O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Posts marcados ‘K-ON’

Pensador otaku: Demografia não é gênero!

Você que é fã de anime e mangá já se deparou em uma situação que tinha de escolher qual seu gênero preferido. Provavelmente antes de responder a pergunta uma série de palavrinhas em japonês vieram a sua mente: Shonen, Shoujo, Josei, Seinen e Kodomo. E por impulso, ou por falta de conhecimento, respondeu a pergunta com uma dessas palavras. Porém, se alguém lhe perguntar “qual sua demografia de mangá preferida?”, dificilmente palavras como “ação”, “aventura’, “fantasia”, lhe parecerão opções e provavelmente você também usará algumas das cinco palavrinhas anteriores para responder a pergunta. De fato, qualquer uma das palavras japonesas anteriores responde corretamente a segunda pergunta, mas nenhuma delas serve para a primeira.

Shonen

Shonen

O termo gênero tem um significado tão amplo que pode ser simplesmente entendido como uma classificação de vários elementos segundo características comuns. Porém o termo é utilizado em situações específicas, por exemplo, biologicamente o ser humano pode se encontrar em dois gêneros: homem e mulher. Literariamente o gênero pode significar um tipo de forma de escrita (crítica, descrição, novela e etc.) ou um tipo de narrativa (ação, aventura, drama). Para o cinema o termo também pode ser utilizado para classificar uma narrativa como ação, drama, aventura, ficção científica e etc. Enfim, quando se pergunta “qual o gênero de um mangá?”, se que saber qual a forma de narrativa desse mangá? Ou seja, se quer saber se é uma obra de drama, ação, aventura, ficção científica, policial, máfia…

O termo demografia está relacionado a classificação de seres humanos, então quando se pergunta “qual a demografia de um mangá?”, se quer saber, em geral, qual a faixa etária para o qual aquele mangá a é mais indicado? Ou pelo menos era isso que deveria significar, mas…

Seinen

Seinen

Vale a pena agra explicar o que são aquelas tais palavrinhas japonesas que citei no começo do texto, antes de voltar a falar de demografias. A palavra Shonen significa garoto, analogamente a palavra Shoujo significa garota e a palavra Kodomo significa criança. O termo Josei significa mulher ou feminino. Por fim, Seinen significa juventude ou jovem adulto. Também existem outros termos japoneses que definem demografias, mas esses cinco são os mais utilizados.

Esses termos são utilizados apenas para classificar demograficamente revistas japonesas, em geral, que publicam mangás e novels. Para anime só faz sentido utilizar essa classificação demográfica quando o mesmo é uma adaptação de mangás ou novels que foram publicados em revistas. A classificação de mangás e novels é na verdade a mesma da revista em que a obra foi publicada. Por isso não é estranho que um mangá violento e com uma trama complexa como Shingeki no Kyojin é um shonen e que um mangá que simplesmente apresenta o dia a dia de garotas colegiais como K-ON fosse um seinen. Para quem não entendeu. Shingeki no Kyojin é publicado na Bessatsu Shonen Magazine, um revista shonen, e K-ON foi publicado na Manga time Kirara Carat, uma revista seinen.

Shoujo

Shoujo

E porque tanta gente confunde gênero com demografia? Não posso afirmar, mas acredito que o conjunto “termo japonês para classificar mangá + similaridade de gêneros famosos entre pessoas de certas demografias” seja o responsável pela confusão. Por exemplo, jovens garotos costumam gostar muito de obras de ação, aventura, com certa quantidade de violência e humor, por isso a maioria dos mangás shonen, que seriam destinados a esse público, tem essas características, de modo que para muitos o significado do termo shonen está associado a essas características, o que não é verdade. Analogamente jovens garotas costumam gostar muito de romance e drama, por isso muitos pensam que esses gêneros são intrínsecos ao termo shoujo, o que também não é verdade.

Outro problema é que as demografias não são tão bem definidas como parecem, pois além de ser claro que sempre haverá pessoas de certas demografias que irão gostar de obras de outra, qualquer demografia pode conter obras de qualquer gênero.

Além disso, as revistas japonesas consideram o povo japonês como seu público alvo, o que faz todo sentido, mas os japoneses são diferentes dos brasileiros, que são diferentes dos estadunidenses, que são diferentes dos indianos e etc. Onde eu quero chegar com isso? Povos diferentes tem pensamentos e leis diferentes, uma atitude que é considerada adulta em um país pode ser plenamente aceitável para adolescentes ou até para crianças em outro. Em um país mulheres gostam de se vestir com roupas mais leves e em outro isso é um absurdo. As diferenças culturais e na legislação de cada país influi diretamente na produção cultural do mesmo e isso obviamente afeta publicações de quadrinhos. De modo que um quadrinho que para um páis é destinado a adolescentes, em outro é destinado a adultos e etc.

Josei

Josei

Então a classificação demográfica japonesa de revistas de mangás e novels só vale para o Japão? Não. Você pode sim usar essa classificação em qualquer lugar do mundo, porém o mais correto seria utilizar as classificações etárias específicas de cada país. Porém o cerne da questão não é esse, o que quero mostrar é o quão errado é utilizar uma demografia como gênero. Um shoujo pode muito bem apresentar violência e ter uma trama policial. Um shonen pode muito bem apresentar a história de um casal. Um seinen pode ser protagonizado por crianças. Um josei pode falar da yakuza. Então toda vez que você falar que não gosta de shoujo, lembre-se que você está falando que não gosta de mangás, novels e animes que  podem tanto ser de romance, quando de ficção científica. E quando você falar que não gosta de shonen, lembre-se que você pode tanto está falando que não gosta de mangás, novels e animes que tanto podem ser uma aventura ou uma história de um casamento, ou sobre o dia a dia de uma dona de casa.

Enfim, demografia não é gênero!

Sobre Músicas e Animes 39: Animes de Comédia que vieram de gag mangás ou de mangás yonkoma

E agora vocês sabem a verdade!

E agora vocês sabem a verdade!

Yo! Está no ar mais uma edição do podcast Sobre Músicas e Animes, o podcast engraçado da podosfera mundial. Nessa edição estiveram presentes Eu, o “Host boke” Evilasio Junior, o “Kappa tsukkomi” Carlírio Neto, do blog Netoin, também conhecido como o padrinho da Otakusfera brasileira, o “Sommelier tsukkomi” Erick Dias, do Animecote, o “Paleontólogo boke” Luklucas_, do Yopinando Shinbun e do Chuva de Nanquim, e as convidadas @_Natthr “Natália” do Elfen Lied Brasil e  a “especialista” Nayara Nany-chan, do Alchemist Nany.

Nessa edição temos mais um tema divertido, pois voltamos aos animes de comédia, mas em vez de seres de outros planetas, dessa vez falamos de animes de comédia que adaptam mangás gags ou mangás yonkoma. Esse podcast está cheio de lembranças de bons animes, cheio de vezes que o tema da vitória foi tocado e, claro, cheio de músicas de altíssima qualidade, inclusive finalmente temos uma participante que realmente sabe o que falar sobre as bandas, cantores e sobre as músicas, além do Erick. Um podcast cheio de bom humor e piadas infames, como não poderia deixar de ser. Enfim, confiram mais esse podcast cheio de de boas músicas e muitos momentos divertidos! Depois de ouvi-lo indique-o aos amigos e se sobrar um tempo, não deixe de comentar nos blogs participantes.


Duração: 02:10:37

Podcast: Download Alta Qualidade (89.7 mb) | Download Média Qualidade (59.8 mb)

Podcast em particionado por música: Download (acesse o link e escolha a parte que quer escutar)

Feed de Podcasts do Yopinandohttp://feeds.rapidfeeds.com/45097/ | Clique aqui para ver os podcasts do Yopinando no Itunes.

Blogs participantes desta edição:

Músicas indicadas neste podcast:

  • “Ii Kagen ni Shite, Anata”, Danna ga Nani o Itteiru ka Wakaranai Ken Yukari Tamura Ii Kagen ni Shite Anata
  • “Birthday”, Sket Dance
  • “Soramimi Cake”, Azumanga Daioh
  • “Hayate no Gotoku”, Hayate no Gotoku
  • “Taiyou to GO!!”, Hidamari Sketch x Hoshimittsu
  • “Oshiete A to Z”, B Gata H Kei
  • “Aoi Haru”, Seitokai Yakuindomo
  • “Hitori Bocchi no Uta”, Puchimas!! Petit Idolm@ster
  • “Niji no Kakera”, Isshukan Friends
  • “Kimi ja Nakya Dame Mitai (Kashima Version)”, Gekkan Shoujo Nozaki-kun
  • “Prima Stella”, Cuticle Tantei Inaba
  • “Have Some Tea”, K-ON
  • “Kajirikake no Ringo”, Denkigai no Honya-san

Temas da introdução dessa edição:

  •  “Kikyū ni Notte Doko made mo”, Nichijou
  • “Kaijuu no Ballad”, Nichijou
  • “Tsubasa wo Kudasai”, Nichijou
  • “Green Green”, Nichijou
  • “My Ballad”, Nichijou

BGM’s:

  • Baka to Test no Shokanjuu OST
  • k-ON OST Vol.1

Extras:

Conhecendo o Mercado Nacional de Mangás – Formulário de Abril de 2014

Finalmente o final!

Finalmente o final!

Está online o  formulário de abril do projeto Conhecendo o Mercado Nacional de Mangás.

Aos que já conhecem o projeto, peço mais uma vez seu apoio e sua disposição, mas aos que não conhecem, o mesmo trata-se de uma iniciativa do Anime Portfolio em parceria com os blogs AnimeCote Only good animesMangatom, Netoin!Otaku Inside e Naty in Wonderland que visa fornecer dados numéricos para que nós blogueiros e os demais fãs brasileiros de mangá possamos ter uma melhor noção de como anda o mercado nacional.

O formulário atual corresponde aos títulos que as editoras informaram no checklist do mês de abril. O mesmo ficará no ar até o dia 15 de maio e pode ser acessado clicando aqui ou na imagem de divulgação do projeto no menu lateral do blog.

Convido mais uma vez os demais blogueiros, podcasters, videocasters ou donos de sites especializados em mangá, a apoiar o projeto, para isso enviem um e-mail a conhecendoomercadodemangas@gmail.com informando seu interesse. E para quem não tem site, blog, podcast ou videocast, mas quer nos ajudar, peço que retwittem o formulário e que divulguem no facebook, ou no google+, ou em qualquer outra rede social.

Tá complicado manter qualquer regularidade de postagem no blog, incluindo o resultado dos formulários, tanto porque meu tempo livre está mais escasso, mas também por um pouco de desleixo de minha parte. Para acelerar a preparação dos resultados vou tentar criar um banco de dados local para que possa tirar relatórios mais rápidos (o que eu devia ter feito a muito tempo), assim espero até o fim do mês de maio apresentar todos os resultados atrasados em um post (gigantesco).

Sobre o formulário de março,  tivemos uma melhora no número de respostas em relação a fevereiro, por isso agradeço muito o apoio e a divulgação de todos. Esse mês a pergunta extra é Qual seu mangaka preferido? Aguardo ansioso as respostas!

Não deixem de curtir a página do facebook do projeto, acessem-na clicando aqui. Lá vocês poderão se informar sobre as as novidades do projeto assim que elas surgirem, além de poder ler outras informações sobre o mercado nacional de mangá.

Enfim, antes de comentar o checklist do mês, reitero o pedido para que todos que puderem e que estiverem interessado nesses resultados: Divulguem o projeto para o máximo de pessoas conhecidas que gostam de mangá e que costumam colecionar algum mangá lançado no mercado nacional!

Um pouco sobre o checklist de abril

E voltamos a escola...

E voltamos a escola…

Neste mês temos 35 títulos no formulário, sendo 1 da editora Abril, 2 da editora NewPOP, 1 da editora Conrad, 15 da editora Panini e 16 da editora JBC.

A editora Abril traz o volume 2 de Kingdom Hearts II, o terceiro título da franquia publicado pela editora no Brasil. Já a NewPOP lança o segundo Spin off de K-On, K-On! Colégio, e o segundo volume de Street Fighter Alpha. A Conrad finalmente traz o volume 7 de Gen Pés Descalços, será que é sonhar demais o volume 8 sair ainda esse ano? E falando na volta de títulos, a Panini, tem como seus dois grandes destaques, a volta de Claymore, com o lançamento do volume 24, e finalmente o tão aguardado volume 15, o último, de Homunculus, um título que por pouco não foi junto com a onda de cancelamentos da editora no ano passado. Por fim, a JBC lança finalmente Sailor Moon 1 nas bancas, particularmente não gosto da série,  mas que o mangá tá bonito, isso tá (vi ele numa banca esses dias, mas não pretendo colecionar), além disso, também sai esse mês Diário do Futuro – Paradox, o segundo e último spin off de Diário do Futuro.

Enfim é isso! Até a próxima!

Conhecendo o Mercado Nacional de Mangás – Formulário de Dezembro de 2013

Elas estão de volta trazendo mais doces!

Elas estão de volta trazendo mais doces!

Está online o  formulário de dezembro do projeto Conhecendo o Mercado Nacional de Mangás.

Aos que já conhecem o projeto, peço mais uma vez seu apoio e sua disposição, mas aos que não conhecem, o mesmo trata-se de uma iniciativa do Anime Portfolio em parceria com os blogs AnimeCote Only good animesMangatom, Netoin!Otaku Inside e Naty in Wonderland que visa fornecer dados numéricos para que nós blogueiros e os demais fãs brasileiros de mangá possamos ter uma melhor noção de como anda o mercado nacional.

O formulário atual corresponde aos títulos que as editoras informaram no checklist do mês de dezembro. O mesmo ficará no ar até o dia 15 de janeiro e pode ser acessado clicando aqui ou na imagem de divulgação do projeto no menu lateral do blog.

Novamente convido os demais blogueiros, podcasters, videocasters ou donos de sites especializados em mangá, a apoiar o projeto, para isso enviem um e-mail a conhecendoomercadodemangas@gmail.com informando seu interesse. E para quem não tem site, blog, podcast ou videocast, mas quer nos ajudar, peço que retwittem o formulário e que divulguem no facebook, ou no google+, ou em qualquer outra rede social.

Primeiro queria agradecer a todos que colaboraram com o projeto no mês passado, pois tivemos o melhor resultado de todos os meses que o projeto esteve no ar. Ainda tenho coisas para fazer essa semana para o mestrado, então somente na semana que vem e no começo de janeiro estarei mais livre para preparar os dados dos meses de agosto a novembro e divulgá-los a vocês. A pergunta extra deste mês é sobre qual dos mangás prometidos para 2014 você mais estão esperando? Enfim, antes de comentar as novidades dentre os mangás deste mês, peço mais uma vez  a todos que puderem e que estiverem interessado nesses resultados, que divulguem o projeto para o máximo de pessoas conhecidas que gostam de mangá e que costumam colecionar algum mangá lançado no mercado nacional.

Um pouco sobre o checklist de dezembro

E temos mais Zumbis chegando.

E temos mais Zumbis chegando.

Neste mês temos 39 títulos, sendo 2 da editora L&PM, 3 da editora NewPOP, 17 da editora Panini e mais 17 da editora JBC. A L&PM continua com sua linha de mangás baseados em clássicos da literatura e dessa vez traz o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels e a também Metamorfose de Franz Kafka. A NewPOP traz este mês o segundo e último volume do mangá O Homem de Várias Faces do grupo CLAMP, além do primeiro volume de Street Fight Alpha e como principal lançamento do mês, a editora trás K-ON! Faculdade, uma das continuações do famoso mangá yonkoma do clube de música mais doce da história dos quadrinhos. Já a Panini não traz grandes novidades, o destaque principal deste mês fica apenas pela volta de Deadman Wonderland que agora está a um volume de terminar. Por fim, a editora JBC traz o último volume dos mangás O Senhor dos  Espinhos e Death Note Black Edition, além de lançar oficialmente Manga Of The Dead e Jogo do Rei,  sendo que este último, por ter sido anunciado para o checklist de novembro, estava no último formulário e não está neste.

Por hoje é só! Peço novamente o apoio de todos na divulgação do projeto e até o próximo post.

A resposta é 42: E o salário ó…

Olá a todos! Essa semana estamos de volta com a coluna mais fundamental da blogosfera animística e universal, A resposta é 42. Espero que tenham curtido o Pensador Otaku na semana passada!  Hoje vou seguir o conselho de uma das ilustre leitoras deste blog, principalmente desta coluna, e começo uma nova série de post sobre Profissões nos Animes e Mangás, sendo que o título desta postagem deixa bem claro de que profissão falarei hoje e ainda é uma homenagem a um dos maiores comediantes desse país, que nasceu aqui no mesmo estado que este que vos escreve, o eterno mestre do humor Chico Anísio. Sem mais delongas, é hora de tomar um café bem forte e se preparar para a próxima aula questionar.

Pergunte ao Ginpachi Sensei

Pergunte ao Ginpachi Sensei.

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define “professor” como sendo:

substantivo masculino

1. Aquele que ensina uma arte, uma atividade, uma ciência, uma língua, etc.

2. Pessoa que ensina em escola, universidade ou noutro estabelecimento de ensino. = DOCENTE

3. Executante de uma orquestra de primeira ordem.

4. Aquele que professa publicamente as verdades religiosas.

5. Entendido, perito.

adjetivo

6. Que ensina.

Hoje estamos falando dos professores da definição 2, então não estamos falando de qualquer pessoa em geral que ensina alguém, mas daquelas que o fazem em algum estabelecimento de ensino, o que diminui bastante nosso grupo de personagens envolvidos, mas ele ainda é um grupo grande. Em japonês, existem duas palavras para professor, a primeira, e mais comum, é “sensei”, esta é utilizada quando alguma pessoa, que não seja o próprio professor, está se referindo a um professor. Já a segunda é “kyoushi”, um termo usado apenas pelo professor quando quer se referir a si mesmo e a outros que tem a mesma profissão, ou por pessoas qualquer quando querem se referir a profissão e não a pessoa. Deixando isso um pouco de lado, para falar de professores em animes é interessante dividi-los em três grupos, quando são protagonistas da história, quando são coadjuvantes importantes e quando são coadjuvantes que aparecem vez por outra, mas que nem o nome sabemos.

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Um professor que dar aulas de reforço no anime Tari Tari.

Começando primeiro por esse último tipo de professor, eles basicamente são comuns de aparecer nos animes para dar um clima  mais verídico a certas séries, ou quando são parte de séries que tem de certa forma o intuito de criticar o rígido sistema de ensino japonês, geralmente neste caso são vilões que aparecem maltratando um ou outro aluno. Nesse momento talvez seja bom abrir um parênteses (não literalmente) para falarmos um pouco sobre esse tal rígido sistema de ensino escolar japonês… Não cabe aqui explicar muito como funcionam as escolas japonesas, então falando resumidamente, em geral, elas são escolas de tempo semi-integral, ou seja, os alunos estudam em parte da manhã e tarde e depois podem ou não fazer atividades extracurriculares dependendo das regras da escola e do próprio aluno. O que quero levar em consideração é como os professores japoneses tendem a se portar e normalmente eles seguem uma espécie de padrão, onde se importam muitas vezes apenas em passar a matéria, mas são solícitos a alunos que os pedem ajuda e muitas vezes ignoram quem não a quer. E embora haja muitas instituições que visam garantir sempre um bom relacionamento entre alunos e professores, a autoridade dos professores deve sempre ser mantida e qualquer envolvimento demasiado com os alunos pode e é mal visto pela sociedade, o que parece estranho a priori se pensarmos no comportamento de tantos professores de anime, mas se formos comparar com a maioria dos professores de escolas ocidentais que conhecemos,  estes professores são ainda mais solicitos que a maioria dos professores de escolas aos quais estamos acostumados.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

Uma cena comum de Urusei Yatsura entre Onsen-sensei e Ataru.

O problema que muitas vezes é retratado em animes está relacionado a essa tal autoridade que deve ser mantida pelo professor, pois isso chega a subir a cabeça destes ao ponto de certos profissionais tratar seus alunos como se eles devessem algo a ele, o que em suas mentes lhes dar o direito até de punir de forma exagerada certos estudantes. E isso nem chega a ser o motivo principal de chamar o sistema de ensino escolar japonês de rígido, o principal motivo é a pressão que todo estudante costuma sofrer para se tornar um aluno mais exemplar, mesmo que no futuro sejam salarymans comuns. Por fim, vale ressaltar que professores universitários, tanto japoneses, quantos os dos demais países, não seguem nenhum padrão mais específico, nem se preocupam tanto em agir como superiores (alguns sim), pois geralmente são mais pesquisadores do que professores em si, logo sua relação com os alunos tende a ser mais branda e direta, fora que o relacionamentos mais próximos entre estudantes universitários e professores não chega a ser tão mal visto assim… Agora voltemos para terminar o assunto sobre professores que não são muito importantes para a trama dos animes e mangás em que aparecem, esses personagens costumam ser utilizados em cenas pontuais e geralmente não sua aparição não gera impacto na trama, por isso não se tornam memoráveis, vale apenas ressaltar que costumam em geral agir mais como os professores  reais do que os outros que tem destaque.

Sawako Manaka de K-ON, Sawa chan para os íntimos e otakus.

Sawako Manaka de K-ON (Sawa chan para os íntimos e otakus)

Agora falando sobre o grupo de professores de animes mais comum, quando o professor é tratado como coadjuvante importante ou de luxo, nesse caso temos professores diferentes do  normal, porque eles tendem a se destacar por algo não ligado a sua capacidade de ensinar, além de ser comum terem um relacionamento amistoso com os estudantes, ao ponto de por vezes serem até amigos pessoais destes (algo pouco comum no mundo real), incluem-se aqui também os professores universitários, pois, até onde sei, não existem animes universitários com um professor como protagonista. Esses professores se destacam, como já citado, por terem características peculiares, tipo serem muito admirados pelos estudantes, terem dificuldade de se expressar, ou se expressar de forma totalmente não usual, agirem de forma estranha, falarem de forma estranha, se vestirem de forma estranha, terem gostos sexuais estranhos, estarem apaixonados por outro personagem importante para a trama, serem alvos da paixão de outro personagem importante para a trama, geralmente não correspondendo a essa paixão, terem distúrbios sexuais, serem rígidos além da conta, serem inocentes de mais, serem lutadores experientes, serem líderes militares, serem cavaleiros sagrados, serem muito maus, terem grandes peitos e etc.

Sakurai Sensei de Nichijou

Sakurai Sensei de Nichijou

Esses professores agem como personagens suporte e sua profissão importa mais pelo contraste que tem seu jeito em relação a figura padrão do professor rígido e autoritário, embora solicito, que já citei. Muitas vezes eles até tentam agir como professores normais, porém nem os alunos os deixam agir dessa maneira, nem eles mesmo conseguem e às vezes eles simplesmente não estão nem aí, como é caso da professora Naruko Yokoshima de Seitokai Yakuindomo, que está sempre a procura de um parceiro sexual, mesmo entre seus estudantes (esse anime não explicita nenhuma cena onde o ato sexual ocorra, na verdade é mais um comédia colegial que apenas apresenta piadas sexuais entre outras coisas), ou o professor Kazuichi Arai (ou “Pin” ) de Kimi ni Todoke, que costuma agir como um grande amigo de seus estudantes, embora abuse, às vezes, de seus alunos, principalmente daqueles que conhece desde que eram criança, quando ele ainda nem era professor.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Hanamoto Shuji de Honey & Clover.

Esses professores são muito importantes para a trama das história que participam, ou funcionam como alívio cômico, mas em nenhum momento chegam a representar um crítica ou um retrato real do sistema de ensino japonês, mesmo professores universitários como O Hanamoto Shuji de Honey & Clover chegam a ter sua profissão como a característica mais marcante, embora ela defina em parte sua personalidade, pois em qualquer que seja o caso, a profissão de uma pessoa reflete uma escolha importante que esta fez em sua vida.

Por fim, vale um destaque especial para os professores de séries baseadas em visual novels, eles ou elas são sempre apresentados de forma que gerem um certo sentimento de que seriam pessoas com a qual o (a) protagonista poderia ter um relacionamento amoroso, embora seja completamente incomum a rota que envolve a conquista do professor ou professora ser a representada na trama principal da história do anime, mesmo assim é notável essa característica.

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

Yamaguchi Kumiko de Gokusen

E quanto aos professores protagonistas? O mais comum é que professores sejam protagonistas quando formam um casal com um outro personagem também protagonista, como por exemplo em Onegai Teacher, ou quando representam um professor que vai agir de forma a transformar seus alunos, geralmente delinquentes, em pessoas aptas a viver em sociedade, como por exemplo em Great Teacher Onizuka, Gokusen, Dragon Zakura e Rookies, ou em casos extremos, esses professores lutam contra o sistema de ensino que pune os alunos menos aplicados e explora os mais aplicados, como em Kekko Kamen, ou se sentem afetados por toda a pressão que a sociedade impõe a pessoas como ele, como em Sayonara Zetsubou Sensei. Com exceção do primeiro caso e do último caso,  que se assemelha ao caso dos professores coadjuvantes, nos outros casos há uma certa forma de ao mesmo tento criticar a rigidez do ensino, o que vale muitas vezes ao ensino em todo mundo, não apenas no Japão, e enaltecer os professores que não se preocupam apenas em passar a matéria de qualquer jeito, mas que de fato estão interessados em fazer de seus alunos pessoas melhores.

Nessas obras os professores costuma ser ainda mais excêntricos e diferentes do que é comum de se ver, do que os professores coadjuvantes, provavelmente por precisarem chamar ainda mais atenção. Então é plenamente plausível, termos uma heroína que luta contra o sistema de ensino corrupto e exageradamente mal, usando apenas uma máscara e nunchakos, tendo o resto de seu corpo completamente exposto (Kekko Kamen), ou uma professora ser neta do líder da Yakuza (Gokusen), ou ser um advogado nada sociável (Dragon Zakura), ou, quem sabe, ser uma ex-líder de gangue pervertido que age como uma criança (Great Teacher Onizuka). Existe uma característica que todos esses professores tem, e que é importante para qualquer professor protagonista de um anime ou mangá, eles acreditam no potencial de todos os seus alunos e se necessário agirão mesmo contra a vontade destes para provar que eles podem ser muito mais do que qualquer pessoa espera deles. Vale ressaltar que as obras que contem esses professores protagonistas, tendem a ter também professores coadjuvantes que agem de forma oposta a eles, sempre desacreditando ou agindo de forma má com os alunos que não são exemplares e qualquer um que saia da linha ao menos um pouco, isso deixa claro a crítica que a obra traz e ainda enaltece a figura do protagonista e às vezes esses professores maus até se redimem influenciados pelos protagonistas, outras vezes, apenas sofrem bastante. Para finalizar, é interessante notar que obras desse tipo costumam gerar boas adaptações para doramas por todas as características que possuem.

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Onizuka Eikichi de GTO. O professor mais maneiro dos animes e mangás!

Enfim, ser um professor em um anime não é pra qualquer um, para se destacar é importante ter alguma característica única e se relacionar bem com os alunos, ou ser muito escroto e fazer o papel de vilão que certamente sofrerá na mão de um professor que faça o papel de herói. Mais afinal o que torna essa profissão tão comum e tão referenciada nos animes e  mangás? A princípio o fato de animes e mangás serem em sua maioria para adolescentes, culmina em muitas obras colegiais  que são propícias a terem muitos professores, mas será que é só por isso? O que um professor de anime ou mangá precisa ter de fato para se destacar positivamente  em sua opinião? Já se perguntou que tipo de professor, dos que você teve, daria um bom personagem de anime ou mangá? Ou já pensou que algum professor de anime e mangá lembrava seus professores da escola ou faculdade? E que tipo de personagem professor novo poderia ser criado, não apenas com base nas características, mas que pudesse gerar uma trama diferente das já conhecidas? Afinal, infelizmente, há uma saturação de obras de professores, por isso é cada vez menos comum haver novas obras tendo professores como protagonistas. Será que não há nada de novo a ser explorado com esse tipo de personagem? Eles estarão fadados a serem apenas coadjuvantes em obras futuras?

Enfim é isso, espero que tenham gostado dessa edição e agora me despeço, pois minha busca pela pergunta fundamental continua. Até logo!