas também será publicado no Animecote.
  • Os demais podcasts (Yopinando Shinbun, Yohohoho, SensouCast e Animecotecast) que eram publicados (também) aqui continuarão sendo publicados nos seus blogs de origem, o Yopinando e o Animecote.
  • Por último, a página do facebook e os twitters do blog serão desativados dia 25/09/2015.

o último Adeus Até mais

Dito isso (ou escrito isso), gostaria de agradecer pela última vez a todos os leitores, autores, comentaristas e parceiros do Anime Portfolio. Foram quase 7 anos de uma história memorável, que espero que tenha influenciado positivamente a cada um de vocês, ao menos a minha vida foi muito positivamente influenciada. Espero revê-los no Yopinando, no Animecote e em qualquer outro local da internet pelo qual passar (ou ao vivo quem sabe?). Como nunca se sabe o que acontecerá no futuro, em vez de um adeus, prefiro terminar esse texto como um bom golfinho faria (mesmo eu não sendo um golfinho, ou será que sou…), dizendo Até mais!  

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Pensador otaku: Demografia não é gênero!

Você que é fã de anime e mangá já se deparou em uma situação que tinha de escolher qual seu gênero preferido. Provavelmente antes de responder a pergunta uma série de palavrinhas em japonês vieram a sua mente: Shonen, Shoujo, Josei, Seinen e Kodomo. E por impulso, ou por falta de conhecimento, respondeu a pergunta com uma dessas palavras. Porém, se alguém lhe perguntar “qual sua demografia de mangá preferida?”, dificilmente palavras como “ação”, “aventura’, “fantasia”, lhe parecerão opções e provavelmente você também usará algumas das cinco palavrinhas anteriores para responder a pergunta. De fato, qualquer uma das palavras japonesas anteriores responde corretamente a segunda pergunta, mas nenhuma delas serve para a primeira.

Shonen

Shonen

O termo gênero tem um significado tão amplo que pode ser simplesmente entendido como uma classificação de vários elementos segundo características comuns. Porém o termo é utilizado em situações específicas, por exemplo, biologicamente o ser humano pode se encontrar em dois gêneros: homem e mulher. Literariamente o gênero pode significar um tipo de forma de escrita (crítica, descrição, novela e etc.) ou um tipo de narrativa (ação, aventura, drama). Para o cinema o termo também pode ser utilizado para classificar uma narrativa como ação, drama, aventura, ficção científica e etc. Enfim, quando se pergunta “qual o gênero de um mangá?”, se que saber qual a forma de narrativa desse mangá? Ou seja, se quer saber se é uma obra de drama, ação, aventura, ficção científica, policial, máfia…

O termo demografia está relacionado a classificação de seres humanos, então quando se pergunta “qual a demografia de um mangá?”, se quer saber, em geral, qual a faixa etária para o qual aquele mangá a é mais indicado? Ou pelo menos era isso que deveria significar, mas…

Seinen

Seinen

Vale a pena agra explicar o que são aquelas tais palavrinhas japonesas que citei no começo do texto, antes de voltar a falar de demografias. A palavra Shonen significa garoto, analogamente a palavra Shoujo significa garota e a palavra Kodomo significa criança. O termo Josei significa mulher ou feminino. Por fim, Seinen significa juventude ou jovem adulto. Também existem outros termos japoneses que definem demografias, mas esses cinco são os mais utilizados.

Esses termos são utilizados apenas para classificar demograficamente revistas japonesas, em geral, que publicam mangás e novels. Para anime só faz sentido utilizar essa classificação demográfica quando o mesmo é uma adaptação de mangás ou novels que foram publicados em revistas. A classificação de mangás e novels é na verdade a mesma da revista em que a obra foi publicada. Por isso não é estranho que um mangá violento e com uma trama complexa como Shingeki no Kyojin é um shonen e que um mangá que simplesmente apresenta o dia a dia de garotas colegiais como K-ON fosse um seinen. Para quem não entendeu. Shingeki no Kyojin é publicado na Bessatsu Shonen Magazine, um revista shonen, e K-ON foi publicado na Manga time Kirara Carat, uma revista seinen.

Shoujo

Shoujo

E porque tanta gente confunde gênero com demografia? Não posso afirmar, mas acredito que o conjunto “termo japonês para classificar mangá + similaridade de gêneros famosos entre pessoas de certas demografias” seja o responsável pela confusão. Por exemplo, jovens garotos costumam gostar muito de obras de ação, aventura, com certa quantidade de violência e humor, por isso a maioria dos mangás shonen, que seriam destinados a esse público, tem essas características, de modo que para muitos o significado do termo shonen está associado a essas características, o que não é verdade. Analogamente jovens garotas costumam gostar muito de romance e drama, por isso muitos pensam que esses gêneros são intrínsecos ao termo shoujo, o que também não é verdade.

Outro problema é que as demografias não são tão bem definidas como parecem, pois além de ser claro que sempre haverá pessoas de certas demografias que irão gostar de obras de outra, qualquer demografia pode conter obras de qualquer gênero.

Além disso, as revistas japonesas consideram o povo japonês como seu público alvo, o que faz todo sentido, mas os japoneses são diferentes dos brasileiros, que são diferentes dos estadunidenses, que são diferentes dos indianos e etc. Onde eu quero chegar com isso? Povos diferentes tem pensamentos e leis diferentes, uma atitude que é considerada adulta em um país pode ser plenamente aceitável para adolescentes ou até para crianças em outro. Em um país mulheres gostam de se vestir com roupas mais leves e em outro isso é um absurdo. As diferenças culturais e na legislação de cada país influi diretamente na produção cultural do mesmo e isso obviamente afeta publicações de quadrinhos. De modo que um quadrinho que para um páis é destinado a adolescentes, em outro é destinado a adultos e etc.

Josei

Josei

Então a classificação demográfica japonesa de revistas de mangás e novels só vale para o Japão? Não. Você pode sim usar essa classificação em qualquer lugar do mundo, porém o mais correto seria utilizar as classificações etárias específicas de cada país. Porém o cerne da questão não é esse, o que quero mostrar é o quão errado é utilizar uma demografia como gênero. Um shoujo pode muito bem apresentar violência e ter uma trama policial. Um shonen pode muito bem apresentar a história de um casal. Um seinen pode ser protagonizado por crianças. Um josei pode falar da yakuza. Então toda vez que você falar que não gosta de shoujo, lembre-se que você está falando que não gosta de mangás, novels e animes que  podem tanto ser de romance, quando de ficção científica. E quando você falar que não gosta de shonen, lembre-se que você pode tanto está falando que não gosta de mangás, novels e animes que tanto podem ser uma aventura ou uma história de um casamento, ou sobre o dia a dia de uma dona de casa.

Enfim, demografia não é gênero!

A humanidade em Kiseijuu: Sei no Kakuritsu

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Apenas corpos esculturais

Kiseijuu: Sei no Kakuritsu, ou Parasyte para quem prefere inglês, é um mangá de 1988 que, em 2015, foi adaptado para um anime de 24 episódios. A obra conta a história de Shinichi Izumi, um jovem que acorda de noite tendo o corpo invadido por um parasita desconhecido. O parasita tomaria seu cérebro, mas por sorte se aloja em seu braço direito. A partir de então, Izumi é obrigado a lidar com a existência dos parasitas, com a ameaça que eles são para as pessoas ao redor dele e com o que Migi, seu próprio parasita, representa para ele.

Migi é predominantemente retratado como uma criatura de personalidade fria que só se importa com a própria sobrevivência. Ele justifica proteger Izumi com a argumento de que a morte do rapaz significaria seu próprio fim. Enquanto isso, Izumi é inicialmente mostrado como alguém medroso, frágil e emocional. Fica estabelecida assim uma distinção entre humanos e parasitas, caracterizando os últimos como predadores impiedosos. No entanto, no decorrer da história, há uma aproximação entre as duas condições, inclusive dentro do protagonista. Ele ganha características de parasita e Migi vai sutilmente se tornando mais humano.

(mais…)

Pensador Otaku: A Sailor Fukutização da cultura otaku

Yo! Tudo bem com vocês? Que tal refletirmos um pouco sobre mais um assunto ligado aos animes e mangás? Enfim espero que gostem de mais esse texto opinativo e reflexivo sobre um dos elementos da cultura otaku.

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Afinal, o que é Sailor Fukutização?

Não pesquisei se outras pessoas também usam o termo, mas Sailor Fukutização, assim como a Moeficação, é um termo que utilizo para exemplificar um “fenômeno” inerente a animes, mangás, novels e outros produtos relacionados a cultura otaku. Trata-se da exploração exacerbada do tema “colegial” e/ou de personagens colegiais nas mídias visuais supracitadas. Escolhi esse termo, pois “Sailor Fuku” é a maneira como os japoneses e referem ao uniforme escolar feminino que são baseados em fardas de marinheiros e que são adotados por praticamente todas as escolas colegiais japonesas (escolas fundamentais também).

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E porque fazer um texto sobre isso? 

Em parte por uma irritação pessoal com relação ao tema, mas principalmente porque é uma característica de séries de mangá/anime (eu não vou ficar repetindo “anime, mangá, light novel e outros produtos relacionados a cultura otaku”, então citarei apenas a expressão “mangá/anime”, mas tome tudo que for dito no texto como algo relacionado a todas essas mídias)  que nos últimos anos, ou na última década, se tornou um fenômeno.

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Como assim um fenômeno?

O costume de se produzir mangás com a temática colegial vem desde os anos 50 com a volta das publicações de mangás após a segunda guerra mundial. O tema era tratado apenas como mais um gênero, ou como elemento de fundo apenas para identificar a faixa etária a qual os personagens da história pertenciam e meio que é assim até hoje. Porém as obras com essa característica sempre representaram um espaço substancial, porém nem perto de ser um elemento muito mais recorrente do que os demais tipos de obras. Suponho até que entre os anos 80 e 90 havia uma quase equivalência entre obras colegiais e policiais (como eu sinto falta de séries policiais). Já na última década, o número de história situadas no meio colegial ou protagonizadas por colegiais  aumentou de maneira exacerbada, em especial nas temporadas de animes dos últimos 3 a 4 anos, é comum 30% ou mais da quantidade de animes em cada temporada ter a temática colegial ou ser protagonizada por colegiais.

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Claro que em parte isso se deve à popularidade desse tema ser grande, no entanto esse fenômeno cada vez mais causa um declínio da variabilidade de temáticas, ainda que se explore o tema ou a ambientação em conjunto com um número gigantesco de outros temas, características comuns de animes colegiais são e necessitam ser preservadas para abordar esse tema. A mais óbvia é a quase que necessidade de todos ou quase todos os personagens serem colegiais. Claro que a grande maioria das pessoas que leem mangá e assistem anime são adolescentes e jovens adultos que a pouco saíram do colegial (fora aquela razoável massa de otakus adultos que abrange muitos dos leitores desse blog inclusive o autor desse texto) e por isso é normal que a maioria  dos personagens também sejam adolescentes para que haja um empatia maior. Porém, essa super popularidade de personagens adolescentes é uma das causas da infantilização de elementos destinados ao público adulto e também do design e da caracterização de personagens adultos.

Outra característica inerente a obras colegiais é a imaturidade da trama ou das ações dos personagens, pois ainda que ajam algumas obras colegiais bastante maduras, a maturidade é um elemento um tanto estranho para caracterizar um jovem, de modo que muito da pouca maturidade desses animes venham dos poucos personagens adultos, mas como esses mesmos personagens geralmente não tem muito relevância (e muitas vez quando têm, ocorre a supracitada infantilização desses personagens), a trama se torna realmente imatura, o que faz sentido.

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Existem outras características que poderiam exploradas, mas para não me estender muito mais vou apresentar abaixo os problemas de tudo isso com foco na “infantilização”, na “imaturidade” e no fato de haver esse crescimento exacerbado de mangás/animes colegiais.

Enfim qual a problemática de tudo isso?

A meu ver o grande a infantilização de elementos destinados ao público adulto, causa a má exploração de muitos desses elementos, em especial podemos falar de ecchi, que em muitos casos se confunde, pois o ecchi para jovens não deveria ser tão expositivo como é hoje em dia, e para adultos, porque muitos mangás/animes colegiais sabem que adultos os acompanham e usam elementos para atrair mais deles, não deveria ser tão inocentes. A confusão disso tudo acaba gerando um ecchi por ecchi que vira fanservice e se torna muitos vezes inútil para trama, ainda que cumpra seu papel de chamar a atenção de pessoas que não se preocupam tanto com a trama (embora acho que até essa galera uma hora cansa).

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Com relação a imaturidade, em parte tudo depende muito do como a trama se desenrola, mas particularmente é fácil citar exemplos de obras que, por exemplo, tenham professores que mais parecem estudantes colegiais e que não parecem ter a menor capacidade de conduzir uma sala de aula, ou de personagens adultos que premeditadamente tem designs infantis. Além disso, é incrível como boa parte das obras colegiais não parecem fazer ideia de quão complicado é para adolescentes a questão dos relacionamentos amorosos e a super sexualização de ações de personagens são tratadas como algo extremamente comum, pelo menos em obras destinadas principalmente ao público masculino. Geralmente nesse quesito shoujos colegiais sabem trabalhar muito bem, enquanto que que shounens… Também podemos falar da confusão que se há entre o tom sério ou não de um mangá/anime colegial com relação a mortes, que muitas vezes se confunde no meio das tramas, porém falar sobre o tom certo ou errado de uma trama merece um texto só para si e possivelmente eu o escreverei um no futuro.

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Voltando a questão do número grande de obras colegiais nos dias de hoje, como já citei há uma série de “regras” que a maioria das obras colegiais “precisa” seguir e no geral, mesmo com a grande variação de temas associados, há muita coisa parecida e por isso às vezes esses temas a mais acabam perdendo um pouco da força dentro da trama. Ou seja, esse número crescente de séries colegiais tem sim causado a diminuição da variabilidade de tramas e de maneiras como tramas diferentes são abordadas. Uma forma fácil de exemplificar isso, é que por mais diferentes que sejam os clubes colegiais em cada mangá/anime (clube de música, clube de astronomia, conselho estudantil, clube faz tudo  e etc.)  sempre há características comuns pré-estabelecidas que tornam eles meio similares (isso não vale para animes esportivos).

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Esse texto não tem o intuito de demonizar os mangás/animes colegiais, pois há sim muitas obras boas com essa temática ou característica, ou ambientação, e há exceções a todas as ideias acima comentadas, mas o exagero do número de séries desse tipo tem sim causado um dano a indústria e possivelmente um afastamento de muitos espectadores e leitores antigos de animes e mangás. Eu acho que há espaço para todo tipo de obra, mas há uma carência grande de animes (principalmente animes mesmo) mais adultos e mais maduros, há uma necessidade de se dar mais visibilidade a obras diferentes em light novels e animes. Ainda há muitos mangás bons e de sucesso não colegiais por aí, por que será que não ocorre o mesmo com animes e light novels? E a falta de mais obras diferentes nessas outras mídias faz com que muito mangaka acabe também optando por criar mais obras colegiais já que elas aparentemente fazem mais sucesso, isso gera um ciclo vicioso.

Finalizando, eu estou sim cada vez mais saturado e, por que não dizer, irritado com a quantidade principalmente de animes e light novels colegiais, eu não desejo que pare de  se fazer obras colegiais eu só realmente desejo que num futuro próximo haja uma espaço maior também para séries não colegiais e que sejam protagonizadas por adultos que se parecem adultos. Sabe, eu não lembro a última vez que vi um slice of life adulto, será que eu realmente verei outro desses nessa década?

PS.: Se possível dê uma olhada nos comentários, há uma discussão que está ajudando a complementar esse texto…

Pensador Otaku: Como vemos os animes com o passar do tempo?

Boa noite! Boa madrugada! E bom dia! Está no ar mais uma edição da coluna mais pensante e pessoal desse blog. Bem vindos a meu cantinho do pensamento! Aconchegue-se em um poltrona e beba um pouco de chá, café ou cappuccino antes de começarmos a confabular sobre o tema dessa edição!

Você meu caro leitor com seus mais de 20 anos, provavelmente à tempos atrás nunca imaginaria que o youtube poderia ser uma dos melhores players de músicas gratuitos da internet (Sim! Eu estou ouvindo música de minha playlist de animes no youtube!). O tempo voa, as perspectivas mudam, as facas ginsu já não cortam como antes e aquele produto que mascarava arranhões de carros, fazendo seu veículo ficar mil dólares mais valioso, já não atrai mais tanta atenção (saudades de esperar a hora dos animes na Manchete…). Enfim, o mundo muda e nós mudamos com ele e o que mais muda é o nosso jeito de ver as coisas. A um tempo atrás tudo que a franquia Velozes e Furiosos precisava para chamar a atenção era meia dúzia de carros tunados e umas cinco ou seis corridas em alta velocidade no meio das ruas estranhamente vazias de Los Angeles ou New York. Agora certos filmes de Transformers tem menos ação e menos explosões que os mais recentes Velozes e Furiosos.

O passado que o presente não nos permite esquecer...

O passado que o presente não nos permite esquecer.

Claro que nossa forma de ver animes com o passar do tempo também muda drasticamente e é impressionante ver novas pessoas nesse universo gostando daquelas obras novas que não conseguimos mais encarar, enquanto que algumas pessoas de gerações mais recentes defendem que no passado os animes eram melhores. É  engraçado rever um anime mais de cinco anos depois e perceber o quanto amava aquela série que hoje não parece nada especial e o quanto odiava aquele anime que hoje é uma de minhas obras preferidas.

Meu anime preferido atualmente é One Piece, porém apenas para conseguir passar dos quatro primeiros episódios eu demorei cerca de cinco anos. Há alguns anos comecei a reler o mangá dessa série e é incrível como tudo aquilo que eu achava chato, repetitivo e arrastado, agora me parece tão essencial, que sem aqueles primeiros arcos eu não consigo me ver gostando tanto dos personagens como gosto hoje. Algo muito similar aconteceu com Full Metal Alchemist, apesar de que menos de um ano foi necessário para observar a grandeza da obra. Por outro lado, todo aquele meu fanatismo por Evangelion, que acompanhou mais de dez anos da minha vida, hoje se resume muito mais a saudosismo e respeito do que a prazer e embora eu ainda me empolgue com os novos filmes da franquia, eu não consigo mais falar que a série de tv, que eu adorei e revi tantas vezes, é boa. Ainda assim a Asuka é minha personagem preferida de todos os tempos!

Esse senhor formou parte do meu caráter...

Esse senhor formou parte do meu caráter…

Agora o que mais me impressiona é com relação as características e aos gêneros de anime que, em certo momento da minha vida, me agradaram tanto e que hoje eu não consigo ver. Além das características e gêneros de anime que não apreciava na infância e adolescência e que hoje eu imploraria para ver de volta. O que me faz perceber que por incrível que pareça, a maturidade que eu ganhei, e que muitos de minha geração, e de uma ou duas gerações depois, ganharam, me faz apreciar obras mais antigas muito mais do que na época em que elas nem eram tão antigas assim.

Um exemplo são as séries de anime policias que muitas vezes misturavam mecha e fantasia e que eu não conseguia gostar na infância, como por exemplo City Hunter, e que hoje eu acho incríveis e detentoras de um humor e de uma narrativa tão interessante que me fizeram redescobrir e adorar ainda mais o gênero Noir (o gênero Noir, não o anime Noir, que eu ainda não gosto). E quanto àquelas ficções científicas malucas dos anos 80 e 90 que eu adorava quando se tratavam de filmes, mas quando eram animes me pareciam tão estranhas que eu não conseguia gostar. Hoje eu as venero como se fossem a oitava maravilha do mundo, apesar de que Detonator Orgun, M.D. Geist e boa parte das obras do U.S. Mangá hoje em dia são intratáveis.

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e... OK! Gatos são legais!

Olha eu reclamando da quantidade de animes de gato na temporada atual e… OK! Nekomimi são legais!

É importante ressaltar que nem tudo na maturidade se trata de de trocas de gostos e da formação de uma opinião mais sólida sobre as obras que antes eram incríveis e que hoje não parecem nada de mais (Um Abraço Cavaleiros dos Zodíaco!). A maturidade e a experiência ao ver tantas animes (sem querer me gabar, mas são mais de 1300 animes. Se bem que eu conheço um pessoal com 4000 fácil!) me fez apreciar melhor certos detalhes e rever um anime muitas vezes se torna uma experiência completamente nova. Eu ainda me surpreendo toda vez que revejo alguns episódios daquelas comédias colegiais despreocupadas da primeira metade da década passada, como Azumanga Daioh, que me fazem rir que nem um maluco e muitas vezes por motivos que eu nunca tinha reparado antes. Na obra supracitada há uma cena absurda em que uma personagem troca uma frigideira por uma faca e quase mata sua professora. Eu juro que na época que vi esse anime a primeira vez eu não entendi a piada, mas hoje ao mencioná-la aqui eu não consigo parar de rir.

Ainda sobre o como a maturidade e a experiência ao ver animes melhorou meu jeito de vê-los, hoje eu consigo ver o lado irônico e positivo de seriados bizarros e trashs como Jojo’s Bizarre Adventure, que vão além do nonsense que eu sempre adorei. E eu passei a gostar ainda mais do nonsense agora que eu consigo identificar o sub-texto por trás de vários dos elementos dessas obras. Hoje eu aprecio muito mais uma obra que me faz parar e pensar horas e horas sobre o assunto, enquanto que antigamente eu apenas queria ver lutas e mais lutas.

Essas fadinhas...

Essas fadinhas…

Um ônus relacionado a experiência ao ver muitas obras, porém, é a saturação com relação a certas coisas que um dia eu já gostei muito, ou pelos menos um pouco, como o ecchi, as obras colegiais, o slice of life  e os animes com muita ação. Hoje se esses elementos são muito importantes para a obra, eu já tenho um pé atrás com o anime e embora haja obras ainda muito boas com essas características sendo lançadas hoje em dia, eu não consigo mais me empolgar tanto se não houver algo diferente que me atraia nesses animes.

Em contra partida, uma outra vantagem, é que hoje eu não vejo mais só a história e a animação como os elementos mais importantes de um anime e consigo apreciar muito mais uma dublagem bem feita, uma trilha sonora envolvente, um design de personagens bem feito e/ou diferente do convencional, um cenário bem desenhado, efeitos de luz bem aplicados e outros elementos que praticamente passam despercebido de você quanto é mais jovem,  que vale para todo e qualquer produto de mídia visual.

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Imaginem a musiquinha do Zelda quando você pega a Master Sword

Eu poderia ficar aqui por horas e horas falando da minha visão sobre animes quando era um jovem Sasahara_Onishi e como agora é outra ao ser um minimamente mais experiente JuniorKyon, mas a ideia desse texto, como a dos outros textos dessa coluna, não é nem criticar, nem necessariamente ensinar algo. Tudo que eu espero com esse texto é ter aberto um pouco a mente dos leitores para que possam refletir sobre o tema aqui apresentado e ver que é natural gostar mais de um anime antigo hoje em dia e também desgostar de um anime que amava antigamente. Em cada época de sua vida a sua visão sobre algo não é certa ou errada, na verdade ela depende das suas vivências. Claro que uma pessoa mais madura e experiente consegue atentar a mais questões que uma pessoa mais jovem, porém essa mesma pessoa é provavelmente menos aberta a novas descobertas. Talvez por isso seja tão importante manter sempre integrada as diversas gerações, já que nem sempre apenas uma visão é adequada.

Vale ressaltar que muita gente abandona os animes a medida que amadurece, será que essas pessoas também tem uma visão tão mudada sobre os animes que viam na infância e adolescência em detrimento de algum episódio aleatório de um anime que viu hoje em dia? Eu me pergunto isso porque eu acho estranho meu antigo chefe, que não via anime na adolescência, gostar de Naruto e não de Death Note, enquanto que eu acredito que o segundo é bem mais interessante que o primeiro exatamente devido a algumas questões que só percebo por ser um adulto (Hoje em dia eu acho Death Note mediano e não gosto de Naruto, mas respeito quem gosta! Morte aos rótulos, naruteiros não mais!).

É difícil aceitar que a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade  o respeito a vida e me faz desgostar desse personagem.

É difícil aceitar, mas a proposta dele é racional. Felizmente a moralidade o respeito a vida me faz desgostar desse personagem.

Para finalizar, espero que tenham gostado do texto e se possível coloquem nos comentários o que pensam sobre essa mudança de visão sobre os animes pela qual passamos a medida que amadurecemos e que ganhamos mais experiência. E antes que me taxem de muito velho por tudo que citei no texto, eu estou prestes a completar apenas a minha 27ª primavera.

 

A divindade em Mirai Nikki

Uma história de amor muito saudável

Uma história de amor muito saudável

Mirai Nikki é uma obra originalmente publicada como mangá entre 2006 e 2010 na revista Shounen Ace e adaptada para anime em 2011. O universo apresentado brinca desde o primeiro momento com o conceito de divindade, a colocando como prêmio de uma competição de sobrevivência. Uma característica que deuses assumem em Mirai Nikki é a mortalidade. Deus Ex Machina, o deus supremo do tempo e do espaço, que Yuki considera um amigo imaginário inicialmente, está no fim de seu mandato e logo irá morrer. Os escolhidos como candidatos ao cargo são aqueles possuidores de um legítimo diário do futuro, que corresponde aos próprios registros que o usuário faria normalmente, mas deslocados no tempo. As informações contidas nos diários não são um futuro imutável, mas algo que os candidatos, cada um conhecido por um número, podem usar em sua missão de matar os restantes. Ter essa missão não significa que os participantes são assassinos de sangue frio, mas eles são de fato corrompidos pelo processo e por outras circunstâncias.

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Por que o Kyubey é bom (spoilers)

Mahou Shoujo Madoka Magika é um anime que foi exibido em 2011 e produzido pelo estúdio Shaft. Recebeu também uma linha de mangás e 3 filmes. A obra teve uma boa repercussão e seu mascote ficou marcado como um símbolo de maldade, um clássico lobo em pele de cordeiro. No entanto, apesar de ser fácil perceber as motivações que levam esse estigma a recair sobre o Kyubey, tal pensamento apresenta fragilidades.

Eu mando nesta confusão toda

Eu mando nesta confusão toda

A acusação básica em questão é a de que os incubators exploraram e enganaram a humanidade ao apresentarem o contrato como uma promessa de realização dos desejos e ingresso em uma missão heróica quando tudo se tratava, na verdade, de adquirir energia para reverter a escalada natural da entropia e a fonte dessa energia era o evento mais terrível para as garotas mágicas: a transformação em bruxas.

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Pensador Otaku: Dar para ser otaku fora do Japão?

Bom dia, boa tarde e boa noite! Hoje é dia de mais pensamentos sobre o universo otaku, ou sobre o que achamos que ele é. Você, meu caro leitor que não mora no Japão (segundo as estatísticas do wordpress, vez por outra alguém acessa esse blog do Japão), na tentativa de tornar mais forte seu espírito otaku, já deve ter se deparado com diversas barreiras, que vão desde a dificuldade em conseguir materiais que lhe façam upar (ou subir) de nível, até a barreira da língua e algumas vezes a falta de conhecimento cultural que não lhe permiti compreender certas referências apresentadas  nas obras que acompanha ou que acompanhou. Nós que não vivemos em terras nipônicas e nem em terras próximas destas, sempre temos alguma dificuldade para explorar ao máximo as possibilidades de nosso hobby, pelo simples fato de que estamos fora do país de onde ele se origina! E não pensem que a globalização resolveu esse problema, pelo menos não resolveu por completo, pois ainda estamos a mercê da influência e principalmente da boa vontade dos “grandiosos” japoneses (e de alguns outros asiáticos) para nos mantermos atualizados em nosso hobby, ainda assim dificilmente chegamos perto de estarmos tão atualizados quanto eles, diante de tudo isso, será que não somos apenas fãs atrasados de uma cultura estrangeira? Será que realmente podemos nos autointitular otakus? Afinal, dar para ser otaku fora do Japão?

Você não é japonês, pare de fingir!

Você não é japonês, pare de fingir!

A alguns meses atrás acompanhei um anime chamado Outbreak Company, uma obra de fantasia onde o protagonista, um jovem adulto e otaku, passa a trabalhar para o governo do Japão como emissário da cultura otaku em um outro país localizado em um mundo de fantasia medieval que descobriu-se está ligado ao Japão através de uma fenda espaço temporal ou coisa parecida. A ideia de apresentar a cultura otaku a essa nação partia do pressuposto que ela é um exemplo comprovado de um tipo de expressão cultural advinda do Japão que influencia muitas pessoas no mundo todo. O anime se atém a comédia em boa parte do tempo, mas apresenta bem o poder de influência da cultura otaku e em certo momento ele levanta rapidamente a discussão sobre o como esse novo país se ver “refém” do controle de material otaku feito pela nação japonesa, mas ou menos como se isso fosse uma droga a qual as pessoas deste país de fantasia medieval se acostumaram a provar e então passaram a sentir cada vez mais necessidade de consumi-la. Dado as devidas proporções e tendo em mente o teor ficcional da obra, podemos dizer que ela, embora tenha suas diferenças, apresenta basicamente o que os otakus fora do Japão sentem. No anime é dada uma solução plausível e fácil de identificar para esse problema, que até muitos tentam aplicar no mundo real, mas existe  um série de entraves que tornam difícil realmente aplicar essa solução…

Uma arma bem perigosa...

Exatamente, apenas relaxe e espalhe o caminho otaku para essas pessoas.

Na última edição dessa coluna, deixei claro que o termo “otaku” pode ser usado de forma a identificar pessoas fãs de anime e mangá (clique aqui para ler a matéria completa) em qualquer lugar do mundo, assim sendo, não há nenhum problema em eu, você, e todos os seus conhecidos que gostam de anime e mangá se autointitularem otakus, porém se minimizarmos a amplitude desse significado para o atribuirmos apenas a pessoas que de fato acompanham o mundo dos anime e mangas, mesmo que com não muita frequência,  veremos que esses “reais otakus”, incluindo, eu, você e seus conhecidos que realmente acompanham o que chamamos de “cultura otaku”, ainda hoje estão a mercê do que o Japão, ou do que as pessoas que lá moram, nos permitem conhecer. Por mais que tenhamos chegado a um status em que acompanhamos informações quase que ao mesmo tempo que as pessoas que moram em terras nipônicas, nós jamais estivemos integrados a cultura otaku, ou melhor, nós jamais fizemos parte dessa cultura como eles. Podemos mensurar e até tentar vivenciar como é a experiência de ser um otaku no Japão, porém não temos como realmente viver essa experiência por completo, a não ser que passemos a morar lá, pelo simples fato de que não temos acesso a todos os materiais que essa cultura gerou e que continua gerando, repito que estamos a mercê da boa vontade daqueles que moram no Japão, pois eles ditam as regras de quais destes materiais vão ser apresentados a cada canto do mundo, mesmo que em se tratando de distribuições não oficiais.

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Não dar para dizer que o material que temos a disposição fora do Japão é escasso, na verdade temos sim material suficiente para sustentarmos o nosso hobby (ou vício), porém estamos longe de podermos vivenciar a cultura otaku como os japoneses o fazem. Provavelmente podemos afirmar que dar para ser otaku fora do Japão, mas não dar para sê-lo do mesmo modo como um otaku que vive no Japão o é, o que talvez não seja tão ruim, pois não tendo a influência da sociedade nipônica, somos capazes de perceber uma série de coisas sobre as obras que acompanhamos que provavelmente os japoneses não percebem, mas é difícil se equiparar a os japoneses quando não temos sequer a o conhecimento cultural que influenciou as obras de que tanto gostamos, sendo que só poderíamos obter este tipo de conhecimento, vivendo em meio a sociedade e cultura nipônica.

A pérola de minha singela coleção.

Artbook francês da série animada de Evangelion (a pérola de minha singela coleção =D).

Talvez, a única saída para nos equipararmos aos otakus japoneses, seria nos tornando criadores de materiais que mesmo que não possam ser chamados de materiais otakus, são influenciados por estes. Acredito que para expressar o quanto aprendemos com o nosso hobby e para transmitirmos a boa influência que ele nos gera, precisamos arregaçar as mangas e tentarmos criar algo novo a partir de tudo que nos foi ensinado. Ninguém precisa criar um mangá ou produzir um anime para se considerar verdadeiramente  otaku, existem várias formas de transmitir uma mensagem e repassar um bom ensinamento. Enfim, talvez não dê para ser um otaku como as pessoas que moram no Japão, mas não precisamos nos tornar reféns dos materiais advindos de terras nipônicas, podemos tentar compensar a falta destes, criando nossos próprios materiais e por mais difícil que isso seja, um dos principais ensinamentos que a maioria dos anime e mangás tentaram e que ainda tentam transmitir é que não dar para alcançar um objetivo se você em algum momento tiver a intenção de desistir dele.

Pensador Otaku: O termo otaku

Olá a todos! Hoje é dia de mais uma texto sobre pensamentos aleatórios relacionados ao universo otaku e dessa vez há um motivo ainda maior para esta postagem, pois ela serve com também como uma informação relevante para os próximos dois textos dessa culuna. O tema sobre o qual divagarei hoje é o termo “otaku” e suas várias interpretações, principalmente aquela que acredito ser a mais adequada. É hora de abrir suas mentes e pensar sobre o mundo otaku

otakuO termo Otaku possui dois significados principais. O primeiro é que ele seria a junção do honorífico “O” (お) ao termo “Taku” (宅) que significa a casa da pessoa. O honorífico “O” no início de uma palavra indica uma certa conotação mais formal, palavras comuns que usam esse termo por exemplo são “Ocha” (お茶), que quer dizer chá, ou, “Okane” (お金), que quer dizer dinheiro. O outro significado do termo “otaku” (おたく) é que este seria uma forma antiquada e bastante educada de “você” (normalmente se usa “anata” ou あなた). Note que nesse último caso toda a palavra “otaku” (おたく) é escrita em hiragana, sendo essa a forma mais comum de se escrever o termo.

A primeira teoria do surgimento do termo “otaku” foi a de que ele se tornou popular no início dos anos 80 em redes sociais de fãs de mídias diversas. A segunda, que tem mais haver com o primeiro significado que falei, é de que o termo começou a ser usado no início dos anos 80 para designar pessoas que passavam muito tempo em casa devido a algum tipo de atividade como ver anime, ler mangá, jogar video game e outras coisas, além disso, diz-se que essas pessoas passaram a se comunicar muito pelos famosos BBS’s e neles passaram  se tratar pelo termo “otaku”.

A origem...

Macross e a origem do termo…

Já a terceira teoria, que dar um sentido para a utilização do termo entre os fãs de anime e mangá, é de que a expressão começou a ser usada no fim dos anos 70 por Shouji Kawamori e Haruhiko Mikimoto no lugar de “anata”, ainda quando cursavam a universidade de Keio. Nesta época eles se tornaram co-fundadores do estúdio Nue e co-criadores de Super Dimension Fortress Macross, tanto que o termo é utilizado dentro do anime lançado em 1982. O termo “otaku” então teria se popularizado como sendo uma forma diferente de tratar aquelas pessoas que tinham o conhecimento superior sobre animações e quadrinhos japoneses…

Independente da origem do termo é certo que o seu uso para designar pessoas fanáticas por algo específico (como animes, mangás, idols, futebol, romances, trens e etc) se tornou mais comum a partir dos anos 80 e durante quase toda a essa década ele era usado pelas próprias pessoas que se diziam otaku e sem o tom pejorativo que ele ganhou depois, aliás em 1983, um quadrinho de humor lançado por Akio Nakamori na revista lolicon Manga Burikko, chamado “Otaku” no Kenkyuu (Uma investigação de “Otaku”) tratava os otakus de uma forma caricatural e mesmo com o tom de deboche que alguns utilizavam, o termo foi se popularizando.

Um caso perturbador...

Um caso perturbador…

O tom pejorativo do termo começou a se proliferar no fim dos anos 80, com a mídia e o governo tentando tornar o estilo de vida otaku menos popular, mas o principal evento que fez a sociedade japonesa passar a ver os otakus com maus olhos foi o caso de Tsutomu Miyazaki, o famoso Assassino Otaku, que veio a tona em 1989. Miyazaki sequestrou e assassinou 4 crianças de 4 a 7 anos de idade entre agosto de 1988 e julho de 1989, vale ressaltar que a expressão “Assassino Otaku” só se popularizou depois da prisão de Miyazaki e depois de os policiais encontrarem diversos vhs’s de anime e filmes de terror (principalmente Slasher Movies) em seu apartamento, mas ele chegou a ser chamado também de o Assassino de ninfas, o Assassino da menina pequena (em relação ao caso de agosto de 1988) e até de Drácula, por ter bebido o sangue de suas vítimas, fora outras coisas que fez, coisas estas que não vale a pena mencionar aqui. Tsutomu Miyazaki foi condenado a pena de morte e foi executado por enforcamento em  junho de 2008.

Nos anos 90 cresciam ainda mais os movimentos anti-mangás e o tom pejorativo dado ao termo otaku após o caso de Tsutomu Miyazaki fortaleceu esses movimentos que por sua vez popularizaram ainda mais esse tom pejorativo. Em 1991, o estúdio Gainax lança um ova e documentário ficcional de 2 episódios chamado Otaku no Video, que mostra as duas faces da moeda de ser um otaku de forma bastante exagerada. No fim dos anos 90 e início dos anos 2000 o tom pejorativo do termo começou a diminuir e muitas obras falando sobre o universo otaku foram  lançadas.

O fenômeno Densha Otoko...

O fenômeno Densha Otoko…

No início dos anos 2000, várias lendas surgiram em foruns de internet japoneses, e uma das mais famosas é a do Densha Otoko surgida no famoso fórum 2ch, que fala sobre um otaku que teria conhecido uma bela mulher em um trem e a teria “salvado” de um senhor bêbado que estava quase a “molestando”. Após isso ele se apaixonou pela jovem e com ajuda dos membros do forum se declarou para a mesma. Tal história se tornou bastante famosa e ganhou livro, filme, mangá e uma série de tv. Esta última lançada em 2005 foi um grande sucesso e popularizou o ato de pessoas se denominarem otakus. Na série, além do protagonista, diversos outros otakus pertencentes ao forum são mostrados, sendo estes otakus pelas mais diversas coisas, como cosplayers, otaku por materiais militares, otaku por futebol e etc.

O ex primeiro ministro japonês Taro Aso, que esteve no cargo entre setembro de 2008 e setembro de 2009, era um otaku declarado e usou a cultura otaku como forma de promover o Japão no exterior. Estudos recentes feitos entre japoneses comprovam que hoje em dia quase metade da população se diz otaku por alguma coisa (não consegui ler o site das pesquisas, pois meu japonês não é tão bom, por isso não posso informar dados mais exatos, então peguei a informação de sites em inglês que também não traduziram por completo a informação original)…

e no ocidente...

e no ocidente…

No ocidente o termo “otaku” se popularizou como uma representação de pessoas fãs de anime e mangá e é aceito na maioria dos lugares apenas como uma forma de nomear estas pessoas sem haver tom depreciativo, porém há lugares como no Canadá que por motivos culturais ser otaku é algo realmente mal visto pela sociedade.

Enfim, independente da forma como os otakus são vistos ou não, o termo “otaku” não é um xingamento ou uma forma pejorativa de se dirigir a alguém, na verdade é uma expressão criada e utilizada para representar alguém que é fanático por algo em se tratando de Japão e para representar as pessoas que são fanáticas por anime, manga e, muitas vezes, também pela cultura japonesa, fora de de terras nipônicas. Então meu caro, pode falar que é um otaku a vontade sem medo de está se auto xingando ou qualquer coisa parecida…

Obrigado a todos vocês!

Obrigado a todos vocês!

Como um pensador e auto crítico me sinto feliz por ser um otaku e por fazer parte desse universo com uma cultura tão abrangente, que se originou no Japão, mas que se proliferou por todo o mundo, no entanto é exatamente sobre os problemas dessa proliferação que falarei na próxima edição da coluna Pensador Otaku. Por hora, gostaria apenas de agradecer a todos que chegaram ao fim de mais este longo texto e também agradecer ao anime Outbreak Company que além de me divertir bastante, me fez refletir sobre a “invasão da cultura otaku fora do Japão” e por isso decidi falar sobre o tema atual desta coluna e sobre o tema das duas edições vindouras.  Então nos vemos no próximo post! Bye!

Pensador Otaku: Blogar ou não blogar, eis a questão!

Yo! Antes de mais nada queria me desculpar pelo título meio merda deste post, mas achei que para o bem ou para o mal ele ia chamar a atenção e ainda combina com o assunto de hoje! Nesse texto vou falar um pouco sobre minha experiência como um blogueiro que fala sobre animes e mangás e sobre como é blogar. Esse é um texto legítimo desta coluna, mas também é um texto especial  em comemoração aos 5 anos de Anime Portfolio e aos meus 6 como blogueiro… Vejamos então no que isso vai dar.

Quanto tempo em média será que eu enrolo antes de começar a escrever?

Quanto tempo em média será que eu enrolo antes de começar a escrever?

Os que acessam o blog rotineiramente sabem que hoje o Anime Portfolio completa 5 anos de existência, ou pelo menos o primeiro post dele saiu a 5 anos atrás, era apenas um texto simples que apresentava a proposta deste blog, na época ele tinha um design mais underground com um layout mais simples, um fundo preto e muitas informações dispostas de forma quase aleatória na barra lateral e além disso, ainda tinha o subtítulo “A lista negra dos animes”, pensando bem esse sempre foi um subtítulo ruim e olha que o fundo preto foi escolhido, em parte, devido a ele, mas deixando isso de lado, comecei a escrever textos para blogs em 2006, se bem que os primeiros textos faziam parte de um blog que fiz com amigos e que nem está no ar mais hoje, senão me engano o blog se chamava Anime Owl e ele tinha a ver com um evento que pensamos em organizar.

Digamos então que meu primeiro blog de fato foi a Enciclopédia Brasileira de Animê e Mangá, que criei após ler alguns livros sobre a história dos mangás. A ideia era reunir informações diversas sobre anime e mangá para posteriormente compilar tudo em um livro (como eu era ingênuo). Após alguns posts sem  periodicidade alguma, decidi terminar o blog no fim de 2008 e criar pouco tempo depois, junto a um amigo (o Yakuzared), o Anime Portfolio com o objetivo também de reunir muitos textos, mas apenas sobre anime e apenas resenhas sobre obras que vimos. Durante um ano ou quase dois de blog eu dividia minhas atividades de blogagem entre resenhar animes que via, ou escrever textos diversos para o Yopinando, um outro blog que tenho, que é um pouco mais pessoal, onde falava sobre assuntos diversos e que hoje uso principalmente para postar os podcasts que edito e de vez em nunca escrevo textos diferentes (vocês devem conhecer este blog), enfim, um dia eu decidi escrever coisas diferentes sobre anime e mangá no Anime Portfolio.

Blogar é como partir em um jornada inesperada...

Blogar é como partir em um jornada inesperada…

Ao longo desses anos todos de blogagem é claro que mudei muito meu estilo, aprendi a escrever textos com uma melhor qualidade ortográfica, a ficar mais atento a pequenos erros e passei a me preocupar sempre em escrever textos que todos entendam, não apenas eu, na verdade não se preocupar com a forma como escreve e cometer muitos erros de gramática é uma algo muito comum para autores novatos. Acredito que aprender a notar suas falhas ao escrever é algo natural para blogueiros que passam anos postando, embora alguns acabem continuando a ignorar a importância de uma boa revisão em seus textos e olha que é normal um texto, por mais revisado que seja, ter alguns poucos erros (até alguns de grafia), mas ao longo do tempo fica claro que textos mal escritos espantam leitores.

Outra coisa interessante que aconteceu quando parei de escrever apenas resenhas para este blog é que meio que perdi as rédeas sobre o que escrevo e passei a fazer textos de todo tipo, sempre relacionado a temática do blog, mas com estilos e formas diferentes de me comunicar com o público. Até criei um personagem que uso as vezes quando tento explorar mais meu lado sarcástico (vocês já devem ter se deparado com algum texto do Kyon). Meio que hoje eu até mantenho padrões para muitas colunas, mas não tento prever por quanto tempo irei escrever sobre aquilo, ou se vou pensar em algo novo, ou se vou simplesmente parar de escrever por um tempo…

Crise de criatividade não é mito, mas  também funciona como desculpa!

Crise de criatividade não é mito, mas também funciona como desculpa!

Aproveitando que passei a falar sobre hiatos, ao longo do tempo acho que aprendi que existem apenas dois tipo de hiatos, um é quando você está de saco cheio e não aguenta mais escrever e nesse caso você pode se forçar a continuar ou ficar parado, em geral eu acabo parando, pois quando tento escrever de qualquer jeito, sempre me sinto decepcionado com o que escrevi, mesmo que haja pessoas que gostem. O outro tipo de hiato pode surgir quando você está sem criatividade, nesse caso sempre dar pra continuar escrevendo textos simples, mas colunas aquelas colunas mais complexas são prejudicadas e o pior é que essas crises podem ser motivadas inclusive por você está escrevendo demais, porque embora seja comum você se sentir mais criativo a medida que vai criando coisas novas (principalmente devido satisfação pessoal que isso gera), uma hora você tem que parar e pensar, senão será tarde quando perceber que aqueles textos incríveis que  você pensava que fez, estão na verdade ridiculamente ruins e não espere que um leitor venha comentar e te avisar disso, você é o único que irá se dar ao trabalho de perceber, os leitores só irão mesmo abandoná-lo silenciosamente…

Quer uma dica, sempre desconfie de textos que você achar bons demais e quando precisar: PARE! Caso queira usar uma desculpa, finja uma crise de criatividade, ou fale que está com falta de tempo. Demorou muito para eu perceber o quanto parar é importante e quando finalmente percebi isso, passei a não mais me martirizar por passar uma ou duas semanas sem post novo no blog, afinal é assim que as coisas são quando você é um autor que posta muito e claro que não ganhar dinheiro com isso facilita bastante na hora de parar, porém se um dia eu passar a receber salário por escrever no meu blog, irei repensar o assunto, por hora os poucos ganhos que tenho eventualmente não são o bastante para impedir esses hiatos de acontecer…

E quando realmente não há tempo em sua vida para blogar? Bem, caso realmente pense que não há tempo para blogar no momento é porque você está de saco cheio de blogar, então pare um pouco até a vontade e a disposição voltar, pois embora algumas pessoas não queiram admitir, todo dia há uma ou duas horas livres que você poderia usar para escrever, só que prefere fazer outras coisas durante esse período. Falta de tempo só é uma desculpa válida de verdade para impedi-lo de fazer textos grandes, no entanto, caro leitor, não pense que isso lhe dar o direito de falar mal de quem se diz sem tempo, porque qualquer que seja a desculpa usada, sempre há um motivo para usá-la e você nunca saberá se o motivo é sério ou não.

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Na verdade, todo blogueiro gosta de trolls!

Falando um pouco sobre leitores, todo mundo sabe que há três tipos de leitores de blogs, os que não comentam, os que fazem comentários com algum embasamento (por mais absurdo ou ridículo que esse possa ser) e os trolls. A maioria dos leitores nunca comenta, pois comentar é algo que gasta tempo e neurônios, até mesmo o maluco que escreve só “first”, precisou passar um tempo para decidir se ia escrever mesmo aquilo. Prender o interesse de uma pessoa ao ponto de fazê-la comentar é sempre uma vitória pessoal, mesmo que seja um comentário ruim, porém se você precisa de comentários para se manter blogando,  então provavelmente não terá um futuro muito promissor com blogueiro, pelo menos enquanto continuar pensando nisso…

Aliás, sobre esse assunto, uma vez estava em uma palestra com um famoso podcaster (daqueles que ganham dinheiro pra viver bem o bastante, devido a popularidade de seu podcast) , que também tinha um site de notícias, e perguntei qual a importância dos comentários para ele. Ele me respondeu que é sempre bom receber críticas construtivas, sejam positivas ou não, além de depoimentos e outros tipo de comentários, mas que mesmo se não tivesse nenhum comentário, caso a popularidade do podcast ainda fosse alta, continuaria a trabalhar normalmente , ou seja, ter comentários é bom, mas não é motivo para parar e nem para continuar…

Uau! Uma crítica legal que fez sentido!

Uau! Uma crítica que fez sentido!

Ok! Eu não ganho dinheiro com meu blog, e fico muito feliz toda vez que recebo comentários, principalmente quando alguém fala que começou a acompanhar alguma obra devido a uma recomendação minha, ou quando diz que passou a ver animes e mangás de forma diferente por causa do que leu neste blog, porém a parcela de comentaristas é sempre muito menor do que a de visitantes em qualquer site ou blog, fora que continuar a blogar tem muito mais a ver com satisfação pessoal do que com reconhecimento, por isso pensar que deve continuar algo que não gosta porque alguém comentou positivamente um ou outro post seu não vale a pena e  já vi mais de uma pessoa que ganha dinheiro com blog também afirmar isso. Enfim, blogar tem que ser divertido para aquele que o está fazendo, senão talvez seja melhor parar um pouco e em casos extremos talvez seja melhor até parar definitivamente.

Sobre os trolls que citei anteriormente, eles fazem mais bem do que mal se você for uma pessoa tranquila, pois acabam promovendo seu blog, então sinta-se feliz, caso tenha seu próprio troll de estimação. Em relação ao Anime  Portfolio, os trolls que aparecem costumam ser passageiros, talvez eu devesse contestá-los mais para aumentar sua incidência. Enfim, agradeço muito as pessoas que comentam no blog, pois elas sempre aumentam meu astral e olha que algumas delas viraram amigos e até autores.

Algumas vezes manter um blog pode te fazer se sentir um pouco para baixo.

Algumas vezes manter um blog pode te fazer se sentir um pouco pra baixo.

Inevitavelmente você vai se sentir mal em algumas situação quando mantém um blog. Primeiro é meio frustrante ver a quantidade de visualizações de seu blog caindo e manter ou aumentar as visitas depende de quão interessante seu blog é, de um bom marketing e, principalmente, de mantê-lo sempre atualizado, por isso você pode se sentir obrigado a postar sempre, porém como já falei, às vezes é preciso parar, se bem que isso pode não afetar em nada, caso o blog tenha um razoável número de autores que postam regularmente, ou se você for capaz de se manter escrevendo sempre, ou quando precisar parar, o fizer por pouco tempo, no entanto já falei que acho isso um risco para a qualidade de seus posts.

Há outras frustrações que você pode sentir também, como quando você pensa que nada do que escreve é relevante e que deveria fechar o blog, se isso acontecer, pare um pouco e reflita sobre o quanto o seu blog é importante para você. Você provavelmente também vai se frustrar ao ver blogs mais novos fazerem  muito mais sucesso que o seu em tão pouco tempo,  neste caso, o tempo  costuma fazer esse sentimento passar, principalmente se você gosta mesmo de seu blog. Por último, costumo ficar meio frustrado quando um post que me custou muito a ser feito tem um resultado muito inferior a um que fiz de bobeira, apenas porque este que fiz de bobeira é sobre algo bastante famoso, isso acontece sempre que falo de Cavaleiros dos Zodíaco (não gosto muito desta franquia).

Escrever é preciso

Escrever é preciso!

Parar é importante, mas sempre que possível, escreva, como já citei, a prática te faz melhorar e a satisfação de terminar um texto te provoca a vontade de escrever mais no futuro, apenas lembre-se que você precisa está atualizado com relação aos assuntos sobre os quais escreve, não pense que escrever sobre algo é mais importante que acompanhar este algo. Não dar para escrever sobre anime se você quase não assiste anime e o mesmo sobre mangás. Além disso, é preciso ler muito sobre o assunto que será tema de seu post, pois se informar faz parte do processo de criação de um texto.

Então, se você tem uma ideia e acha que já tem conhecimento o bastante para escrever sobre o assunto em que pensou, mãos a obra. Caso não tem um blog e quer ser um autor, porém sem ter que se preocupar com o gerenciamento da página onde publica, basta procurar um pouco, há sempre blogs procurando autores novos, o Anime Portfolio mesmo sempre está aberto para quem quiser ser um novo autor.

Pare então de inventar desculpas que se só convence a você mesmo e comece a escrever, quem sabe um dia você não ganha dinheiro porque começou a escrever em um blog, pode ser até que você vire um jornalista famoso, ou um colunista, ou um escritor de livros. Blogar não é uma arte, nem necessita de muito treinamento, para tal basta ter algo sobre o qual queira escrever, obter o conhecimento necessário e escrever (lembre-se também de sempre revisar seu texto e tente manter as pazes com a gramática).

Obrigado por ter lido esse longo texto e que venham os próximos 5 anos!

Obrigado por ter lido esse longo texto e que venham os próximos 5 anos!

Pensador Otaku: Cuidado com a Moeficação…

Olá a todos! Começa hoje uma nova coluna aqui no Anime Portfolio e ela será lançada de forma intercalada com a coluna A resposta é 42, falando mais claramente, em uma sábado será lançada uma edição da coluna A resposta é 42 e no outro uma edição da coluna Pensador Otaku. Sem muitas delongas… Moe Moe Kyuun!!!

Cuidado com a Moeficação…

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Essas semanas, ao ver a notícia sobre um novo anime protagonizado por garotas moe que são personificação de robôs gigantes clássicos, me vi pensando sobre um processo que vem ocorrendo de forma cada vez mais evidente nos últimos anos, a moeficação. Moeficação, como o próprio nome sugere é um neologismo criado para representar a transformação de algo não moe em algo moe, mas afinal o que significa moe?

Se você acompanha ou acompanhou ao menos um pouco o universo que existe ao redor dos animes e mangás, incluindo novels, jogos que tem arte inspirada em mangás e obras de outras mídias, já deve ter se deparado com o termo “moe“. E se você conhece bem esse universo sabe do que se trata e também que não há uma explicação aceitável para definir claramente o que é o moe, mas podemos dizer que esse termo é algo como uma característica que certos personagens (geralmente femininos) possuem, isso as tornam algo além do cute (bonitinhas), mas esse algo além está ligado ao sentimento protetivo despertado na pessoa que está vendo este personagem. Apesar de não ser fácil definir o que é moe, podemos dizer que para um personagem ser considerado moe, ele deve ter certas características, como passar a impressão de ser inocente (ou ser de fato inocente), ter um certo lado frágil, ter um visual considerado cute e apresentar expressões que a tornem uma ou todas essas características ainda mais perceptíveis. Claro que o personagem pode ter outras características além dessas e existem outras características que poderiam ser chamadas de moe, mas a priori podemos considerar que esse grupo que informei é o bastante.

Sabendo (ou quase) o que é moe, você talvez se pergunte como e quando esse termo (ou gíria) surgiu? Infelizmente a origem desse termo é incerta, porém é provável que tenha sido usado pela primeira vez entre o fim do anos de 1980 e o começo dos anos de 1990 e possivelmente se popularizou rapidamente no anos 90 com a disseminação do mesmo através de forúns de internet japoneses, em especial, o conhecidíssimo 2channel, onde várias lendas do universo otaku surgiram, como por exemplo o Densha Otoko.

Bem, mas e quanto a moeficação? Digamos que em geral o número de personagens criadas com características moe aumentaram bastante na última década, mesmo que possamos considerar que o público que consome a  maioria dos produtos desse tipo, por serem “produtos moe”, ainda fazem parte de um nicho não tão grande, porém bastante representativo, pois os membros desse grupo consomem muitos desses materiais. Claro que um pequeno nicho não gera uma fenômeno tão grande ao ponto de atingir as proporções que o “moe” atingiu e atinge, a grande questão é que ser moe até pouco tempo atrás não era algo que causava repulsa na maioria dos fãs do universo otaku, pelo contrário, em geral, algo cute e inocente tende a atrair, principalmente o público masculino, logo de uma forma ou de outra, até certo tempo o “moe” era consideravelmente bem aceito pela maioria do público, foi então que a “moeficação” teve início, pois inspirados no sucesso de personagens moe, certas produtoras decidiram tentar tornar personagens não moe em personagens moe, e em geral esse processo não causou um abalo tão grande no mercado, ou melhor, houve repulsa de alguns, porém nada que justificasse repensar a ideia (afinal haters só sabem hatear…), por outro lado, aquele nicho que era adorador do “moe”, passou a gostar de outras coisas que não eram moe, ou pelo menos, gostaram dessa nova versão dos personagens originalmente não moe’s que agora se tornaram moe’s. Alguns exemplos, fora o já citado no início do post, são: O mangá e anime Yawaraka Sangokushi Tsukisase!! Ryofuko-chan, onde famosos generais samurais do romance dos Três Reinos, se tornam garotinhas (lolis) moe (lolificação + moeficação), e o mangá 4-koma (tirinhas) Gokicha! Cockroach Girls!, que apresenta a dura vida de uma barata moe (vocês não leram errado, eu falei barata moe).

Até onde a moeficação irá não tem como sabermos, mas se você acompanha o mundo dos animes e mangás, já deve ter pensado ao menos uma vez em como personagem X ou Y seria se fosse transformado em um personagem moe. Vale ressaltar que hoje em dia há produtoras que praticamente só criam personagens moe, como é o caso do estúdio Kyoto Animation, em que mais de 70% (números não oficiais) de seus animes tem personagens com características moe. Bem, eu acredito que o moe não conhece limites e que a moeficação só tende a continuar, então é aceitar e tentar curtir o lado bom que isso trás (não é raro esse processo gerar comédias interessantes) ou virar um hater e fazer aquilo que todos os haters fazem, hatear!

Hoje fico por aqui e espero que tenham gostado da primeira edição desta coluna. Aceito sugestões para outros temas e agradeço a todos que leram esse pequeno grande texto! Até mais!