O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Posts marcados ‘Densha Otoko’

Pensador Otaku: O termo otaku

Olá a todos! Hoje é dia de mais uma texto sobre pensamentos aleatórios relacionados ao universo otaku e dessa vez há um motivo ainda maior para esta postagem, pois ela serve com também como uma informação relevante para os próximos dois textos dessa culuna. O tema sobre o qual divagarei hoje é o termo “otaku” e suas várias interpretações, principalmente aquela que acredito ser a mais adequada. É hora de abrir suas mentes e pensar sobre o mundo otaku

otakuO termo Otaku possui dois significados principais. O primeiro é que ele seria a junção do honorífico “O” (お) ao termo “Taku” (宅) que significa a casa da pessoa. O honorífico “O” no início de uma palavra indica uma certa conotação mais formal, palavras comuns que usam esse termo por exemplo são “Ocha” (お茶), que quer dizer chá, ou, “Okane” (お金), que quer dizer dinheiro. O outro significado do termo “otaku” (おたく) é que este seria uma forma antiquada e bastante educada de “você” (normalmente se usa “anata” ou あなた). Note que nesse último caso toda a palavra “otaku” (おたく) é escrita em hiragana, sendo essa a forma mais comum de se escrever o termo.

A primeira teoria do surgimento do termo “otaku” foi a de que ele se tornou popular no início dos anos 80 em redes sociais de fãs de mídias diversas. A segunda, que tem mais haver com o primeiro significado que falei, é de que o termo começou a ser usado no início dos anos 80 para designar pessoas que passavam muito tempo em casa devido a algum tipo de atividade como ver anime, ler mangá, jogar video game e outras coisas, além disso, diz-se que essas pessoas passaram a se comunicar muito pelos famosos BBS’s e neles passaram  se tratar pelo termo “otaku”.

A origem...

Macross e a origem do termo…

Já a terceira teoria, que dar um sentido para a utilização do termo entre os fãs de anime e mangá, é de que a expressão começou a ser usada no fim dos anos 70 por Shouji Kawamori e Haruhiko Mikimoto no lugar de “anata”, ainda quando cursavam a universidade de Keio. Nesta época eles se tornaram co-fundadores do estúdio Nue e co-criadores de Super Dimension Fortress Macross, tanto que o termo é utilizado dentro do anime lançado em 1982. O termo “otaku” então teria se popularizado como sendo uma forma diferente de tratar aquelas pessoas que tinham o conhecimento superior sobre animações e quadrinhos japoneses…

Independente da origem do termo é certo que o seu uso para designar pessoas fanáticas por algo específico (como animes, mangás, idols, futebol, romances, trens e etc) se tornou mais comum a partir dos anos 80 e durante quase toda a essa década ele era usado pelas próprias pessoas que se diziam otaku e sem o tom pejorativo que ele ganhou depois, aliás em 1983, um quadrinho de humor lançado por Akio Nakamori na revista lolicon Manga Burikko, chamado “Otaku” no Kenkyuu (Uma investigação de “Otaku”) tratava os otakus de uma forma caricatural e mesmo com o tom de deboche que alguns utilizavam, o termo foi se popularizando.

Um caso perturbador...

Um caso perturbador…

O tom pejorativo do termo começou a se proliferar no fim dos anos 80, com a mídia e o governo tentando tornar o estilo de vida otaku menos popular, mas o principal evento que fez a sociedade japonesa passar a ver os otakus com maus olhos foi o caso de Tsutomu Miyazaki, o famoso Assassino Otaku, que veio a tona em 1989. Miyazaki sequestrou e assassinou 4 crianças de 4 a 7 anos de idade entre agosto de 1988 e julho de 1989, vale ressaltar que a expressão “Assassino Otaku” só se popularizou depois da prisão de Miyazaki e depois de os policiais encontrarem diversos vhs’s de anime e filmes de terror (principalmente Slasher Movies) em seu apartamento, mas ele chegou a ser chamado também de o Assassino de ninfas, o Assassino da menina pequena (em relação ao caso de agosto de 1988) e até de Drácula, por ter bebido o sangue de suas vítimas, fora outras coisas que fez, coisas estas que não vale a pena mencionar aqui. Tsutomu Miyazaki foi condenado a pena de morte e foi executado por enforcamento em  junho de 2008.

Nos anos 90 cresciam ainda mais os movimentos anti-mangás e o tom pejorativo dado ao termo otaku após o caso de Tsutomu Miyazaki fortaleceu esses movimentos que por sua vez popularizaram ainda mais esse tom pejorativo. Em 1991, o estúdio Gainax lança um ova e documentário ficcional de 2 episódios chamado Otaku no Video, que mostra as duas faces da moeda de ser um otaku de forma bastante exagerada. No fim dos anos 90 e início dos anos 2000 o tom pejorativo do termo começou a diminuir e muitas obras falando sobre o universo otaku foram  lançadas.

O fenômeno Densha Otoko...

O fenômeno Densha Otoko…

No início dos anos 2000, várias lendas surgiram em foruns de internet japoneses, e uma das mais famosas é a do Densha Otoko surgida no famoso fórum 2ch, que fala sobre um otaku que teria conhecido uma bela mulher em um trem e a teria “salvado” de um senhor bêbado que estava quase a “molestando”. Após isso ele se apaixonou pela jovem e com ajuda dos membros do forum se declarou para a mesma. Tal história se tornou bastante famosa e ganhou livro, filme, mangá e uma série de tv. Esta última lançada em 2005 foi um grande sucesso e popularizou o ato de pessoas se denominarem otakus. Na série, além do protagonista, diversos outros otakus pertencentes ao forum são mostrados, sendo estes otakus pelas mais diversas coisas, como cosplayers, otaku por materiais militares, otaku por futebol e etc.

O ex primeiro ministro japonês Taro Aso, que esteve no cargo entre setembro de 2008 e setembro de 2009, era um otaku declarado e usou a cultura otaku como forma de promover o Japão no exterior. Estudos recentes feitos entre japoneses comprovam que hoje em dia quase metade da população se diz otaku por alguma coisa (não consegui ler o site das pesquisas, pois meu japonês não é tão bom, por isso não posso informar dados mais exatos, então peguei a informação de sites em inglês que também não traduziram por completo a informação original)…

e no ocidente...

e no ocidente…

No ocidente o termo “otaku” se popularizou como uma representação de pessoas fãs de anime e mangá e é aceito na maioria dos lugares apenas como uma forma de nomear estas pessoas sem haver tom depreciativo, porém há lugares como no Canadá que por motivos culturais ser otaku é algo realmente mal visto pela sociedade.

Enfim, independente da forma como os otakus são vistos ou não, o termo “otaku” não é um xingamento ou uma forma pejorativa de se dirigir a alguém, na verdade é uma expressão criada e utilizada para representar alguém que é fanático por algo em se tratando de Japão e para representar as pessoas que são fanáticas por anime, manga e, muitas vezes, também pela cultura japonesa, fora de de terras nipônicas. Então meu caro, pode falar que é um otaku a vontade sem medo de está se auto xingando ou qualquer coisa parecida…

Obrigado a todos vocês!

Obrigado a todos vocês!

Como um pensador e auto crítico me sinto feliz por ser um otaku e por fazer parte desse universo com uma cultura tão abrangente, que se originou no Japão, mas que se proliferou por todo o mundo, no entanto é exatamente sobre os problemas dessa proliferação que falarei na próxima edição da coluna Pensador Otaku. Por hora, gostaria apenas de agradecer a todos que chegaram ao fim de mais este longo texto e também agradecer ao anime Outbreak Company que além de me divertir bastante, me fez refletir sobre a “invasão da cultura otaku fora do Japão” e por isso decidi falar sobre o tema atual desta coluna e sobre o tema das duas edições vindouras.  Então nos vemos no próximo post! Bye!

Pensador Otaku: Cuidado com a Moeficação…

Olá a todos! Começa hoje uma nova coluna aqui no Anime Portfolio e ela será lançada de forma intercalada com a coluna A resposta é 42, falando mais claramente, em uma sábado será lançada uma edição da coluna A resposta é 42 e no outro uma edição da coluna Pensador Otaku. Sem muitas delongas… Moe Moe Kyuun!!!

Cuidado com a Moeficação…

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Essas semanas, ao ver a notícia sobre um novo anime protagonizado por garotas moe que são personificação de robôs gigantes clássicos, me vi pensando sobre um processo que vem ocorrendo de forma cada vez mais evidente nos últimos anos, a moeficação. Moeficação, como o próprio nome sugere é um neologismo criado para representar a transformação de algo não moe em algo moe, mas afinal o que significa moe?

Se você acompanha ou acompanhou ao menos um pouco o universo que existe ao redor dos animes e mangás, incluindo novels, jogos que tem arte inspirada em mangás e obras de outras mídias, já deve ter se deparado com o termo “moe“. E se você conhece bem esse universo sabe do que se trata e também que não há uma explicação aceitável para definir claramente o que é o moe, mas podemos dizer que esse termo é algo como uma característica que certos personagens (geralmente femininos) possuem, isso as tornam algo além do cute (bonitinhas), mas esse algo além está ligado ao sentimento protetivo despertado na pessoa que está vendo este personagem. Apesar de não ser fácil definir o que é moe, podemos dizer que para um personagem ser considerado moe, ele deve ter certas características, como passar a impressão de ser inocente (ou ser de fato inocente), ter um certo lado frágil, ter um visual considerado cute e apresentar expressões que a tornem uma ou todas essas características ainda mais perceptíveis. Claro que o personagem pode ter outras características além dessas e existem outras características que poderiam ser chamadas de moe, mas a priori podemos considerar que esse grupo que informei é o bastante.

Sabendo (ou quase) o que é moe, você talvez se pergunte como e quando esse termo (ou gíria) surgiu? Infelizmente a origem desse termo é incerta, porém é provável que tenha sido usado pela primeira vez entre o fim do anos de 1980 e o começo dos anos de 1990 e possivelmente se popularizou rapidamente no anos 90 com a disseminação do mesmo através de forúns de internet japoneses, em especial, o conhecidíssimo 2channel, onde várias lendas do universo otaku surgiram, como por exemplo o Densha Otoko.

Bem, mas e quanto a moeficação? Digamos que em geral o número de personagens criadas com características moe aumentaram bastante na última década, mesmo que possamos considerar que o público que consome a  maioria dos produtos desse tipo, por serem “produtos moe”, ainda fazem parte de um nicho não tão grande, porém bastante representativo, pois os membros desse grupo consomem muitos desses materiais. Claro que um pequeno nicho não gera uma fenômeno tão grande ao ponto de atingir as proporções que o “moe” atingiu e atinge, a grande questão é que ser moe até pouco tempo atrás não era algo que causava repulsa na maioria dos fãs do universo otaku, pelo contrário, em geral, algo cute e inocente tende a atrair, principalmente o público masculino, logo de uma forma ou de outra, até certo tempo o “moe” era consideravelmente bem aceito pela maioria do público, foi então que a “moeficação” teve início, pois inspirados no sucesso de personagens moe, certas produtoras decidiram tentar tornar personagens não moe em personagens moe, e em geral esse processo não causou um abalo tão grande no mercado, ou melhor, houve repulsa de alguns, porém nada que justificasse repensar a ideia (afinal haters só sabem hatear…), por outro lado, aquele nicho que era adorador do “moe”, passou a gostar de outras coisas que não eram moe, ou pelo menos, gostaram dessa nova versão dos personagens originalmente não moe’s que agora se tornaram moe’s. Alguns exemplos, fora o já citado no início do post, são: O mangá e anime Yawaraka Sangokushi Tsukisase!! Ryofuko-chan, onde famosos generais samurais do romance dos Três Reinos, se tornam garotinhas (lolis) moe (lolificação + moeficação), e o mangá 4-koma (tirinhas) Gokicha! Cockroach Girls!, que apresenta a dura vida de uma barata moe (vocês não leram errado, eu falei barata moe).

Até onde a moeficação irá não tem como sabermos, mas se você acompanha o mundo dos animes e mangás, já deve ter pensado ao menos uma vez em como personagem X ou Y seria se fosse transformado em um personagem moe. Vale ressaltar que hoje em dia há produtoras que praticamente só criam personagens moe, como é o caso do estúdio Kyoto Animation, em que mais de 70% (números não oficiais) de seus animes tem personagens com características moe. Bem, eu acredito que o moe não conhece limites e que a moeficação só tende a continuar, então é aceitar e tentar curtir o lado bom que isso trás (não é raro esse processo gerar comédias interessantes) ou virar um hater e fazer aquilo que todos os haters fazem, hatear!

Hoje fico por aqui e espero que tenham gostado da primeira edição desta coluna. Aceito sugestões para outros temas e agradeço a todos que leram esse pequeno grande texto! Até mais!