O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Posts marcados ‘Gokusen’

Sobre Músicas e Animes 48: Animes Josei

Vejam Honey & Clover!

Vejam Honey & Clover!

Yo! Está no ar mais uma edição do podcast Sobre Músicas e Animes, o podcast musical que mais se desculpa pelo senso de humor de seus participantes. Nessa edição estiveram presentes Eu, Evilasio Junior, o Carlírio Neto, do blog Netoin, o Bebop e o Erick Dias, do Animecote, a Natália (Natthr), do Elfen Lied Brasil, Nayara Nany-chan, do Alchemist Nany, o Luklucas_, do Chuva de Nanquim, o Ian, do Shoujismo e a Lobo Paranóico, do Na casa do moe não existe satanás.

O tema dessa edição é Músicas de animes josei, o que certamente gerou excelentes escolhas de músicas. E mais uma vez esse grupo de malucos protagonizou muitos momentos bem humorados e também indicou animes extremamente interessantes. Apenas estejam cientes que não nos responsabilizamos por acabar com a infância de ninguém!

Nos ajudem a criar a edição especial comemorando 50 podcasts informando qual sua edição preferida do podcasts e qual música não está nessa edição que você escolheu, mas que você acha que merecia estar.

Confiram abaixo as sugestões de temas para próxima edição e votem no que mais gostarem até o dia 7 de Setembro!

Duração: 01:39:53

Podcast: Download Alta Qualidade (68.7 MB) | Download Média Qualidade (45.8 MB)

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Blogs participantes desta edição:

Música na Abertura:

  • “Uchouten Jinsei”,  Uchouten Kazoku

BGM’s:

  • Kids on the Slope (Sakamichi no Apollon) OST

Músicas indicadas neste podcast:

  • “Kaze to Oka no Ballad”, Nodame Cantabile
  • “Rough & Laugh”, Shirokuma Cafe
  • “Hontou No Kotoba”, Gokusen
  • “Sweet Drops”, Usagi Drop
  • “Watashi ni Naritai Watashi”, Super Seisyun Brothers
  • “Lonely in Gorgeous”, Paradise Kiss
  • “Team Chihayafuru”, Chihayafuru
  • “Waltz”, Honey & Clover
  • “Singin’ My Lu”, Utakoi
  • “Papo Cafajeste”, Michiko to Hatchin
Cliquem na imagem para aceitar a playlist do podcast

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Extras:

 

A resposta é 42: O anime envelheceu mal ou fui eu?

Olá caros leitores! Faz bastante tempo que não relato como anda a busca pela pergunta fundamental. Devo dizer que ler o livro Eu, Robô de Isaac Asimov (O escritor com as costeletas mais legais do século 20) me ajudou um pouco, ou assim penso. De qualquer jeito mais uma pergunta foi descartada da lista e é mais uma que tem relação com anime e mangá, então é hora de explanar para vocês parte do que ela me fez pensar e esperar o que ela faz vocês pensarem, além de apresentar algumas das outras perguntas que gerei a partir do tema tratado por esta pergunta. Dessa vez essa coluna vai comentar um tema no mínimo incômodo para muita gente e por isso depois de leem esse texto, caso se irritem com o mesmo, recomendo que leiam também o meu texto A resposta é 42: Respeitar não dói. Hoje falarei sobre obras de anime que envelheceram e que envelhecem mal, ou será que o problema é do espectador?

Shiryuuuuuu....

Shiryuuuuuu….

Primeiramente é importante deixar claro que, ao menos do meu ponto de vista, uma narrativa não envelhece, o que muda é o gosto das pessoas ao longo do tempo. É claro que as narrativas mudam de acordo com os interesses mais atuais dos nichos as quais elas são destinadas, mas isso não significa que obras antigas não interessem pessoas novas, apenas estilos narrativos antigos às vezes dão lugar a novos estilos que estão fazendo mais sucesso. Um caso simples de se citar sãos os livros de vampiro A Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, lançado em 1976, e Crepúsculo,de Stephenie Meyer, lançado em 2005, ambos sobre um temática similar, ambos destinados a públicos relativamente similares e os dois tando estilos de narrativa completamente diferentes. Ao mesmo tempo que muita gente adora a história de Crepúsculo, há pessoas que preferem A Entrevista com o Vampiro ainda hoje e o fato de ele ter sido escrito em 1976 não muda nada e nem o faz inferior as obras mais novas.

Uma fantástica obra lançada em 1950 e quase toda escrita dois anos antes.

Uma fantástica obra lançada em 1950 e quase toda escrita dois anos antes.

Eu, por exemplo, adorei o supracitado livro Eu, Robô, de Isaac Asimov, e adoro a trilogia de livros O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, ambos lançados nos anos 50 e também gosto dos livros da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, que começaram a ser lançados nos anos 90 e que ainda o são. Essas obras tem narrativas muito diferentes, cada qual com suas peculiaridades relacionadas as épocas em que foram lançadas, mas nem por isso uma é melhor que a outra.

Outra coisa que se modifica, mas não envelhece, de maneira similar a narrativa, é o desenho, porém todo tipo de arte que tem algum tipo de dependência da tecnologia com que foi criada, sofre do problema de envelhecimento.  Estou esclarecendo, que ao menos dos meu ponto de vista, as histórias e o desenho não envelhece nem amadurece e nem sofre qualquer tipo de influência do tempo, na verdade apenas novos estilos e formas de se narrar uma obra ou de se desenvolver um desenho surgem e claro que com isso há uma preferência por um estilo mais moderno em detrimento aos mais antigos, pois a novidade sempre é mais atrativa, o que não desmerece tudo que já foi feito.

Viva os 75 anos de "I'm Batman!"

Viva os 75 anos de “I’m Batman!”

Todo esse prólogo foi desenvolvido para esclarecer o que acredito ser importante focar ao tratarmos do envelhecimento de obras relacionadas a cultura visual, que são os aspectos mais técnicos e como eles podem tornar a experiência de ver algo mais antigo ruim ou, pelo menos, não tão agradável. Também esse prólogo foi importante para esclarecer que esse aspecto afeta muito mais, ou apenas, filmes, seriados e animações e não livros e quadrinhos. Um analogia interessante que posso fazer para exemplificar isto é a série de livros de John Carter de Marte e sua adaptação cinematográfica, o primeiro é uma das obras mais famosas, conhecidas e importantes dentre as histórias de fantasia espacial, já o segundo, mesmo com todo esse fandom que a obra original possui e com todo o potencial que ela tinha sim para ser retratada cinematograficamente, foi um tremendo fracasso e foi bastante criticada por fãs e não fãs da série clássica (e olha que eu nem achei o filme tão ruim assim). Outros exemplos interessantes são os quadrinhos de super-heróis americanos, que mesmo com todas as alterações que sofreram ao longo dos anos, muitas obras tem ao menos a mesma essência que tinham nos anos 40 e muitas das história mais antigas atraem até mais que as novas, independente de todas as mudanças artísticas pelas quais essas obras passaram.

Enfim, é hora de falarmos sobre o que o texto realmente pretende abordar e para tal foquemos principalmente nas séries de animação. Eu acredito que por ter nascido no fim dos anos 80 e por ter passado praticamente toda minha infância nos anos 90 e pelo fato de os anos 90 ainda terem sido uma época em que o material que vinha do exterior para o Brasil, era geralmente de décadas anteriores e por isso eu meio que já fui criado com a predisposição para gostar de obras mais antigas, até porque muitas das séries de animação que passavam e que ainda passam hoje na nossa tv são dos anos 50 a 80 como é o caso dos clássicos da Hanna-Barbera e da Warner Bros. Falando de animação japonesa propriamente, eu vi muita coisa do final dos anos 80 e do começo dos anos 90, obras que até hoje são lembradas, como Dragon Ball e Cavaleiros dos Zodíaco.

O novo que já nasceu velho.

Sidonia no Kishi, um novo anime que já nasceu velho.

Por esse motivo eu tenho uma predisposição maior para tolerar problemas muitos vezes claramente tecnológicos de séries antigas. Uma analogia recente para as gerações atuais são as séries de anime quase toda feitas utilizando CGI, pois ainda hoje muitas dessas séries lembram o CGI dos anos 90 e comecinho dos anos 2000, de modo que é necessário tolerar algo que claramente não é bem feito. Obviamente existem muitas questões orçamentários por trás do uso de tecnologias mais antigas que na verdade geralmente não são tão antigas apenas simplificadas para diminuição de custo. Nem sempre é uma questão de fazer de qualquer jeito, mas simplesmente uma questão de que fazer muito bem feito custa bem mais. Estranhamente em se tratando de CGI o público Japonês tem uma tendência a tolerar facilmente efeitos ruins ou não tão bons, muitos filmes atuais podem servir para exemplificar isto e não pensem que os japoneses não sabem fazer uma boa CGI, os jogos de video-game e muitos trabalhos publicitários provam que eles sabem muito bem usar a CGI.

Já que é possível tolerar e se existem obras com tecnologia antiga que ainda gostamos muito, porque então tratar dessa questão sobre obras envelhecerem mal? Afinal, não é só uma birra de alguém que não gostou da obra e por isso diz que a culpa é de ela ter “envelhecido mal”? Creio eu que não é bem por aí. A tolerância não é exatamente algo que seja ilimitado e que podemos exercitar sempre e o tempo todo, até porque muitas vezes não há uma boa desculpa que lhe faça tolerar o envelhecimento de uma obra sem se irritar. Não é uma questão de tolerar que nos anos 80 se achava que nos anos 2000 teríamos carros voadores, muitas vezes é uma questão de ser mal feito mesmo e sem um bom motivo. Para tentar provar meu ponto de vista vou usar duas questões mostrando obras que acredito que envelheceram mal e obras que praticamente o tempo entre a época que foram criadas e hoje não é um problema para a apreciação delas.

Final Fantasy: Unlimited

Final Fantasy: Unlimited

Falando sobre obras que praticamente já nasceram velhas e isso as prejudicou (a meu ver), cito duas pérolas pouco conhecidas do público ocidental, Final Fantasy: Unlimited, de 2001, e Gokusen, de 2004.

A primeira vem de uma série de jogos de fantasia extremamente famosa que provavelmente vocês já ouviram falar, uma tal de Final Fantsy. Esse anime é claramente uma obra dos anos 80 ou começo dos 90 no século 21, não exatamente pela narrativa (apenas), mas por tudo que a cerca. Por sinal não se engane com a imagem acima, pois o character desisgn da obra não é bem esse aí. E nem dar pra dizer que desrespeitaram a franquia de jogos e fizeram algo plenamente diferente, porque na verdade entupiram o anime até demais com referências aos jogos, mesmo assim não dar para esconder que o trabalho foi muito mal feito, numa época em que muitas obras de fantasia similares saíram, ou pior, não dar para esconder que muita coisa feita nos anos 80 e 90 foram muito mais bem feitas com um restrição orçamentária e tecnológica muito maior do que o que essa série tinha.

Gokusen

Gokusen

Falando de Gokusen, essa é uma obra que veio de um mangá bem interessante sobre uma professora que é neta de um chefão da Yakuza e que tem de esconder isso de todos, enquanto tenta disciplinar uma turma desajustada de estudantes. O mangá é bem interessante, as séries de dorama que a obra inspirou fizeram bastante sucesso (eu também gosto bastante dos dois primeiros doramas), mas o anime… Séries como Gokusen não eram novidades na época, nem por isso elas eram taxadas como antigas, veja o exemplo de GTO de 1999, que ainda com suas limitações é extremamente superior em qualidade de arte e animação a Gokusen. Gokusen é um triste caso de série feita com uma estética já meio velha para época, parece uma série do começo dos anos 90 e com uma animação de alguns anos antes, o que não ajudou em nada o anime tanto que o mesmo concluiu com 13 episódios e com muitos menos conteúdo que o mangá.

Em contraponto as séries que já nasceram velhas citarei séries novas baseadas em obras antigas e que fizeram sucesso com o público atual, sem fugir muito da estética antiga da obra original e as série que decide citar nesse caso são Hunter x Hunter, de 2011, e Jojo’s Bizarre Adventure, de 2012.

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Hunter x Hunter, uma nova roupagem para uma obra o mesmo tempo antiga e atual.

Quero começar explicitando que Hunter x Hunter já havia sido adaptado para série de animação em 1999, sendo que o mangá em cujo ambas séries, a de 1999 e a de 2011, foram baseadas começou a ser publicado em 1998. Além disso, eu gosto bastante da série de 1999, até prefiro ela em comparação a de 2011, mesmo assim é inegável o como a nova série foi bem em trazer a estética antiga da obra original, melhorando muito a animação em relação a série de anime anterior, por isso agradou muito o público novo e os já fãs dessa franquia, tanto que a série foi  muito mais longe do que muita gente esperava, cobrindo praticamente tudo já apresentado no mangá.

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Jojo’s Bizarre Adventure, um clássico de duas décadas que ainda diverte bastante.

O caso de Jojo’s Bizarre Adventure é ainda mais interessante, pois os mangás em que essa série de anime é baseada foram lançado em 1987 e em 1988, tendo esse segundo terminada em em 1989, ou seja, são 23 anos de diferença entre o fim do mangá e o inicio do anime, além disso, o estúdio responsável pela obra havia produzido poucos trabalhos até então e contou com sérias restrições orçamentárias, mesmo assim o resultado final foi surpreendente, não pela qualidade visual do estúdio, pois é bem perceptível todas as limitações que obra possui, mas pelo fato de o estúdio conseguir traspor essas limitações, criar uma estética que lembra os anos 80, mas que ainda assim é atual, e usar de forma muito inteligente as suas limitações como forma de aprimorar, ou ao menos expor mais claramente, o teor cômico de certas partes da obra. E o resultado foi tão positivo que o mesmo estúdio já criou e já foi exibido a primeira parte da continuação que adapta o mangá seguinte, que é o mais famoso da franquia e que já havia sido adaptado para anime de forma não muito satisfatória em duas séries de OVA’s.

Os casos de Hunter x Hunter (2011) e Jojo’s Bizarre Adventure (2012) provam que ter uma estética antiga, ou se basear em obras antigas não é um problema, mas implementar uma obra mal como nos casos de Gokusen e Final Fantasy: Unlimited, fazendo ela involuntariamente parecer mais antiga do que é estética e tecnicamente é que geralmente cria um problema.

Nascer antigo não é exatamente a questão mais problemática com relação ao “mal envelhecimento”,  na verdade acredito que a segunda questão que vou levantar, que de certa forma engloba a primeira, é a grande culpada não apenas em relação a animação, mas também em relação a cinema e seriados live action, de nos apresentar esse conceito de “mal envelhecimento” que é tão questionável. E é agora que muita gente deve se irritar comigo.

A segunda questão é o trabalho mal feito dos estúdios e da staff do anime. É difícil criar uma obra atemporal, ou seja, que mesmo com o passar do tempo ela continue surpreendentemente interessante de forma estética e técnica, independente de apresentar uma história agradável ou não a quem a acompanha.  No cinema, como citarei mais a frente, existem acasos notáveis disso, ou ao menos mais perceptíveis, já com relação a obras feitas para tv ou home vídeo, realmente por questões orçamentárias e de prazo, é muito mais complicado se preocupar com os detalhes que tornam a tal obra atemporal. Mesmo assim, obras que são claramente bem antigas ainda podem ser boas, se elas apresentarem abordagens interessantes o bastante para agradar diversas gerações, mesmo que seja necessário tolerar um pouco problemas relacionados ao envelhecimento da tecnologia com que foi produzida a obra.

Os casos de Jojo e Hunter x Hunter, que já nasceram obras relativamente velhas são exemplos disso, alguns exemplos antigos muito bons são Saint Seiya: Meiou Hades Juuni Kyuu Hen (Cavaleiros do Zodíaco: Hades – A saga do Santuário), Dragon BallYu Yu HakushoJibaku-kunRayearth e Initial D First Stage, todos obras que tive o prazer de rever recentemente e que além de terem uma história que gosto, o fator tempo é muito facilmente tolerável porque foram criadas de uma maneira que ainda é possível se encantar com praticamente todos os detalhes, mesmo sabendo que hoje em dia, muitas das cenas poderiam ser modificadas para melhorar a animação, ou o character design, ou até os efeitos sonoros e visuais, sem um custo muito maior devido a evolução tecnológica.

Três exemplos de obras que envelheceram mal em minha opinião, e sim eu também revi elas recentemente, por isso creio que não é apenas birra, foram Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco), Flame of ReccaTenkuu Senki Shurato. Essas três séries são icônicas e tem muitos fãs até hoje, eu ainda gosto de Flame of Recca e tenho uma certa nostalgia em relação a Saint Seiya, mas é inegável que todas essas três obras não foram pensadas para durar muitas eras, ou é isso que parece. Os efeitos visuais, a animação e alguns efeitos sonoros dessas obras são muito fracos até em comparação a obras mais antigas. Não sei se os estúdios não quiserem investir muito por ter medo do retorno, ou sei lá qual foi o motivo, mas venhamos e convenhamos, dizer que essas obras continuam incríveis é tapar o sol com a peneira. Gostar do trabalho feito nelas é algo puramente nostálgico ainda que a história e a trilha sonora sejam boas até hoje e ainda que esteticamente essas obras permaneçam interessantes, eu gosto bastante da estética de Cavaleiros dos Zodíaco e mesmo com as armaduras bem simplificadas, a estética do anime me agrada muito mais do que a estética do mangá.

Como citei no começo do parágrafo anterior, tive o desprazer de rever Shurato recentemente e como é medonho o trabalho da Tatsunoko Studios nesse anime, já Saint Seiya só é mais um dos exemplos de animes que Toei Animation não quis gastar muito (ela faz isso até hoje, vejam o caso de World Trigger), os próprios Dragon BallSaint Seiya: Meiou Hades Juuni Kyuu Hen também são da Toei Animation, ambos tiveram orçamentos melhor aproveitados que Saint Seiya e continuam sendo animes bons que envelheceram, mas que não irritam os nossos olhos (tá a dublagem japonesa do Goku irrita algumas pessoas, mas…).  Flame of Recca é do estúdio Pierrot e Yu Yu Hakusho também, o primeiro é um trabalho bem fraco do estúdio, já o segundo é provavelmente um dos melhores trabalhos da Pierrot até hoje (e a dublagem japonesa, embora inferior a brasileira, também é legal).

A grande questão é que envelhecer ou não envelhecer mal  é algo muito ligada a dedicação e forma como certas obras de cultura visual foram feitas, eu ainda adoro Blade Runner, mesmo com seu futuro dos anos 80 que nada tem haver com a realidade, enquanto que eu não consigo suportar o clássico Metropolis que é importantíssimo para ficção científica, mas que em suas duas horas de duração não tem mais do que 20 minutos de história.

Antes de terminar esse texto, preciso falar de obras atemporais, que são difíceis de serem criadas, mas elas existem sim, essas obras não deixam de ser filhas de suas épocas, mas com o passar do tempo elas continuam técnica e esteticamente impecáveis e provavelmente modificar qualquer coisa nelas seria mais prejudicial do que benéfico. O exemplo claro disso são alguns dos filmes dos Studio Ghibli, obras como Kaze no Tani no Nausicaä (Nausicaä  do vale dos ventos), Tonari no Totoro (Meu amigo Totoro), Hotaru no Haka (O túmulo dos vagalumes) e Mononoke Hime (A princesa Mononoke) permanecem incríveis e mesmo que por algum motivo você não goste da história contada por alguns ou todos esses filmes, eu lhes desafio a falar algo realmente mal feito nessas obras.

Enfim, o bom ou mal envelhecimento de uma obra artística, qualquer que seja, é difícil de se avaliar e muitas vezes está ligada muito mais a uma questão de gosto pessoal, mesmo assim acredito que haja obras que envelhecem mal, pelo menos aquelas que estão a mercê da tecnologia que é empregada para criá-las, como o gesso de uma estátua que pode se desfazer com o tempo, um CGI que se torna obsoleto a medida que os anos vão passando, ou uma estalar de dois metais quaisquer que um dia foi tratado como o choque de duas espadas e que hoje não parece mais do que o choque de duas colheres. Os exemplos de animes que citei podem não ser exemplos válidos ou adequados para você caro leitor, mas pense um pouco e você vai conseguir encontrar seus próprios exemplos que poderiam ser associados as questões que citei. Para terminar, ficam algumas perguntas para vocês: Que obras de animação japonesa vocês acham que envelheceram mal? E Por quê? Qual obra você acha que envelheceu mal, mas você ainda gosta? Porque o Seiya arrancou a orelha do Cassios? Ele já não era feio o bastante?

Finalmente está de volta a coluna mais questionadora da internet, espero que tenham gostado desse texto e semana que vem o Pensador Otaku virá apresentar suas indagações sobre um tema que arranhamos no começo desta postagem. Agora vou continuar a busca pela pergunta fundamental, então, até outra hora!

A resposta é 42: E o salário ó…

Olá a todos! Essa semana estamos de volta com a coluna mais fundamental da blogosfera animística e universal, A resposta é 42. Espero que tenham curtido o Pensador Otaku na semana passada!  Hoje vou seguir o conselho de uma das ilustre leitoras deste blog, principalmente desta coluna, e começo uma nova série de post sobre Profissões nos Animes e Mangás, sendo que o título desta postagem deixa bem claro de que profissão falarei hoje e ainda é uma homenagem a um dos maiores comediantes desse país, que nasceu aqui no mesmo estado que este que vos escreve, o eterno mestre do humor Chico Anísio. Sem mais delongas, é hora de tomar um café bem forte e se preparar para a próxima aula questionar.

Pergunte ao Ginpachi Sensei

Pergunte ao Ginpachi Sensei.

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define “professor” como sendo:

substantivo masculino

1. Aquele que ensina uma arte, uma atividade, uma ciência, uma língua, etc.

2. Pessoa que ensina em escola, universidade ou noutro estabelecimento de ensino. = DOCENTE

3. Executante de uma orquestra de primeira ordem.

4. Aquele que professa publicamente as verdades religiosas.

5. Entendido, perito.

adjetivo

6. Que ensina.

Hoje estamos falando dos professores da definição 2, então não estamos falando de qualquer pessoa em geral que ensina alguém, mas daquelas que o fazem em algum estabelecimento de ensino, o que diminui bastante nosso grupo de personagens envolvidos, mas ele ainda é um grupo grande. Em japonês, existem duas palavras para professor, a primeira, e mais comum, é “sensei”, esta é utilizada quando alguma pessoa, que não seja o próprio professor, está se referindo a um professor. Já a segunda é “kyoushi”, um termo usado apenas pelo professor quando quer se referir a si mesmo e a outros que tem a mesma profissão, ou por pessoas qualquer quando querem se referir a profissão e não a pessoa. Deixando isso um pouco de lado, para falar de professores em animes é interessante dividi-los em três grupos, quando são protagonistas da história, quando são coadjuvantes importantes e quando são coadjuvantes que aparecem vez por outra, mas que nem o nome sabemos.

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Um professor que dar aulas de reforço no anime Tari Tari.

Começando primeiro por esse último tipo de professor, eles basicamente são comuns de aparecer nos animes para dar um clima  mais verídico a certas séries, ou quando são parte de séries que tem de certa forma o intuito de criticar o rígido sistema de ensino japonês, geralmente neste caso são vilões que aparecem maltratando um ou outro aluno. Nesse momento talvez seja bom abrir um parênteses (não literalmente) para falarmos um pouco sobre esse tal rígido sistema de ensino escolar japonês… Não cabe aqui explicar muito como funcionam as escolas japonesas, então falando resumidamente, em geral, elas são escolas de tempo semi-integral, ou seja, os alunos estudam em parte da manhã e tarde e depois podem ou não fazer atividades extracurriculares dependendo das regras da escola e do próprio aluno. O que quero levar em consideração é como os professores japoneses tendem a se portar e normalmente eles seguem uma espécie de padrão, onde se importam muitas vezes apenas em passar a matéria, mas são solícitos a alunos que os pedem ajuda e muitas vezes ignoram quem não a quer. E embora haja muitas instituições que visam garantir sempre um bom relacionamento entre alunos e professores, a autoridade dos professores deve sempre ser mantida e qualquer envolvimento demasiado com os alunos pode e é mal visto pela sociedade, o que parece estranho a priori se pensarmos no comportamento de tantos professores de anime, mas se formos comparar com a maioria dos professores de escolas ocidentais que conhecemos,  estes professores são ainda mais solicitos que a maioria dos professores de escolas aos quais estamos acostumados.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

O problema que muitas vezes é retratado em animes está relacionado a essa tal autoridade que deve ser mantida pelo professor, pois isso chega a subir a cabeça destes ao ponto de certos profissionais tratar seus alunos como se eles devessem algo a ele, o que em suas mentes lhes dar o direito até de punir de forma exagerada certos estudantes. E isso nem chega a ser o motivo principal de chamar o sistema de ensino escolar japonês de rígido, o principal motivo é a pressão que todo estudante costuma sofrer para se tornar um aluno mais exemplar, mesmo que no futuro sejam salarymans comuns. Por fim, vale ressaltar que professores universitários, tanto japoneses, quantos os dos demais países, não seguem nenhum padrão mais específico, nem se preocupam tanto em agir como superiores (alguns sim), pois geralmente são mais pesquisadores do que professores em si, logo sua relação com os alunos tende a ser mais branda e direta, fora que o relacionamentos mais próximos entre estudantes universitários e professores não chega a ser tão mal visto assim… Agora voltemos para terminar o assunto sobre professores que não são muito importantes para a trama dos animes e mangás em que aparecem, esses personagens costumam ser utilizados em cenas pontuais e geralmente não sua aparição não gera impacto na trama, por isso não se tornam memoráveis, vale apenas ressaltar que costumam em geral agir mais como os professores  reais do que os outros que tem destaque.

Sawako Manaka de K-ON, Sawa chan para os íntimos e otakus.

Sawako Manaka de K-ON (Sawa chan para os íntimos e otakus)

Agora falando sobre o grupo de professores de animes mais comum, quando o professor é tratado como coadjuvante importante ou de luxo, nesse caso temos professores diferentes do  normal, porque eles tendem a se destacar por algo não ligado a sua capacidade de ensinar, além de ser comum terem um relacionamento amistoso com os estudantes, ao ponto de por vezes serem até amigos pessoais destes (algo pouco comum no mundo real), incluem-se aqui também os professores universitários, pois, até onde sei, não existem animes universitários com um professor como protagonista. Esses professores se destacam, como já citado, por terem características peculiares, tipo serem muito admirados pelos estudantes, terem dificuldade de se expressar, ou se expressar de forma totalmente não usual, agirem de forma estranha, falarem de forma estranha, se vestirem de forma estranha, terem gostos sexuais estranhos, estarem apaixonados por outro personagem importante para a trama, serem alvos da paixão de outro personagem importante para a trama, geralmente não correspondendo a essa paixão, terem distúrbios sexuais, serem rígidos além da conta, serem inocentes de mais, serem lutadores experientes, serem líderes militares, serem cavaleiros sagrados, serem muito maus, terem grandes peitos e etc.

Sakurai Sensei de Nichijou

Sakurai Sensei de Nichijou

Esses professores agem como personagens suporte e sua profissão importa mais pelo contraste que tem seu jeito em relação a figura padrão do professor rígido e autoritário, embora solicito, que já citei. Muitas vezes eles até tentam agir como professores normais, porém nem os alunos os deixam agir dessa maneira, nem eles mesmo conseguem e às vezes eles simplesmente não estão nem aí, como é caso da professora Naruko Yokoshima de Seitokai Yakuindomo, que está sempre a procura de um parceiro sexual, mesmo entre seus estudantes (esse anime não explicita nenhuma cena onde o ato sexual ocorra, na verdade é mais um comédia colegial que apenas apresenta piadas sexuais entre outras coisas), ou o professor Kazuichi Arai (ou “Pin” ) de Kimi ni Todoke, que costuma agir como um grande amigo de seus estudantes, embora abuse, às vezes, de seus alunos, principalmente daqueles que conhece desde que eram criança, quando ele ainda nem era professor.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Esses professores são muito importantes para a trama das história que participam, ou funcionam como alívio cômico, mas em nenhum momento chegam a representar um crítica ou um retrato real do sistema de ensino japonês, mesmo professores universitários como O Hanamoto Shuji de Honey & Clover chegam a ter sua profissão como a característica mais marcante, embora ela defina em parte sua personalidade, pois em qualquer que seja o caso, a profissão de uma pessoa reflete uma escolha importante que esta fez em sua vida.

Por fim, vale um destaque especial para os professores de séries baseadas em visual novels, eles ou elas são sempre apresentados de forma que gerem um certo sentimento de que seriam pessoas com a qual o (a) protagonista poderia ter um relacionamento amoroso, embora seja completamente incomum a rota que envolve a conquista do professor ou professora ser a representada na trama principal da história do anime, mesmo assim é notável essa característica.

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

E quanto aos professores protagonistas? O mais comum é que professores sejam protagonistas quando formam um casal com um outro personagem também protagonista, como por exemplo em Onegai Teacher, ou quando representam um professor que vai agir de forma a transformar seus alunos, geralmente delinquentes, em pessoas aptas a viver em sociedade, como por exemplo em Great Teacher Onizuka, Gokusen, Dragon Zakura e Rookies, ou em casos extremos, esses professores lutam contra o sistema de ensino que pune os alunos menos aplicados e explora os mais aplicados, como em Kekko Kamen, ou se sentem afetados por toda a pressão que a sociedade impõe a pessoas como ele, como em Sayonara Zetsubou Sensei. Com exceção do primeiro caso e do último caso,  que se assemelha ao caso dos professores coadjuvantes, nos outros casos há uma certa forma de ao mesmo tento criticar a rigidez do ensino, o que vale muitas vezes ao ensino em todo mundo, não apenas no Japão, e enaltecer os professores que não se preocupam apenas em passar a matéria de qualquer jeito, mas que de fato estão interessados em fazer de seus alunos pessoas melhores.

Nessas obras os professores costuma ser ainda mais excêntricos e diferentes do que é comum de se ver, do que os professores coadjuvantes, provavelmente por precisarem chamar ainda mais atenção. Então é plenamente plausível, termos uma heroína que luta contra o sistema de ensino corrupto e exageradamente mal, usando apenas uma máscara e nunchakos, tendo o resto de seu corpo completamente exposto (Kekko Kamen), ou uma professora ser neta do líder da Yakuza (Gokusen), ou ser um advogado nada sociável (Dragon Zakura), ou, quem sabe, ser uma ex-líder de gangue pervertido que age como uma criança (Great Teacher Onizuka). Existe uma característica que todos esses professores tem, e que é importante para qualquer professor protagonista de um anime ou mangá, eles acreditam no potencial de todos os seus alunos e se necessário agirão mesmo contra a vontade destes para provar que eles podem ser muito mais do que qualquer pessoa espera deles. Vale ressaltar que as obras que contem esses professores protagonistas, tendem a ter também professores coadjuvantes que agem de forma oposta a eles, sempre desacreditando ou agindo de forma má com os alunos que não são exemplares e qualquer um que saia da linha ao menos um pouco, isso deixa claro a crítica que a obra traz e ainda enaltece a figura do protagonista e às vezes esses professores maus até se redimem influenciados pelos protagonistas, outras vezes, apenas sofrem bastante. Para finalizar, é interessante notar que obras desse tipo costumam gerar boas adaptações para doramas por todas as características que possuem.

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Enfim, ser um professor em um anime não é pra qualquer um, para se destacar é importante ter alguma característica única e se relacionar bem com os alunos, ou ser muito escroto e fazer o papel de vilão que certamente sofrerá na mão de um professor que faça o papel de herói. Mais afinal o que torna essa profissão tão comum e tão referenciada nos animes e  mangás? A princípio o fato de animes e mangás serem em sua maioria para adolescentes, culmina em muitas obras colegiais  que são propícias a terem muitos professores, mas será que é só por isso? O que um professor de anime ou mangá precisa ter de fato para se destacar positivamente  em sua opinião? Já se perguntou que tipo de professor, dos que você teve, daria um bom personagem de anime ou mangá? Ou já pensou que algum professor de anime e mangá lembrava seus professores da escola ou faculdade? E que tipo de personagem professor novo poderia ser criado, não apenas com base nas características, mas que pudesse gerar uma trama diferente das já conhecidas? Afinal, infelizmente, há uma saturação de obras de professores, por isso é cada vez menos comum haver novas obras tendo professores como protagonistas. Será que não há nada de novo a ser explorado com esse tipo de personagem? Eles estarão fadados a serem apenas coadjuvantes em obras futuras?

Enfim é isso, espero que tenham gostado dessa edição e agora me despeço, pois minha busca pela pergunta fundamental continua. Até logo!