O ogro azul dos fãs de anime e mangá…

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Kyon News (09/11/2014)

Top 3 Animes de Comédia da Temporada - Terceiro Lugar: Denki-Gai no Honya-san

Top 3 Animes de Comédia da Temporada – Terceiro Lugar: Denki-Gai no Honya-san

Olá! Está no ar mais um Kyon News! Na edição de hoje temos várias novidades de mangá e anime e, finalmente, novos trailers. Vamos as notícias…

(mais…)

Pensador Otaku: Dar para ser otaku fora do Japão?

Bom dia, boa tarde e boa noite! Hoje é dia de mais pensamentos sobre o universo otaku, ou sobre o que achamos que ele é. Você, meu caro leitor que não mora no Japão (segundo as estatísticas do wordpress, vez por outra alguém acessa esse blog do Japão), na tentativa de tornar mais forte seu espírito otaku, já deve ter se deparado com diversas barreiras, que vão desde a dificuldade em conseguir materiais que lhe façam upar (ou subir) de nível, até a barreira da língua e algumas vezes a falta de conhecimento cultural que não lhe permiti compreender certas referências apresentadas  nas obras que acompanha ou que acompanhou. Nós que não vivemos em terras nipônicas e nem em terras próximas destas, sempre temos alguma dificuldade para explorar ao máximo as possibilidades de nosso hobby, pelo simples fato de que estamos fora do país de onde ele se origina! E não pensem que a globalização resolveu esse problema, pelo menos não resolveu por completo, pois ainda estamos a mercê da influência e principalmente da boa vontade dos “grandiosos” japoneses (e de alguns outros asiáticos) para nos mantermos atualizados em nosso hobby, ainda assim dificilmente chegamos perto de estarmos tão atualizados quanto eles, diante de tudo isso, será que não somos apenas fãs atrasados de uma cultura estrangeira? Será que realmente podemos nos autointitular otakus? Afinal, dar para ser otaku fora do Japão?

Você não é japonês, pare de fingir!

Você não é japonês, pare de fingir!

A alguns meses atrás acompanhei um anime chamado Outbreak Company, uma obra de fantasia onde o protagonista, um jovem adulto e otaku, passa a trabalhar para o governo do Japão como emissário da cultura otaku em um outro país localizado em um mundo de fantasia medieval que descobriu-se está ligado ao Japão através de uma fenda espaço temporal ou coisa parecida. A ideia de apresentar a cultura otaku a essa nação partia do pressuposto que ela é um exemplo comprovado de um tipo de expressão cultural advinda do Japão que influencia muitas pessoas no mundo todo. O anime se atém a comédia em boa parte do tempo, mas apresenta bem o poder de influência da cultura otaku e em certo momento ele levanta rapidamente a discussão sobre o como esse novo país se ver “refém” do controle de material otaku feito pela nação japonesa, mas ou menos como se isso fosse uma droga a qual as pessoas deste país de fantasia medieval se acostumaram a provar e então passaram a sentir cada vez mais necessidade de consumi-la. Dado as devidas proporções e tendo em mente o teor ficcional da obra, podemos dizer que ela, embora tenha suas diferenças, apresenta basicamente o que os otakus fora do Japão sentem. No anime é dada uma solução plausível e fácil de identificar para esse problema, que até muitos tentam aplicar no mundo real, mas existe  um série de entraves que tornam difícil realmente aplicar essa solução…

Uma arma bem perigosa...

Exatamente, apenas relaxe e espalhe o caminho otaku para essas pessoas.

Na última edição dessa coluna, deixei claro que o termo “otaku” pode ser usado de forma a identificar pessoas fãs de anime e mangá (clique aqui para ler a matéria completa) em qualquer lugar do mundo, assim sendo, não há nenhum problema em eu, você, e todos os seus conhecidos que gostam de anime e mangá se autointitularem otakus, porém se minimizarmos a amplitude desse significado para o atribuirmos apenas a pessoas que de fato acompanham o mundo dos anime e mangas, mesmo que com não muita frequência,  veremos que esses “reais otakus”, incluindo, eu, você e seus conhecidos que realmente acompanham o que chamamos de “cultura otaku”, ainda hoje estão a mercê do que o Japão, ou do que as pessoas que lá moram, nos permitem conhecer. Por mais que tenhamos chegado a um status em que acompanhamos informações quase que ao mesmo tempo que as pessoas que moram em terras nipônicas, nós jamais estivemos integrados a cultura otaku, ou melhor, nós jamais fizemos parte dessa cultura como eles. Podemos mensurar e até tentar vivenciar como é a experiência de ser um otaku no Japão, porém não temos como realmente viver essa experiência por completo, a não ser que passemos a morar lá, pelo simples fato de que não temos acesso a todos os materiais que essa cultura gerou e que continua gerando, repito que estamos a mercê da boa vontade daqueles que moram no Japão, pois eles ditam as regras de quais destes materiais vão ser apresentados a cada canto do mundo, mesmo que em se tratando de distribuições não oficiais.

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Apenas mais uma experiência que não tivemos!

Não dar para dizer que o material que temos a disposição fora do Japão é escasso, na verdade temos sim material suficiente para sustentarmos o nosso hobby (ou vício), porém estamos longe de podermos vivenciar a cultura otaku como os japoneses o fazem. Provavelmente podemos afirmar que dar para ser otaku fora do Japão, mas não dar para sê-lo do mesmo modo como um otaku que vive no Japão o é, o que talvez não seja tão ruim, pois não tendo a influência da sociedade nipônica, somos capazes de perceber uma série de coisas sobre as obras que acompanhamos que provavelmente os japoneses não percebem, mas é difícil se equiparar a os japoneses quando não temos sequer a o conhecimento cultural que influenciou as obras de que tanto gostamos, sendo que só poderíamos obter este tipo de conhecimento, vivendo em meio a sociedade e cultura nipônica.

A pérola de minha singela coleção.

Artbook francês da série animada de Evangelion (a pérola de minha singela coleção =D).

Talvez, a única saída para nos equipararmos aos otakus japoneses, seria nos tornando criadores de materiais que mesmo que não possam ser chamados de materiais otakus, são influenciados por estes. Acredito que para expressar o quanto aprendemos com o nosso hobby e para transmitirmos a boa influência que ele nos gera, precisamos arregaçar as mangas e tentarmos criar algo novo a partir de tudo que nos foi ensinado. Ninguém precisa criar um mangá ou produzir um anime para se considerar verdadeiramente  otaku, existem várias formas de transmitir uma mensagem e repassar um bom ensinamento. Enfim, talvez não dê para ser um otaku como as pessoas que moram no Japão, mas não precisamos nos tornar reféns dos materiais advindos de terras nipônicas, podemos tentar compensar a falta destes, criando nossos próprios materiais e por mais difícil que isso seja, um dos principais ensinamentos que a maioria dos anime e mangás tentaram e que ainda tentam transmitir é que não dar para alcançar um objetivo se você em algum momento tiver a intenção de desistir dele.

Pensador Otaku: O termo otaku

Olá a todos! Hoje é dia de mais uma texto sobre pensamentos aleatórios relacionados ao universo otaku e dessa vez há um motivo ainda maior para esta postagem, pois ela serve com também como uma informação relevante para os próximos dois textos dessa culuna. O tema sobre o qual divagarei hoje é o termo “otaku” e suas várias interpretações, principalmente aquela que acredito ser a mais adequada. É hora de abrir suas mentes e pensar sobre o mundo otaku

otakuO termo Otaku possui dois significados principais. O primeiro é que ele seria a junção do honorífico “O” (お) ao termo “Taku” (宅) que significa a casa da pessoa. O honorífico “O” no início de uma palavra indica uma certa conotação mais formal, palavras comuns que usam esse termo por exemplo são “Ocha” (お茶), que quer dizer chá, ou, “Okane” (お金), que quer dizer dinheiro. O outro significado do termo “otaku” (おたく) é que este seria uma forma antiquada e bastante educada de “você” (normalmente se usa “anata” ou あなた). Note que nesse último caso toda a palavra “otaku” (おたく) é escrita em hiragana, sendo essa a forma mais comum de se escrever o termo.

A primeira teoria do surgimento do termo “otaku” foi a de que ele se tornou popular no início dos anos 80 em redes sociais de fãs de mídias diversas. A segunda, que tem mais haver com o primeiro significado que falei, é de que o termo começou a ser usado no início dos anos 80 para designar pessoas que passavam muito tempo em casa devido a algum tipo de atividade como ver anime, ler mangá, jogar video game e outras coisas, além disso, diz-se que essas pessoas passaram a se comunicar muito pelos famosos BBS’s e neles passaram  se tratar pelo termo “otaku”.

A origem...

Macross e a origem do termo…

Já a terceira teoria, que dar um sentido para a utilização do termo entre os fãs de anime e mangá, é de que a expressão começou a ser usada no fim dos anos 70 por Shouji Kawamori e Haruhiko Mikimoto no lugar de “anata”, ainda quando cursavam a universidade de Keio. Nesta época eles se tornaram co-fundadores do estúdio Nue e co-criadores de Super Dimension Fortress Macross, tanto que o termo é utilizado dentro do anime lançado em 1982. O termo “otaku” então teria se popularizado como sendo uma forma diferente de tratar aquelas pessoas que tinham o conhecimento superior sobre animações e quadrinhos japoneses…

Independente da origem do termo é certo que o seu uso para designar pessoas fanáticas por algo específico (como animes, mangás, idols, futebol, romances, trens e etc) se tornou mais comum a partir dos anos 80 e durante quase toda a essa década ele era usado pelas próprias pessoas que se diziam otaku e sem o tom pejorativo que ele ganhou depois, aliás em 1983, um quadrinho de humor lançado por Akio Nakamori na revista lolicon Manga Burikko, chamado “Otaku” no Kenkyuu (Uma investigação de “Otaku”) tratava os otakus de uma forma caricatural e mesmo com o tom de deboche que alguns utilizavam, o termo foi se popularizando.

Um caso perturbador...

Um caso perturbador…

O tom pejorativo do termo começou a se proliferar no fim dos anos 80, com a mídia e o governo tentando tornar o estilo de vida otaku menos popular, mas o principal evento que fez a sociedade japonesa passar a ver os otakus com maus olhos foi o caso de Tsutomu Miyazaki, o famoso Assassino Otaku, que veio a tona em 1989. Miyazaki sequestrou e assassinou 4 crianças de 4 a 7 anos de idade entre agosto de 1988 e julho de 1989, vale ressaltar que a expressão “Assassino Otaku” só se popularizou depois da prisão de Miyazaki e depois de os policiais encontrarem diversos vhs’s de anime e filmes de terror (principalmente Slasher Movies) em seu apartamento, mas ele chegou a ser chamado também de o Assassino de ninfas, o Assassino da menina pequena (em relação ao caso de agosto de 1988) e até de Drácula, por ter bebido o sangue de suas vítimas, fora outras coisas que fez, coisas estas que não vale a pena mencionar aqui. Tsutomu Miyazaki foi condenado a pena de morte e foi executado por enforcamento em  junho de 2008.

Nos anos 90 cresciam ainda mais os movimentos anti-mangás e o tom pejorativo dado ao termo otaku após o caso de Tsutomu Miyazaki fortaleceu esses movimentos que por sua vez popularizaram ainda mais esse tom pejorativo. Em 1991, o estúdio Gainax lança um ova e documentário ficcional de 2 episódios chamado Otaku no Video, que mostra as duas faces da moeda de ser um otaku de forma bastante exagerada. No fim dos anos 90 e início dos anos 2000 o tom pejorativo do termo começou a diminuir e muitas obras falando sobre o universo otaku foram  lançadas.

O fenômeno Densha Otoko...

O fenômeno Densha Otoko…

No início dos anos 2000, várias lendas surgiram em foruns de internet japoneses, e uma das mais famosas é a do Densha Otoko surgida no famoso fórum 2ch, que fala sobre um otaku que teria conhecido uma bela mulher em um trem e a teria “salvado” de um senhor bêbado que estava quase a “molestando”. Após isso ele se apaixonou pela jovem e com ajuda dos membros do forum se declarou para a mesma. Tal história se tornou bastante famosa e ganhou livro, filme, mangá e uma série de tv. Esta última lançada em 2005 foi um grande sucesso e popularizou o ato de pessoas se denominarem otakus. Na série, além do protagonista, diversos outros otakus pertencentes ao forum são mostrados, sendo estes otakus pelas mais diversas coisas, como cosplayers, otaku por materiais militares, otaku por futebol e etc.

O ex primeiro ministro japonês Taro Aso, que esteve no cargo entre setembro de 2008 e setembro de 2009, era um otaku declarado e usou a cultura otaku como forma de promover o Japão no exterior. Estudos recentes feitos entre japoneses comprovam que hoje em dia quase metade da população se diz otaku por alguma coisa (não consegui ler o site das pesquisas, pois meu japonês não é tão bom, por isso não posso informar dados mais exatos, então peguei a informação de sites em inglês que também não traduziram por completo a informação original)…

e no ocidente...

e no ocidente…

No ocidente o termo “otaku” se popularizou como uma representação de pessoas fãs de anime e mangá e é aceito na maioria dos lugares apenas como uma forma de nomear estas pessoas sem haver tom depreciativo, porém há lugares como no Canadá que por motivos culturais ser otaku é algo realmente mal visto pela sociedade.

Enfim, independente da forma como os otakus são vistos ou não, o termo “otaku” não é um xingamento ou uma forma pejorativa de se dirigir a alguém, na verdade é uma expressão criada e utilizada para representar alguém que é fanático por algo em se tratando de Japão e para representar as pessoas que são fanáticas por anime, manga e, muitas vezes, também pela cultura japonesa, fora de de terras nipônicas. Então meu caro, pode falar que é um otaku a vontade sem medo de está se auto xingando ou qualquer coisa parecida…

Obrigado a todos vocês!

Obrigado a todos vocês!

Como um pensador e auto crítico me sinto feliz por ser um otaku e por fazer parte desse universo com uma cultura tão abrangente, que se originou no Japão, mas que se proliferou por todo o mundo, no entanto é exatamente sobre os problemas dessa proliferação que falarei na próxima edição da coluna Pensador Otaku. Por hora, gostaria apenas de agradecer a todos que chegaram ao fim de mais este longo texto e também agradecer ao anime Outbreak Company que além de me divertir bastante, me fez refletir sobre a “invasão da cultura otaku fora do Japão” e por isso decidi falar sobre o tema atual desta coluna e sobre o tema das duas edições vindouras.  Então nos vemos no próximo post! Bye!