O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

Posts marcados ‘Mangá’

Kyoudai Podcast #17: Censura nos Animes e Mangás – Parte 1: Censura no Japão

Podcast em parceria entre o Netoin e o Animecote com a participação de Evilasio Junior (@JuniorKyon), Carlírio Neto (@cnetoin),  Bebop (@animecote) e André (@animecote). Nessa edição falamos sobre a censura em anime e mangá no Japão.

Blocos:
00:00:00 – Introdução e comentários da última edição
00:20:56 – Censura no Japão
01:24:20 – Considerações Finais

Acessem também:
Aisvêrse – https://aiscrim.wordpress.com/
Nupo – https://nupoblog.wordpress.com/

Para baixar o áudio e escutar depois recomendo usar este site:http://www.youtube-mp3.org/

Pensador otaku: Demografia não é gênero!

Você que é fã de anime e mangá já se deparou em uma situação que tinha de escolher qual seu gênero preferido. Provavelmente antes de responder a pergunta uma série de palavrinhas em japonês vieram a sua mente: Shonen, Shoujo, Josei, Seinen e Kodomo. E por impulso, ou por falta de conhecimento, respondeu a pergunta com uma dessas palavras. Porém, se alguém lhe perguntar “qual sua demografia de mangá preferida?”, dificilmente palavras como “ação”, “aventura’, “fantasia”, lhe parecerão opções e provavelmente você também usará algumas das cinco palavrinhas anteriores para responder a pergunta. De fato, qualquer uma das palavras japonesas anteriores responde corretamente a segunda pergunta, mas nenhuma delas serve para a primeira.

Shonen

Shonen

O termo gênero tem um significado tão amplo que pode ser simplesmente entendido como uma classificação de vários elementos segundo características comuns. Porém o termo é utilizado em situações específicas, por exemplo, biologicamente o ser humano pode se encontrar em dois gêneros: homem e mulher. Literariamente o gênero pode significar um tipo de forma de escrita (crítica, descrição, novela e etc.) ou um tipo de narrativa (ação, aventura, drama). Para o cinema o termo também pode ser utilizado para classificar uma narrativa como ação, drama, aventura, ficção científica e etc. Enfim, quando se pergunta “qual o gênero de um mangá?”, se que saber qual a forma de narrativa desse mangá? Ou seja, se quer saber se é uma obra de drama, ação, aventura, ficção científica, policial, máfia…

O termo demografia está relacionado a classificação de seres humanos, então quando se pergunta “qual a demografia de um mangá?”, se quer saber, em geral, qual a faixa etária para o qual aquele mangá a é mais indicado? Ou pelo menos era isso que deveria significar, mas…

Seinen

Seinen

Vale a pena agra explicar o que são aquelas tais palavrinhas japonesas que citei no começo do texto, antes de voltar a falar de demografias. A palavra Shonen significa garoto, analogamente a palavra Shoujo significa garota e a palavra Kodomo significa criança. O termo Josei significa mulher ou feminino. Por fim, Seinen significa juventude ou jovem adulto. Também existem outros termos japoneses que definem demografias, mas esses cinco são os mais utilizados.

Esses termos são utilizados apenas para classificar demograficamente revistas japonesas, em geral, que publicam mangás e novels. Para anime só faz sentido utilizar essa classificação demográfica quando o mesmo é uma adaptação de mangás ou novels que foram publicados em revistas. A classificação de mangás e novels é na verdade a mesma da revista em que a obra foi publicada. Por isso não é estranho que um mangá violento e com uma trama complexa como Shingeki no Kyojin é um shonen e que um mangá que simplesmente apresenta o dia a dia de garotas colegiais como K-ON fosse um seinen. Para quem não entendeu. Shingeki no Kyojin é publicado na Bessatsu Shonen Magazine, um revista shonen, e K-ON foi publicado na Manga time Kirara Carat, uma revista seinen.

Shoujo

Shoujo

E porque tanta gente confunde gênero com demografia? Não posso afirmar, mas acredito que o conjunto “termo japonês para classificar mangá + similaridade de gêneros famosos entre pessoas de certas demografias” seja o responsável pela confusão. Por exemplo, jovens garotos costumam gostar muito de obras de ação, aventura, com certa quantidade de violência e humor, por isso a maioria dos mangás shonen, que seriam destinados a esse público, tem essas características, de modo que para muitos o significado do termo shonen está associado a essas características, o que não é verdade. Analogamente jovens garotas costumam gostar muito de romance e drama, por isso muitos pensam que esses gêneros são intrínsecos ao termo shoujo, o que também não é verdade.

Outro problema é que as demografias não são tão bem definidas como parecem, pois além de ser claro que sempre haverá pessoas de certas demografias que irão gostar de obras de outra, qualquer demografia pode conter obras de qualquer gênero.

Além disso, as revistas japonesas consideram o povo japonês como seu público alvo, o que faz todo sentido, mas os japoneses são diferentes dos brasileiros, que são diferentes dos estadunidenses, que são diferentes dos indianos e etc. Onde eu quero chegar com isso? Povos diferentes tem pensamentos e leis diferentes, uma atitude que é considerada adulta em um país pode ser plenamente aceitável para adolescentes ou até para crianças em outro. Em um país mulheres gostam de se vestir com roupas mais leves e em outro isso é um absurdo. As diferenças culturais e na legislação de cada país influi diretamente na produção cultural do mesmo e isso obviamente afeta publicações de quadrinhos. De modo que um quadrinho que para um páis é destinado a adolescentes, em outro é destinado a adultos e etc.

Josei

Josei

Então a classificação demográfica japonesa de revistas de mangás e novels só vale para o Japão? Não. Você pode sim usar essa classificação em qualquer lugar do mundo, porém o mais correto seria utilizar as classificações etárias específicas de cada país. Porém o cerne da questão não é esse, o que quero mostrar é o quão errado é utilizar uma demografia como gênero. Um shoujo pode muito bem apresentar violência e ter uma trama policial. Um shonen pode muito bem apresentar a história de um casal. Um seinen pode ser protagonizado por crianças. Um josei pode falar da yakuza. Então toda vez que você falar que não gosta de shoujo, lembre-se que você está falando que não gosta de mangás, novels e animes que  podem tanto ser de romance, quando de ficção científica. E quando você falar que não gosta de shonen, lembre-se que você pode tanto está falando que não gosta de mangás, novels e animes que tanto podem ser uma aventura ou uma história de um casamento, ou sobre o dia a dia de uma dona de casa.

Enfim, demografia não é gênero!

All You Need Is Kill – Resenha

Olá pessoal, tudo bem? Bem vindos a mais uma resenha, hoje do mangá que pelo visto está fazendo muito sucesso aqui no Brasil, All You Need Is Kill, de uma porrada de autores (Light Novel de Hiroshi Sakurazaka, ilustrações originais de Yoshitoshi ABe, Storyboards de Ryosuke Takeushi e arte do grande Takeshi Obata).

História

AYNIK com certeza já é uma “franquia” de sucesso, tendo Light Novel (Que originou o mangá), mangá, filme e uma Graphic Novel americana.

Num futuro alternativo (Ou não), a humanidade luta contra aliens invasores chamados Mimetizadores. Keiji Kiriya é um soldado novato que enfrentará os mimetizadores, mas em sua primeira batalha ele morre, e após morrer ele volta ao momento em que ele acordou. Ou seja, ele está preso em um ciclo interminável, em que ele morre, e volta à vida. E ele tenta descobrir um jeito de parar esse ciclo, então ele aproveita cada dia para treinar e aprimorar sua técnica de batalha, e tentar parar com esse ciclo infernal.

Análise

Acho que esse sucesso no Brasil de AYNIK se deve pelo mangá ter sido desenhado pelo Takeshi Obata (Autor de Death Note, Bakuman, Hikaru no Go). Eu inclusive comprei a obra por ser fã do do Obata, e não pela história, que a principio é bem clichê, com essa ideia de aliens invadirem a Terra e humanos tentando sobreviver, mas de qualquer forma, isso é só o plano de fundo para o ciclo de vida e morte (Também já explorado em outras histórias ) de Kiriya, que é a melhor parte da história.

Eu nunca li nenhum material de ação do Obata, e estava curioso para saber como ele se sairia nos desenhos, e realmente, cumpriu minhas expectativas. As cenas de batalha no primeiro volume são ótimas, principalmente a violência gráfica, que é constante (E eu particularmente adoro), claro que também devemos isso ao Ryosuke Takeushi, que fez os storyboards do mangá. Já no segundo volume, não sei porquê, as batalhas ficaram confusas lá pelo final, os desenhos estavam confusos e ficava difícil entender o que estava acontecendo.

A diferença de qualidade e história dos dois volumes é o problema.

Enquanto o primeiro volume é muito bom, as batalhas são bem feitas, existe o mistério de por que o loop está acontecendo apenas com Keiji, e a curiosidade em querer saber o que vai acontecer prende o leitor. O segundo já resolve o mistério do loop no começo, e essa resolução apesar de satisfatória, é preguiçosa e um pouco confusa. A arte continua sensacional nos momentos de menos ação, mas nas batalhas dos últimos capítulos fica meio bagunçado, e a história perde o clima que tinha no primeiro volume, de ação, e se torna uma história de romance.

A JBC escolheu um formato menor para AYNIK, o que não muda nada. A qualidade do material no geral é muito boa, bem melhor que o da Panini (Principalmente o papel).

Mesmo com a arte sensacional de Takeshi Obata, a história do mangá se perde no segundo volume, sendo bastante inferior ao ótimo primeiro volume, e o mistério que ronda toda a história é resolvido de uma forma satisfatória, porém confusa e preguiçosa.

All You Need Is Kill – Nota: 7.3

Até o próximo post!

Dororo, de Osamu Tezuka – Resenha

Olá pessoal, como estão? Bem vindos a mais uma resenha, desta vez do mangá Dororo, do Deus do Mangá, Osamu Tezuka.

(Obs: Essa resenha refere-se aos volumes 1 e 2)

História

No Japão Feudal, havia um vassalo de um general samurai, chamado Daigo Kasemitsu. Em busca de poder sobre o Japão ele oferece a 48 demônios, 48 partes de seu filho que está para nascer. O pacto é feito, e devido a isso o bebê nasce sem partes importantes de seu corpo (Braços, pernas, olhos…) e é descartado num rio, de onde um médico o encontra, e comovido pela situação da pobre criança, constrói as partes que faltam do corpo do menino, fazendo ele aparentar uma pessoa normal.

Com o passar do tempo, a criança (Agora chamada de Hyakkimaru) passa a utilizar bem suas próteses, se tornado um espadachim habilidoso. Mas ele descobre que para recuperar sua humanidade e as partes de seu corpo perdidas e se livrar de uma maldição, ele precisa matar esses 48 demônios. Então, ele parte em uma jornada em busca deles. No meio da jornada, ele encontra Dororo, um ladrão (Seu nome significa Pequeno Ladrão Andarilho) que passa a acompanha-lo com o objetivo de roubar sua espada, mas sem querer, eles formam um forte laço de amizade.

Análise

Tezuka com essa obra consegue mostrar bem aos leitores como é uma guerra, e pode-se dizer que esse é o objetivo principal do mangá. No decorrer da história as desgraças causadas por ela são mostradas, como crianças que perderam os pais, cenários destruídos, pessoas sendo mortas praticamente sem motivo… Apesar disso, a história é focada principalmente na aventura e em belas lutas de espadas, com alguns momentos de terror, um terror fraco, que no máximo causa um sustinho aqui e ali e deixa um clima de tensão na história.

Pode-se dizer que o pouco suspense que há, fica por conta de algumas histórias curtas que acontecem de vez em quando, uma que gostei bastante é a da vila em que quem vê um certo yokai (Um tipo de demônio) é preso, e depois morto. Nesse mangá é possível perceber características de shonens que são usadas até hoje, como a amizade, coragem e tudo mais.

A arte de Tezuka melhorou consideravelmente comparado a uma outra obra que li dele, Crime e Castigo (Da qual você pode conferir a resenha aqui), essa que foi publicada 15 anos antes. O destaque fica para os cenários e os demônios que Hyakkimaru e Dororo enfrentam. Uma coisa estranha da arte é que o sangue são tipo umas bolotas, e não sangue mesmo.

O material físico da NewPop está belíssimo como sempre, capa cartonada, papel Off-set, orelhas, e tudo mais. Realmente faz valer os 24,90 gastos. Mais um comentário, essas capas do Tezuka da Newpop são demais, vocês não acham? O design, as cores… São muito lindas. Também há um filme do mangá, se você assistiu, comente aí sua opinião.

Dororo conta com uma história bem desenvolvida, e uma boa arte, infelizmente falha em despertar curiosidade do leitor no que acontecerá a seguir. E o terror e suspense que diz-se ter, é fraco, e o mangá acaba se tornando uma história de aventura (Não que isso seja um ponto negativo, mas se você buscar uma história de terror ou adulta, pode esquecer).

Se você comprar Dororo, ficará satisfeito com a leitura, mas se deixar de comprar, não fará falta.

Dororo – Nota: 8.0

Então é isso, até depois pessoal!

Especial Ohba e Obata – Resenhas: Death Note e Bakuman

Olá leitores! Aqui é o ALM, como vocês estão? Hoje farei duas resenhas em um post só.

Como lançou esse mês o mangá All You Need Is Kill (Ainda farei a resenha deste, só estou esperando chegar pelo correio.), desenhado por Takeshi Obata, aproveitarei para fazer um especial de dois ótimos mangás também de Obata, mas em parceria com o roteirista Tsugumi Ohba: Death Note e Bakuman! Considerem esse post em homenagem aos 6 anos do Anime Portfólio, parabéns ao blog! E leia também esse post para conhecer mais sobre a carreira de Obata.

Death Note – História

Light Yagami (Ou Raito Yagami, tanto faz) é um dos melhores estudantes do Japão, mas ele se sente entediado com a vida, e decepcionado pela forma que o mundo está: podre. Então, em um dia qualquer, ele encontra um caderno que diz que todo humano cujo o nome for escrito nele morrerá. Mesmo duvidando disso, Light testa o caderno e descobre que ele é real, a partir disso ele resolve livrar o mundo da podridão, punindo os maldosos, e se tornando o Deus do novo mundo.

Depois de alguns dias com criminosos sendo mortos pelo Death Note, todos de ataque cardíaco, a polícia começa a suspeitar, e o maior detetive do mundo, “L”, é escalado para investigar o caso, e então, começa uma briga de gato e rato, um caçando o outro, cada um com sua justiça.

Análise

É difícil fazer uma resenha de Death Note, sendo ele um dos meus mangás/animes preferidos, mas aqui estou eu. Death Note apesar de sua sinopse simples, até meio sem graça, chama atenção pela inteligencia do roteiro no decorrer da série, reviravoltas acontecem toda hora, e o mangá te dá, digamos, liberdade para escolher de que lado você está.

Como Death Note se baseia em pontos de vistas morais diferentes (Light acreditando que a verdadeira justiça é a dele, que diz que matando criminosos ele vai criar um mundo melhor, e L acreditando que independente de serem criminosos ou não, matar é errado), a partir disso o leitor pode escolher quem ele acha que está certo ou errado. Particularmente, eu sempre torci para o L, sendo ele um ótimo personagem, carismático, inteligente e tudo mais, e por o Light ser um desgraçado.

Apesar de Light ser o personagem principal, ele é o vilão. É interessante ver o desenvolvimento do personagem, que no começo queria realmente fazer justiça, mas no decorrer da série ele se torna um assassino frio, incapaz de ter sentimentos por qualquer pessoa (Até pela própria família), e passa a se importar apenas consigo e com seu objetivo de se tornar um Deus. Falando em personagens, temos diversos outros, alguns bem bosta, tipo a Misa (Cara, como aquela mina é burra, chega a dar dó), e o Matsuda (Poxa, eu até gosto do Matsuda, ele é engraçado, mas ele não faz nada na série inteira.), e vários bons, como Aizawa, Near, Mello, Ryuk e Naomi Misora.

A partir do sensacional roteiro, o mangá tinha que ter uma arte a altura, e realmente tem, a arte de Takeshi Obata é uma das melhores que já vi em mangás, não vou comentar mais, vou apenas deixar algumas imagens para vocês verem do que eu estou falando (Ignorem a má qualidade das imagens): Aqui e aqui.

E ano passado foi lançado o Death Note – Black Edition no Brasil, pela JBC, que é uma edição que custa 40 dilmas. “QUE? QUE DROGA DE PREÇO É ESSE?” Calma, calma, essa edição vem com 400 páginas, capa com laminação fosca e detalhes em verniz, e papel especial, que valoriza bastante a arte, e 7 páginas coloridas. Acho que vale muito a pena comprar a Black Edition, inclusive só faltam o V e o VI para completar minha coleção dessa maravilhosa série.

Recomendo Death Note a todo mundo, tem uma história sensacional, com reviravoltas a todo momento, e com um roteiro de extrema inteligência, ótimos personagens (Alguns né…) e uma arte de ficar algum tempo em cada página só admirando. E a qualidade da Black Edition está ótima, você acha facilmente as edições em livrarias.

Death Note – Nota: 9,5

Bakuman – História

Bakuman conta a história de Mashiro, um talentoso desenhista, desmotivado com o futuro, por não saber o que fazer, e provavelmente ter que viver uma vida normal e chata. Um colega de classe, Takagi, vê um desenho que Mashiro fez de sua amada, Azuki, e descobre seu talento, e o convida para fazer mangás junto a ele, um desenhando e o outro fazendo os roteiros.

Mesmo relutante, Mashiro aceita, e mais tarde Takagi o convence a ir à casa de Azuki, para contarem seus sonhos de se tornarem mangakás. Azuki diz que também tem um sonho de se tornar dubladora, e sem pensar, Mashiro diz para eles se casarem quando Mashiro criar um mangá que se torne anime, sendo que Azuki irá dublar a heroína desse anime. E até que isso aconteça eles não devem se falar. Azuki aceita, e a partir daí, Mashiro (Já motivado a se tornar mangaká) e Takagi partem em busca de criar um título de sucesso na Shonen Jump.

Análise

Bakuman é um mangá diferente. Ele, assim como Death Note, tem muitos diálogos, diferente da maioria dos títulos de sucesso que vemos por aí, ou seja, Bakuman não vai agradar a todos.

E também, Bakuman tem pouca ação, segue um ritmo bem tranquilo o tempo todo, com alguns momentos de mais “movimento”, e felizmente Bakuman não se prende a essa sinopse RIDÍCULA, se você achou Bakuman uma bela bosta por essa sinopse, leia pelo menos uns dois volumes que você verá que Bakuman não é uma história de amor, e sim uma história de dois jovens buscando se tornarem mangakás de sucesso.

Isso sim que é legal de se ver, conhecer como funciona o mundo dos mangakás, o processo de criação, a Shonen Jump (Com cancelamentos, novas séries, o trabalho dos editores), mas, claro que o que é mostrado no mangá pode não ser a realidade, afinal, ele foi publicado na Shonen Jump, e a revista deve ter pedido para os autores deixar mais atrativa para quem tem o sonho de se tornar mangaká. A história nos primeiros volumes é bem fraca, e vai melhorando com o tempo, a melhor parte é o arco do Nananime, na minha opinião.

Outra coisa interessante, é que como o mangá fala sobre mangás, existem muitas referencias a diversos mangás, como Ashita no Joe, Dragon Ball, Death Note, One Piece…

E o ponto forte do mangá sem dúvida são os personagens, um mais carismático que o outro, e a maneira que os personagens se relacionam, e mesmo com a competitividade pela popularidade continuam com uma forte amizade, é bem interessante, e o desenvolvimento dos personagens também, o Nakai é o que mais surpreende no decorrer da série.

O final do mangá é bem preguiçoso. Eles só terminaram de verdade a parte do Hiramaru com a Aoki (Terminou muito bem aliás, uma das partes mais engraçadas do mangá), e o resto cade? O que acontece com os outros personagens? Eles continuam fazendo mangá e competindo até morrer, é isso? O que fiquei com mais raiva foi que nem disseram por que o tio do Mashiro morreu, que é um mistério desde o começo do mangá. Pelo menos, a história principal (Mashiro, Takagi, Azuki) “termina” bem.

A arte é a mesma de sempre, mas em Death Note está um pouco melhor, não sei o porquê.

Diferente de Death Note, não recomendo Bakuman a qualquer um, se você gosta de mangás, e não se importa em ler vários diálogos, Bakuman é mais que recomendado. Já se você só gosta de mangás de ação e luta, passe longe.

Bakuman – Nota: 9,0

Bom pessoal, foi isso, espero que tenham gostado, tiveram algumas coisas que gostaria de comentar, mas aí o post ficaria muito grande vocês iriam dormir na leitura, hehe. Também gostaria de fazer um post só para falar do final desses dois mangás, mas só se vocês quiserem, comentem aí o que vocês acham. Até a próxima, e feliz aniversário ao Anime Portfólio!

Defense Devil, de Youn In-Wan e Yang Kyung-Il – Resenha

Olá galerinha, sou o ALM e bem vindos a mais uma resenha. Hoje falarei de um dos recentes lançamentos da Panini, Defense Devil!

Defense Devil

História

Kucabara é um demônio que foi exilado do mundo dos demônios (Makai) por ser  “bonzinho” demais. E para retornar ao Makai, Kucabara precisa pegar Dark Matter suficiente, para isso Kucabara resolve se tornar um advogado, resolvendo casos das pessoas que são condenadas ao inferno injustamente (Por isso o nome Defense Devil, dã).

E para resolver os casos dos humanos condenados injustamente, Kucabara tem que enfrentar demônios, achar provas da inocência de seu cliente, entre outros.

Análise

Gosto bastante de mangás envolvendo demônios, shinigamis, e coisas do tipo, e gostei também de Defense Devil. A história de Kucabara ser um demônio advogado me agradou um bocado, o desenvolvimento da história também é criativo e explicarei porquê.

Na leitura do primeiro volume, é possível perceber que a história tinha tudo para se tornar repetitiva, isso porquê Kucabara é um “advogado”, e chegaria uma hora que só ver ele resolvendo casos e lutando com demônios ficaria chato, MAS…Temos a introdução de personagens muito carismáticos no decorrer da trama, que trazem novos rumos que o mangá pode seguir sem mudar o foco. Apesar disso algumas partes da história são previsíveis, por exemplo, como ficará a relação de Kucabara com a exorcista Idamaria.

Outro aspecto que vi outras resenhas dizerem que é o ponto forte do mangá é a arte, e eu concordo, ela é demais, os personagens, os cenários, as lutas, tudo é bem feito. Mas se uma coisa não me agradou (Não me agrada em nenhum mangá, aliás) é o ecchi, que no geral só serve para encher linguiça (E tem até uma personagem que só serve para criar cenas desse tipo, mas creio que ela terá influencia na história mais a diante), no  entanto, se você gosta de ecchi, bom para você.

Como já citei, as lutas são bem feitas, porém no geral não me agradaram, não por serem ruins ou coisas do tipo, mas por eu achar mais interessante as investigações dos casos, e as lutas não precisavam ser tão frequentes, mas é um shonen, fazer o quê. As investigações dos casos são ok, é algo do tipo que você ver a conclusão e pense “Puxa, bem bolado” e não algo genial.

E depois de pesquisar um pouco sobre o mangá, vi que ele foi cancelado no décimo volume, infelizmente. Isso pode significar que o mangá teve um final ruim, ou perdeu a qualidade lá pelos últimos volumes, por ter acabado antes dos autores quererem. Mas vai que o final é bom? Vou ficar na torcida.

Quanto ao material, ele está no padrão da Panini, capas internas coloridas, com um papel pior que o padrão da JBC (Se bem que os mangás da JBC são mais caros.). Aproveito agora para sugerir à JBC que aprenda com a Panini e ponha capas internas coloridas em todos (Ou quase todos) os mangás, que é uma coisa que agrada qualquer leitor.

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Eu recomendo Defense Devil se você gostar de história com demônios, shinigamis e coisas do tipo, mas se você não gosta, recomendo mesmo assim, no entanto em meio a tantos títulos de qualidade no mercado Brasileiro atualmente, fica difícil escolher. De qualquer forma, Defense Devil é um bom título, com uma boa arte, talvez não esteja entre os melhores lançamentos, mas eu gostei um bocado.

Ah! E a partir dessa resenha darei notas aos mangás!

Defense Devil – Nota: 8.6

Isso é tudo pessoal, até a próxima!

Crime e Castigo, de Osamu Tezuka – Resenha

Olá pessoal, tudo certo? Meu nome é ALM e passarei a postar no AP a partir de hoje, pretendo fazer resenhas, críticas de mangás e coisas do tipo. Começando hoje com uma resenha do mangá Crime e Castigo, de Osamu Tezuka publicado a algum tempo pela NewPOP.

Crime e Castigo

Crime e Castigo, na verdade é um clássico livro russo, escrito por Dostoiévski, mas comentarei aqui da versão em mangá escrita por Osamu Tezuka (Deus dos mangás, para os mais íntimos).

A história


Raskolnikov é um estudante pobre, precisando de dinheiro ele vai até uma velha agiota pedir dinheiro emprestado. Percebendo a personalidade egoísta e maldosa da velha, que faz de tudo para pegar o máximo de dinheiro de pobres (Como Raskolnikov), Raskolnikov começa a pensar que para as pessoas más, o dinheiro vem aos montes, enquanto para pessoas como ele, mal tem dinheiro para estudar. E que diferença essa velha maldosa faria no mundo? Pensando nisso Raskolnikov assassina a velha, e pega seu dinheiro, acreditando estar sendo justo.

Mais tarde, a polícia chega na cena do crime e vê um pintor com um relógio dourado (Que Raskolnikov deixou cair durante a fuga) e o prende, acreditando que ele que matou a velha. A partir disso, Raskolnikov fica em um dilema moral, é certo matar alguém por sua maldade? É certo deixar um inocente ser incriminado por uma coisa que ele não fez? E a trama vai se desenvolvendo de uma maneira muito inteligente.

Análise

Crime e Castigo é uma daquelas obras para pensar, que você lê de novo só para captar melhor a mensagem passada (Pelo menos eu fiz isso, hehe), e o jeito que Tezuka conduz a história, o jeito que Raskolnikov lida com a situação, é inteligentíssimo, e para quebrar a tenção de vez em quando temos algumas cenas de humor (Umas engraçadas, outras não).

A arte é a normal do Tezuka, no começo você pode estranhar e achar ruim se comparar com as de hoje (E realmente é, quando comparada as de hoje), mas temos que considerar que é uma arte de mais de 50 anos atrás, e ao decorrer da leitura você se acostuma.

A qualidade física da edição da NewPOP é ótima, papel Off-set e capa com orelhas, um aspecto que me incomodou foi o desenho da capa, que não sei porque, mas está com uma qualidade estranha. O preço também é bem alto para um material de 130 páginas, 24,90 , mas considerando a qualidade da história e do material, pode até valer a pena.

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Crime e Castigo tem uma história muito boa, e o material da edição nacional da editora NewPOP também é muito bom, não chega a ser um obra prima ou algo fantástico, mas vale o gasto. E se você quiser conhecer um pouco da obra do Deus dos mangás, pode ser bom começar por aqui.

Só mais um comentário, minha opinião não é a final, obviamente, se eu gostei de um mangá, você pode não gostar, cabe a você decidir!!! Ah, também gostaria de receber críticas sobre minhas críticas (que), para que eu possa melhorar cada vez mais. Um abraço a todos ^^

AP Live #3: Shin Sekai Yori – parte 1

Vejam todos as edição do AP-Live clicando aqui

Análise da enquete: Qual o maior problema de mangás lançados no Brasil?

Olá a todos! Hoje estreia uma nova coluna feita para resolver o problema de como utilizar melhor os resultados das enquetes aqui do blog, a coluna Análise da Enquete, que obviamente é um título muito simples e literal, mas é o que temos no momento. Enfim, a ideia dessa coluna se resume em uma análise que farei sobre os resultados das enquetes que posto no blog que deve (quase) sempre ser postada em algum dia da segunda semana de cada mês (ou do calendário que fiz para o blog).

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Colecionar ou não colecionar, eis a questão?

“Ah Evilásio, a enquete atual não corresponde a do título desse post, você Errou…”. Nesse primeiro mês irei fazer dois textos, esse, que é correspondente a enquete que ficou no ar por quase todo o primeiro semestre do ano passado e o outro, postado na quarta semana do mês, que corresponde a última enquete que saiu do ar, referente a serviços legais (no sentido de respeitar a lei) de streaming. No fim deste post apresento a nova enquete postada  hoje e que ficará online até o dia 12 de setembro. Sem mais delongas, vamos a análise, que não será tão longa (espero eu), por ser mais informal e ter o intuito apenas de reforçar a discussão.

Qual o maior problema de mangás lançados no Brasil?

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Primeiramente queria apresentar trechos de um comentário deixado por uma pessoa que respondeu a enquete que corrobora com a opinião de muitas pessoas que criticam os mangás lançados no Brasil. antes vale mencionar que esse comentário surgiu de uma resposta a uma pessoa que questionou o fato de muitas outras selecionarem a opção “qualidade do papel” que acabou ficando em segundo lugar como problema mais votado (admito que também me impressionei com o resultado). Enfim o comentarista disse:

“A qualidade do papel é horrível e isso deteriora a qualidade da imagem, além das páginas ficarem amareladas rapidamente. A edição pior ainda, pois não se tem o minimo cuidado, eles simplesmente selecionam uma área e deletam, parece que foi editado no paint, quem comprou Inuyasha sabe do que estou falando. A tradução ainda da pra relevar, o preço porém é ridiculamente alto…  pelo preço que as editoras pedem é melhor importar os mangás de editoras americanas que saem com uma qualidade muito maior por um preço muito semelhante, além de oferecerem uma variedade de títulos maior.”

De fato é comum se olhar para fora e comparar os mercados e ainda que muitas das coisas que falam por aí sejam falácias é inquestionável que a variedade de mangás lançados em inglês (e acho que também em espanhol, mas não necessariamente na Espanha) é bem maior do que em português. Já com relação a qualidade, depende muito das editoras que lançaram a obra, pois tem muito material lançado lá fora que é uma bela porcaria, mas também tem muito material de qualidade louvável.Com relação ao preço, convertendo os valores médios de mangás nos Estados Unidos para reais, fica bem parecido com o preço dos mangás lançados aqui, tal como o comentarista citou. E quanto a tradução, isso é um problema que ocorre tanto aqui quanto nos Estados Unidos, quanto na Espanha, quanto na França e etc.

Enfim, queria apenas começar por essa questão para deixar claro que a comparação não é totalmente inválida, mas tem muitos fatores que devem ser levados em consideração que fogem da proposta da enquete. Para terminar essa questão da comparação, gostaria de citar que vez por outra escuto essa mesma questão ser discutida em um podcast espanhol (feito por espanhóis) sobre anime e mangá que eu escuto (às vezes), o que prova que ela não é uma exclusividade do Brasil, ou seja, não é só aqui que se fala que a qualidade e o preço dos mangás em outro país viabilizaria mais a importação da obra do que a compra da mesma no país natal da pessoa que está falando. Por sinal, mangá na Espanha parece ser caro mesmo e olha que a variedade lá não é tão grande assim não.

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Agora deixando de lado os argumentos do nosso querido comentarista (até porque eu não coleciono Inuyasha, pois não gosto) vou me focar nos resultados da enquete.

Com relação a Baixa qualidade de impressão acho que talvez a maioria das pessoas não veja esta questão como um problema tão frequente, porque achei estranho tão poucos votos, incluindo o meu, pois nada me irrita mais que pegar um mangá com balão cortado, com uma imagem difícil de entender ou com páginas invertidas (sim, isso acontece). Atualmente não lembro de erros como esse nos últimos 3 anos (só meu primeiro Dragon ball edição definitiva que tem a contra capa de cabeça para baixo, acredito que por isso ele era prêmio do anime quiz que ganhei, ou será coincidência?). Enfim, acho que esse problema foi quase que resolvido nos últimos tempos.

Com relação a Tradução, que para mim é segundo maior problema, pois erros são mais comuns do que deveriam, deve-se também levar em consideração que muitas pessoas criticam a  adaptação de certos termos e isso não é o problema em si. Pelo menos isso se trata de uma escolha da editora que  normalmente é estranhada no começo, mas ao longo do tempo é comum os leitores passarem a aceitar e às vezes até acharem muito boas essas adaptações. Por exemplo, a princípio, eu tive uma certa birra com o fato de a JBC ter utilizado “Dr. Morte” em vez de “Shinigami-sama” no mangá Soul Eater, mas hoje eu acho bem maneiro essa “versão nacional”, aliás ainda bem que não apenas traduziram, pois ficaria algo como “Senhor Ceifador”, ou “Senhor Deus da Morte”, ou apenas “Deus da Morte”, enfim não ia ficar legal nem ia caracterizar bem o personagem.  A tradução e adaptação se torna um problema quando ela descaracteriza e/ou muda o sentido de certas frases do mangá e quem costuma ler mangás em outras línguas saca logo erros como esse, mas a grande maioria dos leitores passa despercebido e acredito que por isso também não tenha sido uma opção muito votada.

Com relação a “polêmica” Baixa qualidade do papel, hoje em dia eu nunca mais percebi nada do tipo, apenas quando compro mangás mais antigos. Acho que as editoras perceberam que fica feio para elas e que o público aceita gastar uns 50 centavos ou até 1 real a mais por um papel um pouco mais descente. Agora, que isso já foi um problemão, isso foi, aliás quem coleciona mangás de 4 anos para trás, sofre bastante para conservá-lo. Apenas para não dizer que não existem exemplos ainda hoje desse problema, a versão meio-tanko de Evangelion tem uma qualidade de papel muito boa, mas a versão tankobon (a mais nova) tem um qualidade  de papel consideravelmente questionável, vejamos se isso continuará quando sair o último volume.

Por último, porém mais relevante dado a quantidade de pessoas que elegeram esse como o maior problema do mercado nacional, falemos do famigerado Preço. Enfim, os mangás nacionais valem o preço que custam? Será que são caros de mais? Inquestionavelmente o Novo Vagabond é muito mais caro do que vale? (Essa última questão, eu Acho que sim). O Preço de um mangá é uma coleção de “pequenos” preços de outras coisas, incluindo o valor do licenciamento, do papel, da impressão, do custeio do trabalho da editora (tradução, adaptação, edição, revisão e etc), das ações de marketing, da distribuição, do quanto o dono da banca terá de lucro e do quanto a editora terá de lucro real. Aliás é importante destacar que o Brasil, pelo seu tamanho e pelo fato de que quase todo transporte é rodoviário, tem um custo de distribuição elevadíssimo. Enfim, não é barato vender qualquer que seja o material impresso no Brasil, masque o valor dos mangás em si é elevado não há o que questionar, acredito que a o principal questionamento é se a qualidade da obra vale o preço que pagamos, pois pagamos praticamente o mesmo, talvez um pouco mais, ou um pouco menos, que a média dos valores dos mangás na América do Norte e na maior parte da Europa. Hoje em dia eu acredito que o preço médio ideal para os mangás publicados no Brasil, com exceção das edições mais luxuosas, seria entre 8 e 13 reais, mas essa é uma especulação baseada no material daqui e no material que conheço publicado em outros países.

Enfim, quem quiser, continue a discussão nos comentários, afinal são as críticas que movem a internet, não é mesmo?

A NOVA ENQUETE

A nova esquete que publiquei hoje corresponde a velha questão do que vem primeiro na vida de um otaku: O Mangá ou o Anime? Não deixem de votar e o façam o quanto antes, pois lembro que a enquete só deve ficar no ar até o dia 12 de setembro.

Pensador Otaku: Dar para ser otaku fora do Japão?

Bom dia, boa tarde e boa noite! Hoje é dia de mais pensamentos sobre o universo otaku, ou sobre o que achamos que ele é. Você, meu caro leitor que não mora no Japão (segundo as estatísticas do wordpress, vez por outra alguém acessa esse blog do Japão), na tentativa de tornar mais forte seu espírito otaku, já deve ter se deparado com diversas barreiras, que vão desde a dificuldade em conseguir materiais que lhe façam upar (ou subir) de nível, até a barreira da língua e algumas vezes a falta de conhecimento cultural que não lhe permiti compreender certas referências apresentadas  nas obras que acompanha ou que acompanhou. Nós que não vivemos em terras nipônicas e nem em terras próximas destas, sempre temos alguma dificuldade para explorar ao máximo as possibilidades de nosso hobby, pelo simples fato de que estamos fora do país de onde ele se origina! E não pensem que a globalização resolveu esse problema, pelo menos não resolveu por completo, pois ainda estamos a mercê da influência e principalmente da boa vontade dos “grandiosos” japoneses (e de alguns outros asiáticos) para nos mantermos atualizados em nosso hobby, ainda assim dificilmente chegamos perto de estarmos tão atualizados quanto eles, diante de tudo isso, será que não somos apenas fãs atrasados de uma cultura estrangeira? Será que realmente podemos nos autointitular otakus? Afinal, dar para ser otaku fora do Japão?

Você não é japonês, pare de fingir!

Você não é japonês, pare de fingir!

A alguns meses atrás acompanhei um anime chamado Outbreak Company, uma obra de fantasia onde o protagonista, um jovem adulto e otaku, passa a trabalhar para o governo do Japão como emissário da cultura otaku em um outro país localizado em um mundo de fantasia medieval que descobriu-se está ligado ao Japão através de uma fenda espaço temporal ou coisa parecida. A ideia de apresentar a cultura otaku a essa nação partia do pressuposto que ela é um exemplo comprovado de um tipo de expressão cultural advinda do Japão que influencia muitas pessoas no mundo todo. O anime se atém a comédia em boa parte do tempo, mas apresenta bem o poder de influência da cultura otaku e em certo momento ele levanta rapidamente a discussão sobre o como esse novo país se ver “refém” do controle de material otaku feito pela nação japonesa, mas ou menos como se isso fosse uma droga a qual as pessoas deste país de fantasia medieval se acostumaram a provar e então passaram a sentir cada vez mais necessidade de consumi-la. Dado as devidas proporções e tendo em mente o teor ficcional da obra, podemos dizer que ela, embora tenha suas diferenças, apresenta basicamente o que os otakus fora do Japão sentem. No anime é dada uma solução plausível e fácil de identificar para esse problema, que até muitos tentam aplicar no mundo real, mas existe  um série de entraves que tornam difícil realmente aplicar essa solução…

Uma arma bem perigosa...

Exatamente, apenas relaxe e espalhe o caminho otaku para essas pessoas.

Na última edição dessa coluna, deixei claro que o termo “otaku” pode ser usado de forma a identificar pessoas fãs de anime e mangá (clique aqui para ler a matéria completa) em qualquer lugar do mundo, assim sendo, não há nenhum problema em eu, você, e todos os seus conhecidos que gostam de anime e mangá se autointitularem otakus, porém se minimizarmos a amplitude desse significado para o atribuirmos apenas a pessoas que de fato acompanham o mundo dos anime e mangas, mesmo que com não muita frequência,  veremos que esses “reais otakus”, incluindo, eu, você e seus conhecidos que realmente acompanham o que chamamos de “cultura otaku”, ainda hoje estão a mercê do que o Japão, ou do que as pessoas que lá moram, nos permitem conhecer. Por mais que tenhamos chegado a um status em que acompanhamos informações quase que ao mesmo tempo que as pessoas que moram em terras nipônicas, nós jamais estivemos integrados a cultura otaku, ou melhor, nós jamais fizemos parte dessa cultura como eles. Podemos mensurar e até tentar vivenciar como é a experiência de ser um otaku no Japão, porém não temos como realmente viver essa experiência por completo, a não ser que passemos a morar lá, pelo simples fato de que não temos acesso a todos os materiais que essa cultura gerou e que continua gerando, repito que estamos a mercê da boa vontade daqueles que moram no Japão, pois eles ditam as regras de quais destes materiais vão ser apresentados a cada canto do mundo, mesmo que em se tratando de distribuições não oficiais.

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Não dar para dizer que o material que temos a disposição fora do Japão é escasso, na verdade temos sim material suficiente para sustentarmos o nosso hobby (ou vício), porém estamos longe de podermos vivenciar a cultura otaku como os japoneses o fazem. Provavelmente podemos afirmar que dar para ser otaku fora do Japão, mas não dar para sê-lo do mesmo modo como um otaku que vive no Japão o é, o que talvez não seja tão ruim, pois não tendo a influência da sociedade nipônica, somos capazes de perceber uma série de coisas sobre as obras que acompanhamos que provavelmente os japoneses não percebem, mas é difícil se equiparar a os japoneses quando não temos sequer a o conhecimento cultural que influenciou as obras de que tanto gostamos, sendo que só poderíamos obter este tipo de conhecimento, vivendo em meio a sociedade e cultura nipônica.

A pérola de minha singela coleção.

Artbook francês da série animada de Evangelion (a pérola de minha singela coleção =D).

Talvez, a única saída para nos equipararmos aos otakus japoneses, seria nos tornando criadores de materiais que mesmo que não possam ser chamados de materiais otakus, são influenciados por estes. Acredito que para expressar o quanto aprendemos com o nosso hobby e para transmitirmos a boa influência que ele nos gera, precisamos arregaçar as mangas e tentarmos criar algo novo a partir de tudo que nos foi ensinado. Ninguém precisa criar um mangá ou produzir um anime para se considerar verdadeiramente  otaku, existem várias formas de transmitir uma mensagem e repassar um bom ensinamento. Enfim, talvez não dê para ser um otaku como as pessoas que moram no Japão, mas não precisamos nos tornar reféns dos materiais advindos de terras nipônicas, podemos tentar compensar a falta destes, criando nossos próprios materiais e por mais difícil que isso seja, um dos principais ensinamentos que a maioria dos anime e mangás tentaram e que ainda tentam transmitir é que não dar para alcançar um objetivo se você em algum momento tiver a intenção de desistir dele.