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Considerações Finais sobre Spice and Wolf

Yo! Hoje é dia de apresentar minhas considerações finais de um anime que comecei a ver lá em 2008, mas que só terminei ano passado devido a edição 3 da coluna Hora de Aventura,  trata-se de Spice and Wolf. Sem muitas delongas, vamos as considerações finais.

O melhor mentiroso é aquele que sabe reconhecer quando alguém está mentido

“O melhor mentiroso é aquele que sabe reconhecer quando alguém está mentido!” by Holo

Esse texto não é uma resenha de Spice and Wolf e pode apresentar alguns spoilers leves, então se você não conhece este anime recomendo ler antes a resenha do mesmo que fiz para o projeto Um Anime Por Dia acessando esse link.

Título: Spice and Wolf
Obra Original: Light Novel
Autor da Obra Original: Hasekura Isuna
Gêneros:Comércio, Medieval, Fantasia
Número de episódios: 12
Ano de Lançamento: 2008
Produtora: Imagin
Diretor: Takahashi Takeo

A trama se passa em um mundo que lembra o fim da idade média quando estava acontecendo a ascensão da burguesia, porém quando ainda era forte a influência da igreja. Essa história gira em torno de dois personagens, um mercador (ou caixeiro viajante, ou mascate) e uma deusa loba.  Holo é uma loba gigante vinda do norte que diziam trazer fartura a colheita de um certo vilarejo e durante muitos anos ela teve contato com os humanos desse lugar, mas com o passar do tempo a crença na deusa Holo se tornou cada vez mais fraca e o festival que havia em sua homenagem, já não passava de um festival qualquer em homenagem a colheita farta, além do que a igreja, agora influente no vilarejo, proibia estritamente que deuses “pagãos” fossem vangloriados. Seiscentos anos se passaram desde a chegada de Holo aquela região e durante um festival da colheita ela se encontra com o mercador Lawrence e pede que ele a ajude na volta dela para sua terra natal no norte, em troca ela o ajudaria com seu trabalho. Então começa a jornada do mercador, Lawrence, e da Deusa loba em forma humana, Holo.

O roteiro do anime é muito bem escrito e me agrada bastante, porém o ritmo da história atrapalha um pouco, já que a série mesmo nos momentos de maior tensão parece sempre meio lenta, com exceção dos dois episódios finais dessa primeira temporada. Algo que me agrada bastante no roteiro é essa forma incomum de se tratar de comércio, não como se isso fosse apenas um pano de fundo, na verdade as estratégias de comércio são uma importante da história o que também torna alguns diálogos mais complexos  do que o que aqueles  com os quais nos acostumamos em animes. Além do lado do comércio, ainda temos uma pseudo inquisição, com caça a Holo por ela ser uma espécie de Deusa pagã e a forma como isso é tratado é muito legal, pois muitos dos personagens se veem na situação de ter de escolher fazer o que é certo e não julgar ela (e até outros personagens) pelo que representa, mas pelo que é, ou seguir o que a igreja prega.

Apesar de tudo que se foi dito do roteiro até agora, o ponto alto do anime são de fato os personagens, como eles são nos apresentados e a forma como agem, o que justifica muito bem cada uma das decisões que são tomadas, para bem e para mal, fora que a forma de dialogar de cada um é muito bem retratada. Aliás, a série abusa dos diálogos, muitos deles muito complexos e é comum você se pegar admirando uma ou outra solução apresentada nesses diálogos.  Vale ressaltar que a série vai na contramão da maioria das histórias, e não há muitos segredos sobre os planos bolados pelos personagens, enquanto que  na maioria das séries  as ações são apresentadas e apenas depois é revelado que aquilo foi um plano elaborado pelos personagens, aqui, além da execução, nós acompanhamos a elaboração dos planos e isso inclusive faz com que as situações não previstas ganhem uma importância ainda maior, porém repito que o ritmo quase sempre lento da obra, atrapalha a sensação de urgência de certas situações.

Quanto a aspectos mais técnicos, o anime tem uma animação razoável, não chega a ser excelente, mas está longe de ser ruim. A arte me agrada bastante e a dublagem é muito boa, com destaque para a Holo, que é dublada pela Koshimizu Ami, que também dublou a Tsukamoto Tenma de School Rumble,  a Maou de Maoyuu Maou Yuusha  e a Matoi Ryuuko de Kill la Kill, que são outras personagens de que gosto muito, aliás a genial voz com sotaque carregado que ela criou para a Holo, me lembra muito o trabalho dela com a Maou e é muito diferente nas outras duas personagens citadas. Por fim, a trilha sonora particularmente não me encantou muito e apesar de adorar os temas de abertura e encerramento e algumas músicas internas, no geral acho a trilha meio fraca.

Enfim, Spice and Wolf  não é um anime excelente, mas tem muitos pontos positivos e deve divertir bastante o público que gosta de obras de fantasia medieval tratadas de uma maneira mais séria e menos usual, sem tanto a questão de batalhas de cavaleiros, magos e criaturas fantásticas, tratando mais de questões complicadas como religião, comércio,  costumes locais, briga por poder, dentre outras questões. Não é um anime para todos, mas é sim um bom anime e apesar de não ter lido as novels, os que às leram, acham a versão original ainda melhor, inclusive pessoas que conheço pessoalmente e que possuem a novel já me afirmaram isso, o que não diminui o anime, apenas mostra que a novel é  uma aquisição recomendada, pois a história de Spice and Wolf é realmente muito boa e merece ser apreciada.

Considerações Finais sobre Maoyuu Maou Yuusha

Yo! Hoje tecerei minhas considerações finais sobre um dos poucos animes de janeiro de 2013 que gostei bastante, Maoyuu Maou Yuusha. Dessa vez não é uma série que vi devido a coluna Hora de Aventura, mas uma obra que acompanhei semanalmente a medida que ia sendo lançada no Japão e cheguei a fazer dois posts comentando episódios deste anime para Anime Portfolio (Estes post podem ser conferidos clicando aqui).

Maoyuu Maou Yuusha

Construindo um mundo sem guerras...

Construindo um mundo sem guerras…

Como sempre, deixo claro que este texto não é uma resenha e pode conter spoilers leves, então antes de lê-lo recomendo dar uma olhada na resenha de Maoyuu que fiz para o Um Anime  Por Dia clicando aqui.

Título: Maoyuu Maou Yuusha
Obra Original: Light Novel
Autor da Obra Original: Touno Mamare
Gêneros: Fantasia Medieval, Político, Distopia, Demônios
Número de episódios: 12
Ano de Lançamento: 2013
Produtora:Arms
Diretor: Takahashi Takeo

Maoyuu Maou Yuusha se passa em  um mundo de fantasia medieval, onde os humanos e os demônios estão em guerra e graças ao surgimento de herói (Yuusha), os humanos conseguiram se mostrar mais vitoriosos nos últimos tempos e este herói decidiu dar um fim para esta guerra indo enfrentar sozinho o reio demônio (Maou), mas lá chegando ele se surpreende ao ver que o atual rei demônio é uma bela mulher e que ela estava o esperando, pois queria propor um acordo para este. A Maou gostaria que o Yuusha se unisse a ela em seu plano de levar a paz a todo aquele mundo, tanto aos demônios, quanto aos humanos, e mesmo se recusando a princípio, ele acaba compreendendo que a verdadeira intenção dela é boa e eles fecham um contrato onde cada um passa a está ligado ao outro para sempre durante essa difícil jornada…

Quem ver esse prólogo deve pensar que este é uma anime cheio de grandes batalhas, mas na verdade há batalhas, porém poucas (porém todas são muito boas), pois o anime é muito mais focado no jogo político e econômico do que em batalhas, pois toda a guerra tem seus motivos para ocorrer e há três motivos comuns a maioria das guerras, a diferença de crenças, aqui representado pela questão religiosa, a vantagem econômica de certas nações, aqui muito mais voltada a principal nação humana, porém envolve toda a economia do mundo, e a questão política, que envolve tanto humanos quanto demônios, embora o jogo de poder entre cada raça ocorra de forma diferente. Assim sendo, a ideia da Maou está relacionada a atacar nessas três frentes e vale a pena destacar a questão econômica, pois ela também se liga a duas coisas muito importantes, a desigualdade social, que  aqui também está ligada a miséria e a escravidão,  e ao avanço científico, melhor representado pelo desenvolvimento de alguns novos instrumentos e técnicas avançadas de colheita.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção na obra também foi o fato de nenhum personagem ter um nome, eles sempre se referem uns aos outros por um título, como Herói, Rei Demônio, Governanta, Empregada, Cavaleira, Rei da nação do sul, Rei da nação do norte, Comerciante e etc. Isso só ressalta a ideia de que essa não é uma simples fantasia, mas uma história completamente diferente, inspirada em conflitos reais, mas com diferenças óbvias, mesmo assim me empolga muito ter uma história medieval desta forma em mídias como light novel e anime, pois é algo que foge completamente do lugar comum.

A série tem uma animação razoável, e uma arte que me agradou bastante, além de uma trilha sonora muito boa e uma ótima dublagem. Dentre os episódios deste anime, um que nunca esquecerei é o episódio 9, em que a empregada está travestida de Maou, que por sua vez é conhecida pelo a maior parte do povo humano como Mestre Carmesin,  quando a  Mestra Carmesin foi tachada de pagã pela igreja, por certos motivos que nada tem haver com práticas pagãs. Durante o julgamento desta a empregada faz um discurso de arrepiar todos os pelos do corpo.

Enfim, Maoyuu foi um dos animes mais interessantes de 2013 e embora não tenha obtido todo sucesso que acho que merecia é uma obra  de que sempre lembrarei e que recomendo profundamente a todos os fãs de uma boa fantasia medieval que gostariam de acompanhar muito mais do que uma simples história de heroísmo e lutas.