O ogro azul dos fãs de anime e mangá…


Está no ar (após um longo hiato) a nova edição da coluna mais fanboy deste blog, ou quase. Aqui o assunto é mangá e somente mangá (mais ou menos).

Hoje irei compartilhar um pouco da minha opinião com relação a vantagens e desvantagens de se publicar mangás curtos aqui no Brasil. Para restringir o que eu compreendo por curto com relação a mangás, falarei neste texto de mangás que possuem no máximo 6 volumes. Enfim, vamos adiante.

Uma obra completa do Miura... finalmente consegui.

Uma obra completa do Miura… Finalmente consegui!

Podemos afirmar que a maioria dos mangás lançados no Brasil são de média ou longa duração, sendo obras com 10 ou mais volumes, isso porque naturalmente as editoras optam principalmente em lançar obras que já são famosas que vão lhe dar lucro por um longo tempo e isso não é nenhum problema, pois é até mais comum que bons mangás durem mais no mercado editorial japonês. Claro que ser bom é algo subjetivo e que o mais correto seria dizer que um mangá é popular, mas quando quase ninguém gosta de algo, isso é um indicativo de que essa não é uma boa aposta a ser feita. A questão é que ainda são lançados no Brasil mangás curtos e do ponto de vista de um leitor de mangás ocidental há uma série de vantagens e desvantagens relacionadas à essas obras.

Uma desvantagem é o fato de que quando a obra não é de um autor já consagrado no país, mesmo que você goste do mangá e com isso passe a querer mais obras do autor desse último, é pouco provável que a série venda bem “a não ser que essa obra tenha sido adaptada para anime”. Entre os exemplos que posso citar, temos o excelente Solanin de Inio Asano, que possui apenas dois volumes e que saiu no Brasil pela editora L&PM, que até fez uma campanha mínima de marketing, mas que aparentemente não conseguiu um retorno tão lucrativo. Vale ressaltar que Inio Asano é o mesmo autor de Oyasumi Pun Pun, outra excelente obra, muito bem-quista pelas pessoas na internet, e que sinceramente só irá ter chances de sair no Brasil se for por outra editora e ainda assim são poucas as chances. Claro que também existem as exceções, como o mangá Spicy Pink de Wataru Yoshizumi, que é um josei de apenas dois volumes e que passou despercebido pelo grande público, mesmo assim há pelo menos mais duas obras da autora no Brasil, Ultramaniac e Marmalade Boy. Provavelmente o motivo deste mangá ter sido lançado no Brasil foi devido ao sucesso pontual das outros obras da autora, e por ter saído numa época em que a Panini ainda investia mais em jousei e em shoujos.

Outra desvantagem é o fato de muitos mangás curtos lançados no Brasil não terem o mesmo marketing que obras mais longas, mesmo necessitando bem mais desse marketing. Atualmente editoras como a NewPop e a JBC passaram a publicar com mais frequência obras curtas. Percebe-se que essas editoras estão tentando equiparar o marketing de obras curtas com o que fazem para obras mais longas, enquanto que vejo pouco trabalho nesse sentido vindo da Panini, mesmo ela ainda publicando excelentes mangás curtos como o Gigantomachia, do qual vem a imagem que estampa o topo desse post.

agehaClaro que nem só de ônus vive nosso mercado com relação a obras curtas, na verdade existem várias vantagens tanto para leitor quanto para editora. Uma dessas vantagens está no fato de serem obras em que o investimento é menor e que um mal desempenho não é capaz de gerar uma crise numa editora. Para o leitor, o custeio de uma obra pequena é sempre menor do que de uma obra mais longa. Além disso, por ser menor o risco para a editora, há mais chances de se apostar em gêneros menos famosos. A JBC praticamente recriou um mercado de obras de suspense e terror ao apostar em séries como Another e Senhor dos Espinhos, além da série de média duração, Diário do Futuro. Agora praticamente essa editora sempre está com ou dois títulos dos gêneros terror e suspense em seu catálogo mensal. A Panini a alguns anos costumava apostar em obras jouseis e shoujos curtas, geralmente de romance, mas isso não ocorre mais.

Outra vantagem é que vários autores famosos costumam, vez ou outra, lançar séries pequenas, enquanto publicam suas obras principais que são mais longas. Algumas dessas obras menores acabam sendo lançadas no Brasil devido ao sucesso de uma outra obra maior do autor, que já faz ou fez sucesso no Brasil, assim podemos conferir mais do trabalho daquele autor. Por exemplo, seria pouco provável que Blue Dragon Ral Grad de Takeshi Obata chegasse ao brasil se não fosse o sucesso de Hikaru no Go, posteriormente esse desenhista ainda teve dois outros grandes sucessos em que trabalhou publicados no Brasil, Death Note e Bakuman, além de outra obra curta recentemente lançada, All you Need is Kill. Particularmente eu só tenho as duas obras curtas de Obata, embora tenha lido todas as obras citadas. Hikaru no Go é minha obra preferida dentre as seis, mas sem dúvida a obra em que Obata me deixou boquiaberto com seu traço, foi Blue Dragon Ral Grad.

È importante falar também que apostar em um autor que teve já obras que fizeram um relativo sucesso no país,  nem sempre é bom, principalmente quando a editora vai longe demais. Tenho certeza que toda vez que um mangá curto está para ser selecionado por uma editora, a editora tem ferramentas para medir o quanto essa obra provavelmente é popular ou não nos lugares em que já foi publicada, de modo que apostar em um mangá não muito famoso apenas porque o autor tem certa fama no Brasil pode sair pela culatra. O próprio Blue Dragon Ral Grad eu já conhecia ela antes de ser publicada no Brasil e pelo pouco de conhecimento que tinha, sabia que não era uma obra tão popular, tanto que até onde sei realmente que não foi um mangá muito lucrativo para a JBC.

Para mim que gosto muito de apostar em mangás curtos, não é incomum esbarrar em obras que não me agradam como o mangá Tsumitsuki, mas diante de um mercado em que suas grandes obras tendem muitas vezes a serem de gêneros muito parecidos, as vantagens de apostar em uma séries curtas se sobressai em detrimento das desvantagens, por isso fico feliz que mais mangás curtos venham sendo publicados nos últimos anos. Apenas espero que não se torne a regra usar esse tipo de mangá para apostar em gêneros menos conhecidos e em obras de demografias menos famosas no país, como o shoujo, o jousei e até mesmo o seinen, porque assim não teremos mais a oportunidade de acompanhar outras obras maiores e boas desses gêneros e demografias.

Sei que o texto não chegou a nenhuma grande conclusão, mas a ideia dessa coluna é divagar sobre os vários aspectos dos mangás e não apenas criticar o que há de ruim e nem apenas ressaltar o que há de bom. Espero que tenham gostado e que também reflitam um pouco sobre a publicação de mangás curtos no Brasil.

Análise da pergunta: Se alguma editora nacional lançasse mangás online você compraria (claro que com preço menor que os impressos pela vantagem em relação a distribuição)?

Uma ótima obra digital que acredito que faria sucesso no Brasil.

Uma ótima obra digital que poderia fazer sucesso no Brasil.

Nessa edição não teremos top nacional, mas temos a nova área da coluna Extras de Mangás onde farei sempre uma análise da pergunta extra de um dos formulários do projeto Conhecendo o Mercado Nacional de Mangás (CMNM), e desta vez vamos voltar a outubro de 2013, onde, juntamente às questões comuns do formulário desse mês, foi feita a seguinte pergunta:

Se alguma editora nacional lançasse mangás online você compraria (claro que com preço menor que os impressos pela vantagem em relação a distribuição)?

E para meu espanto e meio que tristeza a quantidade de respostas negativas foi superior e com uma vantagem razoável em relação às resposta positiva como pode ser visto no gráfico abaixo.

MAnga Digital

Mesmo analisando por faixa etária, apenas as pessoas entre 25 e 30 anos acham que poderia ser uma boa ideia publicar mangás digiais no Brasil. Porém foram muito poucos os participantes da pequisas nessas faixas na época em que esse formulário esteve no ar, como pode ser visto na tabela abaixo.

Manga Digital Faixa

Me pergunto se é uma resistência ao digital, se é porque as pessoas acreditam que obras digitais deveriam ser sempre gratuitas, ou se há uma desconfiança sobre como as editoras disponibilizariam essas obras. O mercado digital de quadrinhos existe, embora seja pequeno quando não se considera as publicações amadoras e gratuitas. Por exemplo o site maisgibis.com.br é uma loja de quadrinhos digitais, sendo que a versão impressa de algumas das obras à venda nesse site já foram publicadas. Porém não existe nenhuma iniciativa oficial do tipo para mangás, pelo menos não em língua portuguesa, pois o próprio Crunchyroll permite que os assinantes brasileiros tenham acesso aos mangás que são lá publicados, porém todos estão em inglês.

Particularmente, eu adoraria ver mangás sendo publicados digitalmente no Brasil, inclusive acompanhando notícias de anime e mangá, pode se ver que há uma tendência principalmente no Japão e nos Estados Unidos de publicarem mais e mais obras digitais. No caso do Brasil há uma vantagem imensa já que sabemos, que devido ao tamanho do país e ao fato de o principal tipo de transporte de produtos ser feito por meios viários, o custo com a distribuição é imenso. Além de que essa mesma distribuição é quase que cruel com fãs que não moram no sudeste onde estão as grandes editoras, pois fora a temível distribuição setorizada, ainda existe a tiragem pequena com que certas obras chegam em diversos locais do país e que por vezes gera uma concorrência por produto, já  que muitos dos mangás esgotam rápido.

Enfim, imagino diante desse resultado e do posicionamento de grande parte dos fãs de mangás, que tão cedo não veremos mangás digitais em português por vias oficiais no país, a não ser que alguma editora nos surpreenda, mas não aposto minhas fichas nisso.

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Comentários em: "Extras de Mangá #5: Algumas vantagens e desvantagens dos mangás curtos lançados no Brasil" (4)

  1. Escritora disse:

    Mangás curtos tem sim suas vantagens e desvantagens. Por mim, elas tem vantagem, pois não sou de colecionar mangás longos e minhas experiências com longos não foram das melhores – FMA ao virar mensal pulava volumes e quando chegou ao 49 parou de dar as caras na banca e “Magi” desisti porque a JBC fez a mancada de pular justamente o primeiro volume e ao ver o volume dois na banca (dezembro do ano passado) fiquei com uma raiva que só acreditando… , sou do que compra via banca – já os curtos, tive mais sorte.

    E sim, todos que tenho com exceção dos guias completos de FMA são da Panini: “Slayers” ( meu primeiro mangá, só não tenho o volume 11 por burrice minha na época); “Witchblade Mangá”; “Chrno Crusade”e “Mad Love Chase” ( meu primeiro mangá shoujo, pois não deu pra ter “KareKano” e “Card Captor Sakura”). Atualmente tenho apenas colecionado o “Psychic Detective Yakumo”, que está ainda em publicação, pois nenhum dos lançamentos recentes tive interesse e estas excursões foram positivas.

    Gosto porque é mais rápido pra colecionar, só não signifique que seja um completo desperdício e a JBC tem aprendido com isso, apesar de considerar que a periodicidade deles pra quem compra muitos mangás seja péssima: não dava pra botar alguns bimestrais e de forma nacional os mais pedidos pra começo? E odiei que a editora não lançou o “Silver Spoon” quando anunciou “Magi”: seria dois mangás numa cajadada só, por serem os maiores sucessos da Shounen Sunday atual. Agora torço pra Panini ou outra editora pegar, porque se for JBC vai lançar mensal e com a “bendita” fase dois na minha cara: não quero que seja com o que houve com o “Magi”, o primeiro mangá que tive de desistir de ter. Pra mangás longos, concordo que sejam mensais, só que, os que tem menos de 10 a 15 volumes… considero o bimestral mais sensato e fica menos pesado no bolso: é uma opinião minha.

    Não tô defendendo a Panini e tampouco a JBC, pois sei que ambas tem suas vantagens e desvantagens: só a quem compra de ambas ou só de uma pode dizer o bom e ruim que oferecem. Gosto de investem em variedades, só não pode desistir de trazer séries curtas, por ter gente como eu que na falta de um mangá longo, vá de mangá curto. E é bom porque muitos mangakás lançam este tipo de material, pra notar o diferencial de um longo e um mais curto.

    Bem é isso: até mais!!!

    • Eu imagino que quem compra mangás na banca tem uma série de problemas ainda maior do que quem ainda tem a chance de comprar de uma loja especializada (comic shop). Com isso vejo ainda mais um bom motivo para publicações digitais, pelo menos quem puder e estiver apto a ter o material digital não terá que passar por esses problemas referentes a distribuição.

      Aqui em Fortaleza eu passo pelo contrário que você, a distribuição da JBC, pelo menos nas lojas especializadas de quadrinhos, é muito melhor que a da Panini que independente da periodicidade tende muitas vezes a atrasar e suprir o mercado local com menos obras que a real demanda, necessitando frequentemente de solicitações de reposição. E quando não há mais estoque na editora aí… Todo mundo sabe como a Panini tem uma dificuldade imensa em republicar várias de suas obras. Falando em distribuição ruim, ninguém supera a senha Abril, caramba tem volume de Kingdom Hearts que já demorou 8 meses para chegar aqui.

      Obrigado por mais esse excelente comentário!

  2. Olá!!

    Interessante esse seu post. Creio que a vantagem de comprar uma série pequena é seu custo benefício, embora o segundo possa não estar ligado diretamente com o primeiro. Tem muitas obras curtas ruins. Assim como as séries longas. O bom é que a pessoa não fica “presa” naquele título por muito tempo. Títulos grandes acabam afastando leitores e só os corajosos continuam (e os que tem lugar para guardar tal coleção). rsrsrsrs

    Sobre a pergunta do formulário, há um tempo atrás eu não leria nada online e nem pagaria por isso. Contudo, após adquirir o Kobo Glo (por pura curiosidade) eu cheguei a conclusão, que sim, eu pagaria por algo online ou digital. Títulos difíceis de serem encontrados e séries longas, bem como um test drive seriam os escolhidos.

    Bom, vou indo para não perder o rumo

    Até mais

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