O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Sentiram falta dessa coluna? Eu senti!

Cá estou para acabar com este jejum, inspirado por um excelente anime que terminou recentemente e por um filme muito ruim que vi ontem, trago-lhes mais um tema cheio de perguntas sem respostas e vice versa, afim de por suas mentes e seu senso crítico para trabalhar. Hoje é dia de falar um pouco sobre os seres humanos e como eles podem ser vilões tão bons quanto heróis, então preparem suas perguntas, pois é hora de mais uma edição da coluna A resposta é 42.

...Leiji Matsumoto que o diga.

…Leiji Matsumoto que o diga…

Os seres humanos podem ser considerados como a forma de vida mais inteligente e avançada que conhecemos, além disso, por ser a nossa raça, tendemos sempre torcermos a favor dela, afinal porque não torceríamos? O problema é que ao mesmo tempo que os humanos são nossos heróis, também são nossos maiores vilões. Um filósofo inglês chamado Thomas Hobbes criou uma frase que resume bem esta ideia: “O homem é o lobo do homem”. Aproveitando-se deste conceito é comum vermos quadrinhos e animações japonesas que exploram o tema das mais diversas formas, principalmente quando nos vemos enfrentando inimigos não humanos e que tecnicamente deveriam unir a humanidade, mas não por muito tempo, ou será que nunca conseguimos unir a raça humana em momento algum?

Lilith_(Rebuild)

Evangelion e o egoísmo humano

Todo ser é limitado por aquilo que conhece, assim sendo, as histórias sempre constroem inimigos movidos por defeitos plenamente humanos, em outras palavras é difícil ver uma motivação que não compreendemos e interpretá-la como algo bom, mesmo porque o novo é ruim né? Na verdade as limitações que temos sempre acabam por tornar um mal ou bem associado a uma ação que possamos tomar. Em Evangelion  por exemplo, temos os anjos como a maior ameaça contra os humanos, ou assim é nos apresentado durante boa parte da série, até descobrirmos que toda essa guerra contra os anjos foi motivada pelos próprios humanos e pior, que supostamente os humanos e os anjos possuem uma descendência comum, na verdade podemos entender que a motivação dos anjos é o medo da ameça que a humanidade pode ser a  eles, mas será que tudo isso não pode ser entendido também como o medo do que os seres humanos podem fazer consigo mesmo e por isso concebeu-se seres inumanos capazes de destruir a humanidade, mas que no final não conseguem nem mesmo parar as lutas internas que a humanidade trava entre si, pois ao final de Eva, quem são os vilões? Uma forma que pode lhes fazer ver Evangelion por um ângulo diferente é pensar que os anjos são seres criados por humanos, ou monstros que unem as características boas e ruins dos seres humanos, e que eles não tinham a intenção de destruir o mundo, mas apenas a Nerv e o projeto de instrumentabilidade humana, pois na verdade essa seria uma ameaça ainda maior para outros seres humanos?

Muv-Luv Alternative Total Eclipse - 09 - Large 19

Seria bem mais simples se eles fossem os únicos inimigos.

Já perceberam como é difícil ver uma história de ameaça externa em que em um ponto a humanidade não comece a confrontar a si mesmo, seja por poder, ou por outras motivações. Normalmente isso ocorre quando aqueles que estão no poder sentem que a ameaça está relativamente controlada, o pior é que muitas vezes esses mesmos humanos não agem para extinção imediata da ameaça, pois ela representa um trunfo até certo ponto. Em Muv Luv Alternative temos um mundo invadido por alienígenas chamados Beta. Enquanto que muitos pensam em destruir os Betas, a ameaça acaba se tornando aparentemente menor para os governos a medida que a tecnologia que permite exterminar esses seres vai se tornando mais eficaz, até chegar em um ponto que os maiores conflitos da série são entre os próprios humanos, não que os Betas sejam esquecidos, mas parece que o confronto com eles se tornou um segundo plano, algo talvez necessário para mascarar uma falsa união entre as nações que nem sempre se interessaram em vencer apenas os betas, mas também em vencer a possível guerra que virá depois que eles forem exterminados. A união soviética investe em seus super soldados, os americanos na junção do treinamento militar pesado com a tecnologia, enquanto que os japoneses buscam construir novas e poderosas armas, afinal será que tudo isso visa acabar com os Betas?

Toshokan_Sensō_characters

Defendendo o lado certo?

Deixando as ameaças alienígenas de lado, temos histórias em que coisas que aparentemente triviais, como o direito de buscar conhecimento nos livros, nos são privadas e que é preciso lutar para mantê-las. Humanos contra humanos para defender um direito humano, pode parecer idiotice, mas não há nada mais comum e triste  no mundo em que vivemos do que vermos guerras travadas entre iguais devido a privação da liberdade de alguns de nossos direitos. Em Toshokan Sensou (A guerra da biblioteca) há aqueles que veem nos livros uma ameaça a criação de uma sociedade ideal e há aqueles que não aceitam a privação de algo tão humano quanto a obtenção e o aprimoramento do conhecimento. Eu sou do tipo que apoio o exército da biblioteca na defesa pelo direito que todos temos de poder ler um bom livro e descobrirmos mais e mais neles, mas também questiono o quão insano é uma luta entre humanos por esta motivação, na verdade podemos associar essa luta pelos livros com as diversas guerras que existem e que existiram relacionadas aos direitos individuais de cada indivíduo. O problema é que não há como inferir que uma sociedade menos crítica não seja mais facilmente pacífica, e pior, menos ideal. Eu não acho que essa é a melhor resolução, porque privar um  direito obtido desde o momento que nascemos parece quase desumano, mas e vocês o que acham?

Shinsekai.Yori_.main_

Um novo mundo, nem tão novo assim.

Por fim, queria citar o caso do anime que me fez pensar no tema de hoje, Shin Sekai Yori. A obra apresenta um futuro em que a humanidade é composta de indivíduos detentores de poderes paranormais, que dentre outras coisas, usam para subjugar uma raça nova conhecida por ratos monstros, seres grotescos, mas que possuem uma capacidade de raciocínio similar a nossa, no entanto que são privados em parte de seu livre arbítrio pelos humanos. A medida que acompanhamos a história descobrimos que a sociedade ideal foi concebida em cima de guerras diversas. Além disso, a maioria dos humanos são proibidos de buscar certo nível de conhecimento e embora hajam mecanismos que proíbem os humanos de matarem uns aos outros, existem outras formas de se matar um indivíduo que seja tido como problemático para o sistema como um todo. A história segue até chegar num certo ponto em que podemos nos interpor na pele dos ratos monstros, tendo os humanos como a grande ameaça externa que restringe a vida dos demais seres vivos. Em outras palavras esta série apresenta uma sociedade ideal humana em que na verdade todos os problemas apresentados anteriormente são a base para ela, nem preciso dizer que no fim das contas o tal novo mundo é muito similar ao velho, ou ao atual. Voltamos ao lugar comum onde “O homem é o lobo do homem”, ou nesse caso, “O gato demônio”.

Esse texto serve pra mostrar como há histórias em que de fato os grandes vilões são as sociedades humanas, mas não precisamos pensar apenas no lado ruim, pois, como citei no início do post, nós não somos apenas os grandes vilões, também somos os maiores heróis. A grande questão a se discutir é um modo de podermos parar com essa briga entre vilões e heróis e passarmos apenas a sermos todos humanos, ou melhor,  a aceitarmos que somos todos iguais de certo modo e que nossa capacidade de evolução sem violência nos levará muito mais longe do que guerras pra decidir o que é melhor e quem tem mais poder sobre quem. Será que um dia pararemos de pensar como povos diferentes e passaremos a agir como indivíduos diferentes, mas como uma único povo humano? E será que isso é realmente o melhor?

Um texto bem questionador e filosófico esse de hoje não? Então fico no aguardo dos seus comentários com suas visões sobre o tema. Até outra hora em mais um texto que busca as perguntas corretas, pois a resposta todos sabemos que é 42!

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Comentários em: "A resposta é 42: Esses humanos não tem jeito…" (10)

  1. Muito bom o post. Eu já me encontrei algumas vezes com esses questionamentos, sempre me perguntava: Por que a humanidade deveria vencer no final das contas? Por que o homem tem essa dificuldade de aceitação?
    Crer na humanidade está cada vez mais difícil.

    • Nossa, depois de comentar esse post fui ver o episódio 17 de Gurren Lagann(que tinha acabado de baixar) e fiquei de boca aberta, não só por causa da seriedade da série nesse epi, mas também porque tem tudo haver com esse tema abordada de forma bem mais implícita nos epis anteriores (tema que justamente deu essa seriedade)

      • Realmente Gurren Lagann também está nessa esfera, principalmente na segunda metade. Muito bacana seus comentários, fico feliz que tenha gostado da coluna e volte sempre que puder!

  2. Flávio Perez disse:

    Excelente post ! Me fez ficar pensando por um bom tempo no assunto, até que cansei, mas foi um ótimo post. =D

    • Fico feliz que tenha gostado do post, mas que preguiça é essa meu caro, se bem que até eu fiquei cansado depois de escrever o post, bem guardemos nossas energias para o próximo texto, enquanto isso vamos ver se achamos alguma dica da pergunta fundamental! =D.

  3. Ei! Excelente post evilasio! ah! eu mandei oe-mail deconvite do blogger faz um tempo e ninguém confirmou ainda!

  4. Otimo texto Evilasio, já tinha ouvido você nos cast da Animecote e lido seus textos mas esse me levou a comentar.

    Concordo plenamente com o tema abordado, não consigo entender de onde vem a prepotência para se ter em mente que os humanos sempre estão certos, isto me fez lembrar varios casos em muitos outros animes, alguns mais mascarados outros bem escancarados

    Mas o que mais me lembrei foi Maoyuu Maou Yuusha que foi exibido durante a ultima temporada, vi a idéia central do anime presente neste texto, e com esta leitura também considerei coisas que não tinha considerado ao ver a série, percebendo assim alguns pontos muito legais sobre ela… principalmente que a Maou fez todas as revoluções da história, kkkk

    Opinião vaga ainda é opinião então tai…

  5. Tulio disse:

    Poxa, bem legal o texto! Fala de uma coisa bem dificil no final das contas.

    O fim de Shin Sekai Yori também me deixou pensando, essa é uma série que eu terei de rever com calma depois (quando vejo animes espaçados por muito tempo acabo perdendo o fio do raciocínio, sou pobre de espírito). Eu acho sempre bonito quando eles trabalham com essa temática do mal, do doentio e expõe isso na arte. Acho que o dificil da questão é o se o Mal nasce com a pessoa ou não.

    Que nem o que o bonito Elfen Lied nos mostrava, uma menina que era diferente desde pequena e que não era necessariamente má por si só, mas o jeito que a diferença dela foi tratada pela sociedade acabou gerando tal comportamento. Ou até o infame Mirai Nikki, que após ver a história de Yuno fica realmente difícil ver ela de outra forma.

    No caso de Shin Sekai, uma coisa que eu achei bem colocada, foi quando o bichinho lá (o general que eu esqueci o nome) foi setenciado ao sofrimento eterno e todos concordaram com aquilo. Não deixa de ser um castigo (e um mal) enorme, mas sobre nome da justiça pode não parecer algo tão ruim. Ah! Isso me lembra Psycho Pass e seus corpos desfigurados como “uma obra de arte”, ou as ações de assassinato não serem consideradas algo muito ruim devido a você “acreditar do fundo do seu coração que é a coisa boa a se fazer”.

    Valeu!

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